top of page

“YES, NÓS TEMOS CADEIAS!” e “Tensão no ar” Bug Sociedade

Francisco Trêpa
Francisco Trêpa

“YES, NÓS TEMOS CADEIAS!” Bug Sociedade

                  Todo mundo sabe que há mesmo um descompasso entre o que as pessoas falam e o que fazem, mas ninguém esperava que com o fim do julgamento da tentativa de golpe de estado, aqueles “super corajosos” simplesmente fugissem, chorassem, pedissem arrego, penico com tanta galhardia. Todos eram super, mega, blaster machões e todos ficaram doentes, deprimidos, dementes, sem capacidade de arrazoarem coisas simples, só para pedirem menos prisão. Nas reuniões falavam impropérios, davam sugestões que nitidamente ofendiam a nossa decência – “vamos aproveitar a pandemia para passar a boiada”, “não sou coveiro”, “meu nome é Messias, mas não faço milagres”, imitações de sufocamentos por falta de oxigênio. Coisas imperdoáveis, inesquecíveis. Pra mim, nunca foi uma questão ideológica, mas sim de respeito humano. Invadir os 3 Palácios e depredarem o nosso patrimônio todo, pedindo a entrada das forças armadas é uma ofensa à democracia. Armar bombas na véspera de Natal, tentar invadir o prédio da Polícia Federal, queimar ônibus, impedir a passagem das pessoas nas estradas, acampar na porta dos quarteis, pedindo golpe. Ver essas pessoas condenadas é justo, justíssimo. E, ao contrário da choradeira, o Brasil é dos Países que vão prender menos tempo porque tem muitos lugares que prisão perpétua ou pena de morte são as sentenças dadas, acreditem.

                  Mas, para além da condenação, entrou na discussão, a cadeia e o tipo de cadeia. Estamos vivendo um momento crucial, onde os muito ricos, os biliardários estão diante das câmeras clamando por justiça, quando é evidente que houve acordos feitos nos governos passados para flexibilizarem leis, de tal forma simplificarem as barreiras contra os desvios de dinheiro. Isso envolve inúmeros deputados federais que estão ao redor de problemas de bilhões para todos os lados – a questão da cobrança de taxas fraudulentas dos aposentados do INSS, o Banco Master, as operações da Policia Federal contra a lavagem de dinheiro na Operação Carbono Oculto, o enfrentamento ao Orçamento Secreto, emendas parlamentares para ONGs de pessoas da família, operações que envolvem “vendas” de emendas parlamentares, com a intermediação de lobistas, empresários – tudo para direcionar as verbas que chegam às prefeituras, na Operação Ementário. E da mesma forma como as coisas aconteceram em relação aos responsáveis pela tentativa de golpe de estado, esperamos exatamente a mesma atitude do Supremo Tribunal Federal – lisura, firmeza e honestidade - porque quem comete crime no Brasil precisa saber que vai para a cadeia. Claro que já temos “cadeias classe A”, mas são cadeias e isso é o que importa.

                  É preciso que o grande milionário não se sinta tão confortável em dizer “que aqui é assim mesmo” – não, não é. Ou se for, é da responsabilidade de quem aceita isso, saber que corre o risco de ir para a cadeia por anos, sem que adiante corromper, gritar e babar que precisa de justiça, vingança, justiçamento, milicianos contratados para contra-atacar.  Porque se você corrompe a lei, cometeu crime e se comete crime, precisa ser julgado, ter uma sentença e, se condenado, tem que cumprir pena. Ser rico não separa ninguém do bandido comum como pensam os chiques porque bandido é bandido, só isso. O Fusca e a Mercedes, se furam o sinal, recebem a mesma quantia de multa e os motoristas perdem os mesmos pontos na carteira. Isso é justiça. Tem que valer igual para as pessoas influentes. A gente se acostumou no Brasil a ver os ricos se safarem, darem “carteiradas”, acionarem os seus “QIs” para os processos “sumirem nas gavetas”, a pedirem asilo, a darem justificativas, ficarem “doentes”. Não pode ser assim. A maior garantia de que a cadeia vai melhorar de qualidade e pelo menos tentar reeducar o preso, nasce do fato de que ela é para todos os que desobedecerem a lei – inclusive os ricos.

                  Chegamos no nosso momento: YES, NÓS TEMOS CADEIAS! Talvez assim, o banqueiro resolva investir na melhoria do sistema, que por agora é sujo, super lotado e decadente. Talvez o deputado perceba que o povo quer que a porta do xadrez se mantenha aberta para todos os que cometem crimes. Porque não podem existir duas leis. Chega. Estamos cansados. Cansados de ditaduras, de golpes, de frases infelizes, de crimes nunca penalizados. Não queremos mais esquecer, nem relevar – essas leis para soltar uma pessoa só são absurdas, tanto quanto leis novas que nascem para flexibilizar leis anteriores, de tal modo permitirem que a roubalheira e desvios e dinheiro prosperem. Nós sabemos disso! Estamos cansados de saber! E vamos cobrar cada vez mais, não se preocupem!

