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SerPoesia



“DEIXA-ME SER

 

“Deixa que me leve minha última aventura

Deixa-me ser minha própria testemunha,

e dar fé de meu próprio

esquecimento.

Deixa-me desenhar meu último rosto,

apertar em meu ouvido os passos da chuva

apagando-me o adeus definitivo.

 

Deixa-me naufragar agarrada

a uma paisagem, uma nuvem,

ao voo humilde de um pardal,

a um broto renascente,

ou mesmo ao relâmpago

que abra em dois meu último céu.

 

Sujeita-me os braços,

agrilhoa meus tornozelos,

empareda minhas pálpebras.

Porém, uma vez tatuada uma flor na pupila,

crucificada uma aurora embaixo da fronte,

um beijo agachado na raiz da língua,

deixa-me ser minha própria testemunha.”

Josefina Plá

Paraguai, 1909-1999

 

 

“CINZAS E FLORES”

 

Em memória de Rainer María Rilke

 

“não tem mãe, este sentimento de vazio lento

e meu seio é um filho de mamilo faminto

não tem pai, este coração de estrondo solitário

e minha fronte é uma criança de alegria envelhecida

não tem idade, este transcurso sem tempo

e meu corpo está tresnoitado de nostalgias

e eu sou apenas um livro de cinzas e flores

escrevendo um rosto sobre meu nome”

Shirley Villalba

Paraguai


Imagem: Jacopo della Quercia


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