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“NA CASA DO SENHOR NÃO EXISTE SATANÁS?” e “Portugal, por favor, ditadura nunca mais” Bug Sociedade

“NA CASA DO SENHOR NÃO EXISTE SATANÁS?” Bug Sociedade

Todo mundo sabe definir com facilidade um para-raios? É uma "haste metálica alta, que normalmente fica no topo dos prédios, é conectada por fios até o chão", de tal modo "pegar" o raio e "conduzi-lo" de forma inofensiva para a terra.

Como Funciona:

1.      Captor (Haste): A ponta metálica no topo que recebe a descarga.

2.      Condutor (Cabos): Fios condutores que levam a energia da haste até o solo.

3.      Aterramento: Piquetes de cobre ou placas enterradas no chão que dispersam a eletricidade no subsolo.

Alô para as palavrinhas fios condutores e aterramento. Se não colocarem fios com placas de metal enterradas no chão, a eletricidade não tem para onde ir em segurança e se espalha em busca de outros condutores – ou seja: pessoas, de preferência molhadas, de mais preferência ainda - com os pés mergulhados na água até os tornozelos – são condutoras e estão em perigo. O guindaste, como era a coisa mais alta dali, atraiu o raio, mas sem aterramento aquilo pode ter sido tudo: obra de gente irresponsável, ignorante, interesseira, carreirista – o que vocês quiserem - menos obra de Deus.

Vamos aos fatos indiscutíveis?

Como alguém que atrai para uma manifestação alguns milhares de pessoas, não se interessa pelo aviso de tempestade com raios dado pela defesa civil? Ah, não recebeu! Como assim, não recebeu? A defesa civil de Salvador, por exemplo, dispara SMS para todos. Então eu recebo aviso de tempestade e a minúscula excelência que está na capital da República não recebe nada? Não acredito, desculpe.

Se você recebe um aviso de tempestade com raios e vê milhares de pessoas encharcadas, não pensa, lembra (ou algo que seja pensante) em avisá-las de que estão em perigo de vida, já que pessoas molhadas em lugares descampados atraem raios?

Ok. Vamos facilitar. Afinal, o que atrai raios? Estruturas altas e isoladas (árvores, postes, guindastes), água (rios, piscinas, rua alagada), e pessoas em áreas descampadas ou na água, pois oferecem um caminho mais curto para a descarga elétrica.

Como estou tirando todas essas definições do Google, não há o que saber ou intuir. Usando o celular, todas essas pesquisas lá estarão. Assim: se você sabe de tudo isso e ainda assim guia milhares de pessoas para uma área aberta, vazia, com um guindaste enorme por ali, capaz de atrair a energia de um raio – que por acaso, caiu e machucou com mais ou menos seriedade a 89 manifestantes – é normal você dar uma entrevista e dizer que foi um incidente?

As palavras têm poder, nunca se esqueçam. Todos sabem a diferença entre incidente e acidente? Incidente é uma ocorrência inesperada mais branda do que o acidente, que não causa consequência para nenhuma das partes. Porém, um acidente é diferente porque nele, a ocorrência causa lesões físicas nas pessoas.

Deus não tem rigorosamente nada a ver com o responsável pela manifestação não ter pedido licença, ajuda, ninguém ter organizado o evento para prevenir imprevistos ou mesmo parado a manifestação, diante do aviso de tempestade. Mas ninguém fez isso. Era muito mais interessante, talvez, as excelências aproveitarem o momento e cada um fazer o seu discurso, alimentar o povo com o circo das palavras, gritos e sussurros. Então, vamos povo!

E agora?

E se morrer alguém? Tem várias pessoas feridas com gravidade. Aí vão dizer o quê? Que a culpa foi delas? Que Deus as abandonou? Que Ele precisavam de novos anjos e cooptou-as? Quem foi à manifestação e por acaso ficar sequelado recorre a quem? A Deus? Ninguém vai se lembrar de pedir indenização ao responsável direto pela manifestação? As pessoas vão agradecer por não ouvirem, terem déficits de memória, convulsões, mudanças de personalidade, problemas no sistema nervoso, cardiovascular? Vão agradecer por morrerem?

Que eu saiba, Deus nos fez para lutarmos pela vida. Agradecer pelo raio que caiu porque ninguém guiou essa multidão é lutar pela vida? Tanta reza pra todo mundo esquecer que os doentes vão precisar da ajuda de quem deveria estar cuidando do bem estar de todos e que é uma pessoa viva e não Deus? Quem vai pagar o tratamento é Deus?

