portalbuglatino
Jun 27

“Graças a Deus” / “Grâce à Dieu” (2018)

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Pedofilia. Pedofilia na religião, por acaso na católica. Pedofilia de padres contra crianças.

 

In nomine Patris et Filii et Spiritús Sancti – isto era o que deveria ser, mas não é - e no filme Graças à Deus ficam bem claros os motivos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo envolve rapidez, ausência de corporativismo e de burocracias – é divino, não humano.

 

O filme é escuro como o espírito de quem se sabe doente, mas insiste estar ao redor de crianças. Se sabe doente, mas confia em passar despercebido e perseverar na ação inominável – pedofilia. Temos que falar esse nome. Porque se a pedofilia acontecesse apenas na esfera religiosa optaríamos até pela religiosidade ao invés de religião. Mas muitas casas têm pedófilos travestidos de pais biológicos; de adotivos; de tios; amigos da família; vizinhos.

 

Falando em família, o roteiro do filme – cruamente realista – aponta como as famílias tentam evitar falar do problema pedofilia porque “causa desconforto no eixo familiar” – afinal, a base de tudo é a família, não é?

 

Palavras precisam sempre representar ações, coisas, objetos, concretudes. Então deveríamos falar abertamente: pedofilia, pedófilo, ninguém pode te tocar se você não quiser, nem sua mãe, nem seu pai. Procure um adulto e aponte quem te obrigou; não há segredo sobre isso. Mas nem falamos do assunto. Deixamos que ele repouse no noticiário. In nomine Patris et Filii et Spiritús Sancti ...

 

O filme sendo escuro, difícil de engolir, nojento mesmo, mostra uma natureza pura e aberta ao mundo. A mais pura que assisti até hoje. Porque não basta mostrar o pedófilo sendo algemado e preso. A TV nos anestesia com relação a todas as barbaridades. Basta entendermos e ensinarmos nossas crianças a como evitar os pedófilos, embora eles sejam traiçoeiros e se inssssssinuem.... Como animais peçonhentos e covardes.

 

Um filme tão bom que deveria passar na igreja dos católicos, dos evangélicos, de todos os cristãos e não cristãos, nas escolas, clubes, nos ônibus – em toda parte é pouco. Uma criança não pode mais ter dúvidas se aquele toque é uma coisa boa, se é um segredo, se uma coisa que ela não gosta, mesmo que o adulto miserável diga que é uma coisa boa. O filme é imperdível sendo doloroso, asqueroso, maquiavélico e demonstre a sociopatia na qual mergulhamos para não perder a amizade do chefe, do vizinho, do avô.

 

Shakespeare dizia que os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são; como tudo o que está ao redor do humano, fácil de falar e difícil de exercer.

 

Filme imperdível.

ANA RIBEIRO

Diretora de teatro, cinema e TV

 

Graças a Deus que alguém teve a coragem de falar e de enfrentar os silêncios, as mentiras e a hipocrisia sobre o que acontece com uma percentagem absurdamente alta de crianças e jovens em todo o mundo. Meninas ou meninos, pobres ou ricos, com ou sem família. A pouco e pouco vão se destapando as caixas de pandora de lugares onde as crianças e jovens deviam estar seguros. E não existe um País, ou religião ou partido, ou crença, ou atividade, que se salve. Esporte/desporto, música, religião, escuteiros/escoteiros, escolas, não interessa o tema. Onde existirem atividades para crianças e/ou jovens devemos estar atentos porque estarão também pessoas com objetivos errados. Durante séculos a autoridade cega e sistémica permitiu que se fizessem coisas deploráveis e cruéis a jovens e crianças que deveriam ter proteção. Porque ser adulto é também saber educar e proteger as crianças e jovens.

 

A criança. A criança vive tudo em estado puro e em plena intensidade, entrega, descoberta. Confia nas palavras e ações dos mais velhos, mais experientes. Confia nos que ama e nos amigos e familiares dos que ama. Confia completamente.

 

Gostava que Portugal tivesse a mesma coragem que teve a França. A de expor o problema e dessa forma assumir para corrigir.

