top of page

“SÃO SALVADOR, BAHIA DE SÃO SALVADOR” e “Filho de peixe” Bug Sociedade

“SÃO SALVADOR, BAHIA DE SÃO SALVADOR” Bug Sociedade

Há 3 meses atrás contraí dengue e chikungunya juntas. A vigilância sanitária, depois de darmos queixa ao Ministério Público, coincidentemente ou não, esteve aqui, inspecionou minha casa, a vizinhança e o prédio que tem frente para o luxo (Rua Nita Costa) e fundos para o lixo (Rua Desembargador Demétrio Tourinho), ambas no Jardim Apipema.

Cruzo com candidatos a deputado quase todos os dias. Eles passam pelas mesmas ruas que eu. Moram na mesma zona que eu. Mas não têm os mesmos olhos que eu. Aliás, desconfio que nem olhos eles tenham. Parecem cegos. Como, depois de inúmeras, exaustivas, intermináveis reclamações em todos os departamentos que existem nesta bendidta Prefeitura da cidade de São Salvador, nada – NADA! – tenha sido feito na prática, além de tomar notas acerca dos meus exames de sangue e ouvir o testemunho de todos os porteiros da rua – vítimas do mesmo foco de mosquito apontado, inspecionado e reconhecido como perigoso?

O que mais é necessário?

No Brasil inteiro, uma denúncia dessas atrai providências imediatas. Aqui, incompreensivelmente, quando o telefone 156 atende (digo e reafirmo que deve ser o telefone das trevas porque normalmente são reclamações que acabam sem providências) e a gente afirma que o terreno do foco de Aedes aegypti é privado, a conversa muda para:

- Ah, mas o prédio é que tem que fazer...

- Mas quem inspeciona o prédio, se ele não fizer?

- Ah, mas...

E é só isso mesmo. “Avalie meu atendimento”.

Temos duas queixas permanentes contra esse edifício: A primeira é que ele não poda suas árvores e galhos já caíram sobre carros, quase caíram sobre pessoas, derrubaram poste – e nada. Resultado (dito numa conversa com o técnico da Vigilância Sanitária): a sombra permanente do flamboyant sobre o charco que se formou no terreno dos fundos do prédio (por causa do problema com o esgoto), criou uma situação onde, qualquer gota de chuva não evapora porque nunca bate sol ali.

- É uma armadilha permanente! É a arma engatilhada! O Jardim Apipema está sendo coagido a fazer roleta russa! Nós somos um foco que é combatido no Brasil todo – menos no Apipema - porque o terreno é privado e sabe como é...

Nada. Nenhuma providência.

Como diz Paulo Costa Lima, até na música a gente fica rastejando providência para os poderosos, para os coronéis:

- Oh, Bahia! Bahia cidade de São Salvador!

- Me salve, pelo amor de Deus!

Mas nada. Terreno privado no Apipema se não é com certeza absoluta, deve ser de algum “coronezinho”... Aí... Sabe como é...

Quem é o vereador dessa zona, pelo amor de Deus?

- Bahia oh... Bahia, Bahia cidade de São Salvador!

Que praga...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Filho de peixe” Bug Sociedade

Não entendo como é possível que nós, os seres humanos adultos, dancemos de novo esta dança política – que vai durar até outubro. Ainda só começou e já deu para ver que vai ser de novo a competição das mentiras, fake News, da capacidade de sorrir enquanto se fala barbaridades. Não são só as imagens criadas por IA. É um homem, numa entrevista, no canal de TV mais assistido no Brasil, ser questionado sobre assuntos muito graves e responder como se tudo fosse legal e correto. Aliás, muitas vezes foram essas palavras que disse na entrevista com uma cara de paisagem que impressiona. Ontem vi uma publicidade do mesmo candidato, filmada onde parece ser sua casa – isto é, uma delas. Fala com uma mulher, que parece ser sua mulher, diz coisas agradáveis e sorri, enquanto belisca algo para comer, tudo isto numa cozinha. A imagem e o ambiente que tenta convencer o povo que este homem é alguém sólido, com família, boas relações, confiável, seguro.

A política e o marketing político continuam a colocar padrões antigos e profundamente desatualizados para representar o que é uma família “de bem” num país como o Brasil, visitado diariamente em busca de turismo de praia e de “festa”. A cidade de Salvador se orgulha de ser um lugar de festa, festa e festa. Como isso combina com o conceito de “família”? Não consigo encontrar uma justificação. O carnaval, com famílias inteiras dormindo naquele chão que horas antes passam trios, passam milhões de pessoas, uns fazem xixi, outros vomitam, outros transam, outros se empurram, outros se embebedam, outros se drogam e outros procuram não morrer esmagados. Depois vem mais uma festa ou festival e é isso o ano inteiro. Mas nos dias de trabalho, quando você caminha pelas ruas, seja a que hora for, tem alguém bebendo. Tem alguém passando fome. Tem alguém buscando um lugar para dormir nessa noite. Isso é o conceito de família? Eu cá me arranjo e os outros que se safem? Enquanto as casas ou apartamentos dos políticos têm portas do tamanho de portas de igreja, a decadência vai seguindo.

Não existe uma pergunta ou resposta sobre educação no sentido de todos nos entendermos e nos respeitarmos, sobre saúde mental das populações que sofrem e que não encontram saída equilibrada e sustentada para a sua vida, nem que incluam um mínimo de humanidade. Perguntas e respostas que circulam no mundo do: “onde estão” os milhões e milhões que são destinados para um lugar mas vão para “outro”? Onde se percebe que o problema são as rivalidades entre pessoas que competem pelo poder. Não parecem pensar em mais nada do que “como chego ao lugar que quero ocupar”? Pessoas que não querem que “aquela outra pessoa” ocupe o lugar que querem para si. Pode ser a presidência, o senado, para deputado, para qualquer outro lugar. Luta-se pelo lugar que se quer ocupar. E aceita-se falar qualquer coisa, sorrir quando nem faz sentido, falar palavras e frases decoradas. Claro que todos vão dizer que estão lutando pelo povo. Mas como, se nem sabem o que é ser povo? Como, se não sabem o que é passar fome, sofrer injustiças, enfrentar as burocracias, lutar e não conseguir apenas pelo esforço e competência?

Não sei nas outras situações, mas na candidatura à presidência, só tem um ser humano capaz de entender o povo. Não é só porque viveu dificuldades, mas porque é sensível e empático – qualidades cada vez mais raras. E se eu votasse seriam as qualidades que eu escolheria para escolher os meus eleitos. Mas, quem sou eu na fila do pão?

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Van Gogh


@buglatino

Terça-feira, dia de escrever sobre o que acontece no dia a dia. De crítica, de conselhos, de admiração, de espanto, de encontrar caminhos melhores para todos.


@buglatino

A Plataforma que te ajuda a Falar, Pensar, Ser Melhor.





 
 
 

Comentários


ESPERAMOS SEU CONTATO

+55 71 99960-2226

+55 71 99163-2226

portalbuglatino@gmail.com

  • Facebook - White Circle
  • YouTube - White Circle
  • Instagram - White Circle
  • TikTok

Seus detalhes foram enviados com sucesso!

bottom of page