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Set 8

Exposição “O Gênio dos Gênios – Leonardo Da Vinci” (Salvador, 2019)

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Editado: Set 8

 

Primeiro, o lugar escolhido para acolher a Exposição de Da Vinci – o Palacete das Artes, que é sem dúvida, um dos lugares mais bonitos de Salvador. Depois, a escolha de Da Vinci do ponto de vista “inventor genial” e não apenas “artista genial”, o que abre novos espaços de descoberta para alunos e visitantes, já que existem mecanismos que o mundo conseguiu alcançar há poucos anos quando ele os imaginou no século XVI. E por último, a triste saga de alguém que sendo um habilidoso admirador do gênio de da Vinci, como o professor Thales de Azevedo Filho - ao ponto de criar cópias de seus inventos mais famosos – abrir uma exposição interativa, onde as pessoas poderiam tocar e fazer funcionar a cada um dos elementos inventados e ver seus modelos serem DESTRUÍDOS, QUEBRADOS, ALTERADOS por pessoas que ao entrarem em uma exposição deveriam manter e serem fieis a ideia de que um lugar público não é a casa da sogra e, sobretudo, que as coisas expostas têm um dono, um responsável, alguém que ama um mestre o suficiente para reproduzir suas obras. Então e infelizmente, a exposição interativa acabou se tornando a exposição proibitiva. Por quê, Salvador? Receber alguém na sua casa dá ao visitante a ideia de que pode quebrar tudo quando e em qual casa, pelo amor de Deus?

 

Leonardo, o Da Vinci, o homem que nasceu num momento peculiar onde os mestres parecem ter marcado encontro na Itália e onde, não por acaso, se deram saltos enormes em todas as artes, não foi apenas um dos maiores artistas de todos os tempos. Era uma mente inquieta, um coração em busca de luzes e assim ele escolheu iluminar a nossa vida, mesmo 500 anos depois de sua morte.

 

Muita luz assim, só sopra a vida dos imortais; ele foi um deles.

 

Na exposição, de ferramentas diversas, projetadas por ele e reproduzidas pelo professor Thales de Azevedo Filho, até a pontes, mecanismos engenhosos e polias – tudo com a limpeza de traços inerente a quem as imaginou, nos vemos envolvidas pela sua genialidade e raciocínio criativo. Num momento do mundo onde se acotovelam momentos geniais e macabros, uma ida ao Palacete é como um mergulho em águas mornas – reconfortante.

 

A exposição é gratuita, a vista é gratuita, a beleza dos jardins também – e você sai de lá se sentindo 1 milhão de dólares melhor. Pra sorte do Bug Latino, no portão da mansão cruzamos com um vendedor de cuscuz maravilhoso e ainda fizemos um filme que vamos colocar no Instagram. Quem não for vai se arrepender, com certeza!

Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV

Habituada a ver boas e importantes exposições regularmente em Portugal, quando aparecem boas exposições aqui em Salvador, vou correndo. E o Bug junto. E em pouco tempo pudemos assistir a Vik Muniz no Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM e agora uma homenagem a Leonardo Da Vinci, no Palacete das Artes. Ambas gratuitas. Que maravilha!

 

O acesso à cultura gratuitamente é de louvar e tem sido o caminho no mundo inteiro para a democratização da cultura. Da mesma forma, as pessoas precisam se forçar a ir, se forçar a criar esse hábito. Precisam de entender que é necessário para a sua cultura e sua saúde emocional e social.

 