 

As pessoas devem poder falar com alguém quando sofrem algo. As crianças e jovens devem saber isso e devem ter pessoas adultas e responsáveis sabendo o que fazer, quando e se isso ocorrer. Chega de uma sociedade de silêncios e faz de conta. Não tapem a boca a quem sofre, a quem ficou marcado para sempre, a quem precisa de se sentir “justiçado” e compreendido. Como a sociedade, vezes sem conta, dá razão aos errados, pelo silêncio e pelo “cala a boca”? A sociedade somos nós, sou eu, é você, não é um lugar vazio e oco. O “deixa estar”, o “deixa lá”, o “sabes lá o que é sofrer”, o “sabes lá o que eu passei e calei”, o “passa à frente”, o “ainda estás aí?”, o “de novo o mesmo assunto?”, o “afinal tens é inveja das pessoas”, o “apesar de tudo não posso deixar de falar com essa pessoa”, o “desculpa mas não me meto nesses assuntos”, o “acho que devias falar com a pessoa porque ela é correta e quer falar contigo e tu recusas-te”, o “avança”, etc, etc, etc... O que querem estas pessoas? Porque querem calar? Concordam? Pior...querem viver sem problemas e você só levanta problemas. Depois de 30 anos ainda falas nisso? De novo?

 

Algumas pessoas ficam com incontinência fecal, urinária, com epilepsia, com fobias, com depressão, com mil e uma coisas mais, mas...para a sociedade elas são fracas, né?

 

São mais fortes os que casam e constroem famílias com vários filhos de uma forma que parece que estão a fazer um muro para se protegerem ou para tentarem ser capazes e “normais”? Porque afinal, socialmente uma pessoa é inferior, um problema, quando ficou para Tio ou Tia. Ai, ai...povo, ai, ai, adultos.

 

E tem os que constroem famílias para poderem ser respeitados e dessa forma conseguirem ter acesso às crianças e jovens sem problemas. Normalmente são intocáveis socialmente. Pessoas de bem, de respeito, que qualquer pai ou mãe confia seus filhos.

 

Como adultos precisamos de proteger os mais novos, os que precisam.

 

Ensinar os seres humanos, desde pequeninos, que outras pessoas só podem tocar no seu corpo se eles autorizarem. Seja quem for. Mesmo um médico precisa pedir e ser autorizado. Mesmo o pai ou a mãe. O corpo é seu. Pedidos estranhos devem ser comentados com as pessoas que confiam. Mais do que uma para não correr o risco de falar com uma ou duas que sabem e calam ou que também são iguais.

 

As igrejas, os colégios, os clubes, os escuteiros/escoteiros, os estágios, os acampamentos, os torneios, etc. Todas as formas de organização onde existam crianças e/ou jovens protegidas por adultos, devem ser vigiadas, controladas e supervisionadas.

 

Este filme/documentário mostra também que as famílias se habituam aos silêncios e a deixar estar, a olhar para o lado, a fazer de conta, perpetuando sofrimentos, erros, manipulações. E essas pessoas são como abutres, ficam anos se for necessário, para atacar. E atacam durante anos. Sabem bem escolher os momentos. Raramente são apanhadas em falso. E quem as acusar vai parecer maluco.

 

Curioso como um dos únicos casais que consegue sobreviver a toda essa luta é um casal em que a mulher também foi abusada em criança. Parece que temos uma dificuldade enorme de entender e apoiar o sofrimento dos outros quando não passamos pelo mesmo. Por que fazemos isso? Precisamos aprender a apoiar os sofrimentos dos outros mesmo que não saibamos como é. Basta saber que os que amamos sofrem. Quando os que amamos sofrem, não devemos mostrar que existem sofrimentos maiores. Por que existem sempre sofrimentos maiores, mas o da pessoa que amamos, se amamos, é aquele naquele momento.

