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“OS FANTÁSTICOS YANOMAMIS” Bug Sociedade


Foto retirada do site SOS Amazônia

“OS FANTÁSTICOS YANOMAMIS” Bug Sociedade

O Brasil inteiro está vendo e não há mais desculpas, nem justificativas para a tristeza, dor, injustiça, horror, traição, escândalo, miséria, doença, fome, abandono, crueldade, frieza que foram perpetradas contra os nossos parentes yanomamis. Vou repetir mil vezes de maneira cada vez mais direta: o Brasil é a mistura de indígenas nativos daqui, escravizados contados aos milhões e trazidos pra cá e alguns “pontos brancos” que fazem parte da mistura divina que somos...

Para além do que “O Fantástico” mostrou, há diálogos inteiros entre os pais yanomamis que ouvem, após pedirem comida aos garimpeiros que “comida assim de graça, não dá: têm que trazer as filhas deles pros garimpeiros fazerem sexo com as de 13 anos”. 13 anos e malária. 13 anos e fome. 13 anos e escravidão sexual.

Os últimos quatro anos foram um tempo onde tudo o que se viu, transformou símbolos em títeres horrendos, monstros habitantes dos nossos piores pesadelos. E assim, os cabelos tão cheios que eu herdei de meus parentes, caíram pelo mercúrio que miseráveis, bandidos desprezíveis - de Brasília a Roraima – permitiram que a contaminação trouxesse pela estrada do ouro, dinheiro, horror, morte e abandono.

Ao pior dos infernos com eles.

“- Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me vós Senhor Deus, se é tortura ou se é verdade tanto horror perante os céus? Quem são esses desgraçados?”

Seria esse horror o destino de nosso povo? Ter que ver repetir, sem reagir - apenas assistir?

Nunca mais. E quem brasileiro for, se une aos parentes – ainda que tendo que voltar atrás e dizer que errou, que houve alguma coisa, que foi enganado pelas mentiras tantas vezes repetidas. Que o seu povo está ali onde o garimpo invadiu para matar e roubar – como desde sempre se tentou e nossos parentes resistiram.

“- Existe um povo que a bandeira empresta, para cobrir tanta infâmia e covardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa, em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! Meu Deus!...”

Agora é a nossa vez. Não se interponham entre nossos parentes e a justiça porque todos precisam pagar lá. Cada um. O Brasil precisa nascer Brasil pelo menos uma vez. Com a dor do parto porque os partos doem muito, senhores. E o Brasil são nossos parentes unidos a nós, num povo só.

Chega de desdizer o fato, chega de mentira. Somos só dor, só vergonha, perda, revolta e tristeza. Se na cidade nossos parentes pretos têm alvos em seus corpos, agora a selva é um alvo, nossos parentes esqueléticos somos nós todos - alvos da maldade que largaram aqui e fugiram com medo de quem somos e de quem podemos ser. E vamos ser. Eles que se escondam de nós, cobrando "ingressos de visitação", lá nos gringos.

“- Mas que bandeira é esta, que impudente na gávea tripudia? Auriverde pendão de minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança, antes te houvessem roto na batalha, que servires a um povo de mortalha!... Mas a infâmia é demais... Da etérea plaga, levantai-vos, heróis do Novo Mundo: Andrada, arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares!”

Tirem esses invasores da nossa mata. Expulsem de lá e prendam. Proíbam a circulação desse ouro amaldiçoado pelo mundo, desse amarelo que não consigo mais olhar sem desprezo. Apenas devolvam meus parentes, meu tesouro verdadeiro, vivos e respeitados como povo que somos.

