"O bêbado e o equilibrista" e "O Brasil salvou o Mundo" Bug Sociedade

"O BÊBADO E O EQUILIBRISTA" Bug Sociedade
Essa eleição foi diferente de todas - mas, bolsonaristas! Nem evoluam com os resmungos! Talvez, se vocês dirigirem suas reclamações diretamente para Bruno Reis e "prefeitos asseclas" que “sentaram em cima” do transporte público de Salvador, São Paulo e outras cidades, a ultra direita obtenha a resposta de como os prefeitos puderam ter a “bela ideia” de sumirem com o transporte das pessoas, achando que por obra e graça de Jesus, só os nordestinos seriam prejudicados. Claro que não foi assim, claro que Flavio também pediu a extensão do horário da eleição porque porque choveu no sul e claro que só lhe sobrou "denunciar" a eleição depois de ter sido atendido quando também pediu que se adiasse o final do recebimento de votos. Mi-mi-mi de play boy.
Mas quero falar não da choradeira do Flavio, mas da recordação da música O bêbado e o equilibrista do João Bosco e Aldir Blanc. No domingo, nós, que havíamos tomado as ruas, as telas, as redes, os símbolos, as caronas, os medos, enganamos todas as previsões, Big Techs, redes, empresários barões podres de ricos, TVs, políticos, todas as incompetências mil e traçamos o rumo que era o certo e justo para o solo do Brasil – como disse Aldir Blanc. Contra todos prognósticos, partidos, pesquisas, estatísticas, saímos assim como quem não quer nada, pulando e cantando pelas ruas – e deu povo na cabeça.
Até compreendo a desilusão dos políticos de ultra direita – e muitos outros também - que se habituaram a enganar seu público – que grita, esbraveja, bate nas velhinhas, mulheres e crianças e se acha heroico exemplo de "macho-man", por ser covarde – esquecendo que o fenótipo brasileiro normalmente é tipo “inteligente e descolado” – muito mais pra seleção de 70, com Jairzinho, Gerson e Pelé, do que a seleção de 2026 com Neymar – ou “menino Ney” – como seus seguidores falam - esquecendo de todos os comportamentos abjetos que ele mantém “dentro e fora das 4 linhas” – só pra citar o “cão-mor” da nação.
Pois é: os mais novos ocuparam as ruas e não demorou nadinha para os mais velhos se juntarem a eles. E eu que vi a ditadura sumir com a identidade das pessoas, mesmo antes de saber que era a ditadura que sumia com a identidade das pessoas (já que o medo é irmão do silêncio), vi as covardias crescerem em torno dos preconceitos, de religiões, do extrato no banco ano a ano, a cada passo do bolsonarismo. E depois de tanto tempo me sentindo a falar sozinha, vi na rua que havia eco. Eco pra necessidade de vacina, pra igualdade, liberdade, fraternidade, pra o enriquecimento da comunicação, do voto conquistado no boca a boca, pra percepção finalmente de que as pessoas estão falando cada vez pior, com cada vez menos palavras, que são ludibriadas por não saberem interpretar os textos falados - mas que a vida não é composta apenas de vendas de internet, palavras de coach e consumo desenfreado...
Assim, com mais galhardia, enfrentamos nossos vizinhos ricos do triplex que teimam em não perceber que mosquitos de dengue não podem nascer, mas se nascem, o dono do terreno onde estão precisa pensar em todos e cuidar das águas paradas – não por ele – mas por todos nós. Pois é: Na rua, eu vi de novo que havia um “nós” no Brasil. Nas DIRETAS JÁ, nós ocupamos as ruas e nos vimos. Nas manifestações pela ANISTIA GERAL E IRRESTRITA – também. Mas dessa vez - e pela primeira vez – não havia faixa etária. O tantinho de anos com democracia plena colocou crianças e velhos e jovens e adultos – todos na rua, num tipo de carnaval fora de época.
Ocorre que rua é sinônimo de pânico entre políticos. Nunca esqueçam isso! Não se pode mandar polícia com tiro, porrada e bomba, o regime é democracia na veia? Então eles morrem de medo da gente. E todo mundo declarando seu voto, indo votar com roupa verde amarela, vermelha, número 13, bandeira LGBT, boton? Que papo bêbado era aquele? Primeiro não entenderam. Mas quando entenderam, já era tarde demais e a rua, a eleição, o sonho eram nossos. Fizeram beicinho, fugiram correndo – fingindo que não era medo – mas era!
Sabe aquela seleção brasileira invencível, aquela que tinha Pelé, Jairzinho, Gerson? Pois é... éramos nós, de novo, moralmente reencarnados! E com Zico e Sócrates!
Que não saiamos mais das ruas. Agora temos que colocar freio nesse Congresso que entrou de fininho. Mas ele tem que saber que “a porta da rua também é serventia da casa”. Portanto, chega de golpes. Chega de esperteza. Chega de “menino Ney” empurrando jogador do Bahia. Chega. Agora o jogo é limpo e o povo ta na área.
Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema, tv
"O Brasil salvou o mundo!" Bug Sociedade
Foram dias difíceis. Para muita gente. Mas não existia alternativa. Não havia outro jeito, para ser feliz, para ter uma vida democrática e justa. Existe muito para melhorar, e bota muito mesmo, mas quando você está feliz isso significa que sua vida não precisa melhorar mais? Pense nisso. Você evolui, você se desenvolve, você terá provas para enfrentar, mas de cada vez que consegue algo difícil fica feliz, respira de alívio, festeja. Porque isso não pode acontecer na vida do Brasil? Este é um momento de felicidade por se perceber a força de um coletivo.
Tem tanto especialista em Portugal falando tanto e tão bem mas deixe lembrar que o Brasil de verdade não é esse que acontece nos resorts e nos iates ou veleiros. Se você tivesse amigos nas comunidades do Calabar, do Vale das Pedrinhas, da Liberdade, etc, na cidade de Salvador, por exemplo, você perceberia a importância desta vitória de Lula e do povo. Foi aparentemente um milagre, mas o Brasil é bom de milagres que acontecem através do esforço das pessoas. A capacidade de se unirem, de cumprirem seu dever, de amarem profundamente seu país e de acreditarem na sua força quando estão juntos. Esse é o milagre. Ser brasileiro é viver carregado de dor e feridas, mas seguir feliz por saber que o que importa é o que se pode construir. É uma escola maravilhosa que agora também está ensinando ao mundo a força de um "exército", a força da esperança, a força que existe quando acreditas nos outros, quando acreditas que impossível é apenas uma palavra inventada para parar de tentar, que nunca se deve desistir, que existe uma força gigantesca quando se acredita. A capacidade e as possibilidades dos coletivos é gigantesca, mas só acontece quando a acionas através de movimento, tarefas, união, colaboração, e muito trabalho.
Precisamos olhar de forma mais madura para a população do Brasil e aprender com eles com esse gênio Janones, com o povo. Olhar só para os luxos e vantagens de um país tão fenomenal pode parecer algo inteligente mas aviso de novo que os maiores talentos e qualidades deste lugar do mundo são invisíveis, muitos ainda por explorar e desenvolver e provocam, quando cuidados e tocados, grandes milagres. Como este. Esta magia não se alcança com autoridade, inferioridade, humilhação, asfixia. E tem efeitos maravilhosos para a sociedade de qualquer país. Porque se deixou então de tratar bem as populações? Por que o caminho é o contrário? O Brasil está avisando para não ir nessa "cantiga". Ouçam o Brasil!!!! Sou L de liberdade, sou L de democracia.
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: Almada Negreiros
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