 

Não tenha medo de falar, nunca. Nunca falar para destruir, mas para construir, corrigir.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Site do Circuito Saladearte

http://www.saladearte.art.br/

 

Festival Varilux

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  • portalbuglatino
    há 21 horas

    Tony Blair enfrentou uma inglesa. Uma. Uminha. E foi tudo o que ele precisava. Porque um País não se divide enquanto povo olhando apenas entre esquerda ou direita, mas entre o que é certo e errado. Não existe privilegiar filho de esquerda ou de direita; não existe corrupção de esquerda ou de direita. E nos distraem assim para que não haja um único brasileiro que aponte com coragem o que sabe sobre questões nacionais como Marielle, caixa 2, laranjal em eleição. Uma única mulher denunciou a engenharia nefasta que precipitou as ações contra o Iraque, na guerra que derrubou Sadam Hussein. Uma mulher. Uma. Uminha. Muita ação, muito suspense, muita reportagem investigativa. O Brasil tem algum jornalista investigativo para enfrentar com fatos indiscutíveis o poder? Por que essa noção que todos temos de que em Brasília reina a treva? Nossa cabeça dá voltas na Inglaterra, mas todos os meus pensamentos recaíam no Brasil, em Brasília. O poder pode tudo? Até mentir para nós? Quem não mente pra nós? Este presidente não mente pra nós? O outro mentia? Quem disse a verdade? E a imprensa? Ela vende afinal notícias ou silêncio sobre o que vendeu não dizer, não denunciar, não compartilhar conosco? Para esclarecer: tabloide denuncia a calcinha da deputada que apareceu na saída do carro oficial, o porre de um excelentíssimo qualquer. Mas imprensa vende o encontro escuso, o plano de desvio de verba, o flagrante de corrupção, o uso de robôs que enganam as pessoas e fabricam notícias. Quem tem coragem de denunciar o que é errado, aqui? Sem a moita pra o pessoal se esconder atrás falando de direita ou esquerda, mas com o escudo do que é certo, honesto? Sem colocar Deus no meio, mas o que é ético? É. Como filme é imperdível, com interpretações maravilhosas, sensíveis, nada de gritos, escândalos e misérias. Só pessoas diante de uma decisão a ser tomada e o sofrimento decorrente disso. Para receber seu salário, você abandonaria sua visão do que é certo ou errado e deixaria seu País entrar em guerra sem falar nada? e perderia milhares de brasileiros? Dormiria à noite? Olha que aqui muitos roubam da previdência, da saúde, da educação, juntamente com os que sabem do que está sendo roubado, com os laranjas que emprestam seus nomes para desvios e todos dormem como anjos... somos menos brasileiros, menos patriotas? Um filme fiel aos princípios que defende sem levantar a voz. Sensível, forte, sufocante, estimulante. FILMAÇO!!! Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que vendo, não veem.” José Saramago É arrepiante quando “vemos” a realidade e a forma como enquanto seres humanos, escolhemos ser o que somos. Ser alguém honesto, íntegro, justo, é hoje saber que se pode ser preso, acusado de crimes contra a sociedade e contra os Governos. Contra leis que muitas vezes nem sabemos que existem. E se vivemos num país diferente do país que nascemos, somos muitas vezes surpreendidos pelas regras e leis que nunca imaginamos existirem. Mas mesmo que as leis sejam conhecidas, elas são interpretadas e “cumpridas” de forma sempre de acordo com o poder que temos