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Poesia da meia-noite de verão


Lyz Parayzo — Bandeira #2, 2021. Latão polido. Edição única, 40 x 55 x 50 cm. Foto de Ana Pigosso

“O VENTO DA NOITE”

“À meia-noite de verão, mole como um fruto maduro,

A lua sem véus lançou a sua luz

Pela janela aberta do parlatório,

Através dos rosais onde o orvalho chovia.

 

Sentada e perseguindo o meu sonho de silêncio,

A doce mão do vento brincava em meus cabelos

E sua voz me contava as maravilhas do céu.

E a terra era loura e bela de sono.

 

Eu não tinha necessidade do seu hálito

Para me elevar a tais pensamentos,

Mas um outro suspiro em voz baixa me disse

Que os negros bosques são povoados pelas trevas.

 

A folha pesada, nas águas da minha canção,

Escorre e rumoreja como um sonho de seda;

E, ligeira, sua voz miriápode caminha,

Dir-se-ia levada por uma alma fagueira.

 

E eu lhe dizia: “Vai-te, doce encantador.

Tua amável canção me enaltece e me acaricia,

Mas não creio que a melodia desta voz

Possa jamais atingir o meu espírito.

 

Vai encontrar as flores, as tuas companheiras,

Os perfumes, a árvore tenra e os galhos débeis;

Deixa meu coração mortal com suas penas humanas,

Permite-lhe escorrer seguindo o próprio curso.”

 

Mas ele, o Vagabundo, não me queria ouvir,

E fazia seus beijos ainda mais ternos,

Mais ternos ainda os seus suspiros: “Oh, vem,

Saberei conquistar-te apesar de ti mesma!

 

Dize-me, não sou o teu amigo de infância?

Não te concedi sempre o meu amor?

E tu o inutilizavas com a noite solene,

Cujo morno silêncio desperta minha canção.

 

E quando o teu coração achar enfim repouso,

Enterrado na igreja sob a lousa profunda,

Então terei tempo para gemer à vontade,

E te deixarei todas as horas para ficar sozinha…”

Emily Brontë

(1818-1848)

 

“JÁ NÃO É MAIS TEMPO”

“Já não é mais tempo para te chamar ainda,

Não quero mais embalar este sonho.

Assim o raio de alegria não durou senão um momento

E a dor infalível logo voltou impetuosa.

 

E depois a bruma já se levantou a meio;

A rocha estéril exibe o seu flanco nu,

Onde o sol e os primeiros olhares da aurora

Acabaram por adorar suas imagens nascentes.

 

Mas na memória fiel da minha alma,

Tua sombra amada será eternamente emocionante,

E Deus será o único a reconhecer sempre

O asilo abençoado que abrigou minha infância.”

Emily Brontë

(1818-1848)

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