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“A RELIGIOSIDADE E ESSES NÚMEROS MAIS QUE ESTRANHOS” e “Maratonas” Bug Sociedade

“A RELIGIOSIDADE E ESSES NÚMEROS MAIS QUE ESTRANHOS” Bug Sociedade   

Vi uma estatística sobre a guerra do Irã que me chamou demais a atenção. Pela pesquisa ipsos/ipec, 64% da população possui uma opinião negativa sobre a ofensiva que deu início à guerra. Isso é um ponto de vista até aceitável, uma maioria tranquila. Mas ao inverter o ponto de vista, fiquei assustada e fui pesquisar um pouco mais: se 64% são contra o início da guerra, significa que 36% são a favor. Meu queixo caiu: que espécie de pessoas brasileiras podem dizer numa pesquisa que são a favor de uma guerra tão sem pé nem cabeça como essa, iniciada por um presidente que pratica bullying internacional sem cerimônia? Fiquei mais espantada ainda com o que achei, quando fui dar uma outra olhada no Google. Dos brasileiros que concordam com essa guerra, a maioria é evangélica - já que têm uma visão favorável às atitudes de Israel porque sua religião influência a sua interpretação de conflitos geopolíticos.

Há uma coisa que talvez continue passando despercebida, aqui: Jesus não era e nem nunca foi cristão, era judeu. Naquela época nem existia cristianismo nenhum. Isso só aconteceu depois que Jesus foi julgado, condenado a morte e os apóstolos começaram a disseminar sua palavra pelo mundo. E foi justamente o que Ele falava – totalmente fora da caixinha – que pregou um alvo em suas costas, pode-se dizer.

Foi Ele que disseminou “no boca a boca”, o conceito de que devemos amar nossos inimigos – inclusive porque essa coisa de amar inimigo não funciona bem até hoje – vide o que Israel está fazendo na Palestina, no Irã e agora também no Líbano. Perdão e convivência pacífica “não fazem parte do cardápio” por lá.

Mas a estatística brasileira por si só já é perturbadora: como uma religião – uma coisa que prega a piedade entre todos – pode ser a favor de qualquer guerra – sobretudo uma totalmente disparatada e injusta, como essa? Pensem: O percentual de quem concordou com esse disparate de guerra é de quase 40% das pessoas, afinal. É como se existissem brasileiros que acham que podem, como os soldados de Israel, perderem o juízo. Você levanta, coloca uma roupa, chega no quartel e manda matar 170 crianças, dentro da escola. Na aula. Crianças. A palavra de Jesus entra aí onde? E se existem pessoas que resolveram que podem ignorar a palavra de Jesus, pra quê acham que devem acreditar num evangelho e principalmente – aceitar que existiu alguém que rompeu com sua religião e criou outra – o cristianismo – depois que foi julgado e condenado pelas outras pessoas que não aceitavam o que Ele dizia como a verdade?

Amanhã, vai ter gente que ousará dizer que os migrantes são ruins para o Brasil, esquecendo que somos “mistos, mesclados, mestiços” porque todas as raças vieram pra cá, em tempos diferentes – e que a nossa generosidade, receptividade, vem daí. Já falaram isso antes, dos retirantes... Tem brasileiro que se sente diferente – melhor que os outros brasileiros. Quando morei no Sul, me chamaram de “brasileira” por eu ser do Sudeste – já pensou o que me diriam se eu tivesse vindo do Nordeste? Desse Nordeste que tem sol e vento em tanta quantidade que pode acabar com os problemas de energia que temos, que pode vender energia limpa, verde, essa que todo mundo, no mundo, sonha ter!

Qual brasileiro, diante da nossa história, vai ter a ousadia de abrir a boca pra falar contra os refugiados? Qualquer um deles, vindos de qualquer lugar do mundo? Nós vamos passar essa vergonha mesmo? Vamos? Vamos, a partir de um certo ponto de ignorância prática, ser impiedosos como qualquer pessoa? E olha que eu não sei quase nada da Bíblia, mas sei que tem lá mil vezes, que a gente precisa ter piedade. Compaixão.

Quem quiser pode amar Israel à vontade – mas - confundir Israel com Netanyahu... aí já é outra coisa...

