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“NEM NOBEL DA PAZ É COMO ERA ANTES” e “Efeito Halo  e Efeito de Horn” Bug Sociedade

Mary Vieira
Mary Vieira

“NEM NOBEL DA PAZ É COMO ERA ANTES” Bug Sociedade

                  Há uns bons 40 anos, o Brasil fez campanha para que o Chico Xavier ganhasse o Nobel da Paz. Ele foi indicado, mas não ganhou, mesmo tendo doado os direitos autorais dos mais de 400 livros que escreveu, de tal modo atender obras sociais. Para quem perdeu? Para o Alto Comissariado das Nações Unidas, às voltas com ações em prol dos refugiados. Ganharam também Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Desmond Tutu, Luther King – eram pessoas desse porte que concorriam - e só uma pequena nata dos que realmente fizeram o melhor do melhor em sacrifício e dedicação ganhavam o prêmio.

                  Portanto, O Donald Trump se escalar para ganhar foi meramente ridículo. Algo como o menino que bate em 9 entre 10 colegas de escola covardemente, querer o bolo de aluno do ano porque deixou um escapar. Com uma “fraquejada forjada”, digamos assim. Imaginem meu espanto em ver a Maria Corina Machado ganhar o prêmio. Não que a Venezuela não seja uma ditadura porque é, mas por ela não ser propriamente um ser iluminado como os outros foram. Dentro desse prisma, o Rubens Paiva poderia ter sido premiado e ninguém teve essa ideia – e veja, ele foi tirado de casa e “sumido, tragado” pela ditadura brasileira. Stuart Angel, outro grande herói, foi torturado barbaramente até a morte com requintes de crueldade - teve a boca colada ao escapamento de um Jeep militar e foi arrastado no estacionamento - também nunca foi cotado, tanto quanto Vladimir Herzog, “suicidado” a uma altura de um metro do chão pelo DOI/CODI – se você pensou militares, a resposta é sim. Se pensou se foram pelo menos indicados, a resposta é não. Se você supõe que eles podem ser citados como heróis nos nossos livros de história, errou de novo. Depois do filme de Walter Salles é que as pessoas conheceram um pequeno fragmento do que aconteceu aqui de 1964 em diante – até 1985, pra você que percebe a importância da história nas nossas vidas.

                  Maria Corina Machado foi heroína em qual momento porque honestamente não sei responder. E ela dedicou a premiação a Donald Trump e Netanyahu, ainda pra coisa piorar mais. Não por eles serem de direita, mas porque estão embaraçados até o pescoço no genocídio de Gaza. Na destruição cultural da Palestina. Na desfaçatez que está acontecendo nos Estados Unidos com os tais ICE (Immigration and Customs Enforcement) e os imigrantes ilegais. E a tortura, a força, a violência embutida em cada ação desse grupo de milicianos legalizados.

                  Até o Prêmio Nobel – claramente antes dedicado a pessoas realmente incríveis – está falsificado. Meu candidato do ano de 2025 foi a Greta Thunberg, que nem foi indicada, embora tenha tido a coragem de ir levar comida para os palestinos que estão sendo massacrados, foi presa, cuspida, ficou sem comer e beber, esfregaram o rosto dela na bandeira de Israel para que a beijasse, sofreu todo tipo de humilhação e assédio e foi colocada em lugares que nem consigo imaginar pra voltar cheia de percevejos – e de cabeça erguida. Não parece uma indicação mais honesta, pelo menos?

                  Não sei. O mundo me parece atualmente tão mangueado em todas as direções, que nem sei direito como me pronunciar acerca da premiação da Maria Corina, sem falar mal dela – que nunca fez nada de grandioso, aliás. E ainda ter que aguentar vê-la agradecer aos dois maiores bullys da história recente do mundo é... nojento.

                  Pelo menos aqui no Brasil, estamos firmes com a justiça. SEM ANISTIA PRA GOLPISTA.

                  Obs: Valeu Alcione, valeu plateia do show de Alcione, valeu Xandão!

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro, Tv

 

“Efeito Halo  e Efeito de Horn”  Bug Sociedade

Julgamentos rápidos e generalizações baseadas em informações limitadas são a causa dos efeitos Halo e Horn. Se eu gosto de alguma característica em alguém, tenho uma tendência imediata em considerar que a pessoa é assim em tudo o que faz. O mesmo se eu não gosto de alguma característica. Por isso antigamente se dizia que a primeira impressão era muito importante.

Era importante, mas se você for cuidadoso a partir de agora, deixa de ser, e deixamos de perpetuar estas avaliações “rápidas e leves”.

