top of page

“O NONSENSE CHAMADO BRASIL” e “Tomar decisões, quem o faz bem?” Bug Sociedade

“O NONSENSE CHAMADO BRASIL” Bug Sociedade

Alguém pode me dizer o que os postos de combustível da cidade de Salvador têm a ver com o Estreito de Ormuz? Se o Temer e o Bolsonaro não tivessem vendido um bocado de representações da Petrobrás (refinarias, campos de petróleo e a BR Distribuidora), nós nos bastaríamos bem mais; ok, vamos colocar na mesma conta os leilões do nosso riquíssimo pré-sal a preço de banana (e com o mundo cheio de gente doida assim, ainda tem brasileiro que apoia a privatização das nossas coisas).  Mas é muita cara de pau a especulação desembarcar no Brasil mais rápido que os navios que estão presos lá pelos lados do Irã – inclusive porque o Irã liberou os navios que não sejam coligados da “Loira burra” – ah, se arrependimento matasse...

                  Aqui no Brasil, tem muita gente ligeira no gatilho para algumas coisas, como correr pra aumentar o combustível nos postos, mesmo com o Governo Federal tendo aberto mão de seus impostos - e lentíssima em outras, como aceitar que, como o nome diz, mulher trans também faz parte do gênero feminino. Um escândalo tão grande só porque a super maravilhosa Erika Hilton assumiu a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher, sendo uma das mais combativas e incríveis deputadas da Câmara. Deputada trans. Aí as pessoas invertem a importância das coisas e combativa e incrível fica quase invisível, para deputada trans ser a manchete. E eu pergunto: o que isso tem a ver com o fato de que nós precisamos mesmo - muito - de uma deputada combativa que nos defenda dos assassinos que nos caçam na rua todos os dias?

É um útero que define o gênero feminino? Uma cólica? Então, basta tirar o útero para virar uma pessoa do gênero masculino? Por essa lógica, o mundo fica de pernas para o ar: um exame de próstata e o homem vira gay? Este é o Brasil incrivelmente inacreditável... Perde-se tanto tempo com coisas inúteis, como o xixi das mulheres trans nos shoppings e, ao mesmo tempo, passa-se assobiando disfarçadamente ao lado de coisas realmente importantes: quem são os verdadeiros envolvidos no escândalo financeiro do Bando Master? O que vai acontecer com eles? Vão conseguir escapar? Por que, mesmo sem nenhuma evidência ou prova contra o governo do Presidente Lula, os deputados insistem em procurar pistas na conta do Lulinha, deixando convenientemente pra trás os repetidamente citados em mensagens e em documentos, os patrocinados? E uma pergunta perturbadora: Por que as autoridades acreditam que ocupam um espaço à parte da sociedade e que por isso podem aceitar favores especiais, sem que isso desperte mal estar, a menos que cheguem à tona? Porque, mesmo não sendo favores desonestos, não significa que podem ser aceitos, a medida em que a presença do “mal estar ético” já deveria ser suficiente para que autoridade se sentisse impedida de aceitar o tal favor. É fácil de se ouvir algo relacionado a um político, começando por: “Fulano é uma raposa”! – mesmo que saibamos que as raposas roubam ovos, enganam as galinhas para roubar e matar os pintos. Mas poucos e cada vez menos, citam: "A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta" (atribuída a Júlio César).

E assim, vivemos essa lógica nonsense, no Brasil: não deu tempo do petróleo caro, lá da guerra do Irã, chegar de navio aqui; mas já deu tempo de pegar o estoque antigo e barato e aumentar seu preço; uma das melhores deputadas federais do Brasil - combativa e maravilhosa - por ser trans e, portanto, não ter útero, não gerar filhos, é acusada de não ter sensibilidade para ser presidente da Comissão dos Direitos da Mulher - o que coloca todas as mulheres que não têm filhos ou são estéreis numa posição bizarra; ou: embora a lei iguale a todos, há quem – por ocupar altos cargos na nossa república ou ser muito rico – se sinta diferente dos outros, “melhor”, “especial” ou “diferenciado” – capaz de se meter em corrupção braba, comprar favores e isso “ser natural e socialmente encoberto”. Escândalo não é fazer o mal feito, mas o mal feito, depois de descoberto.

E enquanto a “água passa pelo moinho”, os homens continuam matando, espancando e ferindo normalmente. Mentes de adolescentes são roubadas pelo discurso completamente idiota dos Red Pills, muitos são anestesiados e brutalizados, sofrem lavagem cerebral, enquanto seus pais ganham cargos públicos no governo do Rio de Janeiro, sendo “muito semelhantes” ao exemplo seguido pelo filho: ofendem, desmerecem e culpabilizam a vítima, ao invés de se perguntarem se existe ou não uma ética que reja pai e mãe, dentro das famílias. E sintam vergonha na cara pelo filho e o responsabilizem. Um estuprador covarde.

Que o fato de mostrarmos o nonsense chamado Brasil, aguce mais coisas estranhas e bizarras que acontecem o tempo inteiro e passam batidas: Se o Bolsonaro está no hospital “quase morrendo”, como o Carluxo disse e repetiu que ele precisa ir pra casa, ficar preso lá? O que qualquer pessoa faz, nessa hora? Ninguém tenta salvar o cara? A salvação não está em estar acompanhado de médicos e remédios e recursos hospitalares? Como ele fala que basta levar pra casa e pronto? Outra coisa: Se o seu pai estivesse morrendo, você não tentaria loucamente estar com ele nesses últimos momentos? Então por que ele tem um filho em cada festa?

