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Poesia da Procura


Procuro e vou

Por onde considero melhor para mim

Eu sei escolher

Meu caminho

Meu destino

Você também

Todos sabemos


1. Poesia indicada pelo Bug Latino


“Pensamento”


“Corre água até ao mar azul

Mas daí, não sai:

Procura Kozak o seu destino,

Mas não acha nada.

Foi Kozak para trás do Sol posto,

Brinca no mar com as ondas,

Canta coração do Kozak,

Pensamento outro:

Aonde vais, sem perguntares?

Para quem deixaste

Pai e mãe, que já são velhos

Namorada nova?

As pessoas não são aquelas,

Lá, no estrangeiro.

Viver com elas – vida dura,

Vida que não cura.

Não tens com quem chorar,

Nem trocar palavras.

Sentou -se Kozak de outro lado,

Brinca no mar com as ondas.

Pensou no destino que encontra,

Encontrou o luto.

No céu cegonhas

Regressam a casa.

Chora Kozak – os caminhos,

Cobertos com arbustos.”


Taras Shevchenko

Ucrânia


2. Poesia indicada por Maria Lúcia Levert


“Cântico Negro”


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe


Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...


Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!”


José Régio


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