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Bug Cinema

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“'Squel, Confissões de uma porta-bandeira” // “Squel: A Carnival Queen” (Autoral Filmes, 2026)



Joãozinho Trinta, o carnavalesco mais genial da história, dizia que um desfile de escolas de samba era como estar e viver num palco de óperas. Ninguém que não tenha em si mesmo a percepção da ruptura absoluta com a realidade que representa o carnaval brasileiro, a pausa para que a mente humana, do tipo carioca, se espraie pelo éter, pelo ar, pela atmosfera e se expanda, se expanda até que o infinito nos conduza até a liberdade criativa absoluta, capaz de convencer uma pessoa pobre de que ela, naquele momento, é uma rainha, uma princesa, uma escrava, uma deusa, uma orixá do panteão de Órun, que divide com as entidades que vem de lá o Ayé, o nosso mundo físico, compreende o tamanho da expansão necessária para voar além do real para defender um panteão, uma bandeira, uma tradição.

Este documentário é sobre a construção dolorida, cansativa, extenuante desse momento. Para uma carioca e portelense como eu, é mágico... é como voar no tapete criativo do Aladim, com a batida da Portela animando o nosso coração.

Poucos são ricos numa comunidade, todos sabemos. Mas existem pessoas que se preparam para lançar-se nos braços da criatividade para viverem a fantasia que conta o enredo. Squel, nasceu para isso, foi educada relacionando a batida de seu coração, conforme a batida do bumbo das escolas de samba que defendeu.

O filme mostra uma preparação muito mais perfeita em termos de entrega do que muitos clubes de futebol fazem. Uma preparação que exige total dedicação – como um mergulho em águas profundas. Apenas encher os pulmões de ar e ser treinada para pular, enfrentando doenças suas, dos seus pares e brilhar, de tal forma defender o nome – a bandeira de sua escola. É lindo isso.

O filme preenche essa linha histórica carinhosamente, mas mergulhando num nível de esforço pouco visto por quem não faz parte das comunidades. Gostei muito dos enquadramentos, da câmera viva, eventualmente balançando nas mãos do filmaker. A direção também é muito sensível, com ângulos lindos de olhos e olhares. Mesmo as pequenas falhas de captação do áudio no início, juntamente com a rapidez da fala das personagens do DOC são totalmente compreensíveis, já que não havia ali nenhuma aula de dicção – havia, isso sim, emoção.

Squel é fascinante. Vestida, uma deusa. Capta a emoção do momento com uma expressividade a toda prova. Para os cariocas é um filme obrigatório. Squel é um exemplo de atuação, de mulher, de esforço e dedicação. Para o resto do mundo... é um filme interessantíssimo para penetrar na indiscutível magia ao redor da montagem de um desfile, a partir do lugar da maior realeza, respeito e centralidade dentro da escola de samba.

Para quem quer conhecer uma ópera ao ar livre, com uma orquestra que caminha, enquanto marca as variações do ritmo, é maravilhoso. Para atores e dançarinos, obrigatório. Para o resto de nós: uma experiência inesquecível. Para os portelenses: mágico!

Como meu julgamento é totalmente comprometido pelo amor que tenho pela Portela, afirmo e reafirmo: IMPERDÍVEL!

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

Noutros países não conseguimos imaginar a real dimensão das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, nem a competitividade, a dedicação, o trabalho, os talentos, a multiplicidade de áreas que estão envolvidas. Um mundo semelhante a uma olimpíada, a uma liga dos campeões no futebol, com gerações de famílias que dedicam seu tempo, sua vida, com muito dinheiro envolvido, carreiras profissionais de alto rendimento, vidas dedicadas na totalidade a este mundo – grandioso e fascinante mundo que nos faz parar para assistir no Carnaval, ano após ano. O voluntariado vai passando a um mundo de algumas estrelas que imagino, porque não faço a mínima ideia, que ganham bem. Ou muito bem, seja lá o que isso quer dizer.

Este documentário aborda uma parte da trajetória de uma das porta-bandeiras, Squel Jorgea. Vem de uma família com imensa tradição, tem um trajeto impressionante e é uma mulher muito poderosa, linda, de personalidade muito marcante, como qualquer carioca, qualquer brasileira.

Acompanhamos o seu retorno após uma gravidez, ouvimos seus desabafos, assistimos a ensaios, testemunhamos os momentos, as rotinas e a responsabilidade e pressão que precisa enfrentar uma porta-bandeira de alto nível, como Squel Jorgea. Um retrato íntimo e original deste mundo tão difícil e exigente.

Amei. Fiquei bastante impressionada com a semelhança de rotinas, trabalho e dedicação, de atletas e de músicos de alto nível. Muito bom, muito importante assistir. Deveria ser divulgado nas escolas.

Imperdível.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: Após se aposentar em 2022, Squel Jorgea decide voltar ao Carnaval do Rio. Porta-bandeira por mais de 20 anos, ela foi a primeira a representar tanto a Mangueira quanto a Portela. De volta após a maternidade solo, reencontra o corpo, o gesto e a força que a tornaram referência. Na avenida, dança o enredo de Um Defeito de Cor, a resposta de um filho à carta de sua mãe escravizada, história que ecoa sua trajetória. Entre o silêncio e o tambor, sua dança se transforma em rito, resistência e celebração da cultura afro-brasileira.

Esta é a premissa de "Squel, Confissões de uma porta-bandeira", de Celina Torrealba e Zeca Brito, longa-metragem que ganha sua primeira exibição no Festival do Rio, no dia 6 de outubro, terça-feira, às 19h, no Cinesystem Belas Artes Botafogo. O filme será reprisado na quarta (7), às 18h15min, no Cine Santa Teresa, e quinta (8), às 18h30min, no Estação Claro Rio 3. A projeção acontece dentro da mostra Première Brasil: Retratos.

Ficha Técnica

Direção: Celina Torrealba e Zeca Brito

Produtores: Sergio Carpi, Celina Torrealba, Frederico Ruas, Zeca Brito, Suzana Villas Boas e Squel Jorgea

Produção: Donna Features

Coprodução: Anti Filmes

Montagem: Jardel Machado Hermes

Roteiro: Celina Torrealba, Zeca Brito, Jardel Machado Hermes e Renato Dornelles

Direção de Fotografia: Celina Torrealba, Zeca Brito, Bruno Polidoro e Érica Rocha

Música Original: Fernando Aranha e Guga Bruno

Colorista: Marina Cotrim

Design de Som: Fernando Aranha

Mixagem: Bernardo Adeodato

Personagens: Squel Jorgea, Marluce Medeiros Paz e Marlon Lamar


Domingo é dia de sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.

Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.


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