Poesia da Lucidez
- portalbuglatino
- 20 de mai.
- 1 min de leitura

“DOMUS”
“Ouvirei os ruídos (dos) vivos, percurso de mortos, passadas
horas de afastamento e das visões nítidas;
a ciência dos náufragos, eterno retorno; a vaga
do início das águas, primeiros sentidos da terra
ou hespérida. Hinos (era de ouro) ao sangue
que no atrito circula; à seta, em sua árvore
de arco; à espécie, o primeiro nado. Hóspede
de solo, humano, ergui o corpo; saúda
em Atlântida a ágora; saúda a urbe (onírica).
Onde penetram os membros, esse cortejo. Congregue
os animais; na praça a cúpula vibre. Seus dons exerça
em exílio — numa estação adversa ou oiço
em fontanários e harpas o mesmo
brado: o desejado sítio, ó espera.”
FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO
escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora portuguesa (1938-2007)
“Idade”
“Conheci dias duradouros,
o sol tão longo entre manhã e tarde.
Um levantar súbito de luz
por trás da crista das heras no muro velho,
e depois descer no verão entre grades verdes
e para além do portão como a cair no Hades,
no inverno. Não havia tempo
nos dias longos, mas a passagem diária
do sol abençoado.”
FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO
escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora portuguesa (1938-2007)
Imagem: Picasso
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