“TSE – UMA GUERRA FORA DE HORA” e “A grandeza da grandeza está em você” Bug Sociedade
- portalbuglatino
- há 5 dias
- 6 min de leitura

“TSE – UMA GUERRA FORA DE HORA” Bug Sociedade
Nós deveríamos acreditar nos julgamentos dos juízes, mas depois do esfolamento da verdade feito pela Operação Lava-Jato, as mentiras do ex juíz Moro e do fato de que o ex procurador D’allagnol se decompõe a cada nova fala, grito ou estertor (ou seja lá como se podem chamar aqueles gritos todos) como Youtuber, isso não acontece mais. Ficamos mais desconfiados, para dizer o mínimo – e isso foi se estendendo para todas as instâncias possíveis e imagináveis.
Na eleição passada, o TSE julgava e pronto – havia o aval de um presidente fiel à democracia – e havia também a confiança de que ele faria o melhor possível para defendê-la. Agora – não sei bem o que pensar. Na quase totalidade, os ministros Kassio e André votam acompanhando quem lhes indicou – muitas vezes desacompanhando a lógica que nós – o povão – acreditamos ver, ao observarmos o que é justo. Sendo assim, o que vai acontecer se alguém da direita descumprir a lei – e vejam, eles a descumprem a cada momento, desde que a internet entrou na equação das eleições. Eles vão se despir do conceito de ideologia para vestirem simplesmente a toga e ajuizarem as causas, uma a uma? Serão capazes de culpabilizarem, de condenarem, de apenarem aos réus – venham eles do espectro político que for?
Nitidamente há – desde que o ministro Fux teve aquela “pane” mental no julgamento de Bolsonaro – um “racha” visível naquele grupo. Por que a ministra Carmen pediu pra sair da presidência do TSE, antes do previsto? A confusão com o “Goblin Castro” - castigado pelo “Rei dos Gnomos” com aquela tartamudez, jogou seus feitiços entre os ministros, quando se “evadiu” do lugar de seus crimes – o governo Rio de Janeiro – e criando enorme confusão num grupo super confiável e assertivo como a Primeira Turma do Supremo. E agora?
Será que Kassio e André percebem que não é e nunca será sobre eles, mas sobre nós, os brasileiros? Serão eles vítimas do orgulho e da vaidade? Não sei... Há vários ministros que vemos – vivem de se olhar no espelho. Mas há outros – incríveis – corajosos, que sofreram todo tipo de ataque e se tornaram sublimes. Serão esses ministros capazes de ultrapassarem suas questões e agradecimentos pessoais e apenas julgarem o que for necessário, de tal modo darem orgulho ao Brasil? Escolherão nosso respeito ou seguirão ignorando a nossa indiferença aos seus libelos ausentes de justiça?
Krenak disse algo parecido com: “Os empresários se erguem socialmente explorando pessoas, ideias, produtos. Vendo assim, meu pai não fez nada, meu avô não fez nada”. E eu digo: vendo assim, a maior parte de nós, no Brasil, também não. Mas nós somos o melhor do Brasil. E estamos tão cansados de ver as mesmas pessoas de sempre serem salvas pelos mesmos de sempre – até Bolsonaro, depois de todo o mal que nos deixou, não se vê merecedor de sua pena e nos acabrunha com seu mimimi. Afinal, quem tem dinheiro não merece pena nenhuma? Penas podem ser compradas para serem “abonadas”, no Brasil? A justiça percebe que nós percebemos isso tudo e apenas não temos alcance para nossas vozes?
O TSE com esses dois ministros e julgamentos realmente sérios, pode re-unir os outros ministros que, calculo, devem estar ainda mais inseguros do que nós, à medida em que sabem mais do que sabemos acerca do que está acontecendo. Como posso confiar de que se houver algum problema eles vão continuar a olhá-lo fixamente e tomar todas as medidas punitivas? Como posso confiar que o “racha” que vemos na atitude verbal entre os ministros não vai prejudicar o papel que o sistema eleitoral tem no Brasil nesse momento?
O que sei é que, sem as mãos dessas novas pessoas, a democracia – que vem sendo atacada no mundo inteiro – pode balançar mais ainda, pode até cair. Mas Ministros: ditadura nunca mais. Porque há bens nessa vida que precisam de cada um de nós.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
“A grandeza da grandeza está em você” Bug Sociedade
Existe um musical que eu amo profundamente e que já falei aqui – Hamilton. Hamilton é um dos musicais que Lin-Manuel Miranda, criou. Um compositor, letrista, dramaturgo e ator americano, virtuoso, um gênio, mas também um trabalhador. Se já conhece o musical Hamilton, entende do que falo. Não basta ter vontade, ter “jeito”, ser talentoso. É preciso ser capaz de concretizar o que nos vai na imaginação, de transformar a nossa criação mental em algo exequível, útil, impactante para os outros. Basta ouvir o áudio que está gratuito no Youtube para perceber de imediato a grandeza da obra – ensina, informa, instiga a nossa dormente e anestesiada alma, no meio deste mundo tão apressado e louco. Ser capaz de pensar algo, de concretizar esse algo em matéria, divulgar aos outros e assim mudar a vida desses outros é tremendo. Todos podemos fazê-lo, mas poucos acreditamos nisso e poucos investimos nisso. É preciso diminuir as horas de celular, de festa, de preguiça, aumentar as horas de pesquisa, interesse, desenvolvimento, de acreditar, aceitar as vezes que vamos errar, as vezes que vai parecer que não faz sentido, as horas em que os risos dos outros vão parecer a razão. Aquela luzinha de acreditar precisa permanecer acesa, nem que por vezes esteja parecendo apagada ou mesmo parecendo que consiga ter o mesmo fogo de outrora.
