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“O MISTÉRIO DO BILHETE DO MEU VIZINHO” e“Vidas dentro de outras vidas” Bug Sociedade


“O MISTÉRIO DO BILHETE DO MEU VIZINHO” Bug Sociedade

Pleno fim de domingo, lanchando em casa. Noitinha.  Meu vizinho me manda algo assim: Sou do bem. Lhe desejo o bem. Sou Bolsonaro!!!!

Fiquei olhando aquilo sem entender - porque estamos ainda no início de maio pra essa fervura toda. Como estaremos em termos de quantidade de mensagens políticas em agosto, se a coisa já está assim no início de maio? Isso em primeiro lugar. O segundo é mais grave: Como existem pessoas que ainda não pesquisaram nada sobre essa família Bolsonaro? Como ninguém dá um Google pedindo o histórico deles todos? Como existem pessoas que falam “eu sou de fulano”, sem perceberem que os políticos devem ser vistos como funcionários e eu não escrevo “sou de Fulano” pra falar de nenhum funcionário que tive ou terei na empresa onde trabalho? Como uma pessoa é fã de político e não apenas exigente com cada um deles? Como há grupos que permanecem nesse hiato mental, achando que existe essa tal de polarização, quando está claro que a única polarização é entre os muito, muito ricos e os outros – nós, claro. Como uma pessoa que tem apenas um carro e mora num apartamento de 2 quartos, pode se achar vivendo numa posição privilegiada, quando os pouquíssimos muito, muito ricos tem casa$, ilha$, patrimônio$, empresa$, carro$, aviõe$, barco$ - tudo discretamente? Quem disse que ter um Jeep Renegade, pago em prestações, é luxo?

         - Qual é o seu lado?

- Isso é pergunta que se faça? Se você recebe salário e tem um patrão, é necessário ser muito tacanho da cabeça pra não saber seu lado – o do empregado. O do pobre!

O Brasil tem esse “pânico íntimo e histórico de perder tudo” - e é com isso que a comunicação joga para nos atemorizar: “a economia vai perder, o Brasil vai falir, vai virar Cuba, Venezuela, bolsa isso ou aquilo como retrocesso social, esmola, vicio de fazer mais pobre, que não vai trabalhar mais pra continuar recebendo benefício”. Vem o medo de ficarmos mais pobres, termos de vender o carro, pagar o aumento do aluguel, a inflação subir - e só por causa disso a taxa de juros sobe, o juro do cartão de crédito vai nas alturas, a gasolina aumenta só com o risco, mesmo que venha do outro lado do mundo. Ninguém pode perder nada – e isso diante dos que nunca perdem nada na vida real.

Estados Unidos apertam o Brasil: “Vamos entregar tudo o que temos”! Vamos trocar petróleo, torrar distribuidora de combustível, vamos emprestar o nome BR escondidinhos, vamos doar terras raras – não sabendo bem o que é isso, mas o Trump quer - vamos enganar os brasileiros – nós. Há uma classe de políticos que fazem isso. Que estão fazendo isso agora.

Vamos soltar os bandidos que tentaram dar um golpe de estado na gente e assim acabarem com a democracia, vamos dizer que dar mais poder de compra pra todos é atraso e que na Finlândia – um lugar onde a renda é muito bem distribuída entre a população, mas ninguém aqui sabe disso - há um estudo onde se prova que trabalhar na escala 5X2 faz mal a alguma coisa – enquanto na vida real, já se analisa e experimenta a escala 4x3 em vários países. Ou seja: você diz algo como “em tal país, se provou”, a minha fonte afirmou... e pronto! Tem quem acredite naquela “verdade” produzida. Aliás, ninguém mais fala mentira ou mentiroso. Pode assassinar mulher, mas olhar pra cara da pessoa e dizer MENTIRA – isso não pode mais. De maneira delicada você diz: narrativa sua. Hummm...

E a total “desmemoriação do trabalho prestado pelos nossos funcionários – os senhores políticos – é a regra. Vender voto por cimento, voto por remédio, voto por consulta, voto por dinheiro virou uma coisa comum na nossa relação com os senhores políticos. Então os nossos senhores funcionários inventam um orçamento secreto, pegam o dinheiro do cimento das próprias emendas parlamentares e com eles compram os votos, lavam dinheiro pra colocarem em obras estranhas e sem resultado ou fazem qualquer coisa com ele, já que não há meios de  rastrear o dinheiro, se eles não especificarem – como qualquer funcionário, por pior que seja – o que estão fazendo com o capital do patrão – nós.

Isso, além de coisas mais simples: na minha rua todos – TO-DOS! – os bueiros estão fechados, o asfalto que foi posto nela acabou com a altura entre a calçada e o asfalto, a chuva agora sobe na calçada e desce desenfreada para a rua de baixo – que enche quando chove, não temos órgão, departamento ou algo afim para reclamarmos de coisas que as propriedades privadas deveriam fazer e nunca fazem, como podar suas árvores ou limparem suas fossas. E o principal, a cereja do bolo: a segunda maior economia do nordeste, ainda não tem calçada para todos caminharem. É, portanto, normal andarmos pelo meio da rua, por aqui. Por acaso interessa se o prefeito é de direita, esquerda, alto ou baixo? Não. Ele apenas é muito ruim.

