“EU TAMBÉM SOU BRASIL DA SILVA” e “Qual é o seu ponto de vista?” Bug Sociedade
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“EU TAMBÉM SOU BRASIL DA SILVA” Bug Sociedade
Que me desculpem os baianos, mas todo carnaval eu tenho aquela recaída carioca básica, de novo. É irresistível. E com a biografia de Lula como enredo, no Rio – onde tem bolsonarista saindo de bueiro, até hoje – eu tinha que assistir do início ao fim.
Um enredo é como o texto de uma ópera, tem a mesma sofisticação, dramas e críticas. Quanto a música: quando ela pega – a gente chama de samba chiclete – você tem a visão de um samba que pode se imortalizar na história. A Portela (minha escola amada) tem inúmeros; Mangueira, Beija-Flor, Mocidade – cada escola pode enumerar esses sambas-enredo que impregnaram nossa história. Mas ontem, eu resolvi assistir porque estava uma polémica tão grande com o samba do Lula, na Niterói, que tive que tirar a dúvida. Falaram de samba encomendado, mas não vi nada disso. Me pareceu muito mais um samba exaltação, falando de uma figura que querendo ou não, gostando ou não, tem DNA brasileiríssimo do início ao fim – além de “colar” tanto que você canta sem querer.
Muitos – muitos mesmo – têm uma história com dramas assim, que foram enfrentados assim como está no samba. Muitos venceram na vida assim. E muitos – muitos mesmo – estão na Universidade por causa de políticas públicas que funcionaram. Por isso que é impossível a gente não se ver no espelho da vida do Lula. E da mesma forma, é impossível a gente não admitir o quanto sofremos com o “Tiranossauro Temer” – que acabou com muitos direitos trabalhistas - e Bolsonaro – que tentou nos matar - e ainda bem que alguns sobraram!
Claro que estranhei – acho que todo mundo que já viu um desfile na vida, pelo menos, estranhou – o fato de que a TV não soltou o áudio da arquibancada: o povão cantou? O samba colou? A arquibancada vibrou? Também não mostrou aquele plano clássico onde escola e avenida se somam, pra gente ver se as pessoas estavam de pé, batendo palmas e cantando o enredo ou sentadas e comportadas. Na verdade, a Tv mostrou a escola por dentro, quase que pessoa por pessoa. Independente disso, que letra bonita... e fácil. Deveriam ter posto na letra que esse cara foi o único presidente a acolher a ideia de uma campanha falando sobre esse estúpido aumento dos feminicídios no Brasil e “os ogros” por trás dessas atitudes – Deus me perdoe, mas uns 95% se confessam bolsonaristas... Aprenderam a atirar e com extrema facilidade atiram. Nem pensam muito.
Ver os desfiles, é como renovar nossos votos de brasilidade. Lá estamos, cantando e dançando, gritando e rindo. Lá estamos: de frente para as saídas que o Brasil tem – as vezes tão complicadas – para os problemas da vida. E escrever quais são as saídas, por mais que seja difícil, já elimina um percentual enorme de gente falando bobagem e inventando mentira. O coração acerta em cheio no enredo e a gente se apercebe apaixonado por quem somos? É possível.
O fato é que agora a gente pode ver o desfile em outros lugares diferentes da TV e eu acho que o samba pegou todo mundo porque não conta a história só do Lula – conta uma parte da nossa história. Nós que também nos esfolamos e conseguimos respeito. Porque tem banqueiro que tem dinheiro, mas não tem respeito e ter respeito é algo que ninguém precisa de dinheiro pra angariar. Então, lá no fundo, cada pessoa, do seu jeito, é um pouco ele. E o Brasil entrou na moda, virou trend - muito por causa dele. Por último, me lembrei aqui que muita gente fala que a gente tem síndrome de vira-lata, mas que eu contraponho com uma outra coisa: somos mesmo miscigenados, mestiços – ou como nos quiseram impingir – vira-latas. Mas qual é o cachorro que sabe atravessar a rua, que ganhou o nome universal de Caramelo, costuma ser ultra simpático, protetor, amigo dedicado e é mega inteligente? Diga aí? E por último mesmo: Você aí que se acha “raça pura”, mais europeu ou coisa assim: já saiu do Brasil? Já sentiu que “Latino” não depende de cor de pele? É alguma coisa tipo geopolítica? Não? Como dizia Caymmi – então vá! Ou como se diz especificamente na Bahia: “Então se saia”!
Portanto, todo mundo aqui é da Silva! E cada vez com mais orgulho.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
“Qual é o seu ponto de vista?” Bug Sociedade
Quando vivemos fases de muito sucesso as pessoas têm tendência para achar que a nossa vida é um paraíso. Não percebem que aquilo inclui muito esforço, disciplina e até muito sofrimento, pois estão olhando só para o glamour. Olhando para aquilo que gostariam de ter. Sem olhar para o quanto esforço isso implica.
Ao assistir aos trios de Carnaval, em Salvador, ao saber dos milhões que ganham, acontece o mesmo. É fácil esquecer o custo financeiro e físico de tudo aquilo, as horas de preparação, a quantidade de gente envolvida, o risco que correm, a pressão de saberem que não podem falhar, que uma dor de barriga ou uma “gripezinha” podem deitar tudo a perder, que basta acontecer algo com sua família para os abalar, a fragilidade da voz, etc.
Como se o sofrimento fosse só nosso e a sorte só dos outros.
