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“PRECONCEITOS & IGNORÂNCIAS S/A” e “Então é isso...” Bug Sociedade



“PRECONCEITOS & IGNORÂNCIAS S/A” Bug Sociedade

                  Árbitra de futebol “culpabilizada” pela derrota do time que disputava o título porque “mulher não sabe apitar decisão”, “toma partido” do time maior, “é mulher”, não pode apitar apenas porque é mulher; Vini Jr marca gol, faz uma dancinha e é agredido verbalmente por jogador argentino, que supostamente o chamou de “mono” ou “maricon”- estava com a boca tapada como só os covardes fazem; basta nascer do gênero feminino para ser “idiotizada, objetificada, violentada, abusada, assediada, espancada, proibida, culpabilizada” seja pelo que for; basta nascer negro para ser “inferiorizado, culpabilizado, “revistado”, “assassinado”, levantar suspeitas de todos os tipos; basta ser LGBT para ser “pecador” - e claro - mais todas as “alternativas anteriores” porque ser gay precisa ser marginalizado, apontado, apartado do tecido social.

                  Cá estamos, diante da suprema ignorância humana. Não se aceitam críticas – aliás - não se pode mais criticar. Todos são autoridades e “se autorizam” por isso a ofender, atacar, agredir, violar - direitos, leis, pessoas.

                  O homem negro, atacado por um lado – também ele, por ser machista – ataca também. A mulher atacada pelo machismo, se associa ao macho da casa e educa o próximo machista desde o nascimento – e com requintes de crueldade: “engole o choro, se vier apanhado da rua, apanha de novo em casa”, “homem não leva desaforo pra casa”, “vai lá e pega a garota que está te dando mole porque você é homem”, a mulher tem que entender que traição pra homem não tem a mesma importância que pra mulher, a mulher que trai é que provoca a violência contra si. Tudo é controverso e incompreensível no hiato social do preconceito e da ignorância. Se colocar dentro de uma “lata imaginária” nas redes sociais vira elogio para se contrapor a uma crítica que nenhum criticado parou para se perguntar se tinha ou não pertinência. Apenas se reage a qualquer coisa sem pensar. Ninguém se pergunta se viver numa lata de costumes conservadores não seria meio apertado? Acham normal ou mesmo elogioso procurarem meios de se “enlatarem todos” em gravuras, na internet? Os que comentam também não se fazem perguntas? Acham natural apenas colocarem “own” sem nenhum questionamento? Os conservadores querem conservar o quê? O passado? Os costumes passados? Os costumes passados, com a tecnologia presente? Só eu, já fiz dois programas com hipnoterapeutas de coletivos humanos! Ninguém se pergunta para quê existe a profissão de hipnoterapeuta de coletivos e quais coletivos podem ser – e estão sendo - hipnotizados?

                  Sentir ciúmes serve para quê? Matar por ciúmes tem qual significado? Ser homem e passar o carro por cima da ex namorada, arrastá-la sem piedade pelo asfalto, atirar a mãe do terceiro andar? Escolher sempre o negro pobre na blitz “pra dar a geral”? Se humilhar para os brancos americanos em detrimento de assumirmos que somos mestiços, com orgulho? Ser chamada de “brasileira” no sul do Brasil ou ser perguntada se é “de origem” ou não? Origem, enquanto branquitude? Então, todos os mestiços são “sem origem”? “Sabe com quem está falando”, “carteirada”, “não sabe qual é o seu lugar”, “teu cabelo é ruim, é nervoso”, “cala a boca, burro” ...

                  Parem. Todos nós. Todos vocês, que querem que o Sul se separe do Nordeste, que acham que há diferenças entre nós e vocês. Quem são os vocês? Aqui no Brasil, não há brancos. Duvidam? Olhem como o Trump está deportando gente de todas as cores, todos os estados. Basta ser brasileiro e você é latino e para eles, este é o crime. Mas ninguém que está no Paraná ou em Santa Catarina, está fora da América do Sul, da América Latina. Se conformem. Chorem. Mas se nasceram no Brasil, na Europa vocês não são, nem serão alemães, italianos, poloneses. O argentino que xingou o Vini também é “latino” como todos nós. E por mais que os machistas babem e deem ataques de pelanca, o gênero feminino segue ultrapassando barreiras; as mulheres trans dão show de combatividade no Congresso Nacional.

                  Preconceito é ignorância e ignorância é facilmente “conduzível”, “hipnotizável”. O único remédio contra a ignorância é se perceber que todos nós temos todos nós, dentro de nós. Os mestiços, mesmo os de pele branca, têm árabe, asiático, negro ou indígena no sangue; qualquer homem tem dentro da sua genética, 50% de genes femininos; todos os humanos nascem bissexuais pela sua natureza, segundo Freud. Cada experiência de vida é única. Você casou com alguém, mas cada um do casal é apenas cada um. Esqueça essa coisa de minha mulher. Esqueça essa história de matar filho e se matar porque você é “conservador”. Conservador que quer conservar o quê? Que costume? Que tradição? Nossas tradições não precisam evoluir? Então vai “carteirada pela eternidade”? QI pela eternidade? Violência pela eternidade?