na sociedade. Quantas vezes fomos e somos enganados, quantas vezes mentiram e mentem ao povo, pessoas que estiveram e estão em cargos poderosos cuja função é zelar pelos povos – não é mentir nem acusar quem descobre as mentiras, nem impedir que os que procuram a justiça e a honestidade possam fazê-lo. Pessoas que são pagas com dinheiro público, dinheiro de pessoas que não têm dinheiro para comer, para ter uma casa, um lar. Como se consegue chegar a esse ponto? Temos sérios problemas em ser justos nos lugares de poder. Sérios problemas em lidar com o poder. Em TER PODER. Julgo que em todos os países do mundo, devemos cuidar deste aspeto na educação das crianças e jovens, urgentemente. Não é possível que se ensine o bem e o mal, a justiça, a honestidade, a existência do Pai Natal, a bondade como algo que depende da nossa opinião. Temos de ter noções mais reais de que esses momentos de infância deixam marcas para sempre. Marcas que separam os seres humanos cada vez mais. Katharine Gun, é um ser humano incrível. Alguém que deve ser um exemplo do que todos devíamos fazer. Pensar no povo, proteger o povo, destapar as mentiras e trapaças de que quem está no poder e se julga intocável. Somos todos iguais, todos. E todos devemos zelar por todos. Este filme, baseado numa história verídica, dá uma pequena noção das monstruosidades que são feitas pelo mundo, a todo o momento, com a proteção das leis, dos silêncios e do medo. Nós, pequenos mortais somos enganados a todo o instante. E a todo o instante podemos ser engolidos pelos sistemas. E a todo o instante escolhemos não ver...o que vemos... Amei o finalzinho...amei... as amizades são para sempre, mas não a qualquer custo. Veja o filme para entender. Finalmente aumentou a quantidade de filmes que retratam histórias de vida determinantes e exemplares. Uma forma de sabermos que não estamos sós. O Bug Latino agradece. Quando o Bug procura parceiros, procura “mãos” que ajudem, como o jornalista que escreveu a notícia e como o advogado que aceitou o caso. Amizades construídas com base no bem e na luta pelo que é certo. Milhões de pessoas que morrem a todo o instante sem ter culpa de nada. Pessoas que ficam sem país...viva em outro país por alguns anos para sentir o que é não fazer parte...e aí tente imaginar o que é nem país ter. Pessoas que ficam sem nada apenas porque quem está no poder do mundo decide que é assim. Esquecemos que vivemos em sociedade para todos terem proteção e direitos. A sociedade se transformou num lugar onde só protege quem aceita o errado, ou quem cala, ou quem faz o que tem vontade sabendo que está protegido. Olhemos para dentro de nós e tentemos ver o que podemos mudar, em nós e em nossa volta. Porque estamos num momento em que damos tiros nos próprios pés com a sociedade que criamos. E os que andam “soltos”, fazendo o que querem e rindo na nossa cara, precisam ser “domados”, consciencializados, ensinados, “melhorados”. Eles não têm “freio” moral. Necessitam de aprender a respeitar a vida dos outros seres humanos. Necessitam de se imaginar no lugar do outro. Como todos nós tentamos fazer, todos os dias. Umas vezes melhor outras vezes errando, caindo e levantando para tentar de novo. Ana Santos, professora e jornalista Informações sobre o filme: https://www.imdb.com/title/tt5431890/ Circuito de Cinema - Saladearte: http://www.saladearte.art.br/
  • portalbuglatino
    há 6 dias

