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14 de Mai de 2018

Peça de Teatro "A Puta e o Palhaço"

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Para além da absoluta falta de placas, que parece uma coisa meio kármica em Salvador porque não tem em nenhum lugar necessário, foi um prazer enorme rever Cibele,

- minha aluna querida, fofa, sempre com um sorriso tipo chave-mestra.Vocês, ao final da peça, pediram contribuições. Queremos muito contribuir por uma série de motivos, principalmente porque o nosso teatro está precisando desesperadamente entender e se entender com alguns conceitos "peculiares" acerca de cultura e arte.

Adoro o conceito. Adoro a simplicidade do tema. É como um soco na cara: a puta e o palhaço. Essa solidão compartilhada com a qual seguimos fingindo que está bom. Sensacional.

A entrada de Cibele foi também sensacional. Me provocar também. Adorei. Aí aparece o primeiro problema fácil de resolver: Cibele está falando sem analisar o espaço sonoro. Então lá vai a dica: está falando para quem? Este quem, está em qual direção? Se você ficar em busca do miolo da plateia, acerta. Aí a flutuação entre a voz gritada e inaudível, acaba. Você fala alto ou baixo. Mas sempre compreensível.

Senti muita falta da troca, no palco, entre a puta e o palhaço. Numa metáfora muito próxima de nós, pois somos os dois (a puta e o palhaço) no Brasil, no mundo. Senti falta de um pouco mais de texto. Senti falta de corpo. Senti falta de falas, de perguntas desaforadas, de respostas malcriadas, de piadas de mau gosto - tudo do palhaço. E com o palhaço, tenho certeza de que a puta vai crescer loucamente e o trabalho vai evoluir, com certeza, porque a ideia é genial. Senti falta talvez dessa violência que a vida tem nos obrigado a conviver... O palhaço precisa interagir.

Adoraria ver de novo, reanalisar, retribuir o carinho que recebi de todos.

Uma peça que precisa de público para amadurecer ainda mais e - quem sabe? - de um pouco mais de amadurecimento por parte do respeitável público quando for votar(?) - porque ninguém merece fazer papel de palhaço ou de puta a vida inteira, né?

 

Ana Ribeiro - voz e direção de teatro, cinema e TV.

 

 

 

Sou gringa, com pensamento de gringa. Me perdoem se for muito ríspida.

Quando entramos com o carro para estacionar pensei que se tivesse muita gente ia ser difícil entrar e sair, estacionar. Mas deu tudo certo. Depois atravessamos quase o Forte do Barbalho todo a pé para chegar ao Galpão. Não víamos ninguém a quem perguntar e quando víamos não sabiam onde era. Uma aventura. Mas o lugar é lindo, histórico e parece já ter muita cultura por ali se mexendo. Muito legal.

Umas placas de informação iam ajudar muito...os gringos!

Lá chegamos ao galpão. Muito fofo, um espaço onde nos sentimos muito bem. O público se coloca para assistir dentro do cenário. Gosto muito disso. Cenário que te envolve no tema, nas dores, nas questões da peça.

Atores interagem com o público. Difícil esse exercício, porque se o público aceita é espetacular, se não aceita é duro. Mas os atores foram intensos, expressivos, lançaram provocações interessantes. Só fiquei confusa com o fato do público ter de desligar o celular antes do espetáculo e depois no meio do espetáculo, a atriz pedir para tirar uma selfie....celular necessita de ligar...tudo perde um pouco o timing...

A peça está curta. Sim, explicaram que está em formação, mas por favor não vão construindo até ficar com duas horas como em algumas peças porque fica uma tortura para o público.

Vocês abordaram temas fundamentais na vida de todos no mundo, preocupantes, que precisam ser falados. Parabéns pela coragem. Estamos todos ficando sós no meio de multidões. Não temos com quer realmente contar quando precisamos de falar, ou temos necessidades. O Bug Latino está nessa luta e ficamos super felizes por saber que vocês também estão. Vamos pensar em colaborar de alguma forma. Os que se interessam, se preocupam, precisam se unir.

