“TESTE: VOCÊ SE SENTE PIRATA?” e “As escolhas de 2026” Bug Sociedade
- portalbuglatino
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“TESTE: VOCÊ SE SENTE PIRATA?” Bug Sociedade
Fiquei espantada em 2025 quando todos os adivinhos falaram que 2026 ia ser de amargar, com as pontas dos icebergs de coisas escandalosas virando icebergs inteiros. Nada seria ocultado. O mal apareceria nu em pelo. Bem, mas logo no dia 2, a Venezuela é invadida, o presidente e a esposa são sequestrados, o povo de lá e o resto do mundo ficam boquiabertos com a falta de caráter absoluto de Donald Trump, que nem pestanejou ao esquecer totalmente a palavra democracia e repisar a palavra – e o produto – que realmente lhe interessava. Nenhuma menção à democracia, contra 15 citações da palavra petróleo. Os tais narcoterroristas também sumiram do discurso. Todas as palavras foram substituídas por petróleo, exploração de petróleo, investimento em petróleo. Que armador, hein? Que pirata... O povo norte-americano foi colonizado e escravizado, mas não aprendeu nada com isso. Será que nós aprendemos?
Responda aí: você nunca se perguntou por que afinal o Brasil prende sem nem pestanejar o homem que furtou uma bandejinha de bifes, no mercado e faz um escândalo sem fim quando um ricão o é por desviar milhões, bilhões – até que a noticia primeiro some dos jornais pra você que, depois de procurar na internet inteira, descobre uma notinha de pé de página, dizendo que ele foi solto porque tinha uma doença que nunca ninguém soube, falou, comentou ou que tenha saído em algum lugar antes, da boca de algum médico? Ou de por que, nas blitzes, só param carro normal e moto? Carrão importado, nunca? Ou ainda: por que rico atropela uma pessoa comum - um transeunte, como falava Nelson Rodrigues – e nunca acontece nada? Na maior parte das vezes, o cara nem é preso, mesmo que a polícia esteja ao lado?
Por que eu falo isso? Porque, em última análise, esse é o raciocínio de quem se acha de algum modo superior ao resto – mesmo que não seja, mesmo que se sentir superior seja relativo ao ponto de vista quem olha o fato. O Trump, por exemplo: se sente o menino forte no banheiro da escola, que trucida os menores e ameaça todo mundo que pode denunciar sua perfidez. Se mostra nas festas, é atrevido e desagradável. Pode evoluir para assediador, se ninguém lhe impõe limites na hora certa. Se, ao contrário, lhe dão poder, pode virar um presidente déspota, abandonar seu povo, se aliar ao poder com unhas e dentes – porque tem medo de que lhe tirem o seu – mesmo que isso signifique explorar, menosprezar, violentar direitos.
Violentar direitos é o que os nossos deputados fazem o tempo inteiro – pelo menos a maioria deles – trocando milhões no saco preto, por discursos falsamente moralistas, onde a mulher – claro, sempre o nosso gênero – é que tem que ter medo porque senão o Deus dele, que não presta atenção no fato de que ninguém guarda meio milhão num saco, dentro do armário, abomina crianças estupradas que engravidam e ousam ter pais que pensam que é desumano ter um bebê nascido da barbárie. Ah, em tempo: também são impiedosos e justiceiros para aqueles tais homens que furtam comida no mercado, mas que movem mundos e fundos para soltar outro tipo de bandidos – aqueles que dão golpe de estado ou desviam dinheiro público.
Você se sente favorável a alguma dessas coisas? Cuidado! Ou você é parecido com a minha vizinha – que confundia democrata com comunista, coitada – ou você pode ser o tipo de pirata que é roubado todos os dias pelos piratas de verdade – todos "miliardários", entenda – achando que é pirata só porque comprou uma SUV no consórcio - e pra andar em Salvador, que só tem rua estreita, imagine!
Você se sente poderoso ao explorar as pessoas? Mini Trump? Trumpinho tupiniquim? Não se sente em perigo ao ter um pirata fortemente armado e interesseiro na fronteira da sua casa? A Venezuela virou colônia dos norte-americanos, é fato. Você, que apareceu feito um pateta nas redes, comemorando o fato de termos um pirata colonizador impiedoso do lado da nossa casa, pensou que amanhã ele pode se encantar pelo Brasil? Não pensou ainda, que você seria colonizado por um cara impiedoso e explorador, que nos vê como inferiores – latino, expulso algemado e tal? Que amanhã você pode ser o novo povo a ser explorado?
