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26 de Nov de 2018

Peter Evans e Orquestra Jazz de Matosinhos - “Perception beyond knowing” (Porto, 2018)

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Editado: 26 de Nov de 2018

 

Com o Bug vamos a tantos lugares diferentes, nunca experimentados e muitas vezes surpreendentes. Pode contar que Peter Evans se apresentando com a Orquestra de Jazz de Matosinhos é um desses lugares. Nem vou falar pessoa/pessoas porque a gente faz mesmo uma viagem interior por melodias não comuns, mas com extrema harmonia.

 

É incrível nós termos sido capazes de sair de músicas totalmente marcadas, como os grandes clássicos todos pra evoluirmos na direção da criatividade absoluta, tudo em poucos anos – 2 séculos? E se sabemos de onde vem a base do domínio do instrumento, sabemos também hoje do virtuosismo, do inesperado, da curva escura que nos coloca cara a cara com a surpresa total da arte – de novo “in natura”, em sua plena expressão criativa.

 

Peter Evans é um som difícil. A gente precisa acostumar a nossa cabeça condicionada pelos sons do mundo a quebrar tudo pra conseguir ver o que ele tem a dar. E nossa, ele e a Orquestra de Jazz de Matosinhos deram “SHOW”!

 

Pra quem está acostumado a ir aos shows pra “tirar o pé do chão” e jogar energia pra cima, Peter Evans é um convite pra chacoalhar a mente e sair do concerto novinha em folha. Vibrante, super rítmico, sensacional, adorei, foi 10!

 

Ana Ribeiro, Diretora de televisão, cinema e teatro

 

Peter Evans, trompetista e compositor norte-americano, referência do jazz mais experimental e a Orquestra Jazz de Matosinhos juntos pela primeira vez.

 

Parabéns à Casa da Música por mais um desafio, uma inovação e um novo caminho. Espaço cultural de destaque mundial e um orgulho para quem é português e do Porto.

 

Parabéns à Orquestra Jazz de Matosinhos pela sua competência, ousadia e contínuo movimento em direções inesperadas. Vinte anos de um caminho aventureiro e honroso e com muito ainda para concretizar. Medalha de mérito cultural e com uma nova casa, como sempre desejou e como sempre mereceu. A Câmara Municipal de Matosinhos permitindo e concretizando sonhos. Uma honra para Portugal e Matosinhos.

 

Peter Evans um explorador das várias possibilidades de som, às vezes esgrimindo, discutindo, confrontando, inventando diálogos entre sons e pensamentos. Por vezes, procurando os seus limites “pulmonares”, de persistência e de mergulho no desconhecido. Muitas vezes parece uma luta e diálogo consigo mesmo. Especialista em improvisação livre - colisão de composição e desempenho.

 

Um exímio conhecedor do instrumento musical que usa sempre até às últimas possibilidades. Capacidade pulmonar e respiratória de um atleta. Simplesmente impressionante.

 

“Acho que me foi ensinado trompete para eu ficar longe de encrencas. Entrei na música primeiro e o trompete foi algo secundário. Toquei numa orquestra e foi aí que fiquei fascinado pela composição. Achei semelhante ao cubo de Rubik, pelas várias possibilidades de chegar ao resultado ou a vários resultados e também me fazia lembrar Jazz que eu já ouvia – Coltrane, Powell. A partir desse fascínio, o instrumento musical apenas virou uma plataforma para eu explorar música.”

Peter Evans

 

Peter, como todos nós, procura uma forma de comunicar e interagir. De se descobrir, transformar, amadurecer, se surpreender com os outros e consigo mesmo. De fazer amigos. Apenas o faz com o trompete e de forma inigualável.

 

“Todos os mestres de improvisação têm uma técnica insana. É essa habilidade que lhes permite fluir pelo desconhecido.” Peter Evans

 

Como acontece consigo e com quem o ouve.

