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“OS POLÍTICOS E SUAS POLÍTICAS” e “Ponto Nemo” Bug Sociedade


Clifford Possum Tjapaltjarri

“OS POLÍTICOS E SUAS POLÍTICAS” Bug Sociedade

Muita gente pensa logo que não gosta de política, mas pedir uma xícara de açúcar na vizinha e depois mandar uma fatia de bolo, é política – de boa vizinhança.

Resumindo, na vida tudo é política. O curioso é que as novas gerações parecem estar sendo treinadas a fugir dessa certeza. Mas se todos pensarem sem muito egoísmo, todas as melhorias que valem à pena são coletivas – e politizadas.

O futebol brasileiro, por exemplo – são onze homens tentando fazer jogadas espetaculares e individuais, com uma equipe técnica que parece que foi escolhida a dedo para “abafar” coisas difíceis de explicar - a começar da escolha do nosso primeiro homem nos pênaltis entre aqueles que... mais erraram a cobrança! Ou de um time que “esquece” o técnico do lado de fora do grupo, bem na hora da combinação da ordem dos cobradores... e o técnico não fez nada! Só coçou a cabeça... Uma política desportiva que esconde o que está cada vez mais visível: Não é um time, não jogam para representar e honrar um País – o nosso, por acaso - mas sim para se colocarem na vitrine e assim, ganharem mais dinheiro. Está aí o escândalo das apostas em jogos que não nega isso.

A nossa camisa canarinho virou uma camisa amarela. E peba...  Vai ver foi tão massacrada com os horrores da ultra direita que perdeu os super poderes...

Falando nela: A Argentina sugeriu que os pobres vendam seus filhos... Tudo bem que aqui as pessoas foram convencidas de que COVID era gripe – e zinha... – mas daí a vender crianças, suspender tratamento de câncer?

Sem pensar em ideologia, mas na generosidade do dia a dia – aquela da política da boa vizinhança, do bolo que ninguém pede, mas todo mundo fica feliz quando ganha: a gente não deve cuidar das pessoas por ser comunista, isso nem faz sentido. Nós cuidamos das pessoas porque nossa civilização se fez e se desenvolveu em grupo. Não somos capazes de sobreviver se estivermos absolutamente sozinhos. Quem foi feliz tendo que sobreviver numa ilha, sem ter nada ao seu redor? Quem pega pra gente o pacote de leite lá no alto da prateleira do mercado? E isso pra falar das menores coisas que podemos e devemos fazer uns pelos outros. Os bebês da nova geração falarão se nós falarmos com eles, como sempre. Estamos falando com os bebês ou apenas reclamamos deles? Ou apenas achamos que está ótimo pagar a babá? Temos paciência de os colocar em espaços abertos e confortáveis para que rolem, engatinhem e andem?

Qual é a nossa política?  Aquela do quanto pior, melhor? Quanto mais lixo se cata pra sobreviver, mais carne com ouro sobra? Percebem que isso não tem nada a ver com ideologia e sim com princípios? Um pouco mais de disponibilidade e honestidade porque todos estão aqui pelo mesmo motivo: evoluir. Você vem evoluindo ou só “compra” viagens, destinos, passagens? Talvez evoluir evoque ajudar, ser útil. Uma boa política, ser útil, pelo menos. Vendo assim, descobrimos “trilhares” de políticos inúteis... Má política continuar votando neles.

--- E assim, de surpresinha, a França aponta que é boa política ir votar pesando essas coisas, que dar uma mão ao vizinho não tem nada a ver com comunismo, mas com ter a preocupação de não expulsar pessoas, não espancá-las, nem humilhá-las, ao contrário. Talvez deixar um legado nessa vida não se conte em dinheiro, mas em ações úteis... Não... Você percebeu que é inútil nessa leitura? Tudo bem, a vida também se muda em um segundo. Comece agora mesmo – será que seu vizinho está sem açúcar pra aquele bolo da tarde?