Corpo - O palhaço precisa de estar mais presente, seu corpo precisa de falar mais. E ele tem um corpo muito fofo, é muito expressivo. A atriz tem um corpo provocador desde o início e...subitamente sua energia desaparece e termina a peça. Faltaram abraços, toques de mão nas pessoas, contatos com o público de amizade, de conforto, de proteção, talvez.

Tenho muita dificuldade em ver atores fumar e beber álcool em palco. Por que não usar a mímesis? Acho que precisamos inovar e fazer novos caminhos.

Continuo a não entender por que no final da peça os atores precisam falar. A peça deveria dizer o que querem dizer.

Finalmente, adorei a peça! No final da peça fomos jantar e ficamos horas, horas a conversar sobre o tema da peça. Muito, muito grata pelo momento que me proporcionaram na vida.

Ana Santos - Corpo

 

LOCAL:

Galpão Wilson Mello, no Forte do Barbalho

 

 

 

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  • portalbuglatino
    Out 5

    Imaginava que veria um show, mas uma coisa tão arrebatadora, dramática e comovente não é show – é espetáculo, é teatro, é drama – já que drama é ação e o tempo inteiro ela nos mergulhou em ação dramática. Como vocês sabem, minha especialidade é voz profissional. O que mais faço na vida é ouvir vozes, é uma rotina e pouca coisa me impressiona. Fiquei aturdida com a capacidade vocal, com a qualidade, com o domínio do som, do ritmo, da intensidade. Ela cantou com microfone, sem microfone, dobrada, em cima de escada, encostando a barriga nos joelhos – vocês sabem onde fica o diafragma? Sabem o nível de interferência que se dobrar sobre o diafragma causa à voz? Nem queria aplaudir. Queria muito mais ouvir. Absorver. Um repertório forte, intenso, incrível e novo – o que diante da mesmice atual da MPB é como respirar ar fresco. Em alguns momentos, aquele jeito tão Caymmi, tão Nana de entrar na frase musical – uma assinatura única, genética. Em outros momentos, cultura musical, o nível de exigência na escolha de repertório que nasce de ouvir pessoas exigentes ouvindo e comentando música. Que espécie de menina é essa? No meio de pessoas iguais, com botox, dentes branqueados, “preenchidas” nas bochechas, nas faces, nas rugas, aparece uma pessoa de cabeça raspada na máquina 2, deliciosamente acima do peso, gritando emocionalmente “sou como vocês, faço parte da vida normal” – só que não – mas quando abre a boca pra cantar, deixa todos com a boca aberta de espanto. Saiu do palco cantando Marilia Medalha e de um jeito tão único que a plateia não teve tempo pra aplaudir, pra pedir bis. Apenas ficamos ali sentados, sem saber muito bem o que dizer uns aos outros. “E aí véi, cadê ela”? – era o que se ouvia em toda parte. Ali ficamos eu e Ana sentadas, cobertas com a nossa “manta Bug”. Quando levantamos, encontramos Moacyr Motta que estava tão surpreso quanto a gente. Nós três ouvintes ávidos de voz. Os três aturdidos com o que ela mostrou. Foi tanto, tanto que é melhor encerrar do mesmo jeito que ela – de repente. Um pouquinho sem fôlego, mas se eu estivesse no palcão do TCA, fazendo o que ela estava fazendo, cantando dois fados à capela, dançando pra Iansã, performando e transformando cada música numa cena na terra do avô, com a mística que ele deixou e cantou aqui, com a força, a tradição, a lembrança que todos temos... bem... quem não perderia levemente o fôlego? ARREBATADORA. Basta isso. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Apenas um pianista num piano de cauda. A partir de meio do show, mais um músico que toca timbau e depois toca pandeiro. Ambos extraordinários. Um cenário minimalista mas de extremo bom gosto que virou um espetáculo, uma performance, um momento de pura viagem ao interior de cada um que estava na plateia. E o final do show, inusitado, original e inovador. Alice Caymmi é uma artista arrebatadora. Estava no show pensando que, se seu avô, Dorival Caymmi tivesse nascido e vivido nesta época e vivido o que ela viveu, seria igual. Estava pensando que ela é tão surpreendente e fabulosa agora, como seu avô foi na sua época. Bonita, com