 

O BUG Latino agradece o profissionalismo, gentileza e cortesia dos bilhetes, da Casa da Música, particularmente Cândida Colaço Monteiro. Muito gratas

 

Ana Santos, professora e jornalista

 

Site da Orquestra Jazz de Matosinhos

http://www.ojm.pt/pt/

 

“Um final de tarde diferente e inovador, foi animado e promovido pelos músicos da Orquestra de Jazz de Matosinhos e pelo Peter Evans.

 

Peter, que tem um estilo musical "diferente" para quem não o quiser chamar de "ÚNICO", contagiou os músicos da orquestra com essa forma tão própria de mostrar que um instrumento não esta restrito apenas as notas clássicas que conhecemos mas sim, é um Mundo de sons e tons diferentes e únicos.

 

A Orquestra contagiada, mostrou a sua capacidade de uma forma excelente, mostrou pelas mãos dos seus músicos a sua qualidade e capacidade de inovar tal como Peter Evans faz com o seu Trompete.

 

Um espetáculo marcado pela diferença, ousadia, inovação e auto-superação, que deleitou os amantes de música que se encontravam na sala Suggia da Casa da Música.”

Rúben Resende

 

"Assistir ao concerto de Peter Evans e a Orquestra Jazz de Matosinhos, foi poder constatar que o artista principal elevou ao extremo e ao limite, o que seria expectável ouvir de um Trompete. Foi também notória, a adaptação da Orquestra ao artista e vice versa, o que fez com que houvesse uma perfeita harmonia/sintonia musical de ambos os intervenientes. Para que tal funcionasse na perfeição, há que realçar as condições proporcionadas pela Casa da Música mais concretamente a sala Suggia."

Delfim Resende

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  • portalbuglatino
    Out 5

