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"Lista de Mandus" Bug Sociedade


Carnaval Salvador 2023 - Foto retirada do site Aratu On

“LISTA DE MANDUS” Bug Sociedade

Carnaval, 100 anos da minha Portela, Barra-Ondina naquele enxame de gente – tudo dominado de alegria. Vendo assim, parece que podemos relaxar, a Prefeitura faturar, bastando ao comércio, ambulantes e serviços recolherem os lucros pós Covid. Mas quando o tempo escurece e fecha tudo de nuvens, não consigo deixar de sentir o medo que nos acompanha sempre: a cidade está preparada para enfrentar o clima extremo ou vamos continuar rezando e esperando que Deus resolva tudo o que estragamos no meio ambiente? Há uma pergunta que me estrangula por dentro, mas que preciso verbalizar: Se o Governo de São Paulo foi avisado de que viria uma chuva nunca vista, inédita, histórica - por que apenas a aguardou sem organizar nada? Não havia um plano para impedir os turistas de irem para lá? Não há um plano? Foi como na primeira versão do filme Tubarão onde todos pensaram no turismo e acreditaram que não poderia ser tão mal assim?

Certamente, temos mazelas brasileiras suficientes para nos tirar totalmente o sono por uns bons anos, mas sobram problemas que o mundo herdou dos machões ditadores. A guerra da Ucrânia mesmo: que bola fora do Putin! Achou que conseguiria ganhar em 10 dias e, 365 tentativas depois, nem ele mesmo sabe como sair da guerra sem pagar mais mico do que já pagou. Todas as crueldades foram tentadas, todo o jogo sujo, soco abaixo da linha da cintura – e não deu certo. Talvez o Governo do Brasil esteja certo, certíssimo e se precise organizar uma “turma internacional do deixa disso” pra ver se alguém arruma uma saída honrosa pra Rússia.

O que vamos fazer com os golpistas? Outro dilema. Pouco mais de mil vão ter mesmo que chorar na cama e cumprir suas penas direitinho, entendendo que aqueles direitos que eles diziam que não serviam para os bandidos, agora serão preciosos pra todos – inclusive eles. Devem aprender também que capacidade de análise é uma qualidade humana que eles devem aprender a usar pra não caírem em outra roubada, na vida – mesmo que seja o Rei a propor; mesmo que seja um falso mito, um falso herói. Analise sozinho se aquilo é legal ou criminoso e por favor, ajuíze certo o que quer fazer. Se auto denominar patriota, tentando dar golpe de estado é ter graves problemas de interpretação de texto – isso pra dizer o mínimo.

Meio ambiente, indígenas, direitos de morar e comer, machismo e violência, gente maluca dando tiro – não dá – temos que tomar a frente exigir melhoras permanentes. Polarização é você aceitar ser feito de idiota porque a nossa relação com os políticos jamais pode ser como a relação entre fã e seguidor. É só pensar um segundo pra perceber. Sua proposta para o deputado, sua relação com o senador ou o presidente é a mesma que você tem com a Anitta? Que obra a Anitta fez no seu estado? Que lei ela votou? Pare com isso e caia na real.

Fuja das mentiras. Não sabe mais diferenciar mentira de verdade e tem vergonha de dizer? Veja Pinocchio. Os governos do mundo precisam entender que, ou vão nos prestar contas e fazer coisas práticas para gerarem mais equilíbrio econômico ao mundo, ou o dinheiro que eles ganharam será a herança de um mundo destruído, cheio de famintos desesperados. Temos que ganhar para podermos gastar – esse é o resumo.

Escravidão, genocídio, golpe de estado, fascismo, nazismo, são crimes gravíssimos que temos que denunciar. Matar o gênero feminino é covarde; roubar, matar e enganar são faces do mal que precisamos combater permanentemente, se quisermos sobreviver a nós mesmos.

Se ainda couber na lista, perder a barriga... Xeque, xeque, xeque...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Que tempo é este?” Bug Sociedade

Qual é o melhor lugar para viver? Junto do mar? Mas o nível da água está subindo... Em cima de uma falésia, com vistas sobre o mar ou sobre a montanha? Mas as chuvas podem degradar a escarpa e minha casa desabar... No friozinho gostoso? Mas as temperaturas estão ficando cada vez mais baixas... No calor? As temperaturas também estão ficando cada vez mais quentes... Escolher um país livre? Quantos países existem no mundo que permitem uma vida realmente livre? Que lugares permitem que as mulheres vivam em plenitude? Que países não estão em guerra? Que países não são comandados por outros países? Onde existe um lugar sem insegurança, sem criminalidade, sem machismo, sem racismo, sem xenofobia, sem maus tratos? Sem fome?

