Poesia e Silêncio
- portalbuglatino
- há 21 horas
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“REINO”
“A mim me ensinaram
a arte do silêncio.
Também me foi indicado
com gestos
que era mister responder
com nobreza frente à adversidade.
Cumpro com a promessa de calar.
A mim me falaram da tolerância,
desse duro exercício de
suporte,
sustente a cabeça,
mantenha o pescoço inalterado e se cale.
Cale-se.
Fartamente aprendi
e me tornei frugal,
porém do amor
sei pouco, bem pouco.
Conheço o alfabeto dos gestos,
o das mãos,
porém guardo silêncio.
Já sei que manda quem conquista,
e eu sou uma mulher e não uma guerreira.
Calo. Me calo. Resisto.
Amei e perdi meu reino.
Bendita tempestade!
O silêncio. Este é meu reino.
E nada mais.”
Mía Gallegos
Costa Rica
“Só Por Ti”
“Se a luz dos teus olhares me reanima,
Dando-me gozos que jamais senti;
Se és a minha esperança mais querida,
Hei-de perder-te? Não! Se o amor é vida,
Quero viver por ti!
Mas se a vida tem dores cruciantes,
Temer não sei! Para sofrer nasci…
Abraço a minha cruz, busco o tormento,
E embora me domine o desalento
Quero sofrer por ti!
Não estranho os espinhos da desdita,
Porque sempre em espinhos me feri…
Se hei-de trilhar ainda mais abrolhos,
Se mais prantos virão turvar meus olhos,
Quero chorar por ti!
Só pelo teu afecto esqueço os entes
Que mais amei na terra, e que perdi!
É destino! Quem foge à sua sorte?…
Eu a bendigo; e, se o amor é morte,
Quero morrer por ti!”
Mariana Angélica de Andrade
Poetisa portuguesa
1840-1882
Imagem: Marino Marini
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