“A Ausência Que Seremos”/ “El olvido que seremos” (Netflix, 2020)

Ver esse filme, no momento político do Brasil atual, foi quase como rememorar o que foi a tortura, os assassinatos, as pressões, os atentados, as execuções nos anos de 1970 - não apenas na Colômbia, mas em todos os países da SulAmérica, incluindo o Brasil.
O que significa ser médico e professor em meio às correntes de medo e de silêncio ao seu redor, universidade? O que é criar filhos, ter uma esposa, uma família e permanecer destemido? Aliás: o que é mesmo ser destemido e falar, conjecturar, discutir, não esmorecer, insistir a cada aula que suas turmas pensem?
Este é o filme. Cenas bem articuladas, ganchos bem feitos, interpretações tão absolutamente orgânicas que esquecemos que é filme – talvez pela “proximidade entre os roteiros das ditaduras da vida real”. Saber que um dos roteiristas do filme é o menino Hector, responde a muitas questões relativas à naturalidade com que as coisas acontecem e constroem o arco dramático do filme – são recordações, isso sim...
A energia do filme tem uma oscilação incrível, saindo de um “filme de família” que era atravessado por algumas rotinas de violência para um filme violento com cenas de amor familiar. Por qualquer lado, a dor das perdas é intensa.
A direção é sempre justa nas mãos Fernando Trueba. O filme rende muito, nos aproxima do mundo que está sendo construído continuamente e a nossa responsabilidade em perceber os sinais de que algo pode mudar drasticamente.
Pense nisso, na hora de votar hoje. Tudo pode mudar drasticamente. Depende de nós, de cada um, do que somos, da nossa racionalidade. Vote em quem já fez. Vote na liberdade. Na democracia.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
A história de vida de um homem à frente do seu tempo. Médico, totalmente envolvido na procura de formas para a população do seu país poder ter a saúde controlada – uma das formas, as vacinas, claro! Com família numerosa, sendo um pai presente, humano, educador, amável, gentil, doce e presente. Uma família com ambiente agradável, festivo, animador, feliz. Interessante como a maioria dos grandes homens são gentis na sua família, no seu trabalho e buscam o bem estar de todos – nunca apenas o seu. No meio disso tudo, não são machistas, ou são muito pouco, têm poucos preconceitos, ou nenhuns. É o caso deste homem preocupado com a qualidade da água, com a rede de esgoto, com a saúde pública e nessa luta, vai-se envolvendo na política quando percebe – como todos percebemos – que é a política que trava ou permite o avanço civilizacional humano.
Uma história de vida nobre e lutadora que enfrentou sempre os regimes de repressão, sejam eles militares, políticos, ou até ditatoriais. Homens destes existem poucos, cada vez menos, mas precisamos de permitir a sua existência através de criações livres em família e em sociedades democráticas.
Uma produção sensacional, com pormenores lindíssimos de época – o toca discos / gira discos, os carros, as roupas, as casas. Atores e atrizes excelentes, excelentes – amei. Incluindo os jovens. Fantásticos todos. Apesar disso, preciso destacar Javier Cámara, mais famoso, mais conhecido e sempre com um desempenho incrível e Nicolás Reyes Cano, um jovem ator absolutamente sensacional. Estarei atenta aos seus filmes no futuro.
Um filme imperdível por ser um excelente filme, um filme imperdível por ser uma história de vida de alguém que lutou pelo bem dos outros e um filme imperdível nesta hora do Brasil, onde precisamos ser ativos e ajudar o país onde vivemos a proteger este tipo de pessoa, em vez de os atacar, e sendo mais um na construção de um país bom para todos.
Ana Santos, professora, jornalista
Sinopse: História de um professor universitário de medicina da Colômbia, defensor da tolerância e dos direitos humanos, em meio à violência da vida sociopolítica no país nos anos 70, contada através de seu filho escritor.
Direção: Fernando Trueba
Elenco: Javier Cámara, Nicolás Reyes Cano, Juan Pablo Urrego
Informações:
https://www.imdb.com/pt/title/tt11385336/
Domingo é dia de sugestão cultural: uma exposição, um bailado, uma ópera, uma peça de teatro, um filme.
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