Moral da história: polarização é enrolação – se você cai nessa ainda, eu lamento. Dizer que não quer saber onde seus funcionários arrumaram dinheiro para comprarem em cash, bufunfa viva, a 51 imóveis, tendo comprado 107 ao todo, enquanto você olha extasiado para o seu carro e apartamento de 2 quartos, é... totalmente desviado da normalidade – pelo menos é o que eu penso quando alguém fala o nome Bolsonaro e a frase não está ligada a desvios. Se quiserem polarizar, procurem os mega empresários, as construtoras, os grandes prestadores de serviço público, como a coleta do lixo e reclamem do serviço prestado, se você considerar que ele tem algo de ruim. Avaliem os escândalos. No meu caso, olho detidamente. Não separamos lixo nenhum, ainda alimentamos os ratos na rua – em termos municipais somos piores que o lixo que fazemos.

É triste. Mas apenas olhem. Não justifiquem, não enfeitem. Olhem. Avaliem. Isso pode ajudar muito.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Vidas dentro de outras vidas” Bug Sociedade

A vida está sempre em movimento, mesmo quando não parece. A gente pensa que controla o seu ritmo, até ela te dizer para onde é para ir e o que é para fazer.

Numa vida de quase 60 anos, é a terceira vez que sinto a vida a dominar meu caminho de uma forma impactante. Sem perguntas. Sem me preparar. Puff. Em apenas um instante, tudo muda.

Na primeira vez foi tudo tão lógico que achei que eu tinha uma enorme influência. Inocente. Talvez até arrogante, achando que era boa menina.

Na segunda vez, foi tudo tão difícil que a toda a hora me perguntava o que estava a fazer sempre errado achando que estava fazendo super certo. Ou por que razão as coisas não engrenavam?

Agora, pela terceira vez, algo está a acontecer. De novo, de supetão. Ou, como o início de uma fase nova, totalmente diferente, que corta as anteriores, de cima a baixo. Desta vez parecem ser as pessoas a causa. Muitas pessoas. Muitas, mesmo. Para elas e devido a elas.

Imagine-se na chuva, por anos. Por tanto tempo que começa a aceitar que a chuva é o clima “daquele lugar”. Aí, vem a vida e te abre uma porta, um portão, uma avenida. Você não quer acreditar, não quer se desiludir de novo. Mas a vida insiste. Te diz que é mesmo assim, para você não duvidar. E o que ela te dá é tão avassalador que de imediato você entende que não se trata mais de você, para você, por você. Se trata de algo para muitas pessoas, vivas ou não, próximas ou não.

Um momento, bonito, raro, que abre a possibilidade de exercer a generosidade com milhões de pessoas. Também de enorme responsabilidade, de muito sacrifício, conflitos, dificuldades. Realmente tudo o que é muito bom, também exige muito.

E de repente, pessoas de dois países, pessoas a quem a vida deu muita dor e perda e desconforto, pessoas que já não pertencem a este plano, pessoas que se foram cruzando na vida, têm uma espécie de encontro espiritual, emocional, físico. Todas estão a poder usufruir de algo grandioso, a desejar esse tão grandioso, a contribuir, nem que seja com amor, desejo, dedicação, amizade, carinho. E algumas pessoas foram as eleitas, para serem recompensadas, para usufruírem, mas principalmente, escolhidas para fazerem o que precisa ser feito.

Tudo que é grandioso parece fácil, tão fácil que esquecemos o quão duro pode ser. É duro, difícil, abala estabilidades, afasta pessoas, como se vida te quisesse perguntar se queres mesmo isso, se estás disposta a isso, se aguentas, se és capaz, se dás conta. E tu não sabes se és, ainda estás no meio do caminho. Queres acreditar, precisas acreditar, que és capaz porque queres isso muito, mas não sabes. E quando olhas e pensas em todas essas pessoas que acompanham e desejam que corra bem, nas que te ajudaram a chegar aqui, nas que nunca puderam usufruir de uma coisa assim, nas que passam fome, nas que não têm onde dormir, nas que estão presas, dentro de si, ou dentro de uma cadeia, etc etc, etc, percebes que precisas fazer isto por todos e por tudo.

Só melhora. Uma sensação boa, numa situação exigente, que ajuda a alinhar as pessoas em torno de uma mesma direção, e as estimula a estarem alinhadas com quem são, sem desperdiçar tempo em coisas sem interesse. Tempo útil, ações com sentido, sensação de estar a fazer algo que é o interesse de muitas pessoas e que muitas pessoas colaboram, do jeito que podem e sabem. Cuidar de si, cuidar dos outros, ser uma referência, fazer coisas boas com você para atingir todos.

Não sei, mas talvez isto seja viver. E, neste momento, com um mundo tão dividido, com tanta ação e estratégia para nos empobrecer em todos os sentidos, tudo isto tem uma importância ainda maior.

Tudo isto é samba. Tudo isto é fado.

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Picasso


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