Pegue sua SUV – essa que você tirou no consórcio e ainda está pagando – e chore, porque a América do Sul está em perigo!
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
“As escolhas de 2026” Bug Sociedade
Bahia, 2026.
No final de 2025 e início de 2026 percebemos logo que a cidade, que estava equilibrada, está mudando. Lixos colocados onde ninguém coloca, a não ser que seja turista. Moradores de rua que nunca vimos, com olhares e interesses diferentes, obrigam-nos a triplicar os cuidados de segurança.
Muita gente viaja para as suas casas de praia, as escolas fecham o que provoca uma enorme diminuição de pessoas conhecidas caminhando pelas ruas. Mais cuidados precisamos ter.
A Festa do Senhor do Bonfim, na quinta-feira, dia 15 de janeiro, como é da tradição. Muitas pessoas se preparam para fazer a caminhada de 7 km, correndo, ou de bicicleta, ou caminhando. Muitos misturam isso com cerveja e feijoada, debaixo de um sol tórrido. Só mesmo os baianos são capazes. É impressionante. Eu vou ali na minha água, comendo fruta e rezando para não morrer de cansaço ou tipo ovo estrelado. Nunca vou chegar ao nível dos baianos. É fato.
A Festa de Iemanjá a 2 de fevereiro, e o Carnaval, de 12 a 17 de fevereiro, significam que a festa nem vai parar.
O início do ano para mim permanece confuso, ao fim de 12 anos. Um calor insuportável e o meu corpo perguntando onde está o frio que ele estava acostumado nesta época. A dificuldade de marcar reuniões, de desenvolver projetos, de resolver problemas, com a maioria das instituições públicas em recesso. Continuo a considerar isso um início de ano frágil, para um estado com este tamanho, com tantos assuntos que aguardam reformas, reflexões, acertos, considerações. Muitos são urgentes. É como se você acordasse cedo, todos os dias, pelas 5h por exemplo, mas só está autorizado a ir ao banheiro, beber água, tomar banho e tomar o café da manhã, pelas 9h. Enquanto isso, o povo vai se organizando para, além do seu trabalho precário, conseguir mais algum dinheiro nessas festas – vendendo cerveja, ou feijoada, ou doces, ou coxinha, ou pastel. O que der.
Tem coisas que se repetem e a gente fica feliz com isso. Tem coisas que se repetem e a gente fica preocupada com isso. Não sei se ambas têm o mesmo nível de dificuldade.
Tem pessoas que repetem gestos, comportamentos, ações e se tornam fenomenais no que fazem. Não é só a repetição, mas sem a repetição, não chegam a esse nível extraordinário. Diana Krall toca piano como ninguém toca. Começou aos 4 anos, tinha um ambiente musical em casa. Penso que também devia ter um ambiente positivo e estimulante. Júlio Resende, pianista português incrível, diz que foi apresentado ao piano como se ele fosse um brinquedo. Os pais o estimulavam a “ir brincar”. Depois teve formação acadêmica, como Diana Krall, mas a criação do desejo de repetir ações, comportamentos, gestos, veio dessa vontade de brincar, de criar, experimentar. Em determinado momento é percebido que aquilo te faz bem, te faz melhor, percebes a tua evolução – corporal ou emocional, ou as duas. E segues, continuas a repetir. Muito provavelmente começas a usufruir profissionalmente e financeiramente dessas repetições saudáveis.
Um lugar como Salvador e a Bahia, onde a “festa” é um negócio, coloca possibilidades boas ou menos boas no futuro das pessoas. Uns aprendem a tocar, a cantar, a dançar, a cozinhar – boas escolhas, boas repetições, que trazem coisas boas no futuro. Outros aprendem a “cair na festa” e é uma quantidade tão grande de eventos anuais que chega a impressionar. Se tornam comportamentos culturais aprovados, se tornam “repetições” aprovadas socialmente. Mas os seus efeitos não são assim tão saudáveis. E lá chega a hora de enfrentar as consequências dessas repetições menos saudáveis.
Desejo a todos e todas, repetições boas neste 2026. Que essas repetições lhes tragam bons efeitos corporais, profissionais e financeiros. Você decide em cada escolha.
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: Arnaldo Pomodoro
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