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Bug Cinema

Público·89 membros

“A Grande Entrevista“ (Netflix, 2024)


Que thriller! Ninguém consegue tirar os olhos da tela!

Como em todos os bons roteiros que falam sobre o

trabalho jornalístico investigativo, A GRANDE ENTREVISTA

aponta o que foi necessário em termos de negociação ao

redor do agendamento e preparação da entrevista com o

Príncipe Andrew para o Newsnight e que o levou à

derrocada. Toda a estratégia, as formas como a

entrevistadora foi preparada, a diferença de visão de

abordagem, intrigas. O xadrez da comunicação posto na

tela – nada parecido com essa “pataquada xarope” que a

gente vê nas entrevistas, no Brasil. Não. Um duelo verbal

articulado, perfeito, imperdível, onde as armadilhas são

postas, as respostas são exigidas e homem público não

tem como “gritar e cuspir” como aqui para coagir,

atemorizar – ele precisa responder.

Uma grande lição – principalmente para os medrosos

políticos brasileiros – que tentam dominar a arte dos que

não falam nada com muitas palavras grandiloquentes e

inúteis, gritos, suspiros e fingimento.

Pra mim, que sou professora de oratória, um êxtase. Pra

quem ainda não percebeu que fazer perguntas nos tira do

imobilismo mental, um incentivo.

Para os machistas e pedófilos que acham que podem se

esconder atrás do dinheiro e de títulos nobres

eternamente: nem sempre. Epstein – personagem

principal do filme - que o diga. Sem a relação de amizade

com ele, talvez Andrew tivesse escapado incólume.

Você que não sabe nada sobre esse caso que abalou o

Reino Unido ou você que sabe tudo do tema, mas não viu

o filme ainda – é imperdível.

Você que acha que falar bem se resume ao que se

improvisa sem preparação alguma, veja o filme, entenda

o que é comunicação profissional, se torne um aficionado

e principalmente: cobre coerência verbal dos seus

legisladores porque aqui não é hospício como parece,

não. Aqui é Brasil. E eles precisam saber que chefes nós

somos, afinal.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Nunca teremos a completa noção do “poder dos

poderosos”. De vez em quando, se prestarmos atenção,

vamos percebendo um pouco. Mas é mesmo pouco. Tudo

o que fez Jeffrey Epstein e permitiu fazer muita gente

famosa e poderosa, sabemos uma parte e imaginamos a

outra parte. Não é muito difícil. Na verdade, é nojento,

horrível, ultrajante, indecoroso, aviltante, para qualquer

mulher. O dinheiro que este homem tinha, ilhas, aviões.

Lugares luxuosos, muito protegidos, sem restrições. O

convívio com alguns dos homens mais poderosos, mais

protegidos. A ideia de que podiam (podem) fazer o que

queriam. A “utilidade” das mulheres, a forma como as

usam, as utilizam, as exploram. As mulheres que os

rodeiam, como Ghislaine Maxwell, sempre conhecida

como ex-namorada de Jeffrey Epstein e a assistente

pessoal do Príncipe Andrew, sempre acham que eles não

fizeram nada, que são perseguidos. As mães – algumas -

nomeadamente a Rainha, que em conversas particulares

com seu filho Príncipe Andrew o deve ter humilhado,

excluído, criticado, como no filme deixam um pouco a

entender – mas que o manteve sempre socialmente

escondido. O suicídio de Jeffrey Epstein, que o mundo

inteiro sabe que foi “suicidado”.

Este filme é muito interessante por tudo o que já

descrevi, para nos alertar para tudo de horrível que

acontece sem nem imaginarmos, mas também para o

mundo das televisões, canais de informação, programas

semanais de notícias, relações entre jornalistas, as

“fontes” de informação, quem consegue “furos” de

notícias, de reportagens, os fotógrafos chamados de

“paparazzi”. Também este um mundo que envolve muito

dinheiro, muita inveja, muita competitividade. Os que

parecem trabalhar mas não produzem muito, os que

parecem nada fazer mas que conseguem oportunidades

de reportagem únicas, a capacidade de ir em busca, de

tentar, de saber chegar à informação, de criar o espaço

para as pessoas falarem sem precisarem de ser

pressionadas (numa entrevista). Um mundo complexo.

Um mundo cheio de pressões.

Um filme a não perder por tudo isto. E porque é sobre um

acontecimento real que todos devemos saber.

Tente não perder.

Ana Santos, professora, jornalista


Sinopse: Inspirado em eventos reais, este drama revela os

bastidores de como as profissionais do Newsnight

conseguiram realizar a icônica entrevista com o Príncipe

Andrew.

Direção: Philip Martin

Elenco: Gillian Anderson,Billie Piper,Rufus Sewell.

Trailer e informações:

https://www.youtube.com/watch?v=5-29vlqgW-4

https://www.netflix.com/br/title/81600418

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