                  E não é uma questão ideológica como muitas justificam, mas estrutural: o sistema de justiça precisa ser justo para todos. Sem essa brutalidade toda. Sem agressividade, sem tantos tiros. Sem jogar ninguém pelas janelas e sacadas. É hora de todos saberem que sim é sim, não é não - e no caso da possibilidade de cometimento de crimes, é sempre não. Simples assim.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Tensão no ar” Bug Sociedade

Assisti, vivi e sofri as consequências da ascensão de Bolsonaro no Brasil, como todos os que vivem aqui. Tem sido muito difícil “reconstruir” o que ele “estragou”. Houve muitas consequências, terríveis consequências. Talvez a mais visível tenha sido os 700 mil brasileiros que morreram enquanto quem devia cuidar estava pescando, andando de moto de água. Mas aconteceu tanta coisa terrível, que até custa recordar. Sempre estarão presentes os comentários desagradáveis, os risinhos, as piadas, as cenas das farofas, as expressões preconceituosas, esse jeito de homem que sabe tudo, que aguenta tudo, que despreza a mulher, que não demonstra um pingo de preocupação pelos que sofrem. No entanto, quando é pisado por uma formiga, é necessário tratar a pessoa como se fosse uma criança de colo. É tudo tão triste, tão baixo, tão degradante, que empobrece a vida de todos no mundo. Empobrece mais saber que existem milhões de brasileiros que pensam da mesma forma. Empobrece perceber que muitos também são cidadãos portugueses e votam na extrema direita em Portugal. Empobrece constatar que a maioria dos portugueses que vivem no estrangeiro, votaram na extrema direita. André Ventura, obteve 41,88% dos votos, entre os portugueses que vivem fora do país. Eu vivo fora de Portugal. Ver estes resultados é a mesma coisa que levar uma bofetada. É para ficar atordoada. Como isto é possível?

Tento entender, tento perceber o que está acontecer com o mundo. Tento perceber o que acontece com as pessoas para chegarem a este ponto. Ao mesmo tempo, penso no que sucedeu em 1938, 1939 e que provocou a II Guerra, em 1940-1945. Não temos memória? Não percebemos que estamos a arriscar demasiado? Não soubemos passar a memória para as gerações que vieram depois de nós? A humanidade aprende melhor a maldade do que a bondade? De onde surgem pessoas que têm certezas sobre tratar mal as outras? De onde surge a ideia de que existem seres superiores a outros? De onde surge a ideia de que degradar a vida da classe docente, melhora os países? De onde surge a ideia de, mesmo vendo o que acontece de errado com outros países, não ter nenhum cuidado com as redes sociais?  

Estou meio perdida nestes resultados da primeira volta / primeiro turno das eleições para Presidente, em Portugal. As votações em Portugal Continental foram prioritariamente em partidos de direita, e o mais votado de todos – da direita – foi o de extrema direita. Na segunda volta, José Seguro, do partido socialista, que venceu a primeira volta, arrisca-se a perder, se os partidos de direita resolverem se juntar à extrema direita. Portugal está se arriscando a viver o que se viveu no Brasil quando Bolsonaro se elegeu. Não sei se o meu querido país tem a estrutura que o Brasil teve para não se afogar ou se perder. O Brasil está, ainda, lenta e legalmente, punindo, um a um, os pecados cometidos. Demora, é muito penoso. Exige muitos cuidados e muita persistência. Até hoje é preciso estar atento a cada instante, porque até hoje se inventa o que for possível para ver se conseguem um espaço para voltar de novo.

Se eu pudesse avisar as pessoas de bem do meu país, diria que, se fizerem como fizeram aqui, agora vai entrar em força uma onda de fake News, uma movimentação intensa nas redes sociais, para fazerem “lavagem cerebral” nas pessoas indecisas. E cuidado com as sondagens. Pense por si, pense na liberdade que tem, pense que os tempos de não poder sair na rua com livros “alternativos”, correndo o risco de ser preso, não podem voltar.

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Francisco Trêpa


@buglatino

Terça-feira, dia de escrever sobre o que acontece no dia a dia. De crítica, de conselhos, de admiração, de espanto, de encontrar caminhos melhores para todos.


@buglatino

A Plataforma que te ajuda a Falar, Pensar, Ser Melhor.


 
 
 

Comentários


ESPERAMOS SEU CONTATO

+55 71 99960-2226

+55 71 99163-2226

portalbuglatino@gmail.com

  • Facebook - White Circle
  • YouTube - White Circle
  • Instagram - White Circle
  • TikTok

Seus detalhes foram enviados com sucesso!

bottom of page