    Imaginava que veria um show, mas uma coisa tão arrebatadora, dramática e comovente não é show – é espetáculo, é teatro, é drama – já que drama é ação e o tempo inteiro ela nos mergulhou em ação dramática. Como vocês sabem, minha especialidade é voz profissional. O que mais faço na vida é ouvir vozes, é uma rotina e pouca coisa me impressiona. Fiquei aturdida com a capacidade vocal, com a qualidade, com o domínio do som, do ritmo, da intensidade. Ela cantou com microfone, sem microfone, dobrada, em cima de escada, encostando a barriga nos joelhos – vocês sabem onde fica o diafragma? Sabem o nível de interferência que se dobrar sobre o diafragma causa à voz? Nem queria aplaudir. Queria muito mais ouvir. Absorver. Um repertório forte, intenso, incrível e novo – o que diante da mesmice atual da MPB é como respirar ar fresco. Em alguns momentos, aquele jeito tão Caymmi, tão Nana de entrar na frase musical – uma assinatura única, genética. 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Um dia, o caminho virará uma estrada e quem sabe menos pessoas ou nenhumas passarão o que você passou e passa, e que nós Bug e nós Ana Santos e Ana Ribeiro precisamos enfrentar. Que a vida de todos possa ser mais verdadeira e feliz. No final, encontrar na plateia uma pessoa tão querida nossa e do Bug Latino como Moacyr Motta, locutor da Rádio Educadora e um excelente fotógrafo, ainda tornou tudo mais mágico e maravilhoso. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a artista Instagram https://twitter.com/alicecaymmi?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor Facebook https://www.facebook.com/AliceCaymmi/ Vagalume https://www.vagalume.com.br/alice-caymmi/ Letras.mus.br https://www.letras.mus.br/alice-caymmi/ Canal Youtube https://www.youtube.com/channel/UC1nVmno6DrahlYB8abBnjXA Allcance Produções http://www.allcancecomunicacao.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    A peça é dividida em três segmentos distintos. Totalmente distintos. Até em ambientes diferentes. Isso mesmo: você inicia a assistência da peça em um lugar, depois vai para outro e em terceiro lugar, ainda outro. A parte um, adorei – com tantos problemas na Amazônia atualmente, achei o paralelo genial. Destaque para Caio Rodrigo e Daniel Farias. Não entendi a participação daquele instrumento australiano numa cena com nativos da América Latina, mas a sonoridade valeu à pena. Na parte dois, embora o conteúdo dramático tenha me agradado demais, perdi muitas falas. Não por falta de dedicação dos atores que estavam em seu máximo de esforço vocal - até acima – mas porque havia muitos ruídos dos instrumentos em cena, competindo com a voz dos atores. Porém, apesar desses problemas, a dor e o sofrimento, a narrativa de execuções foi incrível, assim como a falta de piedade e uma espécie de procedimento de justificativa para a barbárie – outra relação de pensamento super atual com o que estamos vivendo no momento e que parece não afetar a maior parte das pessoas que ligam a TV e consomem crimes, falcatruas, ódio, enquanto manipulam o celular em busca de outras doses de mesmas coisas. A parte três foi onde achei que a voz de todos “estourou”. E por ser parte da minha vida profissional gerir e controlar a emissão vocal das pessoas fiquei mesmo desconcentrada com o tamanho do esforço. Num momento onde há tanto em jogo no Brasil e onde se acumulam conceitos totalmente equivocados sobre heróis e ideologias, Teatro la Independencia aponta um continente muitas vezes desencontrado e que procura definir-se por conceitos e não conviver com harmonia – uma aula diante de interesses políticos, econômicos e individuais a qual estamos submetidos sob as mais diferentes utopias, descritas em verso e prosa – uma aula de que o real desgoverno pode ser nosso, que continuamos seguindo nossas próprias ilusões travestidas de pessoas, personalidades – grande erro. Acima de tudo Teatro la Independencia fala do papel do teatro no mundo, independentemente de quem estiver no poder – o teatro é um espelho humano poderoso, que lá estava neste espetáculo, voltado para as nossas idiossincrasias todas – vamos nos vender totalmente? Há preocupação social real num investidor que pretende apenas retorno financeiro? O teatro pode ser vender a qualquer interesse para sobreviver? Quem responde? Quem ousa responder? ANA RIBEIRO Diretora de teatro, cinema e TV A peça provoca algum desconforto físico ao espectador de forma intencional se movendo constantemente. Procura provocar outros desconfortos ao trazer inquietações e mesmo discussões. Os espaços e imóveis que se alteram de acordo com os donos, a função e o poder do mundo económico. As discussões que tudo isso provoca, as opiniões de cada pessoa, diferentes, parecidas, conciliadoras, conflituosas. Os que discutem, os que observam, os que organizam enquanto uns discutem e outros observam. Os que organizam não perdem tempo, os que observam têm particular motivação para nada fazer e criticar quem faz e os que discutem têm muita dificuldade em terminar as discussões e passar a ação. Achei esta parte da peça particularmente interessante. Também bastante exigente por que para um ator é difícil estar em palco “parecendo que não está”. Muitos atores não conseguem manter o foco sempre. Muitos atores perdem o olhar, o corpo e o envolvimento por não conseguirem se