Sempre recordo, quando um dia um repórter filmou o momento exato em que se fechavam as persianas da casa do homem mais rico de Portugal – nos anos 90. Exatamente às 22h30. Na época, isso era considerado muito cedo, e a interpretação disseminada era que o empresário era alguém com uma vida sem graça, demasiado poupado, rico, mas infeliz – tipo, dos que “não sabe apreciar a vida”. Penso que ele nem piscou de preocupação em relação a isso. Nem em relação ao que exploraram, numa curta e rara entrevista que deu, dizendo que seus sapatos eram utilizados até furar e depois, mandados ao sapateiro para arranjar. Falaram e falaram muito e enquanto isso, ele foi seguindo seu caminho duro e difícil de crescer no mundo dos negócios – o mundo limitado e restrito dos negócios. Se tornou um dos impérios em Portugal, império esse que agora é comandado pelos filhos. Não é caso raro. Existem outros casos, casos esses que enquanto os críticos ficam apontando o dedo e depreciando, eles vão trabalhando para construir. Procura-se o ridículo, ou a crítica. É difícil reconhecer que alguns não perdem tempo olhando os outros, preferindo construir, trabalhar. Pontos de vista.
O mercado endureceu. O marketing também. Ridiculariza-se quem recusa viver dando lucro ao mercado e às redes sociais. Como uma pessoa desobediente, não tem direito a vantagens. Suas redes sociais não evoluem, mesmo que aumentem os seguidores ou leitores. Elas te travam, porque você não investe. Não entra no jogo. Desobedecer ao padrão instituído, não é aceitável perante o mundo do marketing. Não paga, não cresce, não tem patrocinadores. E como não tem patrocinadores, apoios, nada, você sofre. Esse sofrimento e falta de apoio te leva a desistir ou a, afinal, aceitar as regras. Para viver, para comer, para pagar as contas, para sobreviver. Emburrecer é a lei. Ocupar o tempo em quantas fotos precisa colocar por dia, obrigação de pagar google adsense, pagar Facebook, pagar Instagram, mais tarde ou mais cedo, pagar ao Youtube. Você paga para ser visível, famoso, ganhar dinheiro. O caminho é te viciar, em jogo, em apostar, em estar sempre olhando as redes. Você ganha o que gasta, mas nem dá conta.
E o marketing muda as regras quando quer, como quer, ao sabor do agrado do mercado. Como se você estivesse em cima de um tronco de árvore, seguindo a corrente para te salvar. Você está quase chegando à margem e quando está mesmo chegando, as regras mudam, a margem muda de lugar, como num pesadelo. Pontos de vista.
Ver pessoas muito famosas seguirem o “script” que alguém instituiu como o caminho para o sucesso me dá calafrios. Sempre me impressionou e preocupou a forma fácil como as pessoas acreditam em qualquer coisa, e como seguem a “manada”. Não sei como não se sentem impedindo a sua originalidade de florescer. Criando uma espécie de medo de ser, diferente. O seguro e confortável é ser como todos, aparecer como todos aparecem. Pontos de vista.
Cristiano Ronaldo fez greve em dois jogos de futebol por não aceitar que seu clube tenha menos condições do que um outro clube saudita. CR7 foi um menino muito pobre, sofreu, passou fome. Poucas vezes faltou a jogos, quase nunca fica lesionado, ou doente. Mas faltou a dois jogos porque outros têm mais condições e vantagens do que ele. Pontos de vista.
Tive uma colega de time que era a mais rica de todas, mas mesmo muito mais rica. Não aceitava ser suplente nos jogos. Para ela, seu status na vida tinha de valer no time – mais rica, mais vantagens. Acho que nem se dava conta do que fazia. Outra, também de situação financeira muito confortável, que se esquecia de pagar aos seus funcionários, mas não admitia que seu salário no time atrasasse um dia – e vejam, ela não vivia desse dinheiro. Pontos de vista.
Um humorista bastante famoso em Portugal, se emocionou num podcast, ao falar da dor da perda pela morte de seu pai. Muito válido. No entanto, quando isso aconteceu com outras pessoas, igualmente famosas, ele criou muitas piadas – eu diria piadas de muito mau gosto – e fez sucesso fazendo isso. Fez e faz isso regularmente com muitos temas dolorosos, da vida alheia, justificando que o humor é assim mesmo. Na vida dele, quando a dor toca, tudo muda de perspectiva. Como quando um seu amigo teve um AVC. Válido de novo, mas porque só é válido quando são pessoas de quem gosta? Porque o “outro”, quando perde quem ama, ou fica doente, merece virar piada, mas os nossos amigos não? Pontos de vista.
O pé sujo de um famoso é engraçado, mas o pé sujo de um morador de rua é nojento. Ganhar nosso dinheiro custa muito, por isso custa mais ainda gastá-lo, mas gastamos tão facilmente o dinheiro dos outros, porque afinal, parece sempre tão fácil a forma como os outros o ganham. Sempre falo, se você encontrar uma mulher na rua, no chão, em cima de lixo, gemendo, imagina uma drogada ou doente mental, mas se essa mulher for a sua mãe, você não pensará dessa forma.
O carnaval está terminando e para o Prefeito e para o Governador, será um sucesso. Claro que um achará que teve mais sucesso do que o outro. Normal.
Como será a percepção das pessoas que foram roubadas, agredidas, pisoteadas? Das pessoas que moram nas ruas dos circuitos e nas ruas que estão cerca dos circuitos? Pontos de vista.
Para terminar, experimente mudar seu ponto de vista de vez em quando. Porque a vida, ela mesma, muda sua vida por completo, quando lhe apetece. Não é mau de todo treinar.
E mesmo para terminar, de verdade, imagine que este texto foi escrito por uma escritora que é prêmio Nobel de literatura. Não custa nada. Pontos de vista.
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: As Portas do Paraíso, de Lorenzo Ghiberti
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