portalbuglatino
8 de Nov de 2018

Rodrigo Leão, Porto 2018

1 comentários

Editado: 8 de Nov de 2018

“O Aniversário, o Concerto”

 

Um ser humano pode ser talentoso e boa pessoa. Pode ser generoso e famoso. Pode ser humilde e ter muito sucesso. Pode. Pode e deve. Como Rodrigo Leão.

 

25 anos de qualidade e inovação mantendo a integridade, não é para todos. Os Sétima Legião, eram fantásticos. Madredeus, fenomenais. E Rodrigo Leão? Que adjetivos usar para a genialidade, o talento, a inovação, a criação do artista? A simplicidade, bondade, humildade, alegria, respeito pelos outros, da pessoa? Alguém capaz de criar música delicada, doce, íntima, enternecedora, acolhedora, que une os corações da humanidade. Me faz chorar de alegria, de felicidade, de nostalgia. Porque é uma música que fala, que faz companhia, que nos protege, que acompanha nossa vida. Quantas pessoas temos na nossa vida que fazem o mesmo? Rodrigo Leão parece ter um jardim florido e de aromas apaziguadores na sua alma. Deve ter um mundo extraordinário circulando dentro de si, que deixa lentamente sair, em gotas, para não nos assustar com a sua grandeza. “Intento” uma dessas gotas. Ouvir música que comunica com as pessoas, conversa com quem a ouve sobre sentimentos, tenta sempre dizer o quanto é imensa a doçura e carinho que se pode ver no mundo e pelos outros é...avassalador.

 

Tem colaboração com muitos músicos. Trabalha com músicos que se tornam amigos. Tem várias cantoras excepcionais que cantam suas músicas.

 

Rodrigo Leão é um orgulho português como artista e um ser humano como todos devíamos ser.

 

Ana Santos, professora, jornalista

 

Há uma coisa totalmente espiritual, cristalina - nem sei explicar muito bem porque “vejo” a música dele – que toca de verdade, sem metáforas, sem análises hipotéticas.

 

Há tanto tempo ao redor de audiovisual, quando quero “ver” alguma coisa na condução de uma edição, sempre apelo para as trilhas sonoras – uma mania. Rodrigo Leão nasceu assim pra mim. Poucas pessoas – me lembro de Ennio Morricone – nascem com essa capacidade de atrair para o simbólico a sensação concreta. O espiritual a que me refiro com Rodrigo não tem nada de abstrato. É mesmo a visão da emoção que ali é pintada em notas e não em cores, em harmonias, em ritmos – como se ele tivesse uma estranha mão concretizadora de abstrações, em sensações sólidas, concretas.

 

Ter o Bug Latino ao redor de qualquer trabalho de Rodrigo é mais que uma honra – é um sonho que a gente só percebe que teve quando ele se concretiza, materializa ali, na sua frente, na sua vida. Colocar isso em palavras é uma alegria.

 

Algum dia quero muito ter o prazer de, como Ana Ribeiro apenas, poder viver concretamente a experiência completa “Rodrigo Leão”. Por enquanto, o Bug me representa e eu vejo através de seus braços o significado de comunicar, falar, sentir, pôr em palavras tudo isso e se sentir viva, dentro de um corpo pulsante, que vê ao ouvir Rodrigo Leão e sentir pressentir sua energia – não como qualquer energia, mas como a energia genial das coisas complexas porque são sensações simples - nos pegam desprevenidas.

 

É vital. Espiritual. Isso tudo é simplesmente Rodrigo Leão.

 

Ana Ribeiro

Diretora de teatro, cinema e TV

 

Depoimento 1 de quem assistiu ao concerto: “Foi com enorme prazer que assisti, ao concerto desse grande senhor da música, Rodrigo Leão.

 

Depois de um dia de trabalho, foi reconfortante assistir ao espetáculo deste grande compositor e músico, na nossa grande sala de espetáculos, o nosso "Coliseu do Porto".

 

A sala estava quase repleta, com pessoas maioritariamente da minha geração - meia idade, embora também estivessem alguns casais jovens. O ambiente era bastante confortável e acolhedor.

 

O concerto abriu com sons do jovem guitarrista, "Francisco Sales" que nos presenteou com o som da sua guitarra, que cantava por ele tal era o som que nos transmitia. Adorei!

