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Poesia até no Silêncio

Francisco Trêpa
Francisco Trêpa

“IN MEMORIAM”

 

Albert Camus

 

“Meursault com o sol nos olhos,

e a humanidade.

Confrontação,

dicotomia,

tudo desde o distante prisma:

o suicídio e o resto.

Impossibilidade,

indiferença,

mutilação de medos, culpa, sonhos:

rito

diário e preciso.

O mesmo final, porém não mais além,

e o dia tão radiante.”

Lourdes Espinola

Paraguai

 

 

“ÀS VEZES EM SILÊNCIO”

 

“Às vezes em silêncio

eu te nomeio com a urgência de meu desespero.

Minha roupa são minhas ânsias

e estão atadas à minha pele,

com essa falta de tudo o que preenches.

Respiro em teus papéis,

à beira de tua cama,

como um invisível nu que a sombra acompanha.

Hoje sentes na tarde

que os espelhos transparentes

te devolvem meu rosto.

Minhas pupilas cansadas

embaladas em tuas mãos

mordem cada dedo teu,

vedados como abismos de frutos proibidos.

Fecho a porta,

grito,

chamando esse recanto

povoado de tua seiva.”

Lourdes Espinola

Paraguai


Imagem: Francisco Trêpa


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