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“SEM PALAVRAS NÃO SOMOS HUMANOS” e “Coisas boas, em tempos de chuva” Bug Sociedade


Uyra Sodoma — Hope (Editorial para a revista Vogue), 2020. Foto de Hick Duarte

 

“SEM PALAVRAS NÃO SOMOS HUMANOS” Bug Sociedade

Eu venho aumentando meu nível de preocupação com a falta de noção das pessoas. Primeiro que nosso vocabulário vem definhando de maneira galopante e ninguém parece se importar com isso. Mas, ao contrário do que se pensa, toda a nossa evolução, toda a nossa civilização está baseada no fato de que somos animais sociais e comunicantes. Somos altamente interpretativos: avaliamos olhares, sorrisos, silêncios, gestos, palavras, tons em que as palavras foram ditas. Portanto, dependemos de um vocabulário que precisa ser enriquecido e estimulado desde o nascimento, até a morte.

O que vemos agora é totalmente estranho. O algoritmo criou um espectro de palavras e termos que são repetidos exaustivamente. “Fala galera do YouTube” virou uma lavagem cerebral que vai se alastrando para pensamentos iguais, histórias repetidas – “eu fiquei rico na internet” – receitas de cursos onde está na cara que as coisas não podem ser como são descritas e pessoas cada vez mais limitadas que acreditam no pastor, no coach, em cursos repetitivos que não apresentam nada e cada vez menos palavras em uso nos idiomas.

O resultado disso está nas ruas. O político de ultra direita convence pessoas facilmente que o vizinho “é inimigo” só porque vota em partidos diferentes; o pastor aponta em quem votar, mesmo que todos saibam que o voto é SECRETO; os milicianos aliciam moradores de sua região para que aqueles candidatos específicos sejam eleitos e mantenham o jugo, a corda no pescoço; uma batidinha na traseira e os motoristas se agridem, como se agridem na escola, como são incentivados a se agredirem, a desforrarem suas frustrações apenas, sem muitas palavras, sem conversa, sem desejo de solucionar o problema, mas sim “exterminar” quem “ousa” discordar. Aliás, discordar virou uma odisseia – será que os mais novos saberiam dizer porque odisseia se chama odisseia?

Nessa aventura humana, o Bug Latino nasceu para discordar do que vê. Temos que voltar a nos comunicar através de palavras, a desenvolver a cordialidade como forma de abordagem. Senão, o que temos é o primitivismo tosco, que vai da agressividade a apatia como formas de resposta. E quanto menos palavras, mais fácil é ser enganado pela pessoa, pela circunstância, pela ostentação ao redor da mentira e aquele egoísmo que vira capa da solidão absoluta, do silêncio e da infelicidade ao redor de pessoas que nasceram e evoluíram para conviver e que estão sendo obrigadas – e se deixam levar – a sobreviverem sós, solitárias.

Nos procurem, falem conosco. Estamos em todas as redes e saibam: somos nós, pessoas reais que respondemos a cada pergunta. Não porque o Instagram mande, mas porque nos interessamos por pessoas. De verdade.

Desconfie de receitas. Não se acredita numa mesma afirmação porque o Trump falou, o Musk repetiu, o Milei corroborou, o Ventura português apregoou e o Bolsonaro gritou. É suspeito. Desconfie de quem desconfia da ciência porque a ciência faz perguntas sem parar para si mesma, coisa que os seus grupos nucleares do Zap nunca fazem porque apenas gritam coisas que ninguém verifica a origem. Antes de discordar, ouça o que a outra pessoa pensa.

Isso é Bug Latino – a pulga atrás da sua orelha. Aquela que te lembra que nossas humanidades nasceram da convivência com as nossas diversidades. Siga a gente. Bug Latino – pra você falar, pensar e ser melhor.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Coisas boas, em tempos de chuva” Bug Sociedade

Amo as entrevistas conduzidas pelo jornalista Bernardo Mendonça, no podcast “A BELEZA DAS PEQUENAS COISAS”, do Semanário Expresso. Todas são soberbas, em todas o caminho é no sentido de um mundo melhor, no sentido de informar e alertar sobre as novas formas de nos tentarem desviar da democracia, da equidade, da igualdade, da qualidade de vida. Convidados sensacionais, conteúdos palpitantes. Se aprende muito em cada episódio. Também nos sentimos menos sós.