 

Seguiu-se então o grande "Rodrigo Leão" que foi recebido com uma grande salva de palmas e presenteou toda a sala com um maravilhoso espetáculo de luz e som. Através das suas músicas podemos ouvir e sentir uma maravilhoso tango, uma bela interpretação de música clássica ou até uma alegre música brasileira.

 

Todas as músicas da sua orquestra, são acompanhadas de imagens de luz, que nos fazem viver momentos de introspecção, são composições que passam rapidamente de momentos de revolta a momentos de paz, tudo isto através das imagens que vão passando na tela, da luz e do som, em que todos os elementos estão em sintonia e nos fazem relaxar, viajar e ao mesmo tempo experimentar diferentes emoções.

 

Quanto ao nosso olhar sobre o espetáculo, ambos sentimos que existem temas que convidam a olhar para dentro de nós, que nos fazem viajar no nosso interior, assim como temas alegres que nos fazem sonhar e nos transmitem muita paz e serenidade.

 

Gostamos muito, ficamos muito gratos por termos assistido a este maravilhoso concerto, que nos fez relaxar e ao mesmo tempo viajar através dos nossos sentimentos.”

 

Maria de Fátima Anselmo

 

Depoimento 2 de quem assistiu ao concerto:

"No dia 7 de Novembro realizou-se um espectáculo musical no salão nobre da cidade do Porto, o nosso Coliseu. Grandioso espectáculo proporcionado pelo não menos famoso "Rodrigo Leão" e sua orquestra Organização cinco estrelas a cargo de Fidelidade, Uguru e RTP. Espectáculo onde destaco os instrumentos de cordas, dando uma vida extraordinária aos temas cantados e instrumentais. Destaque para a violoncelista, que com os sons do seu violino nos transportava a outros locais. Simplesmente fabuloso! Destaco também o maravilhoso espectáculo de luz e som. Adorei o espectáculo, que terminou com o público aplaudindo de pé com uma grande salva de palmas Um grande agradecimento ao "Bug Latino" e às produções "Uguru" que nos proporcionaram esta inesquecível noite. O nosso muito obrigado."

Inocêncio Belmiro Soares

 

O BUG Latino agradece mais uma vez a gentileza da UGURU Produções e a cortesia dos bilhetes. Muito gratas

 

Link do Site da UGURU Produções

http://www.uguru.net/

Foto 1 e 2 - UGURU Produções

Foto 3 e 4 - Maria de Fátima Anselmo

portalbuglatino
11 de Nov de 2018

Só lamento não ter podido estar nessa sala mágica que é o Coliseu do Porto para me "embriagar" com os sons melódicos que saem dos temas desse grande compositor e intérprete que é o Rodrigo Leão ... Ouço-o muitas vezes porque tenho um disco dele e vejo-o sempre que aparece na TV. A sua música , influenciada por outras culturas que ele conheceu nas suas divagações pelo Mundo , tem os mais variados sons e ritmos . Ele banhou-se nas doces melodias do Oriente , no ritmo e na cor dos sambas brasileiros e inspirou-se nos nossos clássicos para nos transmitir a leveza , a intimidade e a melodia que nos faz voar e sentir essas magias, que nos penetram e nos fazem sonhar ... A sua música agrada a todas as gerações, das mais velhas ( como é o meu caso) às mais jovens, por isso não me admira o entusiasmo com que falam do seu concerto/aniversário, as duas pessoas que tiveram a possibilidade de o ouvir ao vivo, representando o Bug Latino. A primeira fala também do ambiente da sala e da encenação que é sempre esmerada e moderna. Falam ambos do entusiasmo e da vibração que os seus temas provocaram no público. Como eu os compreendo!... Espero ainda ter a possibilidade de o escutar em directo e aconselho a todos a sua música ... Rodrigo Leão é um musico clássico e intemporal e há longos anos já que o escutamos sempre com o mesmo prazer e admiração. Que nos seduza ainda muitos mais anos ...

