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“HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA” e “Ser livre” Bug Sociedade

“HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA” Bug Sociedade

                  No Brasil, é uma pergunta difícil de responder. Diante da escala 6x1, já li diversos textos de empresários que “choram” ainda pelo fim da escravização ou pelo fim do uso de mão de obra infantil ou pelo fim da escala 7x7 para as empregadas domésticas, com férias remuneradas e 13º salário obrigatórios. Mas o assunto só é mesmo necessário porque há uma crença de que a cidadania de alguns passa direta e objetivamente pela “des-cidadanização” dos outros.

                  Vejam por exemplo a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã: o que justifica aqui o aumento do combustível? Nada. Então, como isso afetou até o preço do nosso etanol – fiel escudeiro dos nossos carros em todas as crises de petróleo? Como, o governo federal zerar o seu imposto, não impede a especulação? Nossos carros, todos do tipo bicombustível, deveriam ser a própria bala de prata contra crise de petróleo aqui dentro, mesmo com o pau quebrando no mundo todo. Mas os empresários justificam: “a especulação com o preço do barril de petróleo – que nem chegou aqui ainda com o preço novo – é o motivo”.

                  Estava escrevendo isso quando recebi um card que falava que na Dinamarca (vou dizer aqui um “teoricamente”, porque eu nem acredito que na Dinamarca existem diferenças sociais – que dirá abismais como as daqui do Brasil - como também não acredito que isso seja causa de desabilitação eleitoral de ninguém, mas ok – era o que estava escrito no card) toda pessoa que recebe algum subsídio social do governo está inabilitada para votar e que isso era a “profilaxia” contra o clientelismo político. Eu dei uma gargalhada: estamos tão longe da Dinamarca em exercício de cidadania simples como coleta de lixo, separação de materiais recicláveis – pelo menos lixo orgânico e inorgânico - que nem sei bem como alguém, no Brasil, teve essa ideia de card.

Isso me leva até a chuva de reclamações masculinas quanto à eleição de Erika Hilton para a Presidência da Comissão da Mulher, na Câmara dos Deputados. Eu nunca ouvi tantas bobagens reunidas na minha vida: a deputada, sendo mulher trans, não pode ser presidente porque precisa de um útero para presidir a Comissão (?). Juro que eu poderia pensar em cérebro, habilidade, negociação, diplomacia, alianças – mas em útero, jamais!

As coisas que afetam o nosso gênero parecem sempre guardar menos qualidades ou qualidades de segundo nível. Uma roubalheira sem fim nos altos escalões de empresários e políticos, mas não aparece em primeiro plano o nome do deputado dançando no bacanal do Vorcaro - e se aparecesse seria visto como uma coisa super máscula. No caso de ser uma mulher – aí era coisa de desavergonhada mesmo.

Com relação aos empresários, quanto mais ricos, mais “cidadania” têm. Alguns vivem na “Dinamarca brasileira”, totalmente apartados da nossa realidade, onde a maior parte das pessoas não consegue viver porque acorda de madrugada, trabalha e chega em casa tarde da noite. Isso, seis dias por semana. No sétimo, lava e passa a roupa da família inteira e tenta saber tudo o que perdeu de notícias dentro da sua casa: a filha terminou com o namorado, a vizinha os viu falando mais alto e ficou preocupada, veio recado da escola do menino... Nada disso vai ter resposta apropriada. Aqui “não funciona a Dinamarca”. Não há tempo nem de ver as crianças durante a semana. Aqui continua a funcionar a máxima de que o direito dos empresários – quanto mais ricos e mais direitos, melhor – adentra facilmente pelos poucos direitos dos cidadãos “des-cidadanizados”.

Aí vem ela de novo, a Erika Hilton, e apresenta a lei que acaba com a escala 6x1. Quer colocar logo em votação e pede ao presidente da Câmara para pautar. Problemas na Dinamarca! Falas sobre “prejuízo geral da nação” – a nação dos muito ricos, claro, com lobistas por todos os lados porque pagar caro pra lobista é mais barato do que dar mais um direito para o empregado. Mas: Mas! Será que na Dinamarca a escala não é mais 6x1? Será que isso nem é visto como direito ou “usurpação dos pobres” porque cidadania lá é mesmo para todos? Ah, aí eu dei um Google! E não é assim há décadas! DÉ-CA-DAS! A escala lá é 5x2.

Moral da história: Uma pessoa me passa o card comparando a cidadania da Dinamarca com a nossa, na hora exata em que estou começando a escrever o Bug sociedade – que azar da pessoa! Isso num momento onde me irrita que a cidade de Salvador, na prática, não tenha previsto um único bendito departamento que possa acolher queixas contra terceiros privados – principalmente se forem ricos – e eu ter inúmeras queixas que tento encaminhar sem êxito em todos os lugares possíveis e imagináveis. Por último que eu, ao contrário de muitos, saiba organizar o pensamento para responder a esse tipo de card sugestivo com realidades, não polarizações – que são tão cegas que já nem me irrito mais. 