                  Preconceito é ignorância. Preconceito é ignorância. Preconceito é ignorância. Em que lugar você vai se colocar?

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Então é isso...” Bug Sociedade

A Lei Maria da Penha, “protege as mulheres contra diversas formas de agressão, seja física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral”. Mas muitos homens, depois de realizarem a atrocidade, dizem que nem conheciam a vítima, ou que não era ela que queriam atingir, para poderem fugir das punições severas desta Lei. Assim como os atletas, por exemplo, que chamam “macaco” a um colega de profissão e depois dizem que não foi isso que disseram, e “corrigem” com algo igualmente grave como: “chamei de veado”. Estamos no século XXI mas não parece.

Tem homens que utilizam a violência vicária, definida como “qualquer forma de violência praticada contra filho, dependente ou mesmo outro parente ou pessoa da rede de apoio da mulher visando atingi-la.”

A lista de homens capazes de maldades inomináveis só aumenta. E o que vai ficando cada vez mais visível é a sua incapacidade de perder, de ficar para trás, de ser trocado, de não ser mais o desejado, de não ser mais o eleito, não ser mais o preferido, etc. Habituados a serem os eleitos, os mimados, tanto pelas mães, como pelos familiares e amigos, quando são confrontados com o fato de que existe uma mulher que não está mais para os aturar, nem para tolerar sua agressividade, tortura, maldade, deselegância, não suportam e “perdem a cabeça”. Vidas, famílias, que se destroem, filhos e mulheres que morrem, porque em criança, estas pessoas, não aprenderam a perder, não aprenderam a respeitar as decisões diferentes das deles, não aprenderam a respeitar o outro, quer esse outro seja mulher, lgbtqiapn+, velho, afrodescendente, pobre, gordo, doente, de outra religião, de outro país, de outra origem, outra classe social, com alguma incapacidade. E mesmo quando os familiares incitam os filhos a serem os melhores na escola ou no esporte, se isso não é feito com educação, respeito e cuidado, pode virar um estímulo a “faz de tudo para seres o melhor”. Viram a importância da educação? Educação que precisa ser dada pela família, pela escola, pelos vizinhos, pelos amigos, pelas TV’s, pelas redes sociais. Por todos afinal, em que cada um ensina de um ponto de vista diferente e de um lugar de importância variado.

Estamos vendo que nada disto está acontecendo. Parece que estamos sem travão, sem freio, sem rumo. Talvez esta educação e informação esteja a ser dada em raros lugares, por raras pessoas. Mas não chega. Ela precisa chegar a todos, todos, todos. Cada um precisa fazer a sua parte, por pequena que seja.

Volto a lembrar. As redes sociais precisam ser ocupadas por pessoas de bem e por pessoas que têm algo a ensinar, a ajudar. Não podem ser SÓ ocupadas por quem está ali apenas para ganhar dinheiro, seja de que forma for. Nem pelos que só poluem o ambiente “net”. Nem os que utilizam a internet para “seduzir” crianças e jovens. Perceba que você precisa ajudar. Sites como o Bug Latino e outros são insuficientes. Você não vê?

Televisões precisam ter mais responsabilidade. Programas de crime são úteis para quem? Programas falando mal das pessoas são úteis para quem? Programas em que as pessoas se sujeitam a ser exploradas, a mostrar o pior de si, são úteis para quem? Seriados em quantidade gigantesca com temas de crime, de terror, de “serial killer, de corrupção, são úteis para quem? Volto a dizer: as crianças e jovens aprendem com os adultos, sejam eles familiares, famosos, bonitos, poderosos. As crianças e jovens aprendem mais com os exemplos do que com os sermões. Gente, vamos acordar por favor!!!!

Não é o Vinicius Jr. que é o problema. Não mudem o foco. Sim, eu sei, ele é um incómodo para vocês porque fala, confronta, expõe. Este menino é incrível. É impressionante o que ele suporta e ainda por cima marca golos impressionantes. Ele é o único no momento que tem a coragem, o clube e a posição social e esportiva para enfrentar o que centenas, milhares, milhões de atletas afrodescendentes, também sofrem. Nunca ouviu falar nisso? Pois é. Isso não vira notícia em muitos jornais ou TV’s porque não dá dinheiro. Procure pela internet, ou em alguns sites esportivos e perceba quantos atletas recebem mensagens ofensivas e ameaçadoras, enviadas por pessoas que não fazem mais nada na vida do que falar mal dos outros. Mesmo no Bug Latino, sempre que abordamos assuntos sobre racismo, é impressionante como lá aparecem os comentários nos tratando mal.

Combater com educação e informação. Em qualquer momento, da forma que puder. Educação e informação. Todos, todos, todos. Você também...

Ana Santos, professora, jornalista

Citações do texto, retiradas do site jusbrasil)


Imagem: Jacopo della Quercia


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