um sorriso encantador e uma voz....uma voz... Percebem-se as mágoas, as dores, a travessia difícil que fez. Que faz e que fará. E ficamos impressionadas pela sua capacidade: de enfrentar tudo isso, de romper com o instalado, de querer ser quem quer ser, independentemente das vontades alheias ou mais próximas. Como comentou Mariela Brito, a maravilhosa atriz cubana numa entrevista que brevemente sairá no Bug, cada um nasceu para ser o que tem de ser, não o que os outros acham ou dizem para ser. E nos “outros”...coloque quem você quiser...por que tudo que não é você, são os outros. “As palavras são instrumentos de cura” (Alice Caymmi). Como se pode agradecer a uma artista ao, no palco, “exorcizar” as suas dores e as nossas? Não somos Caymmi’s, mas às vezes tudo é tão igual. Principalmente a dor, a incompreensão e a travessia. Principalmente quando se institui que você será, ou não será “alguém” de acordo com os desejos de terceiros. Os que tiveram a vida tranquila, serena e “embalada”, normalmente são muito tranquilos. Por que seriam de outra forma? Mas, e se tivessem tido obstáculos, vários, imensos, dolorosos? E olhares duvidosos sobre o seu caminho? Talvez tivessem sido agressivos, antissociais, etc... até ridículos. Ai, vida, vida... É tão fácil falar e tão fácil apontar quando tudo nos é fácil e tudo nos é oferecido. Em cada palavra, cada som, cada performance, Alice é diferença, é impacto, é terapia. Ainda bem que não foi para o caminho fácil do “negócio” musical. Teve uma educação musical e vocal de excelência, conhecimento cênico fora da “caixa” e amadureceu com o sofrimento e, graças a Deus optou por fazer algo que construa, que faça a diferença. Eu, vou lhe agradecer para sempre pela coragem de abrir um caminho, onde outros podemos passar, e que ninguém nunca teve coragem de fazer. O caminho do que as famílias podem destruir em você, se você não estiver atenta. Tem de existir espaço e respeito para todos. Só por que uns têm tudo, têm a aceitação social e familiar e todo o poder, não é justo que os outros, na marra, não possam ter direito a fazer o seu caminho, por estranho que vos possa parecer. Portugal, França, Holanda, Mundo, se esta maravilha da natureza passar por aí e sempre que passar, tentem não perder. Tem tudo para ser cada vez mais surpreendente, cada vez mais impactante. Alice Caymmi, o Bug Latino se encantou com você e com o mundo que você abriu. Vá, por favor vá em frente. Sempre. O Bug e nós aqui estamos também fazendo a nossa parte desse caminho. Um dia, o caminho virará uma estrada e quem sabe menos pessoas ou nenhumas passarão o que você passou e passa, e que nós Bug e nós Ana Santos e Ana Ribeiro precisamos enfrentar. Que a vida de todos possa ser mais verdadeira e feliz. No final, encontrar na plateia uma pessoa tão querida nossa e do Bug Latino como Moacyr Motta, locutor da Rádio Educadora e um excelente fotógrafo, ainda tornou tudo mais mágico e maravilhoso. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a artista Instagram https://twitter.com/alicecaymmi?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor Facebook https://www.facebook.com/AliceCaymmi/ Vagalume https://www.vagalume.com.br/alice-caymmi/ Letras.mus.br https://www.letras.mus.br/alice-caymmi/ Canal Youtube https://www.youtube.com/channel/UC1nVmno6DrahlYB8abBnjXA Allcance Produções http://www.allcancecomunicacao.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    A peça é dividida em três segmentos distintos. Totalmente distintos. Até em ambientes diferentes. Isso mesmo: você inicia a assistência da peça em um lugar, depois vai para outro e em terceiro lugar, ainda outro. A parte um, adorei – com tantos problemas na Amazônia atualmente, achei o paralelo genial. Destaque para Caio Rodrigo e Daniel Farias. Não entendi a participação daquele instrumento australiano numa cena com nativos da América Latina, mas a sonoridade valeu à pena. Na parte dois, embora o conteúdo dramático tenha me agradado demais, perdi muitas falas. Não por falta de dedicação dos atores que estavam em seu