O que quer dizer eu me salvar e outra pessoa morrer num terramoto ou num desabamento devido a chuvas? E o que os que continuam a poder viver como viviam, podem fazer pelos que perderam tudo? O que se pode fazer para impedir que mais coisas terríveis continuem a acontecer? E quando não podemos impedir, quando já gastamos as palavras de lamento, que fazemos? Que pensamos? Quem somos quando viramos seres que apenas olhamos e seguimos?

A televisão mostra a todo o instante publicidades incentivando a doação de um real por dia para ajudar crianças em dificuldade. Para os ricos tento compreender essa abordagem. Mas como as pessoas podem ajudar se elas cada vez têm menos para si e para os seus próprios filhos? Onde estão e como estarão os centros de refugiados de que tanto se falava antes da pandemia e que simplesmente não se fala mais? Sudão do Sul, Líbia, Mianmar, República Democrática do Congo, etc? A década da visibilidade – metade do mundo quer aparecer e metade do mundo nem queria ser visto.

Era suposto falar de Carnaval e alegria. Salvador está em festa. Milhões na rua. Nosso olhar pode ver muitos carnavais. O carnaval de rua mais organizado e maior do mundo – isso é impressionante! Gente rica, gente famosa, artistas incríveis cantando e dançando horas sem fim – impressionante! Igualmente impressionante o povo que tenta de tudo para ganhar dinheiro nessa celebração – um dinheiro que pode modificar muito a vida. Também tem os que conseguem muito dinheiro mas de forma incorreta – roubando – existem milhões de pessoas com celular, querendo tirar “a selfie” para colocar no seu insta. É demasiado fácil para quem quer dinheiro fácil e a solução não é fácil. Aqui em casa a gente até se recordou que antigamente o problema eram os “batedores de carteira”. Agora é de celulares e se forem iphones, melhor ainda. E tem iphones que custam o valor de motos.

São Paulo tem um carnaval cada vez mais competente. As escolas de samba também vão melhorando de ano em ano, as várias atrações e atividades também. Ao mesmo tempo que é período de festa, as chuvas vieram chocar a população e trazer tanta desgraça que deixa nosso coração despedaçado. Os tremores de terra voltaram na Turquia. A vida em forma de pesadelo.

O Rio de Janeiro é sempre diferenciado com suas escolas de samba brutalmente competentes, talentosas, exuberantes. Acredito que será sempre. O sambódromo é um lugar quase religioso, ao mesmo tempo que é o lugar da competição mais acirrada que podemos assistir no mundo – mais exigente e detalhista que qualquer competição esportiva. Interessante que nos últimos anos as escolas de samba ocuparam largamente o lugar do teatro, o lugar da fala, da crítica social, da homenagem a artistas e à cultura em geral.

A vida parece estar a mudar muito mais rápido. Situações se sucedem sem dar espaço de respiro. Desgraças surgem após desgraças e não existe mais espaço para cuidar de cada um com o tempo e o carinho de outrora. O tempo. O tempo de cuidar. O tempo de ser. Nunca temos tempo. Não existe tempo. O que é o tempo para nós, no século 21? Esquecemos que é algo nosso, individual, único e que podemos e devemos fazer o que quisermos com ele. Principalmente recriá-lo, recriar-nos. Não posso? Quem disse? Eu posso o que eu quiser. Desde que não perca tempo ouvindo os outros tentando impedir, sofrendo pelo que os outros dizem de mim, riem de mim. Tem tanto para fazer, incluindo ajudar as pessoas a respeitarem os outros, o que eles querem e onde utilizam o seu tempo. Sem caminhos curtos, nem ajuda. Caminhos longos demoram segundos a atravessar, quando desejamos muito algo. O que lhe falta fazer? O que deseja muito? Entregue seu tempo a isso. Entregue-se. Amanhã sabemos lá onde vamos estar...

Ana Santos, professora, jornalista

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