O fato de Cristiano Ronaldo ser multimilionário, saudável, um histórico jogador de futebol, não significa que é o melhor do mundo a tocar piano, ou a pilotar um avião. Ele é bom no que ele é bom. Ponto. Nas atividades em que ele não investe tempo nem trabalho, pode até ser pior do que você. Como qualquer pessoa. E não significa que ele não é tão bom quanto julgávamos, naquilo que ele é mesmo bom. Perceber a importância de combater estes efeitos, não significa que não devemos dar valor ao valor de cada um. Significa que cada um tem valor naquilo que faz bem, apenas isso. E significa também que quando falhamos, podemos ser melhores no futuro. Não precisamos ser daquela forma sempre.

Na política um “bom falante” não significa que é um “bom fazedor”. Um universo de gente que fala muito e diz que faz, mas muito poucos realmente fazem muito.

Seu filho não tem interesse em apostar nas BET’s. Um dia, vê seu ídolo fazendo publicidade a uma BET. Perigo!!! A opinião do seu filho pode mudar devido ao efeito Halo. “Se eu gosto da forma como joga, o time onde está, como veste, das tatuagens, e se ele faz publicidade, então talvez seja bom apostar em BET”. Perigo!!!! Nunca é bom apostar em BET. Nunca. E não venha com desculpas de ser apaixonado por esporte porque isso não tem nada a ver.  Pense no efeito Halo.

Existem lugares, em todos os países, que as terras estão envenenadas, poluídas, devido à poluição que sucedeu por décadas nesses lugares. Não têm nenhum valor. Ninguém deseja viver ali. São compradas por empresas a preços muito baixos. Passado algum tempo são construídos condomínios de luxo nesses locais, acompanhados por campanhas de marketing intensas. Na publicidade, colocam pessoas famosas, amadas pelo povo. Divulgam nomes de pessoas igualmente muito famosas e muito queridas pela sociedade, que compraram um dos apartamentos. Ninguém sabe se compraram ou não. Ouviram falar. Ninguém vai duvidar. As terras permanecem com o mesmo problema, nós é que já nem nos lembramos disso porque só a ideia de podermos ser vizinhos de pessoas inacessíveis e admiradas, nos paralisa e não nos deixa pensar em mais nada. Nem sabemos se a pessoa que admiramos é boa pessoa. Apenas admiramos algo nela, que observamos uma vez e que nunca mais esquecemos. Nós mudamos, pioramos e melhoramos ao longo da nossa vida, até por vezes somos insuportáveis para nós mesmos, no entanto aquelas pessoas são sempre perfeitas. Até percebermos que não nos cumprimentam, que deixam o lixo espalhado na rua, que fazem imenso ruído fora de horas, etc. Até que percebemos que aquela terra envenenada está nos provocando doenças autoimunes, alergias, intolerâncias. Mas já é tarde. Não prestamos atenção. Fomos anestesiados pelo efeito Halo.

E o vizinho com quem tivemos um problema no primeiro dia e não mais queremos perto? Quantas vezes a vida nos demonstra que essa pessoa tem qualidades? Não tem só defeitos? Cuidado com o efeito Horn.

Profissional bonito, bem vestido, com o corpo musculado e com algumas tatuagens tribais, surfista, praticante de pilates, corredor de maratonas, sorridente e simpático, não significa competência. Significa apenas que se cuida e cuida da imagem. Competência é outra coisa. Fique atento. Efeito Halo.

No efeito Horn, um erro pode nos acompanhar a vida inteira e isso é muito injusto porque as pessoas erram e melhoram. Precisamos perceber o quanto nocivo pode ser guardarmos informações passadas que até já foram ultrapassadas pela própria pessoa – porque ela evoluiu.

Outro tipo de efeito acontece paralelamente: alguns funcionários, trabalhadores, colaboradores, evitam agir, tomar partido, fazer, transformando-se em fardos, passivos, encargos, para se protegerem e não errarem. Assim não mancham seu currículo, não se prejudicam. Mas prejudicam muito a empresa ou instituição e isso não é tido em conta. Falhar uma vez não é ser fraco, mas nada fazer para não falhar também não é bom para ninguém.

O esporte nos ensina que quem fica avaliando os outros é sinal de que não evolui, não progride. O esporte nos ensina que agora erramos, mas em breve, depois de mais treino, melhoramos. O esporte nos ensina que o movimento da vida pode ser construtivo, aliciante, entusiasmante. O esporte nos ensina que podemos ser os piores agora, mas amanhã podemos ser o ídolo dos que virão. O esporte nos ensina que saber fazer um gesto não implica saber fazer todos os gestos, que se treinarmos o braço direito é apenas o braço direito que evolui e que se queremos ter qualidade, só é possível se repetirmos e nos dedicarmos.

Primeiras impressões, segundas impressões, esqueça isso. É bom numa coisa, é bom em tudo, esqueça isso. Errou, é porque erra em tudo. Esqueça isso.

Considere as pessoas pelo que elas fazem no momento. Cada um está tentando fazer o melhor a todo o instante. Como você. E é melhor tentar do que ficar quieto com medo de falhar.

Ana Santos, professora, jornalista


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