Experiências Vicariantes. Falo muito nelas e falarei sempre. De uma forma simples, são as experiências de sucesso de outras pessoas, das quais conhecemos as “misérias” – e por isso achamos que não é possível acontecer nada de bom ou extraordinário. Pessoas que vimos em situações terríveis, difíceis, aparentemente sem futuro, que conseguiram realizar seus sonhos, conseguiram realizar o que nunca ninguém realizou. São fundamentais para nos impulsionarem a fazermos caminhos novos, a acreditar no que somos e no que somos capazes – independentemente das circunstâncias. Nos abrem espaço quando parece que em nossa volta só existem paredes. Nos tempos que vivemos, estas experiências vicariantes são muitas vezes a nossa salvação. Conheça as experiências vicariantes que existem em sua volta, na sua família, na sua rua, no seu trabalho. Por todo o lado. E construa a sua...

Há uns anos atrás, uma amiga me apresentou a prática havaiana chamada “Ho’oponopono”. Para nós, de outras culturas mais formais, como a europeia, pode parecer um nada, uma brincadeira, algo sem sentido ou até algo insignificante. Afinal quantas pessoas não entendem os benefícios para a saúde da Acupuntura? Do Chi Kung? E de tantas práticas mais? Temos um pensamento fechado e que apenas aceita as nossas aprendizagens mais familiares – do mundo que nos rodeia, onde sempre estivemos e onde consideramos que estamos protegidos. Mas em situações de desespero, de dor física ou emocional violenta, traumas, resiliência fragilizada, e em que não vemos saídas, com o que sabemos, pode ser o momento em que “não custa nada experimentar”, ou “mal não vai fazer”, e outros pensamentos semelhantes. E, nessas situações, em que estamos disponíveis para aceitar o que não conhecemos, em que estamos disponíveis para o “estranho”, que a magia acontece. A acupuntura já não é mais uma ciência estranha e cada vez mais é tratada com o respeito que merece. O Chi Kung – Tai Chi medicinal - aos poucos, também vai se espalhando e fazendo o bem. E como faz bem! O Ho’oponopono, “é uma técnica havaiana antiga que enfoca a paz interior, o amor, o perdão, a gratidão e a cura de mágoas ou outros sentimentos negativos pelos quais somos invadidos no dia a dia. Práticas semelhantes de perdão eram feitas em diversas ilhas do Sul do Pacífico, incluindo Samoa, Taiti e Nova Zelândia” (trecho retirado do Google). Aí você se pergunta o que tem o perdão e a reconciliação que ver com a dor física, por exemplo. E o Ho’oponopono te responde com resultados, porque à medida que você vai falando e sentindo - as palavras da técnica havaiana - vai diminuindo a tensão do teu corpo. Nesse caminho não estranhe ter crises de choro súbitas e até prolongadas. Acontece com algumas pessoas. É porque está funcionando. “Basta dizer (mentalmente ou em voz alta): “Sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Eu sou grato”. O objetivo é guiar o praticante através das quatro etapas sentimentais: arrependimento, perdão, amor e gratidão.” Esta é a forma mais simples de praticar o Ho’oponopono. As palavras podem ser dirigidas mentalmente, a você, a outras pessoas, a situações. Porque não experimenta? Mal não faz.

Abrir o coração para aprender outras formas de ver e agir sobre a vida. Outras culturas seguiram outros caminhos para resolver seus problemas. Enriquecemos tendo mais soluções e resolvemos problemas que eram insolúveis quando utilizavamos as nossas práticas. Deixo aqui um vídeo com imagens das terras havaianas e com havaianos cantando, tocando e dançando. Aqui. Nesta geografia complexa que são as terras havaianas e nos cantos de Kamalei Kawa'a quem sabe percebemos o quanto é rico abrir os braços para somar. Somar nunca nos faz perder a nossa essência. Nos melhora. Melhoremos.

Ana Santos, professora, jornalista

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