Poesia de Bambu
- portalbuglatino
- 4 de mar.
- 2 min de leitura
“CORAÇÃO COM PARQUE E CRIANÇAS”

“Anjos de quatro sílabas
levavam teu coração;
no parque o deixaram,
soma de chegada,
tremor,
céu da lagoa,
água que nunca chegou.
Agora, quando as crianças
desenham com giz o mundo,
e sobre todos nós chove
sinos de crepúsculos,
teu coração, à sombra,
consulta os silabários,
pleno de peito e fumaça.”
Eunide Odio
Costa Rica
“O AMOR É DE BAMBU”
“Não existe nada mais forte do que este amor.
Seu corpo se dobra
e não se quebra.
Suas costelas forjam a cana
para nos alimentar;
sulcam o sal
os dentes assassinos
o vento sopra até a medula.
Traz areia nos olhos
para cegar
os videntes.
Traz espuma na boca
e flutua.
Flutua com a ponta erguida.
Desenha um anel na água,
um eco.
Mordo essa cana,
sua raiz convulsa
o fio de saliva
que sustenta o anzol.
Mordo as peras quando amadurecem.
Minha voz empapada em teu ouvido.
A pedra do silêncio
tropeça com este bambu.
Tomo a tua asa para cruzar a calçada.
Tomo a tua asa e vejo o tempo.
Choro em um pódio
Diante da realidade acobreada.
Choro e me esfumaço
como o valor sobre os lagos.
Sou a mulher que acreditou em uma debandada
e viu nos olhos de seu amante
a origem de um fogo.”
Paola Valverde Alier
Costa Rica
Imagem: Marino Marini
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