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Poesia da sinceridade


Tivoli, Praia do Forte

Dizer o que somos

Sentir de verdade quem somos

O que somos?

Ter palavras para o dizer

Sinceramente


“Continuo andando naquele carro velho

Que cruza com total insensatez a cidade

Vem da Liberdade e vai até o que ultimamente penso de liberdade

Aquela de poder sentir novos versos ebulindo

Em antigas Antígonas, segundo Mário, antigonas

Ou meu andar caricato e trágico

Carrego pesos como o Fausto, não o do Goethe, o daqui

Só que os meus não me dão velocidade

Como erros, meus pesos, não estão a serviço dos acertos

Lido com a dor sem domesticá-la

Apenas não sou por ela aniquilado

Pois primitivo me privo de ser íntimo de deuses e tebanos

Mas sem a ilusão é impossível atuar, como dizem

E não sou belo,

O trágico, também dizem, é alegre

Apenas caminho com essa solidão sem espelho

Em seu todo perfeita, plena, repleta de erros, pesos, e acertos

E sonho este desejo insano de completude

Molhado de sêmen e risco

Pela insônia das horas.”

José Carlos Limeira



“Encarnação”


“Carnais, sejam carnais tantos desejos,

carnais, sejam carnais tantos anseios,

palpitações e frêmitos e enleios,

das harpas da emoção tantos arpejos…


Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,

à noite, ao luar, intumescer os seios

láteos, de finos e azulados veios

de virgindade, de pudor, de pejos…


Sejam carnais todos os sonhos brumos

de estranhos, vagos, estrelados rumos

onde as Visões do amor dormem geladas…


Sonhos, palpitações, desejos e ânsias

formem, com claridades e fragrâncias,

a encarnação das lívidas Amadas!”


Cruz e Sousa (1861-1898)

Poeta considerado como a maior expressão poética do Simbolismo

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