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“Mimadinhos” / “Pourris gâtés” (Netflix, 2021)


Eu adoro a comédia francesa! É leve, descomprometida, mas ao mesmo tempo guarda uma mira bastante bem posicionada para nos confrontar com a criação que temos dados às pessoas dessa geração. O filme se passa em Mônaco e a riqueza, a futilidade, a impaciência dos ricos filhos de papai que não sabem fazer nada sem gastar rios de dinheiro à toa.

Elenco perfeito, muito bem ajustado à cena, com aquele pequeno “over” de comédia na medida exata pra não enjoar. Peruas, Mauricinhos, Patricinhas e um pai que resolve colocar tudo em seu devido lugar “empobrecendo”. De mentirinha claro. O resultado são cenas muito bem urdidas, engraçadas, numa história que não é nenhuma trama shakespeariana, mas que não te deixa na mão em termos de divertimento.

No frigir dos ovos, nos deparamos com o preenchimento das nossas vidas, a importância de problemas reais e o conteúdo das famílias - mesmo quando nada parece abastece-la de carinho. Há carências, olhares, lágrimas, cobranças, dores – a comédia muito se aproxima da loucura que virou a nossa vida real, ultimamente.

MIMADINHOS tem um cenário incrível, de uma beleza marcante, carrões, carrinhos, saltos 14, risadas e espírito humano. Vale juntar os amigos e se divertir nas tarde bolorentas de chuva de inverno.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Uma comédia francesa, bem descontraída e simples. Excelentes atores. Um argumento que captou situações reais dos grandes luxos dos nossos dias. Filhos de milionários que apenas festejam, curtem, experimentam, gastam. Trabalhar, responsabilidade, vida a sério, não é com eles. O Pai, viúvo, trabalhador e homem de negócios bem sucedido, com pessoas de extrema confiança do seu lado, não consegue ver nada de promissor nos filhos. Vidas completamente opostas. O pai dedicado a trabalhar e os filhos dedicados a gastar. Até que, alguém não aguenta manter este estado de coisas e tudo muda. É filme, mas gosto de pensar que pode acontecer na vida real. Filhos que nunca tiveram de trabalhar, de repente precisam trabalhar, precisam respeitar as pessoas que não têm a vida financeira deles, precisam entender que somos muitos no mundo, bem diferentes uns dos outros, mas todos com direitos e deveres. Infelizmente muitos precisam mesmo de aprender porque realmente perderam tudo.

A vida tem um significado, de acordo com o lugar que ocupamos, e outro de acordo com o lugar que os outros ocupam. Depressa entendemos que o pai tem uma opinião sobre o assunto e os filhos outra – completamente diferente. De alguma forma quando se vive de verdade, parece que a honestidade e desonestidade das pessoas é mais visível. E quando se vive vidas maquiadas, de faz de conta, tentando ser quem não se é, se constrói espaço para gente que não presta, circular perto e parecer melhor do que é.

O filme também coloca “na mesa” as pessoas que rondam os ricos, que rondam os filhos dos ricos e que se fazem passar por amigos ou amores verdadeiros.

No meio de tudo isso, provocações culturais entre pessoas de Marselha e do Mónaco, entre novos e velhos, entre pais e filhos, entre empregados e patrões.

A casa de Marselha, no campo, para onde foram viver quando ficaram sem dinheiro, também não me importava nada.

Um filme que se vê bem, com espaço para nos fazer rir um pouco para nos fazer pensar um pouco também.

Ana Santos, professora, jornalista


Sinopse: Um milionário quer ajudar os seus filhos mimados a tornarem-se pessoas melhores, por isso engana-os e finge que a família perdeu a fortuna que tinha sido confiada aos jovens privilegiados.

Direção: Nicolas Cuche

Elenco: Gérard Jugnot, Camille Lou, Artus

Trailer e informações:

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