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Bug Cinema

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“Ponto de Virada: Geração 11 de Setembro” / “Turning Point: Generation 9/11” (Netflix, 2026)


Eu acompanhei o 11 de setembro, passo a passo, desde a ideia de que tinha sido um acidente trágico, até a certeza de que tínhamos acompanhado pela TV, pela primeira vez, um atentado terrorista ao vivo. Dois prédios, quase 240 andares viraram pó, literalmente – "do pó viestes, ao pó retornarás". E depois da Bíblia, a vingança, a caça, a invasão do Afeganistão, a suposta salvação e depois a entrega da população do País a Al Qaeda – de salvadores de um povo, de guerreiros que acabaram com o grupo terrorista que devastou seu país, de defensores, de matadores de Osama Bin Laden, a soldados perdidos, nunca treinados a abandonar um povo que estava sendo trucidado frente aos seus olhos – também ao vivo, em todas as TVs do mundo.

Sim, este é o DOC PONTO DE VIRADA: A GERAÇÃO 11 DE SETEMBRO – com uma cena – a cena, esta cena - que agora ninguém sabe bem como é contada nos livros de história. Também não sabemos como escalamos para essa política de colocar o mesmo povo lutando contra si mesmo, invadindo Instituições e afrontando poderes, antes inquestionáveis – como as democracias, por exemplo. Olhando perplexa para o que se chama agora claramente de “ministro terrivelmente evangélico” e tudo o que ele faz em nome de ter sido escolhido por um governo de direita – inclusive destituir de importância instituições respeitadíssimas pelo povo brasileiro, como a polícia federal, assisto a um documentário que aponta o ponto zero – “the ground zero” – o ponto de nascimento – e a visão me mortifica porque a tudo isso nós vimos, nós sentimos, mas nada nos defendeu das ações posteriores.

O filme aponta decepções. De soldados, de filhos dos que morreram, das famílias dos bombeiros herois, das famílias das pessoas que estavam nas Torres Gêmeas, nos aviões, todos indefesos diante da confiança de que se pode invadir e matar na terra dos outros. Os norte-americanos, ao que parece, continuam fazendo isso, cada vez mais, numa sanha de e pelo poder que nunca se satisfaz.

Amanhã estaremos vendo documentários sobro o “novo colonialismo exercido com governos exercidos por Big Techs”? Nada parará a estupidez? Nada fará com que alguém no poder diga: Hiroshima  e Nagasaki não? Vietnan, não? Palestina, não?

Mortos, feridos, traumatizados. Nós e nossa iludida relação com o poder que continua convencendo muitos de que somos diferentes, quando eles sabem muito bem nos manipular com os mesmos conceitos de igualdade de sempre. Mas eles nunca de sentiram ou sentirão iguais a nós, entendam.

Em PONTO DE VIRADA: A GERAÇÃO 11 DE SETEMBRO nós vimos, nós testemunhamos tudo. Lá começou a desolação que nos levou à mente desértica, a falta de pensamento crítico. De lá e com muita manipulação de sentido das palavras, Corações e Mentes (como no outro doc, sobre o Vietnan), chegamos a invasão do Capitólio, às mortes de concidadãos, a escalada da extrema direita, a volta do nazismo, a invasão da Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro e tudo o que já estava enterrado no passado de “todo dia termos que processar um caminhão de notícias” para nos confundir – e dominar.

Ficam as perguntas dos soldados que sobreviveram: “Como alguém de 23 anos e não treinado, teve que escolher quais afegãos entrariam e quais seriam entregues ao Estado Islâmico para serem aprisionados, torturados, mortos? Como o plano foi não haver plano?

 

Já pensaram nisso? Não pensaram? É feito para não se ter tempo de pensar. Nem perceberam? Pensem nisso.

Vale demais ver e depois fazer o que estamos sendo impedidos – praticamente proibidos de fazer, no dia a dia – pensar.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

É uma engrenagem, um raciocínio e um jeito de viver a vida que não tem solução. As armas sempre serão a forma de enriquecer os países, as regras serão sempre para serem criteriosamente cumpridas pelos outros, as guerras matarão inocentes sem fim e existirão para obter poder e mais poder, os líderes, os grandes empresários e os senhores da guerra decidem o que se faz no mundo.

A gente precisa aceitar isso mesmo sendo terrivelmente difícil, vai vivendo como pode e tendo esperança de não ser um dos mortos de alguma guerra, atentado ou escaramuça, E vai vivendo cada dia, apreciando quando acorda pela manhã com saúde, o sabor da comida da mãe enquanto ela está viva, a sensação gostosa depois de cada banho enquanto tem água, e as pequenas conquistas da vida profissional e pessoal.

Somos seres tribais, animalescos, grosseiros, agressivos, egoístas, de ambição cega, vestidos de gente de classe, com perfumes e roupa de alta costura. Mas por dentro dessa classe temos corações empedernidos.

O documentário é emocionante, preocupante e um alerta.

Tudo muda num instante, mas não é só por causa do universo, e sim por causa de humanos que não têm travão para o que querem. Vale tudo, tudo, tudo. Termina o documentário e vem um desejo infantil de não sermos nunca apanhados por tanta coisa errada que se faz à nossa volta.

Um dos aviões que chocou contra as torres gêmeas, faria o trajeto que eu fiz algumas vezes, um ano antes. É um alívio misturado de uma enorme culpa e de perguntas. Quem decide quem é escolhido e quem não é? Como se lida com a dor e a culpa? Quando se consegue parar esta loucura de atentados, guerras, brigas, poderes?

Os documentários americanos são sempre muito bem realizados e os que têm a temática do 11 de setembro de 2001, são de extrema qualidade. Não se pisca os olhos nem um segundo. De repente já passaram 25 anos. Incrível. E é mais incrível que existe uma nova geração que precisa saber muito bem o que aconteceu por que senão corremos o risco de considerarem que é tudo inventado, ou exagerado – como quem acredita na terra plana, quem é anti-vacina, quem esqueceu o holocausto.

O mundo está virado de pernas para o ar...

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: Vinte e cinco anos depois do 11-S, filhos das vítimas, jornalistas, jovens afegãos e fuzileiros navais revelaram como uma geração cresceu à sombra desse dia e herdou um mundo marcado pelas decisões e guerras que se seguiram.

Direção: Brian Knappenberger

Elenco: Michael Smoak, Garrett Graff, Anand Gopal

 

 Domingo é dia de sugestão cultural.


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