“UMA FALTA DE NEXO CHAMADA GÊNERO MASCULINO” e “O Mundo parece uma espelunca” Bug Sociedade
- portalbuglatino
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“UMA FALTA DE NEXO CHAMADA GÊNERO MASCULINO” Bug Sociedade
O que faz um gênero olhar para o outro como “disponível para suas taras” mais abjetas? O que faz com que um gênero inteiro, na maior parte – senão na totalidade – nos vejam como objetos a serem usados para o seu próprio prazer, mesmo que cruel, mesmo que covarde, mesmo que perverso? O que faz com que um covarde, menor de idade, consiga rapidamente convencer e obter o aval de adultos do mesmo gênero que, risonhos, comentam entre si, após o ato dantesco, asqueroso, nojento, covarde de um estupro coletivo: “Hoje vai ter mãe chorando”! – citando a mãe da adolescente de 17 anos, vítima dessa sanha inominável ao redor do nível máximo de marginalidade e baixeza que se esconde num estupro coletivo?
Onde está o nexo de termos que ver e conviver com pessoas que acham que a culpa é da menina porque ela aceitou ir ou porque também estava a fim ou porque deu mole? Por que nos negam sempre o direito de negar? De interromper? E se um homem hetero cis estivesse com sua namorada hetero cis e ela puxasse um vibrador para brincadeiras sexuais anais nele? Não poderia escolher dizer que não? A mulher tem que sempre dizer sim, mas o gênero masculino em sua ignorante e inominável falta de nexo até no sexo, nem conta com isso. Nem sonha com isso. Afinal, quando é com mulher... Afinal o quê? Para o gênero feminino vale tudo porque os homens unidos jamais serão vencidos? Nojo.
É uma vergonha que o gênero masculino se sinta depreciado ao dizer: “Não, isso é crime e eu vou avisar a polícia agora mesmo”. “Não e eu vou na tua casa agora falar com o teu pai que você é um criminoso, tarado que está armando pra uma menina”. É uma vergonha que a escola, ao desconfiar das ações do menor de idade, não o entregasse ao Ministério Público, à polícia, à família, a seja quem for, para dar ciência do desejo perverso; que não o expulsasse da escola ou, o mantendo após avisar sua família, exigisse o tratamento psicológico desse adolescente com acompanhamento pedagógico rigoroso para a proteção das meninas.
É uma vergonha que os políticos continuem ganhando tempo para proibir por lei a presença e o convívio na internet de redes incells como os redpills e outros tantos grupos misóginos que não dão conta da própria covardia na convivência com outros coletivos e que habitem e alimentem esses grupos de tarados frustrados, que rejeitam o gênero feminino por não saberem conviver. Porque o defeito é de vocês. O problema é de vocês. A covardia e a bandidagem são de vocês.
Uma coisa é certa: a sociedade inteira precisa rever a forma como cria o gênero masculino. É preciso fazer isso já, imediatamente. Vocês não podem ser criados como seres que atacam em matilhas, covardemente aos desavisados. Isso não é masculinidade; é banditismo e marginalidade. É crueldade e covardia. É o esforço do nosso gênero para não odiar – mas é duro não odiar esse tipo de gente – por acaso – ou não – sempre do gênero masculino. É duro ter que conviver com um Congresso Nacional machista, covarde, omisso, cheio de pessoas que recebem para defender nossos direitos, mas que os vendem aos lobistas, os trocam por mais visualizações nas suas redes – o que torna o trabalho dos políticos muitas vezes tão asqueroso e inaceitável quanto o dessa quadrilha de malfeitores que insistem em causar danos a adolescentes. Crime repetido, repetitivo e não denunciado pelo nível de coação envolvida no processo insidioso e predatório.
A menina, a vítima, é a nossa heroína, a única verdadeiramente corajosa. As outras que apareceram depois também merecem o nosso respeito. Esses meninos são lixo. São apenas dejeto humano. Motivo de vergonha social – e espero – de vergonha familiar.
Prisão para todos os deformados mentais, sem nexo, sem princípios – parece incrível – sempre do gênero masculino. Que vergonha.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
“O Mundo parece uma espelunca” Bug Sociedade
Ser mulher. Me pergunto muitas vezes porque ser mulher precisa ser tão difícil. Porque precisamos de ter sempre esforço e dor em tudo.
A educação formal, pelo mundo inteiro, padronizou que os homens devem vestir azul, brincar com bolas, carrinhos, caminhões/camiões, construir legos, subir em árvores, jogar futebol. As meninas, vestir cor-de-rosa, brincar com bonecas, cozinhas, etc. Parecem coisas inofensivas, mas não são. Dividir os seres humanos ao nascer com cores diferentes começa logo por dizer a todos, inclusive às próprias crianças, que têm direitos diversos. Esse ponto de partida, leva-nos na idade adulta a uma maior tendência dos homens para falarem menos, falarem menos do que sentem, não dominarem tão bem as palavras e como se pode utilizá-las para construir famílias, amigos, uma vida. Os homens aprendem uma vida prática – “vamos jogar bola? Vamos”. O que os homens constroem – legos, jogos, etc – não tem muita conversa, mas tem muita ação. Quando se chateiam não se entendem conversando – xingam, ficam de mal, ou partem para resolver as diferenças com briga. Tudo o que aparece como problema os homens se habituam a resolver através do físico. Você estará a pensar que não são todos. Ainda bem, mas acredite que 99% dos homens do mundo têm este tipo de educação e se tornam assim. O mundo não é só a Europa, nem a Nova Zelândia, nem o Japão. Precisamos lembrar bem disso.
