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“BORA, BRASIL” Bug Sociedade

“BORA, BRASIL” Bug Sociedade


Com o Brasil na Copa é meio impossível proibir a gente de ser – brasileiro. Não adianta muito ficarem os porta-vozes do caos alertando que “a mídia da Itália já veiculou que as ‘forças vão entrar’ ou que as forças vão sair” ou que “não se pode misturar um tipo de brasileiro com outro tipo” e por isso “abaixo a camisa amarela”!

O fato é que todos nós - e não nós e vocês - temos que entender que o Brasil é popular porque chora, dança e canta junto, como povo – não porque assedia, ofende e agride. Afinal, quem gosta de gente grossa? Terrorista? Acho que nem os bolsonaristas se suportariam... Mas não tem jeito – quando vem a Copa, o nosso jeito festeiro de ser se aproxima e os gritos sobem pela garganta, a vibração acontece e quando aparece um Richarlison – aí é alegria geral.

O que esse menino tem de diferente? Ele é solto, mas consciente de seu papel social e do significado de ser visto como exemplo por uma geração inteira. O que o Neymar não viu? A mesma coisa que o Richarlison viu. Ser raso é fácil, mas incorrendo no perigo de ser apenas mais uma pessoa superficial, com a qual ninguém quer conversar sobre as coisas realmente importantes.

Num momento onde eu adoraria que todas as pessoas se assistissem no que fazem para que consigam perceber que nenhum coletivo merece que a gente faça papel ridículo individualmente – saber a importância de ser um exemplo raso ou não, é um grande passo para a construção de uma geração que saiba pensar, falar, ler e escrever. Parece pouco, mas não é. Porque a habilidade com a bola não basta mais num mundo onde as pessoas saem de casa pegam o carro do “papai” pra ir à escola matar e ferir seus colegas e professores. Isso não é banal, não é raso. Não basta justificar dizendo que “há bolsonarista na estrada” e pronto. Ninguém maltrata um senhor de 80 anos, seja ele Gil ou quem for. Ninguém sai armado dando tiros porque não gostou do bullying – ninguém gosta de bullying – e, ao invés de falar do assunto, se pega no revólver e atira em todos.

É isso o que os brasileiros perdidos no bolsonarismo vão permitir? Isso é que é familiar? Profundo? Exemplar?

Como dizer aos brasileiros que estão na chuva, enquanto os verdadeiramente ricos estão na Copa – lá no Qatar – que eles precisam entender que estão numa roubada? Que estão sendo enganados? Que estão mentindo pra eles? Que não existe a camisa amarela deles, mas a nossa – a de todos nós?

E a minha pergunta presa na garganta: Como vocês se perderam assim? Como perderam o senso de ridículo e ficam fazendo “marcha soldado cabeça de papel” o dia inteiro, com chuva ou sol, chorando e esmurrando o peito? O problema maior não é ser de direita, nem de esquerda – o problema é que vocês parece (por favor, se assistam) que perderam o juízo!

Estamos na Copa: não seria um bom motivo pra vocês pararem com isso e a gente torcer pelo Brasil? Afinal, ser patriota é agredir, impedir, ofender, atacar, atirar (e perder os jogos)?

Pensem nisso. Porque o Brasil não vai ter dinheiro pra tratar de vocês, se a Covid pegar todo mundo - e o Bolsonaro não comprou a vacina bivalente e acabou com a estrutura hospitalar... Portanto, não queiram provar do remédio do descaso!

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Marina Silva comentou numa das suas falas recentes que este era um texto que os familiares diziam para ela em menina:


“Quando nasceu a menina

seu Deus Pai dono do mundo

decretou seu destino.

Serás flor amordaçada

cama e mesa de marido

terra de frutos futuros

e depois canteiro murcho.”


Como era possível? Como ainda é possível? Precisamos rever, corrigir todas estas “travas”, estes “distraídos hábitos” que impediram e continuam a impedir a vida plena de mulheres, sejam elas quem forem. É estarrecedor constatar todos os entraves que as mulheres têm no caminho da vida. A escritora francesa, Annie Ernaux, premiada com o Nobel da Literatura, em 2022, é a primeira mulher na França a vencer este prêmio. Uma honra merecidíssima, uma enorme honra para o país, para todos os franceses. Mas os homens de extrema direita não gostaram nada e em vez de parabéns, tem produzido discursos de ódio. Porque será? Mulheres corajosas intimidam e preocupam os homens que não sabem dividir a vida. Preocupam até algumas mulheres que não conseguem sair do lugar onde lhes disseram para estar. A mulher precisa nunca esquecer que é ela que precisa fazer o movimento, ninguém fará por ela porque ninguém quer mudança nem perder espaço.

Copa do Catar. Quem critica a realização desta Copa, neste lugar do mundo, leva logo com mil argumentos sobre os silêncios do passado em relação a situações semelhantes. E assim somos gente não mudando nada, assim não saímos dos buracos onde nos enfiamos. A seleção da Dinamarca é vaiada, o goleiro/guarda-redes da Alemanha é vaiado. Isso é correto? É que é totalmente ao contrário. Eles que deviam ser mais aplaudidos. A seleção alemã fazendo a foto com as mãos na boca, podia ser algo que todas as seleções deviam fazer. Mas, a vida também nos vai ensinando, que quem cala, quem fica neutro, ou até fica do lado das coisas erradas, tem o “rabo preso”, também está tentando se defender, também fez ou aproveitou muito, também lhe dá jeito como tudo funciona. Demoramos uns anos a entender por que razão muitas coisas injustas são aceites ou silenciadas, mas um dia aprendemos que afinal quem aceita e/ou silencia, é igual....ou pior.

A ideia antiga de que o valor das seleções está no lugar geográfico, no nome, vai dar muitos dissabores. Marrocos está impressionando, Japão igualmente, Arábia Saudita teve uma vitória histórica e inesperada. Não são mais os nomes que ganham porque o trabalho sério e o empenho esportivo é geral. Ganhar uma Copa nos novos tempos será muito mais do que os prêmios do passado.

A equipe de transição do governo brasileiro está “abrindo a caixa de pandora”. Deve dar medo o que estão a encontrar, vendo pelo desnorte e abandono nas vacinas de crianças até um ano, por exemplo. E os seres, sem freio nem moral, que inventam as coisas mais hilárias do universo, continuam a empobrecer a imagem do Brasil no mundo achando que estão a fazer uma grande coisa. É como se estivessem pisando o planeta Terra tentando amassá-lo para o tornar plano. Haja paciência...

Gilberto Gil ofendido por um brasileiro no Catar. Tem coisas que parecem pesadelos. Este tipo de ofensas deviam ser punidas com prisão sem dar espaço a pagamento de multas. Estas pessoas acham que podem tudo. Que vergonha! O mundo inteiro respeita e admira Gilberto Gil e este senhor, do mesmo país, não. Porquê? E vejam, agredir verbalmente e intimidar Gilberto Gil merece punição, mas se fosse um ser humano comum, igualmente. Estas pessoas não têm travão, nem educação, mas dinheiro sim e muito. Ou você acha que as pessoas de todo o mundo que estão no Catar a assistir aos jogos são pessoas normais com pensamentos normais de gestão de vida? Que levaram marmita?

Brasil e Portugal com jogos no mesmo dia é para quebrar uma portuguesa que vive na Bahia. Haja coração!!!

Ana Santos, professora, jornalista

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