máximo de esforço vocal - até acima – mas porque havia muitos ruídos dos instrumentos em cena, competindo com a voz dos atores. Porém, apesar desses problemas, a dor e o sofrimento, a narrativa de execuções foi incrível, assim como a falta de piedade e uma espécie de procedimento de justificativa para a barbárie – outra relação de pensamento super atual com o que estamos vivendo no momento e que parece não afetar a maior parte das pessoas que ligam a TV e consomem crimes, falcatruas, ódio, enquanto manipulam o celular em busca de outras doses de mesmas coisas. A parte três foi onde achei que a voz de todos “estourou”. E por ser parte da minha vida profissional gerir e controlar a emissão vocal das pessoas fiquei mesmo desconcentrada com o tamanho do esforço. Num momento onde há tanto em jogo no Brasil e onde se acumulam conceitos totalmente equivocados sobre heróis e ideologias, Teatro la Independencia aponta um continente muitas vezes desencontrado e que procura definir-se por conceitos e não conviver com harmonia – uma aula diante de interesses políticos, econômicos e individuais a qual estamos submetidos sob as mais diferentes utopias, descritas em verso e prosa – uma aula de que o real desgoverno pode ser nosso, que continuamos seguindo nossas próprias ilusões travestidas de pessoas, personalidades – grande erro. Acima de tudo Teatro la Independencia fala do papel do teatro no mundo, independentemente de quem estiver no poder – o teatro é um espelho humano poderoso, que lá estava neste espetáculo, voltado para as nossas idiossincrasias todas – vamos nos vender totalmente? Há preocupação social real num investidor que pretende apenas retorno financeiro? O teatro pode ser vender a qualquer interesse para sobreviver? Quem responde? Quem ousa responder? ANA RIBEIRO Diretora de teatro, cinema e TV A peça provoca algum desconforto físico ao espectador de forma intencional se movendo constantemente. Procura provocar outros desconfortos ao trazer inquietações e mesmo discussões. Os espaços e imóveis que se alteram de acordo com os donos, a função e o poder do mundo económico. As discussões que tudo isso provoca, as opiniões de cada pessoa, diferentes, parecidas, conciliadoras, conflituosas. Os que discutem, os que observam, os que organizam enquanto uns discutem e outros observam. Os que organizam não perdem tempo, os que observam têm particular motivação para nada fazer e criticar quem faz e os que discutem têm muita dificuldade em terminar as discussões e passar a ação. Achei esta parte da peça particularmente interessante. Também bastante exigente por que para um ator é difícil estar em palco “parecendo que não está”. Muitos atores não conseguem manter o foco sempre. Muitos atores perdem o olhar, o corpo e o envolvimento por não conseguirem se manter nesse espécie de limbo. E é aí que o ator precisa de manter o seu foco mais forte, para que a plateia não perceba momentos em que ele “sai de cena”. Basta um segundo. Talvez todo o corpo possa se manter em cena mas se o olhar muda, ele desmorona toda a construção e esforço. Numa peça que dura 2 horas, isso é muito difícil para um ator. A peça circula constantemente entre essa zona “real” e outros mundos como as discussões sobre os indígenas, sobre o sofrimento histórico dos povos, sobre D. Quixote. Complexa e muito variada. Senti a peça um pouco longa, com muitos assuntos, abordagens ou pontos de vista. Às vezes querer dizer muito pode provocar no espectador alguma confusão no que a peça quer. Tive momentos de dificuldade em entender a dicção de alguns atores, talvez pela rapidez com que falavam. E me pareceu que a emoção da peça se perdeu um pouco por causa disso. Uma peça tipicamente baiana, onde os corpos e as vozes cantam e dançam e se misturam. Movimento, desconstrução, ousadia...isso será sempre Bahia. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-nuremberg Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    Os estudos acadêmicos, o comportamento neutro, absolutamente neutro, afavelmente neutro, dolorosamente neutro dos ingleses consegue apagar o furor, o fogo, a energia de se ver e de ver o mundo através de uma ótica atravessada por uma história africana? Neutraliza-se preconceitos? Como afinal cada um de nós passa por eles para apenas sermos quem somos, sem comparações? Fulana, negra do cabelo bom, Sicrano, branco do cabelo ruim – o que é a qualidade ruim ou bom para cabelo? Exatamente. O que somos, exatamente? Porque, sem este saber exato, qual o fundamento do preconceito? Ah, ok, somos diferentes e a diferença é a marca do preconceito. Mas - quem é igual? Black River mergulha num universo indistinto que tentamos ingenuamente distinguir – a diferença. Num mundo que distingue cada vez mais diferenças, mas não assume uma lógica de igualdades, a peça vem mesmo a calhar. E ver Patrick Campbell para além do ponto de vista de meu colega de classe, no mestrado, foi um presente, uma honra. Uma voz pura, dona de muitos sotaques, acentos melódicos e prosódias, Patrick conta histórias que detém a estranheza de quem somos e nossos pequenos e não percebidos preconceitos cotidianos, colocando-se no lugar de quem viu de onde veio e aponta com clareza – somos quem somos e somos misturados. No Brasil então, é um debate cansado, à medida em que ninguém pode se sentir fundamentado em uma única raça para falar e, assumindo nossa mestiçagem, para quê falar? Com que moral, que raciocínio? Um debate que esgota as nossas reservas de lucidez, sendo estúpido – e por isso mesmo cada vez mais necessário. Há um ponto de partida para a humanidade e ele é miscigenado, caro leitor. Em sua performance, Patrick, branco, olhos azuis, inglês de sentimentos neutros e cabelos encaracolados, aponta seu avô negro, seus tios mestiços e ele – branco, do cabelo “nem tão bom assim”. E ao fazer isso a si mesmo, ao designar-se mestiço, levanta a questão do racismo com determinação e excelente interpretação, com domínio da voz e todos os seus meneios. Uma pena tê-lo visto tão pouco tempo e usufruído de seu trabalho apenas nesta apresentação. Espetáculo imperdível. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Peça falada em inglês e português do Brasil. Vários sotaques, cantos, cânticos e danças africanas, caribenhas. Uma “mescla” de culturas, de línguas, de personagens. Apenas um ator. Patrick Campbell criou uma peça totalmente sua, que inclusive, inclui a sua história. Muito interessante e culturalmente rica. Pouco cenário, pouco figurino, pouca iluminação. Uma peça de produção simples. Eu gosto e admiro atores que fazem peças assim. Julgo que esta forma de teatro, de contador de histórias, de contador da sua própria história é muito importante no momento em que vivemos. Partilhar experiências, partilhar sofrimentos, partilhar a forma de lidar com tudo o que dói ou nos faz feliz pode nos salvar. Nunca nos salvará atacar ou impedir o sucesso do outro, diminuir o que os outros fazem de bem. O Brasil está em ebulição e prestes a explodir por que quase todas as pessoas estão a preferir aumentar os problemas e a preferir destruir para apenas vencer? Vencer o quê? As pessoas têm de se entender. Ou no final de todas as tentativas falhadas, se respeitar e viver cada um a sua vida sem atrapalhar a vida dos outros. O ator conta a sua história, sob o ponto de vista da diversidade de cores de pele, cultura e vida das pessoas da sua família. Uma mistura de escravos, donos de fazendas, etc, etc. Pontos de vista opostos, vidas abonadas e vidas de sofrimento numa mesma família. Injustiças, tragédias, marcas que ficam para sempre nos que vêm depois. O ator de alguma forma tenta mostrar seu sofrimento, sua angústia e parece querer mostrar a todos nós que não adianta ficar preso a mágoas, por maior sofrimento que se tenha passado. Gostei da forma original como confronta a ciência, a investigação, a pesquisa, a cultura, as raízes, a terra. Uma peça que seria bem recebida em Portugal. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-o-outro-lado-de-todas-as-cois Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/

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