Resumindo: "Há algo de podre no reino da Dinamarca". (Shakespeare)

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Ser livre” Bug Sociedade

Não compreendo como as redes sociais ou plataformas Omegle, Roblox, Houseparty, Tellonym, Kik, Discord, Reddit, 4chan, existem e são permitidas no mundo.

Não compreendo como os homens se acham superiores, em pleno século XXI.

Não compreendo que raio de sentimento, que não pode ser amor, leva os homens a maltratar, estuprar, torturar, matar, namoradas, mulheres, mães, filhas. E não compreendo como suas mães os defendem. E não compreendo por que prescreve algo assim.

Não compreendo como se continua a educar os homens e as mulheres de forma errada e desigual. Desde quando as mulheres pedem para serem estupradas? Onde vocês conseguem ler essas mensagens? Essa capacidade de interpretar textos, movimentos, olhares, roupas e comportamentos, demonstra muito desequilibro.

Não compreendo como as famílias, vizinhos e amigos continuam a manter brincadeiras e comentários inadequados que perpetuam as desigualdades entre as pessoas – minorias, como mulheres, afrodescendentes, lgbtqiapn+, e outras.

Não compreendo como os poderosos, famosos e ricos são tratados de forma diferenciada e sempre com imensa vantagem –não devia ser ao contrário e dar-se apoio a quem não tem boas condições?

Não compreendo como as pessoas acreditam em fake news com tanta facilidade. Não se dão nem ao trabalho de verificar se é verdade.

Não compreendo como existem homens que comentam coisas do tipo: “eu não tenho de aceitar que aquele homem queira ser mulher trans”. Gente, você não é o dono do mundo. Você não tem que aguentar nada porque o mundo não gira em seu entorno. Acorde. Cada pessoas é livre de escolher a sua vida.

Não compreendo como pessoas que conheço, parecem ser boa gente, de bom caráter, e parecem esclarecidas, não o são. E subitamente dizem coisas estranhas, mas tão estranhas, que fazem desabar toda a consideração que temos delas em segundos.

Não compreendo como pessoas que passam a vida a fazer coisas erradas, na primeira vez que fazem uma coisa boa, passam a ser consideradas perfeitas. E, as pessoas que fazem coisas boas a vida inteira, no dia que fazem uma coisa errada, passam a vermes. Ué, de onde vem isso?

Não compreendo para onde estamos caminhando. Tudo está piorando, relações políticas, relações internacionais, relações entre nações, relações entre vizinhos, entre familiares, entre amigos.

Não compreendo como continuamos a fazer e vender comidas que sabemos serem venenosas, sabemos provocarem câncer.

Não compreendo o que estamos fazendo com o nosso corpo, o corpo dos outros, com o mundo onde vivemos, com a nossa saúde.

Não compreendo como meia dúzia de pessoas controlam o mundo e nós ficamos assistindo, achando que entendemos, mas sabendo que não entendemos nada de nada.

Não compreendo pessoas morrendo sem comida e outras morrendo por comer demais.  

Talvez esteja ficando velha porque começo a ver tudo, tudo o que vive escondido, o que fazemos de conta que nem existe, o que não tem cura, o que ninguém quer ou consegue resolver.

Não compreendo muita coisa, mas compreendo que se não fizermos nada por nós, ninguém o fará.

Estou cansada que me tenham de vir explicar melhor o que eu disse, que me contrariem minhas opiniões porque eu não entendi bem o que vi ou o que aconteceu, que se riam das minhas teorias, que me olhem de cima, que me venham dizer o que eu tenho de fazer, o que eu devo decidir. Não devo ser a única pessoa a sentir isso. A diferença é que se eu fosse homem, todos os homens achariam muito bem, mas como sou mulher, a reação é mais do gênero: “que feitio”; “não foi educada direito”; “não sabe seu lugar”; “pensa que é alguém”; etc.

Bom, eu sou alguém, tenho os mesmos direitos e vou em busca deles a todo o momento. Estudo, pesquiso, trabalho, faço tudo corretamente. O Bug Latino, estimula e incentiva as mulheres, “a serem livres. Isso implica não ter medo, existir, ocupar o espaço que tenha de ocupar, dizer suas verdades, sem pedir licença, nem pedir desculpa. Ser livre.” (texto de Rosalía).

Seja livre se for mulher. Aceite que a liberdade pertence a todos, se for homem.

Parem de maltratar e matar mulheres. Chega! Basta! Que mania de desprezar e menosprezar tudo o que somos e sabemos. Que mania de nos olharem e nos censurarem com esse nariz de quem se acha dono de tudo. Cansei de calar!

Nunca falamos no tempo certo, nunca falamos o certo, nunca acertamos o tamanho da crítica, sempre que apontamos algo no gênero masculino vem sempre um salvador avisar que estamos tratando mal os que são boas pessoas. Gente, por favor, vamos parar de proteger os que precisam melhorar, com as costas das pessoas de gênero masculino, de bem?

Basta, basta, basta!

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem fake: retirada das redes sociais, sem autor conhecido


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