Às vezes ir a uma exposição e aprender com essa ação precisa de tempo e frequência com que se vai. Se uma exposição é gratuita é sensato escolher horários menos óbvios – sábado e domingo devem ser dias de muita frequência. Organizar a vida profissional de forma a poder ir nem que seja na hora do almoço de um dia da semana, se puder. Se não for possível, ir bem cedo nos finais de semana. Se a exposição permite mexer nas obras, devemos aproveitar mas com parcimônia. Não é para utilizar para ver se não quebra. Por que falo nisto? Porque no primeiro domingo de exposição todas obras se estragaram / quebraram. O autor da exposição e das construções baseado nas descobertas de Leonardo Da Vinci, necessitou de reconstruir todas e algumas já nem solução têm. Gastou de novo o mesmo dinheiro que gastou para organizar a exposição e deve ter ficado muito ofendido. Quem não ficaria. A nobreza de partilhar o que se sabe bem, de mostrar o amor pela obra de um grande artista e deixar mexer nas suas criações baseadas nesse amor. E o que recebe é destruição de tudo apenas por que os visitantes podem mexer, experimentar, aprender com a prática mas não sabem o limite entre isso e o abuso, o desrespeito. Resultado...quem como o Bug Latino, foi depois desse dia, não pôde mexer e não pôde ver as criações em movimento. Uma pena. Como disse anteriormente, precisamos ir mais vezes a exposições para saber apreciar respeitando.

 

Uma exposição encantadora, onde percebemos a quantidade gigante de descobertas de Da Vinci que nos permitiram ter melhor qualidade de vida. Algo que devemos lembrar e agradecer porque a sua contribuição na nossa vida foi espetacular.

 

Se puder não perca.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Palacete da Artes – Salvador, Bahia

https://museupalacetedasartes.wordpress.com/

 

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  • portalbuglatino
    Out 5

