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“Afinal o que interessa?”


Dedo inchado. O indicador – e logo o da mão direita. Domingo. O que há pra fazer com o dedo inchado, no domingo? Ah! O Facebook e todas as redes sociais, acessáveis com os outros dedos. Fofoca, maledicência, notícias sem procedência nenhuma e lotadas de comentários estranhos: “OWN, LINDO, D+, MORRA”! – só pra listar três. A gente fica olhando e procurando ali o sentido da vida e de repente percebe que tem gente que fica ali achando sentido pra sua vida. Pior –achando que tudo aquilo faz parte da sua e das nossas vidas. Pior! Achando que, por ser tudo online, pode falar o que quiser, xingar do que quiser, ter todos os maus desejos porque afinal está protegido pelo “sigilo da internet”.


Com um dedo machucado apenas – embora doa muito – você olha tudo e percebe que afinal, parece que as coisas estão fora de lugar. O que interessa? São tantas outras coisas... ter paciência com a dor porque o antibiótico ainda não fez efeito, viver, ser capaz de fazer sua própria comida e saber o que fazer, gostar de fazer, perceber que nem tudo é obrigação, mas sim autonomia – o que valoriza ainda mais o momento e a pessoa que lhe ajuda quando você verdadeiramente, fica impedido de exercê-la. Caminhar – não em Paris, mas principalmente dentro de casa, de um lugar par ao outro, com passos objetivos e funcionais. Ter firmeza de pensamentos e atitudes, ser generoso. Olhar ao redor para saber interpretar os momentos com a clareza necessária. Votar porque nós queremos e sair dessa prisão que é ter a ida tutelada e obrigatória à Zona Eleitoral.


Onde está tudo isso? Em todos os lugares, menos nas redes sociais. Há uma vida real, onde não adianta polemizar a COVID-19 porque temos que seguir nos protegendo e protegendo às outras pessoas. Não quero morrer, nem causar mortes não por causa do Facebook, mas porque iria morrer de culpa se achasse ter contribuído para a morte de alguém. Qualquer alguém. Quero vacina boa e como qualquer vacina, não nos interessa de onde elas vêm. Nunca nos interessou, nem interessa para as outras vacinas. Apenas me interessa que tenham o aval da Anvisa e pronto. Vacina comunista é uma idiotice. Porque as vacinas imunizam. Salvam. O plano de vacinação do Brasil é uma das poucas coisas de destaque que temos. Grátis e para todos.


Meu dedo dói e sentindo a dor presentemente, nada é tão pouco importante quanto dizer que ir ao restaurante era proibido, mas votar não. Votar precisa ser facultativo sempre, gente. Não nessa eleição, mas sempre. Os políticos podem se esforçar durante os seus mandatos para nos estimularem a sair de casa, assim como é no mundo inteiro.


Afinal, o que interessa na nossa vida? Falamos com as pessoas ou damos ordens a elas? Reclamamos com elas? Conversamos em casa? Comemos juntos pelo menos duas, três vezes por semana? Nós rimos juntos ou muito mais no WhatsApp? Sua vida pode ser resumida por emojis?


Quando você, durante todo o dia, por vários dias, sente dor em um dedo – um, apenas – você tem um bom pensamento para sua amiga médica que te ajudou no final de semana, tem um pensamento de mais amor para seu amor por esquentar agua com sal grosso e minimizar a dor, mantém a calma, mantém a calma porque dor o tempo inteiro é muito irritante – mesmo em um dedo só. Você se concentra em pegar no talher sem derrubar a comida, se concentra em usar o sabonete, o shampoo – afinal, o que interessam são as coisas que te mantém vivo, ativo e objetivo. O resto é isso mesmo – o resto.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Afinal o que interessa e, do que interessa, afinal o que decido fazer e o que consigo fazer?


Afinal o que a vida dos outros interessa para a minha vida? O que outros colocam nas suas redes sociais, da sua vida, para que me serve? Afinal o que é realmente importante? Afinal o que ando aqui a fazer? Afinal os outros importam?


Sua Santidade, o Dalai Lama, refere que o ser humano passa a vida danificando a sua saúde para ganhar dinheiro e tentar “ser alguém” e depois gasta esse dinheiro tentando recuperar a saúde que perdeu. Porque só quando estamos à beira do precipício da vida, sentimos verdadeiramente o que viemos fazer aqui? Como se tivéssemos 3 meses para estudar para um exame e só começássemos a estudar a sério, nas últimas duas semanas, ou últimos dias, ou últimos minutos, ou últimos segundos...ou vamos para o exame sem estudar esperando um milagre...


Por vezes parece que a vida é apenas algo difícil, pesado, sem lógica, sem bons momentos, sem saída. Outras vezes parece um rio que flui sem obstáculos, com tudo sucedendo nos momentos certos, como uma dança. Umas pessoas parece que vieram para sofrer e outras para ter tudo. Ou apenas cada um veio fazer o seu caminho, fazer a sua parte. Cumprir o seu destino? O que viemos fazer? Você sabe o que veio fazer aqui?


A pandemia veio nos confrontar com as escolhas de vida que fizemos. Porquê? Porque compramos apartamentos pequenos, em lugares úteis para o trabalho; porque temos filhos apesar de nunca estarmos com eles porque precisamos trabalhar para os “amar” e lhes dar tudo o que pudermos; ou porque aceitamos trabalhos longe de casa e quase nunca estamos no lugar que escolhemos para viver, nunca quisemos aprender a cozinhar, não sabemos trocar um pneu, uma lâmpada, sempre quisemos ter empregados para fazer tudo para nós...e aí a pandemia veio virar tudo do avesso. O que realmente preciso para ser feliz? O que não é fundamental na minha vida? Sei o que fazer e como fazer para ser feliz, ter uma vida saudável, para manter a minha sanidade mental, emocional? Não o que todos fazem ou o que se vende como receita mas o que resulta para mim?


Não existe uma forma. Existe a melhor forma para cada um. Vamos, seguindo, buscando a nossa melhor forma, mastigando cada momento como ele é...único. Como cada um de nós...

Ana Santos, professora, jornalista

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