“LULA E AS MULHERES” e “Atenção, muita atenção...” Bug Sociedade
- portalbuglatino
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“LULA E AS MULHERES” Bug Sociedade
Quanto tempo faz que as mulheres denunciam a violência contra o nosso gênero, mesmo? Nem sei. Perdi a conta. A vida inteira. Durante todos esses inúmeros e incalculáveis anos, quem foi o famoso que se dispôs a fazer mais que um comentário solidário – sim, porque a grande maioria, nunca falou nem sim, nem não, muito pelo contrário, enquanto outros tantos – que seguiam as luzes dos celulares e que têm seus ídolos presos, atualmente – diziam que era mimimi.
Pensem em quantas gerações de homens foram necessárias e quantos anos de estudo eles gastaram, sem que nada avançasse – falamos e vivemos esse mesmo tema há quantos séculos? Sem metáforas. Foram séculos mesmo. Saiu algum projeto de lei especial nascido da mão dos homens, lá no Congresso? Ah, teve sim! Crianças estupradas e que engravidam teriam que ter o filho obrigatoriamente. Teriam - porque nós gritamos e reclamamos tanto que barramos a ideia de jerico do “senhor excelência de plantão”. Tentaram também avançar nos poucos direitos que temos na lei Maria da Penha porque como diz o “deputadim chatim e espertim” o movimento feminista nos "perverteu moralmente" - além dos seus outros problemas de ordem psicanalítica com as questões de gênero que envolvem a comunidade LGBT, com o fato de existirem homens mais sensíveis - gays ou não, falas transfóbicas e a citação de que mesmo os “homúnculos” precisam falar e citar seus hormônios: “o Brasil precisa de homens com testosterona”! – Mãe sendo jogada do terceiro andar pelo filho; “o Brasil precisa de homens com testosterona”! – ex namorado arrasta mulher por 1 quilômetro “sem nem ver”; “o Brasil precisa de homens com testosterona”! – mulheres trans como Dandara, Alice, Chiara, Samantha são brutalmente espancadas e jogadas do alto de prédios, deixadas dentro de porta-malas. Gênero feminino e mortes lancinantes virou bordão de programa policial. Tudo isso é nomeado como conservador: deputado conservador, sociedade conservadora. Isso me faz perguntar: os conservadores conservam sua impiedade?
Bem: aí vem o Lula. Engraçado um presidente que a gente se sente assim, de igual pra igual – até pra falar dele chamando pelo nome é fácil. Ele – afinal ele – lançou a campanha que finalmente – FI-NAL-MEN-TE – envolve os homens na questão da grosseria, perseguição, violência, assédio, estupro, assassinato do gênero feminino. Só no século XXI. Estamos nessa desde os tempos imemoriais... Aí vem o Lula e põe em palavras que vai fazer uma campanha a favor da gente, que vai dedicar tempo, equipe, comunicação para criar uma campanha que nos envolva a todos – dos dois gêneros juntos - contra a violência. Ele, que tem 80 anos, olhando dentro dos olhos do “deputadim” de 30 e que ainda não fez nada de proveitoso em Brasília, além de falar mal da gente e – ah! – gravar coisas contra o PIX. Quem deveria ser o intransigente reacionário? O de 80 ou o de 30?
O Lula é o progressista, pode acreditar.
Assim, saímos do quase nada em apoio para o apoio do Presidente da República. Quando vi a primeira chamada da campanha, quase chorei. É muita mulher trans ou não morta, aleijada, violada, queimada, assediada na rua, no trabalho, em casa, na vizinhança, em toda parte, sendo mãe, filha, namorada, companheira, transa de uma noite, apenas, enquanto a maior parte dos homens não se metiam, não falavam nada. Ou falavam que a culpa era da roupa curta ou do decote, ou do sorriso ou... da criança saber que estava provocando os pobres ingênuos “Homens”. É, pessoal... Foi o Lula. O primeiro que assumiu em discurso, no meio do povão, que ia sair em nossa defesa politicamente. E saiu mesmo. Sem gritar testosterona, foi gênero masculino da cabeça aos pés.
O resto? O resto, a gente vai continuar vendo por aí, tenham a certeza. Mas, para a história, fomos do “mimimi” dos tais ditos conservadores, aos discursos veementes e emocionados de um homem de 80 anos, perplexo com as notícias dos jornais... Isso resume o fato.
Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV
“Atenção, muita atenção...” Bug Sociedade
Eu não sei se você tem lido ou escutado as novas notícias sobre o “mundo Epstein’. Se por um lado é preferível nem saber, por outro é importante perceber em que mundo estamos. De cada vez que sai um nome famoso, dito respeitável, mais uma desilusão. Os suicídios que não parecem suicídios, incluindo o do próprio Epstein, as desculpas esfarrapadas de supostos príncipes que sabem que são intocáveis, o que se fez a crianças, a jovens mulheres e a homens afro-americanos, a facilidade com que se manipulou e descartou pessoas, a facilidade de acesso a informações que ninguém consegue – como assistir live à vida na cela da sua namorada, Ghislaine Maxwell, e obter as gravações, um de seus jatos — um Boeing 727 – tinha como apelido “Lolita Express”. Só aumenta, só piora, mas piora para níveis que eu nem vou colocar aqui. Epstein era considerado um consultor financeiro de bilionários, oferecendo serviços de investimento, planejamento patrimonial e tributário. Descreveu a si mesmo como “um financista e empresário experiente e bem-sucedido”, um “empreendedor que construiu várias empresas altamente lucrativas” e “um dos pioneiros dos investimentos baseados em derivativos e opções”.” (retirado de artigo da revista Forbes).