    Imaginava que veria um show, mas uma coisa tão arrebatadora, dramática e comovente não é show – é espetáculo, é teatro, é drama – já que drama é ação e o tempo inteiro ela nos mergulhou em ação dramática. Como vocês sabem, minha especialidade é voz profissional. O que mais faço na vida é ouvir vozes, é uma rotina e pouca coisa me impressiona. Fiquei aturdida com a capacidade vocal, com a qualidade, com o domínio do som, do ritmo, da intensidade. Ela cantou com microfone, sem microfone, dobrada, em cima de escada, encostando a barriga nos joelhos – vocês sabem onde fica o diafragma? Sabem o nível de interferência que se dobrar sobre o diafragma causa à voz? Nem queria aplaudir. Queria muito mais ouvir. Absorver. Um repertório forte, intenso, incrível e novo – o que diante da mesmice atual da MPB é como respirar ar fresco. Em alguns momentos, aquele jeito tão Caymmi, tão Nana de entrar na frase musical – uma assinatura única, genética. Em outros momentos, cultura musical, o nível de exigência na escolha de repertório que nasce de ouvir pessoas exigentes ouvindo e comentando música. Que espécie de menina é essa? No meio de pessoas iguais, com botox, dentes branqueados, “preenchidas” nas bochechas, nas faces, nas rugas, aparece uma pessoa de cabeça raspada na máquina 2, deliciosamente acima do peso, gritando emocionalmente “sou como vocês, faço parte da vida normal” – só que não – mas quando abre a boca pra cantar, deixa todos com a boca aberta de espanto. Saiu do palco cantando Marilia Medalha e de um jeito tão único que a plateia não teve tempo pra aplaudir, pra pedir bis. Apenas ficamos ali sentados, sem saber muito bem o que dizer uns aos outros. “E aí véi, cadê ela”? – era o que se ouvia em toda parte. Ali ficamos eu e Ana sentadas, cobertas com a nossa “manta Bug”. Quando levantamos, encontramos Moacyr Motta que estava tão surpreso quanto a gente. Nós três ouvintes ávidos de voz. Os três aturdidos com o que ela mostrou. Foi tanto, tanto que é melhor encerrar do mesmo jeito que ela – de repente. Um pouquinho sem fôlego, mas se eu estivesse no palcão do TCA, fazendo o que ela estava fazendo, cantando dois fados à capela, dançando pra Iansã, performando e transformando cada música numa cena na terra do avô, com a mística que ele deixou e cantou aqui, com a força, a tradição, a lembrança que todos temos... bem... quem não perderia levemente o fôlego? ARREBATADORA. Basta isso. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Apenas um pianista num piano de cauda. A partir de meio do show, mais um músico que toca timbau e depois toca pandeiro. Ambos extraordinários. Um cenário minimalista mas de extremo bom gosto que virou um espetáculo, uma performance, um momento de pura viagem ao interior de cada um que estava na plateia. E o final do show, inusitado, original e inovador. Alice Caymmi é uma artista arrebatadora. Estava no show pensando que, se seu avô, Dorival Caymmi tivesse nascido e vivido nesta época e vivido o que ela viveu, seria igual. Estava pensando que ela é tão surpreendente e fabulosa agora, como seu avô foi na sua época. Bonita, com um sorriso encantador e uma voz....uma voz... Percebem-se as mágoas, as dores, a travessia difícil que fez. Que faz e que fará. E ficamos impressionadas pela sua capacidade: de enfrentar tudo isso, de romper com o instalado, de querer ser quem quer ser, independentemente das vontades alheias ou mais próximas. Como comentou Mariela Brito, a maravilhosa atriz cubana numa entrevista que brevemente sairá no Bug, cada um nasceu para ser o que tem de ser, não o que os outros acham ou dizem para ser. E nos “outros”...coloque quem você quiser...por que tudo que não é você, são os outros. “As palavras são instrumentos de cura” (Alice Caymmi). Como se pode agradecer a uma artista ao, no palco, “exorcizar” as suas dores e as nossas? Não somos Caymmi’s, mas às vezes tudo é tão igual. Principalmente a dor, a incompreensão e a travessia. Principalmente quando se institui que você será, ou não será “alguém” de acordo com os desejos de terceiros. Os que tiveram a vida tranquila, serena e “embalada”, normalmente são muito tranquilos. Por que seriam de outra forma? Mas, e se tivessem tido obstáculos, vários, imensos, dolorosos? E olhares duvidosos sobre o seu caminho? Talvez tivessem sido agressivos, antissociais, etc... até ridículos. Ai, vida, vida... É tão fácil falar e tão fácil apontar quando tudo nos é fácil e tudo nos é oferecido. Em cada palavra, cada som, cada performance, Alice é diferença, é impacto, é terapia. Ainda bem que não foi para o caminho fácil do “negócio” musical. Teve uma educação musical e vocal de excelência, conhecimento cênico fora da “caixa” e amadureceu com o sofrimento e, graças a Deus optou por fazer algo que construa, que faça a diferença. Eu, vou lhe agradecer para sempre pela coragem de abrir um caminho, onde outros podemos passar, e que ninguém nunca teve coragem de fazer. O caminho do que as famílias podem destruir em você, se você não estiver atenta. Tem de existir espaço e respeito para todos. Só por que uns têm tudo, têm a aceitação social