Maria Lúcia Levert, Strasbourg - França

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  • portalbuglatino
    Out 5

    Imaginava que veria um show, mas uma coisa tão arrebatadora, dramática e comovente não é show – é espetáculo, é teatro, é drama – já que drama é ação e o tempo inteiro ela nos mergulhou em ação dramática. Como vocês sabem, minha especialidade é voz profissional. O que mais faço na vida é ouvir vozes, é uma rotina e pouca coisa me impressiona. Fiquei aturdida com a capacidade vocal, com a qualidade, com o domínio do som, do ritmo, da intensidade. Ela cantou com microfone, sem microfone, dobrada, em cima de escada, encostando a barriga nos joelhos – vocês sabem onde fica o diafragma? Sabem o nível de interferência que se dobrar sobre o diafragma causa à voz? Nem queria aplaudir. Queria muito mais ouvir. Absorver. Um repertório forte, intenso, incrível e novo – o que diante da mesmice atual da MPB é como respirar ar fresco. Em alguns momentos, aquele jeito tão Caymmi, tão Nana de entrar na frase musical – uma assinatura única, genética. 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Os três aturdidos com o que ela mostrou. Foi tanto, tanto que é melhor encerrar do mesmo jeito que ela – de repente. Um pouquinho sem fôlego, mas se eu estivesse no palcão do TCA, fazendo o que ela estava fazendo, cantando dois fados à capela, dançando pra Iansã, performando e transformando cada música numa cena na terra do avô, com a mística que ele deixou e cantou aqui, com a força, a tradição, a lembrança que todos temos... bem... quem não perderia levemente o fôlego? ARREBATADORA. Basta isso. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Apenas um pianista num piano de cauda. A partir de meio do show, mais um músico que toca timbau e depois toca pandeiro. Ambos extraordinários. Um cenário minimalista mas de extremo bom gosto que virou um espetáculo, uma performance, um momento de pura viagem ao interior de cada um que estava na plateia. E o final do show, inusitado, original e inovador. Alice Caymmi é uma artista arrebatadora. Estava no show pensando que, se seu avô, Dorival Caymmi tivesse nascido e vivido nesta época e vivido o que ela viveu, seria igual. Estava pensando que ela é tão surpreendente e fabulosa agora, como seu avô foi na sua época. Bonita, com um sorriso encantador e uma voz....uma voz... Percebem-se as mágoas, as dores, a travessia difícil que fez. Que faz e que fará. E ficamos impressionadas pela sua capacidade: de enfrentar tudo isso, de romper com o instalado, de querer ser quem quer ser, independentemente das vontades alheias ou mais próximas. Como comentou Mariela Brito, a maravilhosa atriz cubana numa entrevista que brevemente sairá no Bug, cada um nasceu para ser o que tem de ser, não o que os outros acham ou dizem para ser. E nos “outros”...coloque quem você quiser...por que tudo que não é você, são os outros. “As palavras são instrumentos de cura” (Alice Caymmi). Como se pode agradecer a uma artista ao, no palco, “exorcizar” as suas dores e as nossas? 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Eu, vou lhe agradecer para sempre pela coragem de abrir um caminho, onde outros podemos passar, e que ninguém nunca teve coragem de fazer. O caminho do que as famílias podem destruir em você, se você não estiver atenta. Tem de existir espaço e respeito para todos. Só por que uns têm tudo, têm a aceitação social e familiar e todo o poder, não é justo que os outros, na marra, não possam ter direito a fazer o seu caminho, por estranho que vos possa parecer. Portugal, França, Holanda, Mundo, se esta maravilha da natureza passar por aí e sempre que passar, tentem não perder. Tem tudo para ser cada vez mais surpreendente, cada vez mais impactante. Alice Caymmi, o Bug Latino se encantou com você e com o mundo que você abriu. Vá, por favor vá em frente. Sempre. O Bug e nós aqui estamos também fazendo a nossa parte desse caminho. Um dia, o caminho virará uma estrada e quem sabe menos pessoas ou nenhumas passarão o que você passou e passa, e que nós Bug e nós Ana Santos e Ana Ribeiro precisamos enfrentar. Que a vida de todos possa ser mais verdadeira e feliz. No final, encontrar na plateia uma pessoa tão querida nossa e do Bug Latino como Moacyr Motta, locutor da Rádio Educadora e um excelente fotógrafo, ainda tornou tudo mais mágico e maravilhoso. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a artista Instagram https://twitter.com/alicecaymmi?