Quantos conseguem construir algo que passa a ser eterno? O que precisamos de ser, de fazer, que capacidades devemos desenvolver? Tantas pessoas com capacidade e até com dedicação ao trabalho, mas sem a chama que se acendeu um dia, quando éramos pequenas crianças, acreditando que tudo era possível. E a verdade é que tudo é possível, só não chega por e-mail.
Por exemplo, Hamilton, é sobre a história dos E.U.A., por isso saber a história do país é básico, mas juntar a isso uma gentileza e uma nobreza nos diálogos, na construção dos personagens, é um diferencial enorme porque você se revê em muitos lugares – o cara que sofre porque não consegue sobreviver, o cara que é boa pessoa mas que é explorado, o cara que matou e se arrependeu profundamente, etc. Nós estamos um pouco em cada um dos personagens que Lin-Manuel Miranda cria e é isso que nos cativa. Nos vemos ali, vemos nossos medos, nossos sofrimentos, nossos desejos, nossas vitórias e principalmente, tudo aquilo nos estimula a seguir, a tentar. Podia ser um musical enfadonho, cheio de datas e de leis e de tratados e de definições de personalidades, mas é algo animador, informativo, educativo, e que nos estimula a olhar a grandeza da vida, das pessoas, dos caminhos de cada um. Nos empurra para sermos melhores, grandes, nobres. Se esquecermos, podemos ver de novo, ouvir de novo. É uma pílula de motivação e alinhamento do nosso caminho na vida. Ninguém nos diz nada de frente, nos obriga, nos grita, nos pressiona. Apenas coloca perante nós e perante nossas escolhas, as possibilidades mais nobres do que podemos nos tornar a cada segundo. A cultura, a boa cultura faz isso. Nos lembra a cada segundo que existe vida nobre, enriquecedora e bela. Nos acende a luzinha interior.
Não sei por que o futebol não pode fazer o mesmo. Os personagens que vemos diariamente em campo são cada vez mais agressivos, vaidosos, arrogantes, pretensiosos, injustos, egoístas, manipuladores, exagerados, mentirosos. O futebol também é um palco, também é cultura, também é um lugar de aprendizagem – uma vitrine. Quando um ator entra em palco, entra levando enormes responsabilidades dentro de si. E as cumpre. Todas. Com distinção. Os futebolistas precisam saber que também têm enormes responsabilidades. E que as precisam cumprir. Com distinção. Mas eles não sentem nenhuma delas, nem sabem que existem. É devastador perceber isso. E preocupante.
O atleta também é um ator, não para fazer palhaçadas, muito menos para mentir. É um ator desempenhando um papel, que representa uma classe, que está numa vitrine com milhões e milhões assistindo. Ele tem a possibilidade de indicar o caminho mais educativo, mais saudável. Mas hoje em dia, a maioria não o faz. Os políticos, a mesma coisa. Donald Trump sobe as escadas do avião com seu guarda-chuva, à entrada do avião joga o guarda-chuva no chão e entra. E o guarda-chuva lá fica, aos tombos, aguardando que uma pessoa seja humana e resolva. Trump, o que faz com guarda-chuvas, faz com pessoas. As crianças e jovens assistem a essas imagens e outras. Estão à espera que elas façam diferente?
As crianças são os adultos de amanhã. De amanhã, mas precisamos dizer o que se faz com o guarda-chuva e fazer.
A vitrine, onde estão todos os “atores” mostra cada aberração que eu não sei que adultos teremos amanhã. Enquanto isso, toda a gentileza em musicais como, por exemplo, Hamilton.
“Estude. Não se esqueça de onde veio e o mundo vai saber o seu nome. Qual o seu nome? Eu sou Alexander Hamilton. Meu nome é Alexander Hamilton. Há um milhão de coisas que ainda não fiz, mas aguardem...mas aguardem...”
Trecho do musical Hamilton
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: Picasso
Terça-feira, dia de escrever sobre o que acontece no dia a dia. De crítica, de conselhos, de admiração, de espanto, de encontrar caminhos melhores para todos.
A Plataforma que te ajuda a Falar, Pensar, Ser Melhor.



Comentários