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"Planos e Promessas" Bug Sociedade


Por incrível que pareça, adotei todos os meus planos e promessas para 2021 no próprio 2020 – talvez porque, sem sair de casa, sem congestionamentos, reuniões e debates inúteis e todas as coisas que não fizemos (ainda bem!), sobrou tempo pra colocar várias experiências em prática.


Então aí vai – já comecei a fazer atividade física. Own! Pois é. Aqui em casa estamos arrasando nisso. O mundo inteiro engordou, mas aqui, isso não aconteceu. Também decidi muitas coisas importantes. A primeira delas, eu já tinha decidido há décadas, mas me fortaleci da decisão: não quero reclamar. Quero mudar e fazer. Quem acompanha o Bug Latino sabe que a cada texto, poesia, programa, foto, há a clara intenção de contribuir para que as famílias tenham assuntos interessantes para assistir e debater; assuntos que estimulem a comunicação para que as pessoas debatam, escutem e troquem ideias.


Em 2020 eu e todos os que estavam pelo menos minimamente preocupados com o mundo perceberam que quando desejamos saúde e paz, o fazemos porque sem isso, nada tem importância. Numa pandemia aterrorizante como a Covid, eu estou determinada a não me contaminar, tanto quanto não quero contaminar ninguém – nem conhecidos, nem desconhecidos. Fico mesmo estarrecida com a inconsequência “meio doida” das pessoas que não querem entender que se matar já é péssimo; mas matar a mãe, o pai e os avós é insuportável mental, emocional e espiritualmente. Deus me livre – não quero isso pra minha vida de jeito nenhum.


Há saberes que eu pensava não ter que compartilhar de novo porque, afinal, são muito antigos e bolorentos. Mas na nova década, velhos pensamentos precisam ser repetidos e repisados. Lá vai então: A terra é redonda – parece incrível termos que reafirmar isso em 2021 – mas ok: A TERRA É REDONDA! Vacina salva e é impossível que alguém vire jacaré, papagaio, vaca, cachorro ou jumento por tomar uma vacina ou uma injeção de qualquer tipo ou tamanho – esse tipo de argumento faz parte do mundo Frankenstein - mescla de comédia e pesadelo - que assistimos todos os dias.


Outra decisão importantíssima: Temos que nos ajudar, ao invés de nos xingarmos; temos que contribuir. O mundo tem muita gente que o Bug pode ajudar com programas que respeitam a inteligência das pessoas. Você conhece um adolescente? Uma criança, um adulto, um aluno? Contribua com a discussão, mande nossos links pra essas pessoas, tire uns minutos para discutir temas como o preconceito, a honestidade. Olhe para todas as pessoas – mesmo as mais pobres, mesmo as mais ricas. Não caia em armadilhas – cuidado com a vaidade. Eu tomo sempre muito cuidado com a minha. Tente ter mais paciência com tudo, até com você e suas falhas – mas nunca deixe de tentar de novo, vendo o tentar como uma redescoberta de você e de suas capacidades.


Entre planos e promessas, tenho muitas ações já iniciadas – e você? E o mundo? Comprei livros de Natal – no Sebo. Nenhuma roupa – o bom do confinamento é que a gente anda de short o dia inteiro mesmo.


Há um espaço para honrar quem foi atingido pelo Covid e morreu – esse espaço, eu espero, que nunca mais seja preenchido dentro de mim. Quero abrir portas ao invés de fechá-las e a vida é a maior porta por onde passamos em 2020.


Já agradeceu? Já entrou em ação pra por suas ideias em prática?


Feliz 2021 – o ano que antes de nascer, já é muito melhor do que o que vai acabar.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV



O ano novo que chega é sempre aquele onde tudo será perfeito, tudo será possível, tudo vai funcionar. Onde apostamos todos os sonhos de novo. Tudo de errado que fazíamos vamos consertar, vamos corrigir, vamos modificar. Tudo vai se resolver. O mundo e a vida começam de novo.


Mas às vezes a vida vai nos engolindo, com os compromissos, deveres, doenças, contas para pagar. Tentamos que sobre tempo para melhorar algumas coisas no imediato, ou no que é mais urgente. A poesia do nosso olhar fica mais esfumada. Um perigo. A poesia e o sonho é tudo o que temos, é o que abre pensamentos sobre o futuro. É o que pode mudar tudo. É o sonho que nos faz dizer não ao que nos faz mal, a quem nos faz mal. É esse sonho que nos faz marcar no tempo, nossos passos, nossas tarefas. Que nos dá coragem e determinação para dizer “não quero, obrigada” as vezes que forem necessárias. Que nos faz acordar cedo quando todos descansam numa manhã de feriado. Que nos faz estudar nas noites silenciosas, chuvosas e frias. Que nos faz treinar, trabalhar, ajudar a família quando todos vão para a praia, para a festa. Que nos faz valorizar o pouco que temos, que nos faz olhar para um lugar que nos liga como um fio imaginário que vamos puxando, puxando, até que um dia, sem dar conta, estamos nesse lugar.


A vida não é fácil. É muito dura. Mas também é mágica. Quando uma criança, de uma aldeia que nem existia no mapa, escreve no seu diário que o seu maior sonho é ir aos Jogos Olímpicos, ela abre uma porta e entra num labirinto cheio de cruzamentos, de escolhas, decisões. Se ela se engana ou desanima, se ouve os que duvidam, pode demorar a chegar ou pode nem chegar. Mas se, de cada vez que precisa decidir, se lembrar do sonho, coisas boas podem acontecer. E recua se precisar, modifica se nada acontece, se transforma se viu algo errado em si, diz que não sabe para poder aprender. Não deixa para amanhã. Não interessa a idade nem a circunstância. Faz agora. Agora. Agora. Agora.

Ana Santos, professora, jornalista

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