Dentro de mim, acho que jamais Jesus iria discriminar uma terra de outra – se todas vieram de Deus, se todos somos irmãos, todas tem que ser boas. Essa coisa então de terra prometida de Israel – não acredito. Todas as terras são prometidas. Mas daí a alguém, brasileiro, ter a ousadia de achar que um país – qualquer País – tem o direito de mandar uma bomba pra dentro de uma escola e matar perto de 170 crianças – é não ter piedade dentro de si. Tendo uma religião – qualquer uma – é inaceitável.  Portanto, cristãos, revejam aí seus valores, suas leituras e principalmente, sua interpretação da Bíblia porque esse Jesus a favor de guerra, bomba, de matar crianças - de qualquer nacionalidade... hummm – sei não...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Maratonas” Bug Sociedade

Conhecemos como os esportes mais caros, o Golfe, Equitação/Hipismo, Tênis, Vela, Alpinismo, Esqui alpino e snowboard, Automobilismo, Motociclismo, Tiro, Esgrima, Pólo, Canoagem/Stand Up Paddle, Bobsleigh, Hóquei no Gelo. Mas as maratonas e os triatlos/ironman, têm vindo a qualificar-se também como esportes de ricos. As taxas de inscrição, cada vez mais elevadas, a nova forma de fazer turismo que inclui visitar as cidades e participar na maratona dessa mesma cidade, não é para qualquer bolso. Normalmente estão incluídas pessoas com algum sucesso profissional, até pessoal, que dominam com maestria suas capacidades competitivas – empresários e profissionais de marketing, por exemplo. Isso leva à vontade de participar nas maratonas mais emblemáticas, através do circuito Abbott World Marathon Majors (Berlim, Boston, Chicago, Londres, Nova Iorque, Sydney), de adquirir a Six Star Finisher Medal, por terminar essas 6 maratonas. A quantidade de pessoas que pretendem participar nas maratonas está aumentando tanto que os preços estão aumentando junto, colocam-se sorteios, agências de turismo esportivo se juntaram ao negócio e agora sem agência é praticamente impossível conseguir uma inscrição. Pense naquelas filas intermináveis nas trilhas em direção ao cume do Himalaia – o Monte Everest. Pensou? É mais ou menos isso, mas cá “em baixo”, talvez mais invisível, mas as filas intermináveis existem e só aumentam. É a busca de algo que complete, que dê uma sensação de poder, de capacidade. Pessoas com muito dinheiro, com saúde. Tanta gente com fome, tanto problema no mundo, alguns dos problemas, debaixo do nosso nariz. Continuamos a ir em busca da agulha que perdemos em casa, em Sydney, por exemplo. Tento entender e realmente tudo isto é melhor do que fazer coisas erradas. Mas estas pessoas têm tantas capacidades, expertise, inteligência, experiência, saúde, condição física. Fazem tanta falta noutros lugares, lugares esses mais silenciosos, menos visíveis, talvez aos seus olhos, menos nobres. Mas não será o contrário? Eu gasto 43 mil euros para fazer uma maratona – inscrições, viagem, estadia, alimentação, etc – e não tenho ninguém que gosto que esteja passando por problemas financeiros e que eu posso ajudar? Não necessariamente apenas emprestar o dinheiro, mas encontrar formas de emprestar, disponibilizar, investir, o que quiser e o que conseguir criar, como forma de “dar uma mão” a pessoas que estão passando mal e nem dizem metade do sufoco que sofrem.  

Essa ideia de que fazemos parte de algo maior e melhor, com o mesmo equipamento esportivo, os mesmos tênis, as barras energéticas, o gel, a bolsinha da água, etc, tudo caríssimo. Você não corre igual com uma camiseta e uma bermuda envelhecidas, esquecidas na gaveta? Isso ajudava muito na poluição.

Existem tantas pessoas que com um pequeno incentivo, ou empréstimo, ou apoio, acompanhado de bons amigos que os guiem nessas tarefas, conseguem sair da “lama” terrível que é a montanha de contas que não para de chegar nas horas em que quase ou mesmo nenhum dinheiro entra na conta. Essa é a maratona, a verdadeira maratona, a verdadeira corrida. Meu Deus, quantas pessoas se pode ajudar com 43 mil euros, mas as pessoas preferem gastar isso para correr. Por que não viaja e corre? Por que quando viaja a trabalho, não corre? Sozinho/a? Para que precisa de correr com tanta gente? Correr sozinha/o é profundamente melhor do que no meio dessa confusão. Realmente ninguém te aplaude, mas pode acreditar que não existe melhor recompensa do que a sensação de ser capaz de correr essas distâncias. E para isso não é preciso público, nem palmas, nem medalhas.

Será que um dia ainda vamos ter inscrições para partos em simultâneo? Com medalha no final? E um parto em cada continente?

Tudo é negócio, e a gente embarca nisso com uma facilidade... Falta melhorar alguma capacidade humana, no meio de tanta capacidade excepcional. Não é possível...

Empatia? Nobreza? Gentileza? Que tal desenvolver um pouco isso? Escutar as pessoas? Prestar atenção aos outros, à sua volta. Sempre existem olhos tristes e amargurados e mãos imaginárias pedindo, dirigidas para os que podem ajudar. Prestamos atenção?

Ser um gênio, tem uma parte de contribuição. Essa aula nas faculdades, nas famílias, parece estar em falta.

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Picasso


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