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor Facebook https://www.facebook.com/AliceCaymmi/ Vagalume https://www.vagalume.com.br/alice-caymmi/ Letras.mus.br https://www.letras.mus.br/alice-caymmi/ Canal Youtube https://www.youtube.com/channel/UC1nVmno6DrahlYB8abBnjXA Allcance Produções http://www.allcancecomunicacao.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    A peça é dividida em três segmentos distintos. Totalmente distintos. Até em ambientes diferentes. Isso mesmo: você inicia a assistência da peça em um lugar, depois vai para outro e em terceiro lugar, ainda outro. A parte um, adorei – com tantos problemas na Amazônia atualmente, achei o paralelo genial. Destaque para Caio Rodrigo e Daniel Farias. Não entendi a participação daquele instrumento australiano numa cena com nativos da América Latina, mas a sonoridade valeu à pena. Na parte dois, embora o conteúdo dramático tenha me agradado demais, perdi muitas falas. Não por falta de dedicação dos atores que estavam em seu máximo de esforço vocal - até acima – mas porque havia muitos ruídos dos instrumentos em cena, competindo com a voz dos atores. Porém, apesar desses problemas, a dor e o sofrimento, a narrativa de execuções foi incrível, assim como a falta de piedade e uma espécie de procedimento de justificativa para a barbárie – outra relação de pensamento super atual com o que estamos vivendo no momento e que parece não afetar a maior parte das pessoas que ligam a TV e consomem crimes, falcatruas, ódio, enquanto manipulam o celular em busca de outras doses de mesmas coisas. A parte três foi onde achei que a voz de todos “estourou”. E por ser parte da minha vida profissional gerir e controlar a emissão vocal das pessoas fiquei mesmo desconcentrada com o tamanho do esforço. Num momento onde há tanto em jogo no Brasil e onde se acumulam conceitos totalmente equivocados sobre heróis e ideologias, Teatro la Independencia aponta um continente muitas vezes desencontrado e que procura definir-se por conceitos e não conviver com harmonia – uma aula diante de interesses políticos, econômicos e individuais a qual estamos submetidos sob as mais diferentes utopias, descritas em verso e prosa – uma aula de que o real desgoverno pode ser nosso, que continuamos seguindo nossas próprias ilusões travestidas de pessoas, personalidades – grande erro. Acima de tudo Teatro la Independencia fala do papel do teatro no mundo, independentemente de quem estiver no poder – o teatro é um espelho humano poderoso, que lá estava neste espetáculo, voltado para as nossas idiossincrasias todas – vamos nos vender totalmente? Há preocupação social real num investidor que pretende apenas retorno financeiro? O teatro pode ser vender a qualquer interesse para sobreviver? Quem responde? Quem ousa responder? ANA RIBEIRO Diretora de teatro, cinema e TV A peça provoca algum desconforto físico ao espectador de forma intencional se movendo constantemente. Procura provocar outros desconfortos ao trazer inquietações e mesmo discussões. Os espaços e imóveis que se alteram de acordo com os donos, a função e o poder do mundo económico. As discussões que tudo isso provoca, as opiniões de cada pessoa, diferentes, parecidas, conciliadoras, conflituosas. Os que discutem, os que observam, os que organizam enquanto uns discutem e outros observam. Os que organizam não perdem tempo, os que observam têm particular motivação para nada fazer e criticar quem faz e os que discutem têm muita dificuldade em terminar as discussões e passar a ação. Achei esta parte da peça particularmente interessante. Também bastante exigente por que para um ator é difícil estar em palco “parecendo que não está”. Muitos atores não conseguem manter o foco sempre. Muitos atores perdem o olhar, o corpo e o envolvimento por não conseguirem se manter nesse espécie de limbo. E é aí que o ator precisa de manter o seu foco mais forte, para que a plateia não perceba momentos em que ele “sai de cena”. Basta um segundo. Talvez todo o corpo possa se manter em cena mas se o olhar muda, ele desmorona toda a construção e esforço. Numa peça que dura 2 horas, isso é muito difícil para um ator. A peça circula constantemente entre essa zona “real” e outros mundos como as discussões sobre os indígenas, sobre o sofrimento histórico dos povos, sobre D. Quixote. Complexa e muito variada. Senti a peça um pouco longa, com muitos assuntos, abordagens ou pontos de vista. Às vezes querer dizer muito pode provocar no espectador alguma confusão no que a peça quer. Tive momentos de dificuldade em entender a dicção de alguns atores, talvez pela rapidez com que falavam. E me pareceu que a emoção da peça se perdeu um pouco por causa disso. Uma peça tipicamente baiana, onde os corpos e as vozes cantam e dançam e se misturam. Movimento, desconstrução, ousadia...isso será sempre Bahia. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-nuremberg Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    Os estudos acadêmicos, o comportamento neutro, absolutamente neutro, afavelmente neutro, dolorosamente neutro dos ingleses consegue apagar o furor, o fogo, a energia de se ver e de ver o mundo através de uma ótica atravessada por uma história africana? Neutraliza-se preconceitos? Como afinal cada um de nós passa por eles para apenas sermos quem somos, sem comparações? Fulana, negra do cabelo bom, Sicrano, branco do cabelo ruim – o que é a qualidade ruim ou bom para cabelo? Exatamente. O que somos, exatamente? Porque, sem este saber exato, qual o fundamento do preconceito? Ah, ok, somos diferentes e a diferença é a marca do preconceito. Mas - quem é igual? Black River mergulha num universo indistinto que tentamos ingenuamente distinguir – a diferença. Num mundo que distingue cada vez mais diferenças, mas não assume uma lógica de igualdades, a peça vem mesmo a calhar. E ver Patrick Campbell para além do ponto de vista de meu colega de classe, no mestrado, foi um presente, uma honra. Uma voz pura, dona de muitos sotaques, acentos melódicos e prosódias, Patrick conta histórias que detém a estranheza de quem somos e nossos pequenos e não percebidos preconceitos cotidianos, colocando-se no lugar de quem viu de onde veio e aponta com clareza – somos quem somos e somos misturados. No Brasil então, é um debate cansado, à medida em que ninguém pode se sentir fundamentado em uma única raça para falar e, assumindo nossa mestiçagem, para quê falar? Com que moral, que raciocínio? Um debate que esgota as nossas reservas de lucidez, sendo estúpido – e por isso mesmo cada vez mais necessário. Há um ponto de partida para a humanidade e ele é miscigenado, caro leitor. Em sua performance, Patrick, branco, olhos azuis, inglês de sentimentos neutros e cabelos encaracolados, aponta seu avô negro, seus tios mestiços e ele – branco, do cabelo “nem tão bom assim”. E ao fazer isso a si mesmo, ao designar-se mestiço, levanta a questão do racismo com determinação e excelente interpretação, com domínio da voz e todos os seus meneios. Uma pena tê-lo visto tão pouco tempo e usufruído de seu trabalho apenas nesta apresentação. Espetáculo imperdível. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Peça falada em inglês e português do Brasil. Vários sotaques, cantos, cânticos e danças africanas, caribenhas. Uma “mescla” de culturas, de línguas, de personagens. Apenas um ator. Patrick Campbell criou uma peça totalmente sua, que inclusive, inclui a sua história. Muito interessante e culturalmente rica. Pouco cenário, pouco figurino, pouca iluminação. Uma peça de produção simples. Eu gosto e admiro atores que fazem peças assim. Julgo que esta forma de teatro, de contador de histórias, de contador da sua própria história é muito importante no momento em que vivemos. Partilhar experiências, partilhar sofrimentos, partilhar a forma de lidar com tudo o que dói ou nos faz feliz pode nos salvar. Nunca nos salvará atacar ou impedir o sucesso do outro, diminuir o que os outros fazem de bem. O Brasil está em ebulição e prestes a explodir por que quase todas as pessoas estão a preferir aumentar os problemas e a preferir destruir para apenas vencer? Vencer o quê? As pessoas têm de se entender. Ou no final de todas as tentativas falhadas, se respeitar e viver cada um a sua vida sem atrapalhar a vida dos outros. O ator conta a sua história, sob o ponto de vista da diversidade de cores de pele, cultura e vida das pessoas da sua família. Uma mistura de escravos, donos de fazendas, etc, etc. Pontos de vista opostos, vidas abonadas e vidas de sofrimento numa mesma família. Injustiças, tragédias, marcas que ficam para sempre nos que vêm depois. O ator de alguma forma tenta mostrar seu sofrimento, sua angústia e parece querer mostrar a todos nós que não adianta ficar preso a mágoas, por maior sofrimento que se tenha passado. Gostei da forma original como confronta a ciência, a investigação, a pesquisa, a cultura, as raízes, a terra. Uma peça que seria bem recebida em Portugal. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-o-outro-lado-de-todas-as-cois Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/

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