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

 

“Ponto Nemo” Bug Sociedade

Já ouviu falar no Ponto Nemo? Existe um lugar no planeta Terra, um cemitério de naves espaciais, satélites, navios de carga, chamado Ponto Nemo, localizado a mais de dois mil e setecentos quilómetros de vida humana, entre a Nova Zelândia e o sul do Chile. É, é isso mesmo. O ponto mais remoto ou também chamado de "Polo da Inacessibilidade do Pacífico". A Estação Espacial Internacional está mais perto do Ponto Nemo – no espaço e a mais de quatrocentos quilómetros de distância - do que de qualquer humano na Terra. A mesma Estação Espacial Internacional que necessita ser desmantelada, fechada, aposentada, a partir de 2030. Isso mesmo. As relações internacionais estão “nebulosas” e têm vindo a atrapalhar a gestão da Estação. Existem problemas de funcionamento da Estação – problemas chamados de corriqueiros - mas na verdade o sistema de acoplamento de espaçonaves e as estruturas de módulos e radiadores, está chegando a um ponto onde a sua utilização não será mais segura. O fim da Estação está chegando. Vai ser mesmo desativada. A NASA vai pagar 4 bilhões/biliões de reais para a SpaceX tratar do assunto. A SpaceX vai construir uma nave - United States Deorbit Vehicle (USDV) - para trazer a Estação Espacial Internacional para o Ponto Nemo. Vai guiar uma estrutura de 400 toneladas, do tamanho de uma casa com seis quartos, que custou mais de 200 bilhões/biliões de dólares americanos, colocando-a em segurança no "Polo da Inacessibilidade do Pacífico". Uma operação de altíssimo risco, algo nunca feito até ao momento. Uma outra alternativa seria colocá-la numa órbita mais alta, uma espécie de cemitério espacial, onde já se encontram alguns satélites.

Funcionou durante mais de 20 anos, num espaço de 388 metros cúbicos de pura tecnologia, de onde saíram muitas soluções para a vida dos humanos na Terra. O mesmo mundo onde o meu celular não dura mais de 2 anos, o comando do ventilador começa a desfazer-se ao fim de 5 ou 6 anos, um guarda-chuva dura um inverno. O que me escapa? Esther Duflo, economista e Prêmio Nobel contra a desigualdade, diz que o ser humano tem capacidades mentais finitas e que isso atrapalha muito mais os pobres do que os ricos. Enquanto um pai pobre está preocupado com a forma como vai encontrar comida para dar de comer aos filhos, ele não está disponível mentalmente para refletir sobre a vida, sobre o futuro, muito menos está disponível para ajudar outros, colaborar, partilhar, construir, projetar. Isso também acontece quando a pessoa está doente e incapaz – sua disponibilidade para refletir sobre assuntos mais profundos é diminuta. Mas tudo está piorando mesmo com os que se consideram capazes – a antiga classe média. Estamos a perder a nossa essência, dignidade, respeito, nobreza, capacidade de colaborar, partilhar. Ter capacidade, talento, qualidades, deixou de ser fundamental. O telefonema certo, a conversa com a pessoa certa, isso é fundamental. Não interessam currículos, não interessa nem se você é suspeito de envolvimento em apostas esportivas, nem acusado de estupro, nem nada. Nada. Você continua a fazer parte da seleção, você consegue mudar de clube, você consegue começar novos trabalhos como empresário de jogadores. Oportunidades não faltam para os que fazem coisas erradas, porque eles sabem muito bem com quem contar. Os seus “parsas” são sempre escolhidos, de acordo com os lugares que ocupam – todos os lugares estratégicos que imaginar, eles estão lá. É uma luta muito desigual. E está piorando. Se esse Ponto Nemo tivesse um hostel, era capaz de ir para lá passar uns dias. Dias para tentar ter tempo para refletir, pensar no futuro, encontrar saídas. Porque a Nasa e o SpaceX não solucionam problemas humanos. Ainda!

Ana Santos, professora, jornalista

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