Que sabemos nós? Nada. Bill Gates que parecia tão absorto e dedicado em descobrir os males do mundo, sem saber como justificar uma doença sexualmente transmissível – DST - que muitas pessoas sabem como foi adquirida, menos ele. Sarah Ferguson, entre outras coisas, se colocou disponível a Epstein, para o que fosse necessário, e que gostaria muito de casar com ele. Mulheres jovens a quem pagou cursos acadêmicos caríssimos, casa, transportes, sabe Deus a que troco. Mulheres que eram levadas por mulheres, numa teia em que nenhuma se sentia segura de quebrar, já que as que tentaram quebrar a “teia”, foram internadas em manicômios (Karen Mulder), ou desapareceram, ou se “suicidaram” (Virginia Giuffre).
Onde pisamos, com quem convivemos, quem presta, que nível de compromisso não se pode mais aceitar, sob pena de ficarmos enredeados em “sistemas”, “engrenagens”, para lá de doentias?
O novo Presidente da República Portuguesa, é Antônio José Seguro, felizmente. Não porque os portugueses o amam profundamente, mas porque é uma pessoa decente e ninguém queria que vencesse o outro candidato. Um país que se uniu contra esse candidato – que bom! Respiramos de alívio, mas a direita radical não desaparece, diz que está no bom caminho, e que um dia governará o País – como aqueles atletas que querem ganhar “da sua forma”, intimidam, fazem tudo para acreditar e, principalmente porque aguardam os vacilos. Sim, estas pessoas sabem que o País está frágil, e como os abutres que aguardam a presa ficar indefesa ou morrer, para a atacarem, vão se aproximando, enquanto aguardam o seu momento. O problema é que o abutre não tenta reanimar a presa, não a quer salvar – não é essa a sua preocupação - aguarda pacientemente, o tempo que for necessário, que ela quebre, para a atacar, para a devorar. Quanto mais fraca a presa, mais feliz, já que é aí que existe espaço para si. Todos os cuidados são poucos no futuro próximo para Portugal. A extrema direita terminar o seu discurso dizendo que continuam o caminho de Francisco Sá Carneiro, é inacreditável - tipo misturar água com azeite. É de uma indelicadeza, se apropriar do que pessoas históricas portuguesas foram capazes, com ideologias muito afastadas da direita radical, e dizer que vão continuar seu caminho. Como assim? Atenção, muita atenção...
Os estrangeiros que também possuem nacionalidade portuguesa, nem percebem estas misturas de ideologias, talvez também sejam bolsonaristas, e nem sabem quem é António José Seguro. Então vão no fluxo, seguindo o povo da direita radical com cara de quem está seguindo pessoas de bem. Como o Brasil, a Bahia e Salvador, de novo preferindo o candidato da direita radical? São precisamente as pessoas da direita radical portuguesa que tratam mal os brasileiros em Portugal. Como é possível votar neles? Atenção, muita atenção...
O Carnaval começa na quinta-feira, mas já começou. A calendarização podia ser mais clara. Na internet tem a calendarização, mas está vaga e não informa das atividades entre o final de semana - Furdunço e o Fuzuê, sábado e domingo - e o Carnaval, a partir de quinta-feira, dia 12.
Para quem vive em zonas que são afetadas pelos movimentos nas ruas, tudo é mistério, tudo pode correr bem, ou também pode ter problemas complicados. Informações mais claras nas redes sociais, na internet, ajudavam imenso. Este é um problema recorrente que sempre sonho que será resolvido no ano seguinte. Quem sabe em 2027...
Está muita gente na rua. Demasiada gente nos mesmos lugares. Nunca aconteceu nenhum problema, mas este final de semana, em São Paulo, dois trios se “encontraram” e várias pessoas passaram mal com o aperto. Foi assustador ver as imagens. Mais de um milhão de pessoas se juntou para dançar ao som de Ivete Sangalo, também em São Paulo, também este final de semana e a própria cantora precisou parar 40 minutos para contribuir para a gestão dessas pessoas. Também impressiona ver os vídeos. As imagens do Furdunço e do Fuzuê que estão na internet, são assustadoras – só se vê cabeças saltando. Principalmente quando é com Baiana System, a coisa fica assustadora porque o número de pessoas, duplica. Tem muito mais gente a cada ano. As ruas não aumentam de tamanho...
Desejo profundamente que tudo corra bem, que seja mais um Carnaval sensacional, que todas as pessoas fiquem felizes, e que cada um evite lugares perigosos de aglomeração, que não circule com celular, que evite brigas.
Atenção, muita atenção...
Não conhecia Bad Bunny. Talvez esteja ficando velha porque o nome me afastou de o ouvir, de saber quem era. Associava o nome a um serial killer, vejam só – realmente existiu um serial killer com um nome parecido. Agradeço à final do Superbowl, à Apple Music. E gosto muito quando Trump não gosta de alguém ou de algo porque parece não gostar do que é bom. É como uma seleção ajustada e invertida da vida – o que critica Trump? – para a pessoa ter a certeza de que é alguém ou algo bom.
Tem uma frase que um personagem de um filme fala que gosto muito: “Não é importante o que sentes, mas é muito importante o que fazes.”
Atenção, muita atenção...ficar criticando, lamentando, apontando, não chega para enfrentar a direita radical, nem o tráfico humano, nem todas as coisas erradas do mundo.
Fazer, fazer, fazer, o muito, o pouco, o quase nada. Mas fazer sempre ajuda e o mundo precisa muito, muito, muito.
Atenção, muita atenção...
Ana Santos, professora, jornalista
Imagem: Francisco Trêpa
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