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Bug Cinema

Público·89 membros

“Sonhos de Trem”/ “Train Dreams” (Netflix, 2025)



Quem é capaz de realmente inferir qual é o ritmo da vida e o que ela quer lhe dizer? Por que tal coisa acontece assim, qual a sabedoria naquele determinado perder ou ganhar ou o que você é capaz de ver, para além das rotinas? As rotinas nos cegam...

                        SONHOS DE TREM nos envolve em perguntas essenciais e em como podemos entrar no fluxo da existência humana, mesmo quando não se está falando de ninguém em especial. Apenas alguém que nasce e passa pelo mundo sentindo, vendo e pensando no significado de uma folha ou um galho caírem. De alguma forma parece que nada do que fazemos interfere na evolução do mundo; mil vezes ouvimos isso. Na política, vivemos isso. Políticos votam e optam por poluir, em detrimento da vida, como se nada pudesse modificar a vida. Mesmo eu, descendo a escada do Museu de Arte da Bahia há alguns anos, mãos dadas com meu afilhado e Ana, em busca de algo para comermos, não poderia imaginar que as pedras portuguesas que foram retiradas do pé da escada do museu seriam suficientes para eu ter quase uma fratura exposta – mas aconteceu exatamente assim. Uma fagulha insignificante tem consequências na vida – talvez na sua.

                        Há uma sabedoria em buscar em si onde as linhas desses detalhes se cruzam e ver o sentido refletido naquele pequeno instante. Atualmente se precisa de filmes para pensar no assunto porque a maior parte das pessoas parece viver anestesiada, mas muitos que por esse mundo já passaram, pensaram nisso.  Qual a dimensão da morte, se ela pode ser vista de tantos ângulos? E como interpretar quem faz essa pergunta em tantas dimensões? Joel Edgerton criou pequenos momentos mágicos, nesse filme, numa interpretação dificílima, silenciosa, sutilmente retumbante, com a direção e roteiro perfeitamente sincronizados de Clint Bentley. E tanta coisa aconteceu em tão poucos anos, que parece quase mentira estar vivo para contar o que viu sequenciadamente.

                        SONHOS DE TREM é lento, escuro, mas puro e essencial. Ele lhe empurra de volta e para dentro do que já vimos e sentimos. E já vimos, assassinatos e assassinos, vemos Trump em ação, poluição em todas as direções. E bebês que vão herdar esse mundo. Que eles possam, em algum momento, fluir com as águas, o ar, sentir seus pés na terra – simplesmente viverem.

                        Um grande filme para se ver em família, em silêncio e sentindo o significado de se ter um lugar, um momento.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

Não sei se vai vencer o Óscar – está nomeado – mas vence nossos corações de uma forma bem cândida e gentil, e nos alerta para o que fazemos e para a forma como enfrentamos o mundo e percebemos a vida.

Temos tantas certezas quanto tudo está bem, mas nada sabemos quando tudo desaba. Enquanto espécie, temos muito a aprender e evoluir. O nosso tempo não é o tempo do universo. Talvez aprender a viver no tempo do universo seja uma das grandes aprendizagens da vida.

Somos pequenos, somos muito autocentrados, somos arrogantes, estragamos sem ter noção do efeito do que fazemos. Somos nocivos ao mundo e se assim continuarmos, o mundo vai nos “cuspir”.

O início do filme é bem lento, mas ou melhora ou a gente diminui o nosso ritmo – não sei dizer. Mas a sincronia acontece quando o momento da virada acontece. Me fez chorar, lágrimas de coisas que também viveste e entendes a mensagem. Nos convida a olhar mais à nossa volta, a apreciar o simples, os detalhes. Bons atores. Só um diretor com um enorme coração faz um filme destes. Lindo. É um alerta doce. É bom que a gente o escute.

Nos dá a proporção universal, nos lembra que tudo se regenera. Por isso a nossa dor precisa de se esvair aos poucos para nos permitir florir de novo.

Tinha lido que era um filme que nos fazia sentir e é verdade. Nos faz sentir. Raro. Maravilhoso. Imperdível. Está na Netflix.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Sinopse: Robert Grainer, um homem comum que vive em tempos extraordinários, trabalha como diarista no oeste americano no início do século XX. Atingido pela morte de sua família, ele luta para se adaptar a esse novo ambiente.

Direção: Clint Bentley

Elenco: Joel Edgerton, Clifton Collins Jr., Felicity Jones.

Trailer e informações:

https://www.imdb.com/pt/title/tt29768334/

 

Azulejaria, uma arte milenar que enriquece nossos dias.

Sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.

Sempre que possível indicamos filme ou documentário que pode ser visto por todos, na internet.


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