Durma-se com um barulho desses...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Tomar decisões, quem o faz bem?” Bug Sociedade

Sabemos tomar decisões? Quem nos ensina isso? É a nossa família? Na faculdade? Na vida profissional? Aprendemos sozinhos? Qual é a melhor forma? Existe melhor forma? A idade ajuda? A experiência ajuda? As feridas, a dor, as dificuldades ajudam? É melhor numas zonas e pior noutras zonas do mundo? As pessoas ricas sabem decidir melhor? As pessoas com poder são melhores a decidir? Poderia continuar a fazer perguntas ao universo, sobre esse tema, que é talvez um dos temas mais fundamentais na vida de uma pessoa – saber tomar decisões.

Não pensar em tomar sempre decisões perfeitas porque isso não existe, mas, tomar as melhores decisões, para aquele momento, com a informação que se tem, com um objetivo claro em mente, tentando não prejudicar ninguém, tendo clara noção do efeito que aquilo terá na vida de todos os envolvidos.

Este domingo aconteceu a entrega dos Óscares. Fiquei a olhar para aqueles atores coadjuvantes jovens, desejando o prêmio, tendo plena noção de que a vida de um ator muda por completo, depois de vencer uma daquelas estatuetas. Venceu Sean Penn. Fez um grande papel, como sempre. Sean Penn é um ator impressionante. Mas fiquei a pensar nessa decisão. Um ator consagrado, que já venceu a estatueta de melhor ator e que vence de novo, claro que por mais um desempenho sensacional. Mas sempre que ele participa num filme será sensacional. Isso me recordou Meryl Streep com 3 estatuetas. Mas Meryl Streep também merecia um óscar de cada vez que participa num filme. Como fazemos? Como abrimos a porta aos que chegam, cheios de talento, cheios de sonhos? Ficam na fila de espera? E quem sabe recebem uma estatueta quando chegarem aos 80? Decisões, decisões. Não é fácil.

Ontem o treinador da seleção brasileira de futebol masculino, Carlo Ancelloti, divulgou a lista dos convocados para os próximos dois jogos de preparação – os últimos antes da Copa do Mundo. O olhar externo – de jornalistas, de torcida, etc – sempre procura alguma injustiça. Ficaram o dia inteiro falando sobre isso e penso que esse tema não terminará até à convocatória final para a Copa. O treinador tem de escolher os que estão melhor naquele momento, mas o olhar externo não faz o mesmo. O treinador decide com o que tem no presente. O olhar externo fica defendendo jogadores, apontando falhas, questionando opções, preso a tendências. Quem decide não pode deixar o coração influenciar e o olhar externo só pensa com o coração. Complicado.

Lugares diferentes, pontos de vistas divergentes.

Donald Trump tem 79 anos. Onde será que este homem aprendeu a decidir?  Será que em criança, o lema era, decidir sempre pelo que é melhor para você e os outros que se safem? Isso e talvez também aprender a não ter um pingo de misericórdia por ninguém. Nisso pode juntar-se a Benjamin Netanyahu, com 76 anos. A dor dos outros não é uma questão. Penso até que a noção de “outros”, também não é uma questão. Vladimir Putin tem 73 anos e também não lhe ensinaram a saber o que é dele e o que é dos outros. Ser colega dele na escola devia ser esquisito. Provavelmente os colegas chegavam a casa sem alguma coisa que ele gostava – as botas, o casaco, a mochila.  

Culturas diferentes, educação diferente, formas de aprender a decidir provavelmente diferentes. Cada um, no mundo, aprende a decidir do jeito que lhe é possível. Uns aprendem que quanto mais rápido decidirem, melhor, como os tenistas, futebolistas, basquetebolistas, pilotos de fórmula 1, por exemplo. No Golfe, o importante nas decisões não é a velocidade. Quando cozinhamos, os tempos e características de cada alimento devem ser respeitados, quando decidimos cortar, cozer, assar, etc. Casar é uma decisão conjunta, entre duas pessoas.

Em que lugar poderíamos colocar uma “matéria” para que todos no mundo aprendessem a decidir? Numa faculdade? Nas comunidades? Nas famílias? Se a grande maioria dos jovens e adultos jovens, circulam na internet, por que não esse meio? Competindo com vídeos ensinando horrores? Ocupando espaço de forma saudável?

Tem muita gente reprovando na matéria, muita gente decidindo pelos outros, decidindo apesar dos outros, decidindo sem nem querer saber da existência dos outros. Tem muito jovem e adulto jovem que está aprendendo a ser gente, pelo que vê na internet. De novo, se só permitimos que seja visível o que não presta, será isso que será aprendido. Não me venha com a explicação de que seus filhos e pessoas ao seu redor são muito bem educadas, porque o problema é de todos. Não chegam as pessoas maravilhosas que você conhece e que você até educa. Tem milhões e milhões de jovens e adultos jovens que estão sendo educados pelo que assistem na internet. Neste momento. Pessoas que serão os serial killers, os Trump, os Putin, os Netanyahu, de amanhã. Ou nos mexemos, enquanto Prefeituras, Governos, Faculdades, Escolas, e ocupamos devidamente a internet ou vamos nos arrepender muito.

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: O Discóbolo, de Miron de Eleuteras


Terça-feira, dia de escrever sobre o que acontece no dia a dia. De crítica, de conselhos, de admiração, de espanto, de encontrar caminhos melhores para todos.


A Plataforma que te ajuda a Falar, Pensar, Ser Melhor.


 
 
 

Comentários


ESPERAMOS SEU CONTATO

+55 71 99960-2226

+55 71 99163-2226

portalbuglatino@gmail.com

  • Facebook - White Circle
  • YouTube - White Circle
  • Instagram - White Circle
  • TikTok

Seus detalhes foram enviados com sucesso!

bottom of page