e familiar e todo o poder, não é justo que os outros, na marra, não possam ter direito a fazer o seu caminho, por estranho que vos possa parecer. Portugal, França, Holanda, Mundo, se esta maravilha da natureza passar por aí e sempre que passar, tentem não perder. Tem tudo para ser cada vez mais surpreendente, cada vez mais impactante. Alice Caymmi, o Bug Latino se encantou com você e com o mundo que você abriu. Vá, por favor vá em frente. Sempre. O Bug e nós aqui estamos também fazendo a nossa parte desse caminho. Um dia, o caminho virará uma estrada e quem sabe menos pessoas ou nenhumas passarão o que você passou e passa, e que nós Bug e nós Ana Santos e Ana Ribeiro precisamos enfrentar. Que a vida de todos possa ser mais verdadeira e feliz. No final, encontrar na plateia uma pessoa tão querida nossa e do Bug Latino como Moacyr Motta, locutor da Rádio Educadora e um excelente fotógrafo, ainda tornou tudo mais mágico e maravilhoso. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a artista Instagram https://twitter.com/alicecaymmi?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor Facebook https://www.facebook.com/AliceCaymmi/ Vagalume https://www.vagalume.com.br/alice-caymmi/ Letras.mus.br https://www.letras.mus.br/alice-caymmi/ Canal Youtube https://www.youtube.com/channel/UC1nVmno6DrahlYB8abBnjXA Allcance Produções http://www.allcancecomunicacao.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    A peça é dividida em três segmentos distintos. Totalmente distintos. Até em ambientes diferentes. Isso mesmo: você inicia a assistência da peça em um lugar, depois vai para outro e em terceiro lugar, ainda outro. A parte um, adorei – com tantos problemas na Amazônia atualmente, achei o paralelo genial. Destaque para Caio Rodrigo e Daniel Farias. Não entendi a participação daquele instrumento australiano numa cena com nativos da América Latina, mas a sonoridade valeu à pena. Na parte dois, embora o conteúdo dramático tenha me agradado demais, perdi muitas falas. Não por falta de dedicação dos atores que estavam em seu máximo de esforço vocal - até acima – mas porque havia muitos ruídos dos instrumentos em cena, competindo com a voz dos atores. Porém, apesar desses problemas, a dor e o sofrimento, a narrativa de execuções foi incrível, assim como a falta de piedade e uma espécie de procedimento de justificativa para a barbárie – outra relação de pensamento super atual com o que estamos vivendo no momento e que parece não afetar a maior parte das pessoas que ligam a TV e consomem crimes, falcatruas, ódio, enquanto manipulam o celular em busca de outras doses de mesmas coisas. A parte três foi onde achei que a voz de todos “estourou”. E por ser parte da minha vida profissional gerir e controlar a emissão vocal das pessoas fiquei mesmo desconcentrada com o tamanho do esforço. Num momento onde há tanto em jogo no Brasil e onde se acumulam conceitos totalmente equivocados sobre heróis e ideologias, Teatro la Independencia aponta um continente muitas vezes desencontrado e que procura definir-se por conceitos e não conviver com harmonia – uma aula diante de interesses políticos, econômicos e individuais a qual estamos submetidos sob as mais diferentes utopias, descritas em verso e prosa – uma aula de que o real desgoverno pode ser nosso, que continuamos seguindo nossas próprias ilusões travestidas de pessoas, personalidades – grande erro. Acima de tudo Teatro la Independencia fala do papel do teatro no mundo, independentemente de quem estiver no poder – o teatro é um espelho humano poderoso, que lá estava neste espetáculo, voltado para as nossas idiossincrasias todas – vamos nos vender totalmente? Há preocupação social real num investidor que pretende apenas retorno financeiro? O teatro pode ser vender a qualquer interesse para sobreviver? Quem responde? Quem ousa responder? ANA RIBEIRO Diretora de teatro, cinema e TV A peça provoca algum desconforto físico ao espectador de forma intencional se movendo constantemente. Procura provocar outros desconfortos ao trazer inquietações e mesmo discussões. Os espaços e imóveis que se alteram de acordo com os donos, a função e o poder do mundo económico. As discussões que tudo isso provoca, as opiniões de cada pessoa, diferentes, parecidas, conciliadoras, conflituosas. Os que discutem, os que observam, os que organizam enquanto uns discutem e outros observam. Os que organizam não perdem tempo, os que observam têm particular motivação para nada fazer e criticar quem faz e os que discutem têm muita dificuldade em terminar as discussões e passar a ação. Achei esta parte da peça particularmente interessante. Também bastante exigente por que para um ator é difícil estar em palco “parecendo que não está”. Muitos atores não conseguem manter o foco sempre. Muitos atores perdem o olhar, o corpo e o envolvimento por não conseguirem se manter nesse espécie de limbo. E é aí que o ator precisa de manter o seu foco mais forte, para que a plateia não perceba momentos em que ele “sai de cena”. Basta um segundo. Talvez todo o corpo possa se manter em cena mas se o olhar muda, ele