Se ainda colocarmos o fato de que uma enorme percentagem de homens, a partir dos 10 anos, são contratados por clubes de futebol, e que isso significa deixarem suas casas e passarem a ser educados em lugares onde só estão meninos como eles, começamos a perceber de onde vem isto tudo. Meninos que vivem juntos, com momentos de treino e de jogo, mas com muitos momentos livres. Em alguns clubes atualmente, eles são obrigados a estudar, mas deviam ser todos obrigados a estudar, a se interessar por cultura, por arte, para evitar cabeças vazias, para evitar ócio. Ocupar os tempos livres com jogos de computador, festas, álcool, droga e interesses sexuais, nos diz muito do que a sociedade está a fabricar, sem se dar conta. Esses jovens, se tornam nos adultos jogadores de futebol que aplaudimos nos estádios e TV. Os mesmos que não aceitam um empurrão, que cometem faltas tão arriscadas que por vezes lesionam gravemente adversários (colegas de profissão). Parecem estar sempre a sentir que tudo afeta sua honra. De onde vem isso? De onde vem essa sensação de que estão sempre a ser desrespeitados e de onde vem essa dificuldade em resolver os problemas com palavras? Conversando, chegando a acordos? Pois é... Anos de cabeça vazia, ocupada com interesses sem dignidade, sem objetivo social, acompanhados da sensação de que são os ídolos do mundo, é um kit de fabricação de seres humanos problema. Ainda por cima ricos, com amigos poderosos. Temos também os que não se tornaram jogadores famosos, mas se tornaram torcida fervorosa – com as mesmas incapacidades de resolver problemas falando. Temos também os que nem precisam estar ligados ao futebol mas que também não desenvolveram as capacidades de dizer o que sentem, nem tão pouco desenvolveram, de novo, a capacidade de resolver problemas falando. Isto nos pode levar a um lugar ainda mais monstruoso – o do estupro individual ou coletivo, da violação individual ou coletiva, da tortura, da agressão, do feminicídio, do assassinato. Homens que não conseguem aceitar a separação, que não conseguem aceitar que a mulher prefira outra pessoa, que aprendem que a mulher é uma coisa para explorar, que parecem se estar sempre a medir com os outros homens para ver quem é o melhor pela mulher que escolhem, etc, etc, etc. A lista é interminável. Os problemas só aumentam, colocando à vista da sociedade tudo o que se está a fazer de errado. A sociedade vai escutar? Vai mudar? Quem tem poder para mudar a sociedade? A maioria que são os homens... Vejam o que aconteceu no dia internacional da mulher na Argentina – “...Governo argentino de Milei celebra fim de políticas de igualdade de género no Dia da Mulher... Presidente argentino extinguiu a agência de proteção dos direitos das mulheres, eliminou apoios de emergência a vítimas de violência de género e limitou o acesso ao aborto legal no país. Os feminicídios também aumentaram na Argentina...” (texto retirado do semanário português “Expresso”).
Presidente retirando direitos humanos, homens jovens combinando estupros coletivos como se fossem idas ao cinema, jogadores de futebol que se consideram acima da lei ou que acham que se resolve tudo na porrada, homens que preferem matar as mulheres que dizem que amam, poderosos que estão viciando a humanidade com droga, ou álcool, ou sexo, ou jogos, ou bets.
A solução sempre foi e sempre será a EDUCAÇÃO, que precisa se adaptar aos novos tempos, que precisa de nos salvar. Educação que precisa ser semelhante nos meninos e meninas, que precisa ser saudável, que precisa incluir a ideia de dar ferramentas a todos para solucionar os problemas do mundo e evitar aumentar problemas. Que precisa incluir conhecimento, ocupação da mente das pessoas com coisas construtivas. Temo que as pessoas não saibam mais o que significa educar, nem a responsabilidade que vem com isso. Temo que necessitemos de começar do zero, porque não adianta você estar no máximo da escala em educação, enquanto uma pessoa – basta uma pessoa – está no zero da escala. O mundo é de todos e enquanto não entendermos que todos precisamos melhorar, continuaremos a escorregar pela ladeira da vergonha, da monstruosidade, do terror. Vamos ficar assistindo? Criticando? Ou vamos fazer a nossa parte? O Bug Latino nasceu por causa disso. Por que não desenvolve o seu Bug Latino? Por que não começa a ocupar as redes sociais com coisas saudáveis? Temos deveres e obrigações, que se tornam maiores quanto mais informação temos.
O mundo está a ficar uma espelunca. Por favor faça a sua parte.
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: Benjamin Victor
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