Ai, ai, viu...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Portugal, por favor, ditadura nunca mais” Bug Sociedade

Segundo turno ou segunda volta das presidenciais em Portugal em 8 de fevereiro. António José Seguro do Partido Socialista versus André Ventura do Partido Chega (extrema direita).

Um país que sofreu uma ditadura de 48 anos, de 28 de maio de 1926 a 25 de abril de 1974, considerada a mais longa da Europa do século XX, corre sérios riscos de ter um Presidente da República da extrema direita, em pleno século XXI. Vou deixar no final do meu texto, links de artigos que falam das torturas e mortes nessa época. Como um povo que passou por tudo isto, tem gente que quer voltar a esse lugar? Quem são essas pessoas, que circulam do nosso lado? Que alguns são nossos amigos, família, colegas de trabalho, vizinhos? O que lhes aconteceu? Esqueceram o passado? Nunca aprenderam sobre ele? Não tiveram aulas de história? Não tiveram avós, tios, pais, capazes de os alertar sobre o mal que esse passado fez para tanta gente?

Depois de assistir aos filmes brasileiros “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, depois de 47 anos de vida em Portugal e de mais de 10 anos a viver no Brasil, percebo melhor as conversas que se cruzam com as nossas vidas e em que nos calam sistematicamente. Tentando apagar o passado, apagar a história, apagar a nossa dor e o desejo moral de justiça e de reparação. Aquelas conversas que insistem que nada aconteceu, ou que já passou, ou que não foi nada de tão exagerado, ou que tortura e assassinatos é invenção, ou que aquele cara que foi preso era traficante, ou que a morte daquele cara foi acidente, ou apenas que você fica aborrecida com coisa pouca.

Afinal, terminamos uma ditadura de 48 anos, com cravos.

Quantos portugueses visitaram a prisão política de Peniche? Quantos passaram em Peniche para fazer surf, ou comer peixe, ou passar umas férias com a família? A visita ao Forte de Peniche devia ser obrigatória e incluída nesses programas.

Quantos visitaram o Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, instalado na antiga Cadeia do Aljube? Obrigatório.

Perdemos a memória. Perdemos as referências. Perdemos a noção do que é importante. A maioria dos jovens está olhando o celular, ou o notebook, ou o tablet, ou o computador constantemente. Brincando, rindo de gente que fez algo que eles consideram “menor”, ou jogando jogos em que matam e destroem. Essa é a sua vida. Suas preocupações. Olhar uma árvore, só se for um trabalho da escola. Conversar com um estranho, um idoso, um familiar mais afastado, só se for por obrigação ou porque vai ter algo em troca. Amigos? Os verdadeiros para eles são os que eles encontram pela internet. O adulto que os critica é silenciado porque a crítica não é aceitável. Eles não podem ser contrariados. Eles estão sempre certos. O mundo é que está errado. E tudo isto piora quando são ricos, poderosos.

O mundo real já não emprega os mais competentes e capazes. Escolhe os que estão indicados por alguém. Ou os que têm mais visualizações. Ou os que sabem o caminho do dinheiro. Por isso, o que interessa estudar, esforçar, pesquisar, sacrificar, se o emprego vem até eles? E se possível um emprego para não fazer muito.

Claro que existem jovens e jovens adultos que são gênios, que são humanos, que somam e muito. E que tenho esperança que nos salvem “desta tempestade” que atravessamos nestes novos tempos.

Mas os que acham piada a Ventura e gostam desse diz que diz – falar contra mas depois afinal até são os que defendem, afinal eles até vão à missa e falam na mulher nos seus discursos. São tão certinhos!

Meu Portugal, nosso Portugal, o que é bom em nós precisa ser cuidado e mantido e o que é menos bom, precisamos enfrentar e resolver. A ditadura precisa ser um assunto encerrado.

Exige de nós caráter, nobreza, coragem, entrega, trabalho, verdade. Tudo aquilo que dizemos que somos enquanto povo. Então sejamos aquilo que dizemos que somos.

Alguns artigos sobre torturas e mortes na ditadura portuguesa:

1.   O fascismo português torturou e matou

2.   A ditadura portuguesa e a sua polícia política

3.   Vítimas de Salazar. Estado Novo e Violência Política, de João Madeira (coord.), Irene Flunser Pimentel, Luís Farinha

4.   Salazar figura entre os maiores criminosos da história da Europa

5.   Prisão do Aljube: a tortura passou por aqui

6.   Peniche: 13 Rostos

Ana Santos, professora, jornalista

 


Imagem: Jacopo della Quercia


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