desmorona toda a construção e esforço. Numa peça que dura 2 horas, isso é muito difícil para um ator. A peça circula constantemente entre essa zona “real” e outros mundos como as discussões sobre os indígenas, sobre o sofrimento histórico dos povos, sobre D. Quixote. Complexa e muito variada. Senti a peça um pouco longa, com muitos assuntos, abordagens ou pontos de vista. Às vezes querer dizer muito pode provocar no espectador alguma confusão no que a peça quer. Tive momentos de dificuldade em entender a dicção de alguns atores, talvez pela rapidez com que falavam. E me pareceu que a emoção da peça se perdeu um pouco por causa disso. Uma peça tipicamente baiana, onde os corpos e as vozes cantam e dançam e se misturam. Movimento, desconstrução, ousadia...isso será sempre Bahia. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-nuremberg Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    Os estudos acadêmicos, o comportamento neutro, absolutamente neutro, afavelmente neutro, dolorosamente neutro dos ingleses consegue apagar o furor, o fogo, a energia de se ver e de ver o mundo através de uma ótica atravessada por uma história africana? Neutraliza-se preconceitos? Como afinal cada um de nós passa por eles para apenas sermos quem somos, sem comparações? Fulana, negra do cabelo bom, Sicrano, branco do cabelo ruim – o que é a qualidade ruim ou bom para cabelo? Exatamente. O que somos, exatamente? Porque, sem este saber exato, qual o fundamento do preconceito? Ah, ok, somos diferentes e a diferença é a marca do preconceito. Mas - quem é igual? Black River mergulha num universo indistinto que tentamos ingenuamente distinguir – a diferença. Num mundo que distingue cada vez mais diferenças, mas não assume uma lógica de igualdades, a peça vem mesmo a calhar. E ver Patrick Campbell para além do ponto de vista de meu colega de classe, no mestrado, foi um presente, uma honra. Uma voz pura, dona de muitos sotaques, acentos melódicos e prosódias, Patrick conta histórias que detém a estranheza de quem somos e nossos pequenos e não percebidos preconceitos cotidianos, colocando-se no lugar de quem viu de onde veio e aponta com clareza – somos quem somos e somos misturados. No Brasil então, é um debate cansado, à medida em que ninguém pode se sentir fundamentado em uma única raça para falar e, assumindo nossa mestiçagem, para quê falar? Com que moral, que raciocínio? Um debate que esgota as nossas reservas de lucidez, sendo estúpido – e por isso mesmo cada vez mais necessário. Há um ponto de partida para a humanidade e ele é miscigenado, caro leitor. Em sua performance, Patrick, branco, olhos azuis, inglês de sentimentos neutros e cabelos encaracolados, aponta seu avô negro, seus tios mestiços e ele – branco, do cabelo “nem tão bom assim”. E ao fazer isso a si mesmo, ao designar-se mestiço, levanta a questão do racismo com determinação e excelente interpretação, com domínio da voz e todos os seus meneios. Uma pena tê-lo visto tão pouco tempo e usufruído de seu trabalho apenas nesta apresentação. Espetáculo imperdível. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Peça falada em inglês e português do Brasil. Vários sotaques, cantos, cânticos e danças africanas, caribenhas. Uma “mescla” de culturas, de línguas, de personagens. Apenas um ator. Patrick Campbell criou uma peça totalmente sua, que inclusive, inclui a sua história. Muito interessante e culturalmente rica. Pouco cenário, pouco figurino, pouca iluminação. Uma peça de produção simples. Eu gosto e admiro atores que fazem peças assim. Julgo que esta forma de teatro, de contador de histórias, de contador da sua própria história é muito importante no momento em que vivemos. Partilhar experiências, partilhar sofrimentos, partilhar a forma de lidar com tudo o que dói ou nos faz feliz pode nos salvar. Nunca nos salvará atacar ou impedir o sucesso do outro, diminuir o que os outros fazem de bem. O Brasil está em ebulição e prestes a explodir por que quase todas as pessoas estão a preferir aumentar os problemas e a preferir destruir para apenas vencer? Vencer o quê? As pessoas têm de se entender. Ou no final de todas as tentativas falhadas, se respeitar e viver cada um a sua vida sem atrapalhar a vida dos outros. O ator conta a sua história, sob o ponto de vista da diversidade de cores de pele, cultura e vida das pessoas da sua família. Uma mistura de escravos, donos de fazendas, etc, etc. Pontos de vista opostos, vidas abonadas e vidas de sofrimento numa mesma família. Injustiças, tragédias, marcas que ficam para sempre nos que vêm depois. O ator de alguma forma tenta mostrar seu sofrimento, sua angústia e parece querer mostrar a todos nós que não adianta ficar preso a mágoas, por maior sofrimento que se tenha passado. Gostei da forma original como confronta a ciência, a investigação, a pesquisa, a cultura, as raízes, a terra. Uma peça que seria bem recebida em Portugal. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-o-outro-lado-de-todas-as-cois Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/

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