O inferno espera os outros.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

Com fragmentos de “Navio Negreiro” de Castro Alves


“Chega de maldade!” Bug Sociedade

Há uns anos, aqui em Salvador, fomos jantar fora no bairro da Mouraria. Estacionamos junto do muro do quartel militar e quando sai do carro ouvi uma voz incompreensível vinda da “guarita”. Me aproximei para entender, ao mesmo tempo que dizia: “- Como? Oi? Não entendi...” Precisei fazer isso umas 3 ou 4 vezes à medida que me aproximei mais e mais daquele lugar de vigília. Eis que finalmente entendo o que o militar falou, ao mesmo tempo que vejo o buraco de um cano de espingarda/fusil no meio dos meus olhos: “- Não se aproxime senão atiro!” Parece uma piada, mas podia ter morrido nesse dia. Ainda hoje não entendo como isso foi acontecer e como me salvei. É absurdo o que pode acontecer quando o ser humano tem poder, tem armas, tem paus ou cassetetes, spray de pimenta e decide que você é uma ameaça. Mais um inocente é morto de pancada, chamando pela mãe, do nada, nos EUA. É arrepiante. Foi gravado, mas quantas mortes não foram ou não são gravadas? Não sabemos resolver problemas, não sabemos recuar. Sabemos criar e piorar os problemas. Sei bem que naquele dia, se eu fosse homem negro, a minha vida não ia continuar. Hoje estaria no cemitério, abaixo do chão. Acusada de tentar fazer algo muito mau que também não sei o que seria. E isso não está certo. E chega de fazer de conta que estamos a fazer alguma coisa porque não estamos. Se tudo está na mesma, o que fazemos não está a dar certo.

Acusações de estupro. O homem pode mentir, a mulher não. Homem infiel, é garanhão, mulher, todos sabemos o nome que dão. Quando o homem tem tantas provas contra si, que fica difícil provar o contrário, os amigos e os que não se querem “queimar” ficam em silêncio. Isso mesmo, os homens, o sexo forte. As notícias não têm nada que belisque a “honra” do homem – que é acusado de estupro. Em alguns sites e jornais, sempre referem a vítima, buscando, rebuscando, “sugerindo” algo de errado, algo contraditório. As mulheres não podem calar mais como calavam no passado. Esqueçam. No mundo todos temos direitos iguais, iguais, iguais. A esta mulher de 23 anos, espanhola, um dia quero poder lhe dar um abraço, poder lhe dizer nos olhos o quanto lamento tudo o que viveu e vive e lhe agradecer profundamente pela coragem e pelo que está a fazer por todas nós. Ela, a família dela, a polícia e a comunicação social espanhola. Um exemplo impressionante de como devia ser em todos os lugares do mundo. Um exemplo a seguir.

Djokovic, venceu o Australian Open. Jogou melhor, mereceu. Mas o tênis não está num bom momento. Seu pai foi ver jogos com uma camiseta com um Z, símbolo usado por ultranacionalistas, que apoiam a invasão Russa na Ucrânia, tirou fotos com Russos e a bandeira russa, fora do estádio. A forma como Djokovic se comporta quando está com o resultado a seu favor e com o resultado a seu “desfavor”, nos mostra um “menino mimado”, nem sempre parecendo verdadeiro e honesto. Perde a jogada, tem sempre uma dor, um problema em algum “osso”. Ou então tem sempre algo a “refilar” para a sua equipe técnica, na bancada. Tem um “novo treinador” que foi um campeão - Goran Ivanisevic – e não tem qualquer problema em humilhá-lo em público. Não é o tênis que amo, o tênis que sempre foi exemplar, onde sempre aprendi algo bom. Estou preocupada com o futuro.

Genocídio Yanomami. Que Governo no mundo seria capaz de permitir que algo assim acontecesse?

O estado em que está a viver o povo Yanomami... O que foi feito a este povo, Meu Deus! Como é possível? Eu tenho vergonha de ter um lugar limpo para viver, acesso a comida e água saudável, acesso a cuidados de saúde enquanto o povo Yanomami está a viver este genocídio. É impossível segurar as lágrimas, não despedaçar o coração, não se desfazer de vergonha. Quem autorizou, incentivou, fez, está a fazer, está a esconder, a fazer outras “leituras” da situação, tem de pagar por isso. Gente que não presta. Podem vestir terno limpinho, viajar para onde quiserem, ter quarenta casas, rezar muito e rezar alto, fazer sorriso de boas pessoas, mas a justiça humana precisa vos punir. E quero acreditar que a justiça do universo também fará a sua parte. Não é possível. De que é feito o vosso coração? A vossa alma? Vocês têm alma? Penso que todos nós precisamos de tornar estas situações públicas, para que não sejam esquecidas, para que todos saibam, para que não sejam mais repetidas, nem silenciadas e tratadas como algo comum. Para que não sejam interpretadas de acordo com os interesses políticos. Isto não é luta política, isto não é humano.

Ana Santos, professora, jornalista

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