manter nesse espécie de limbo. E é aí que o ator precisa de manter o seu foco mais forte, para que a plateia não perceba momentos em que ele “sai de cena”. Basta um segundo. Talvez todo o corpo possa se manter em cena mas se o olhar muda, ele desmorona toda a construção e esforço. Numa peça que dura 2 horas, isso é muito difícil para um ator. A peça circula constantemente entre essa zona “real” e outros mundos como as discussões sobre os indígenas, sobre o sofrimento histórico dos povos, sobre D. Quixote. Complexa e muito variada. Senti a peça um pouco longa, com muitos assuntos, abordagens ou pontos de vista. Às vezes querer dizer muito pode provocar no espectador alguma confusão no que a peça quer. Tive momentos de dificuldade em entender a dicção de alguns atores, talvez pela rapidez com que falavam. E me pareceu que a emoção da peça se perdeu um pouco por causa disso. Uma peça tipicamente baiana, onde os corpos e as vozes cantam e dançam e se misturam. Movimento, desconstrução, ousadia...isso será sempre Bahia. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-nuremberg Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    Os estudos acadêmicos, o comportamento neutro, absolutamente neutro, afavelmente neutro, dolorosamente neutro dos ingleses consegue apagar o furor, o fogo, a energia de se ver e de ver o mundo através de uma ótica atravessada por uma história africana? Neutraliza-se preconceitos? Como afinal cada um de nós passa por eles para apenas sermos quem somos, sem comparações? Fulana, negra do cabelo bom, Sicrano, branco do cabelo ruim – o que é a qualidade ruim ou bom para cabelo? Exatamente. O que somos, exatamente? Porque, sem este saber exato, qual o fundamento do preconceito? Ah, ok, somos diferentes e a diferença é a marca do preconceito. Mas - quem é igual? Black River mergulha num universo indistinto que tentamos ingenuamente distinguir – a diferença. Num mundo que distingue cada vez mais diferenças, mas não assume uma lógica de igualdades, a peça vem mesmo a calhar. E ver Patrick Campbell para além do ponto de vista de meu colega de classe, no mestrado, foi um presente, uma honra. Uma voz pura, dona de muitos sotaques, acentos melódicos e prosódias, Patrick conta histórias que detém a estranheza de quem somos e nossos pequenos e não percebidos preconceitos cotidianos, colocando-se no lugar de quem viu de onde veio e aponta com clareza – somos quem somos e somos misturados. No Brasil então, é um debate cansado, à medida em que ninguém pode se sentir fundamentado em uma única raça para falar e, assumindo nossa mestiçagem, para quê falar? Com que moral, que raciocínio? Um debate que esgota as nossas reservas de lucidez, sendo estúpido – e por isso mesmo cada vez mais necessário. Há um ponto de partida para a humanidade e ele é miscigenado, caro leitor. Em sua performance, Patrick, branco, olhos azuis, inglês de sentimentos neutros e cabelos encaracolados, aponta seu avô negro, seus tios mestiços e ele – branco, do cabelo “nem tão bom assim”. E ao fazer isso a si mesmo, ao designar-se mestiço, levanta a questão do racismo com determinação e excelente interpretação, com domínio da voz e todos os seus meneios. Uma pena tê-lo visto tão pouco tempo e usufruído de seu trabalho apenas nesta apresentação. Espetáculo imperdível. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Peça falada em inglês e português do Brasil. Vários sotaques, cantos, cânticos e danças africanas, caribenhas. Uma “mescla” de culturas, de línguas, de personagens. Apenas um ator. Patrick Campbell criou uma peça totalmente sua, que inclusive, inclui a sua história. Muito interessante e culturalmente rica. Pouco cenário, pouco figurino, pouca iluminação. Uma peça de produção simples. Eu gosto e admiro atores que fazem peças assim. Julgo que esta forma de teatro, de contador de histórias, de contador da sua própria história é muito importante no momento em que vivemos. Partilhar experiências, partilhar sofrimentos, partilhar a forma de lidar com tudo o que dói ou nos faz feliz pode nos salvar. Nunca nos salvará atacar ou impedir o sucesso do outro, diminuir o que os outros fazem de bem. O Brasil está em ebulição e prestes a explodir por que quase todas as pessoas estão a preferir aumentar os problemas e a preferir destruir para apenas vencer? Vencer o quê? As pessoas têm de se entender. Ou no final de todas as tentativas falhadas, se respeitar e viver cada um a sua vida sem atrapalhar a vida dos outros. O ator conta a sua história, sob o ponto de vista da diversidade de cores de pele, cultura e vida das pessoas da sua família. Uma mistura de escravos, donos de fazendas, etc, etc. Pontos de vista opostos, vidas abonadas e vidas de sofrimento numa mesma família. Injustiças, tragédias, marcas que ficam para sempre nos que vêm depois. O ator de alguma forma tenta mostrar seu sofrimento, sua angústia e parece querer mostrar a todos nós que não adianta ficar preso a mágoas, por maior sofrimento que se tenha passado. Gostei da forma original como confronta a ciência, a investigação, a pesquisa, a cultura, as raízes, a terra. Uma peça que seria bem recebida em Portugal. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-o-outro-lado-de-todas-as-cois Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/

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