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"TUDO JÓIA? COM OU SEM TRAMOIA?" Bug Sociedade


Foto retirada do site PODER 360

TUDO JÓIA? COM OU SEM TRAMOIA?

O Brasil muitas vezes – vezes demais, até – mostra essa face de má fé, da “ação 11 dedos”, que equilibra mais uma coisa levada “escondidinho”, no apagar das luzes, no momento onde se “raspa o tacho” e pega-se as “últimas moedas do porquinho” – podendo-se trocar pra “espelhinho (d’agua)”, sem prejuízo do conteúdo.

E assim, de cinismo em cinismo, nós vemos aquilo que parece ser um colosso de “planos infalíveis” contra o País darem errado, no curso desses quatro anos – o que me deixa nervosa e preocupada é desconfiar do “colosso de planos infalíveis” que deram certo e nós não soubemos.

Todas essas coisas inacreditáveis acontecendo – ainda! – e o comentário dos aliados do ex-presidente falam que ele foi traído porque seus ministros “deveriam ter mandado a muamba por mala diplomática”, ao invés de tentar disfarçar os diamantes, os enfiando no corpo oco do cavalo – numa alusão aos santos do pau oco, que saíam do Brasil cheios de ouro.

Como não conseguimos ainda nos libertar dessa parte da nossa história?

O fato é que de desvio em desvio, quando a gente entra numa repartição e vê uma pessoa decente, correta, honesta, que quer cumprir a lei e acha isso natural, em meio aos bajuladores e puxa-sacos de plantão, dá um orgulho enorme de existirem ainda os resistentes.

Que tipo de brasileiro você é? Aquele que diz “todo mundo faz isso, enquanto mete a faca” ou aquele que segue o protocolo? Corrupção e oportunidade são a mesma coisa pra você? Pode ser com diamantes de 16 milhões ou perguntando ao guarda como “a gente pode fazer pra se acertar” – não importa.

... E foi assim que um cavalo com joia pode estar virando o Cavalo de Troia, acreditem... O crime não compensa...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Tudo Joia? Ou nem por isso?”

Estamos sós nesta vida. Completamente sós. Desprotegidos. Ao sabor do destino e das decisões do universo. Mas para sentirmos que dominamos a nossa vida, decidimos que gostamos de algumas coisas e pessoas e que detestamos outras. Tomamos decisões que julgamos serem determinantes no que somos, no que seremos. Procuramos aliados – colegas de trabalho, amigos, familiares – um lugar, um modo de vida e vamos nos anestesiando, inundados de sensações de inteligência, de capacidade, de generosidade, de bondade, de grandiosidade. Tudo parece por vezes tão certinho, tão arrumadinho, que parece possível, que parece verdade.

O Papa Francisco decretou “tolerância zero” aos abusos, mas após ser divulgado o relatório final da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica, em Portugal – como esperávamos, um horror, percebemos que um lugar que deveria ter pessoas protetoras, talvez tenha demasiadas que usufruem de forma vil, da liberdade que o seu “local de trabalho” lhes disponibiliza. E que sabem que podem continuar porque têm uma forma de “compreensão” absurda. Sempre existe algo que atrasa o afastamento dos agressores, que estão identificados, sempre existe uma forma de adiar, de esquecer, de fazer de conta. É inacreditável. Existia uma aprendizagem, há muitos anos atrás: as pessoas falavam porque faziam. Você era justo e podia exigir justiça. Mas afinal, atualmente cada vez mais pessoas falam, na homília da missa, nos palanques da política, nos lares, pregando uma coisa na sua vida imaginária e fazendo outra na vida real. Aprendemos que as famílias nos protegem. Aprendemos que os países protegem os cidadãos. Aprendemos que a igreja se preocupa e protege as vítimas, protege as pessoas. Mas estamos sós.

Pilar Del Rio acompanhou a forma como o Governo de Portugal, em 1992, vetou o livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo” de José Saramago, ao prêmio literário europeu e “foi a mão de Deus” na vida do escritor, para a glória merecidíssima que obteve – nomeadamente com o Prêmio Nobel de Literatura. Saramago não esteve só. Ainda bem para ele e para todos os portugueses. “Não sou dócil, nem servil com o sistema patriarcal” diz Pilar. Devemos-lhe muito e não a podemos deixar só – ela luta por muitos e principalmente por muitas de nós. É um ser humano que substitui a justiça que demora ou nunca chegaria. Salman Rushdie, depois do ataque monstruoso que sofreu diz: "durante todos esses anos, eu tentei evitar a recriminação e a amargura. Acho que não são boas. Uma das maneiras como eu lido com essas coisas é olhando adiante, e não para trás. O que vai acontecer amanhã é mais importante do que o que aconteceu ontem". Uma cabeça muito diferente, uma imaginação enriquecida por uma cultura profunda e um pensamento generoso. O marido e amigos da professora Agnés Lassalle, assassinada em sala de aula por um aluno de 16 anos - no País Basco Francês - dançaram no seu funeral. Klara Castanho, precisou vir a público explicar o que lhe aconteceu para que as pessoas que falam dos outros como profissão entendessem como é errado o que estão a fazer. Pessoas que nos ajudam a não nos sentirmos tão sós, no percurso injusto e desigual da vida. Que nos mostram caminhos para “obtermos a possível justiça” quando as formas instituídas não avançam, não funcionam. Sempre tem um jeito. Pode parecer que perdemos. Mas só parece. Somos nós que fazemos a nossa justiça, somos nós que encontramos caminhos diferentes para o que parece impossível. Somos nós. Só tem nós.

Ana Santos, professora, jornalista


O Cavalo e as joias

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2023/03/03/governo-bolsonaro-tentou-trazer-ilegalmente-ao-brasil-joias-no-valor-de-r-165-milhoes-para-michelle.ghtml

Salman Rushdie

https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2023/02/salman-rushdie-da-primeira-entrevista-apos-esfaqueamento-o-que-vai-acontecer-amanha-e-mais-importante-do-que-o-que-aconteceu-ontem.ghtml

Depoimentos de vítimas de pedofilia na igreja - Portugal

https://obeabadosertao.com.br/portal/2023/02/13/comissao-mostra-relatos-chocantes-de-vitimas-de-abusos-de-padres/

Pilar Del Rio

https://expresso.pt/podcasts/a-beleza-das-pequenas-coisas/2023-03-03-Pilar-del-Rio-Nao-sou-docil-nem-servil-com-o-sistema-patriarcal-95beba57

Agnès Lassalle assassinada no País Basco Francês

https://www.jn.pt/mundo/videos/marido-de-professora-assassinada-despediu-se-com-uma-danca-no-funeral-15956640.html

Klara Castanho

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