    Mais uma série onde as pessoas vão ver uma injustiça dentro do sistema de justiça – NÃO – uma série que coloca nu o sistema de justiça, a partir de preconceitos, ambições e, claro, a parte mais fraca da corda – os pobres, que não por acaso, são os negros. O nível de mal-estar é sempre muito alto. Altíssimo. Há um limite para as manipulações nojentas do poder e na série elas ultrapassam tudo o que pudermos imaginar porque somam covardia, ambição, falta de escrúpulos, carreirismo, tudo, tudo, tudo... Oprah Winfrey mais uma vez acerta em cheio, dado que o filme conta fatos reais e alguém precisa denunciar o que está acontecendo. E nem iniciem a justificativa tosca de que preconceito é para americanos porque já ultrapassamos o pedaço da história onde afirmávamos a “democracia racial do Brasil” – e ela não existe. Aos que ainda se prendem ao racismo para justificar o ataque de ódio porque seu time perdeu e tem um segurança negro do outro lado da cerca ou o machismo porque há uma mulher de outro time, no lugar onde você acha que ela não devia estar, acorde – você é um absoluto ignorante que não percebe que seu grupo coabita com outros tantos e que vocês não são uma ilha. Socialmente, não existem ilhas, aliás. O fato real é que a série mostra que 5 meninos de 14 a 16 anos foram acusados, denunciados, julgados e condenados sem terem feito nada e para confessarem foram humilhados, ficaram sem comer e dormir por 42 horas sendo arguidos pela polícia – uma tortura psicológica flagrante e covarde. E vejam, eu não falei 5 meninos negros porque tem que começar a nos bastar as denúncias que apontem para 5 meninos e não suas raças, se são pobres, ricos, sua religião, etc. O Brasil tem que evoluir. Somos brasileiros, todos os 200 milhões. Os ricos não são mais brasileiros do que nós; como pode haver uma mesma lei, uma mesma justiça que os toque de maneira tão diferente? São 4 capítulos onde a vergonha por ter nascido e ser chamado de humano nos atinge em cheio, nos dá uma surra – mas é necessário sentir vergonha para vermos que não é mais possível aceitar uma polícia negra e parda suspeitar e abordar negros e pardos como se fossem todos diferentes. Nossos parentes pardos são tão pardos quanto os pardos desconhecidos. Interpretações impecáveis. Sofrimento que se estende com justificativas torpes e inaceitáveis num altíssimo nível de atuação dos atores. Prêmio certo, creio eu. Mas o principal é que todos nós precisamos dar um passo adiante e inserir a palavra igualdade na nossa vida. Tudo bem que nem a França conseguiu, tudo bem que somos um país cheio de contradições e miseráveis. Mas igualdade é um bem que deveria estar no radar de todos e dentro do Brasil a disparidade é tanta que muitos de nós acham que não merecem nem sonhar com ela. Somos um país de invisíveis que correm para não perderem o pouco que conseguiram vendendo florestas, derrubando matas, puxando o saco do Trump e recebendo o de sempre – nada. Quando você pensar que bandido bom é bandido morto, repense. Quando você pensar em subir muros ao invés de melhorar a escola pública, o ensino, o debate, a conversa, repense. Quando você pensar em repassar os seus problemas de comunicação com seus filhos para a escola, repense. Quando pensar que andar armado e armar a polícia com canhões é mais funcional do que melhorar a educação do seu país, repense. É uma vergonha você se achar melhor por qualquer motivo. É uma vergonha você achar que mesmo uma prisão pode ser vergonhosamente sem nenhum princípio, nenhum exemplo, nenhuma moral. É uma vergonha você achar que qualquer pessoa do mundo pode ser vista como menos humana que você. Pense no que pensa e se precisar, REPENSE. Se repense. Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV Prepare seu estômago, porque ele vai virar do avesso. A injustiça é algo normal hoje em dia na sociedade. E em grande escala. Está por todo o lado que é previsível, nos lugares e situações onde menos se espera e à nossa volta. Parece um mosquito voando em volta de nós e da nossa cabeça, aguardando o melhor momento de agir, de deixar o seu veneno. Depois? Depois a própria sociedade, embrulhada num monte de procedimentos, processos, comportamentos interligados e consecutivos, te vai fechando portas, e te “empurrando” para o gargalo da destruição, desânimo, insegurança, medo, fraqueza, incapacidade. Entrando nesse buraco, fazer o caminho inverso é extremamente difícil e demorado. E você já vem com muitas cicatrizes, medos e limitações. Se conseguir sair. Os seres humanos criaram as leis. Supostamente para permitir a justiça. Mas na verdade, a maior parte das vezes a injustiça prevalece. Os seres humanos mais poderosos quase nada fazem pelos outros, a não ser que a situação os prejudique. Aí falam, lutam. Quando é com os outros, frequentemente nem querem saber e até comentam coisas do tipo: “avança, já sabias que o cara era assim”; “quem mandou você ir com essa roupa”; “também foi correr sozinha para o parque aquela hora, esperava o quê?”; “agora só falas nisso?”; “sempre essa conversa da injustiça que te fizeram...quando entendes que o mundo é assim?”; “por uma injustiça estás a dividir uma família nobre e honrada e isso não é correto da tua parte”; “manchaste a família, o teu povo”; etc, etc, etc. A injustiça devia ser proibida. Estamos inventando aviões elétricos, carros voadores, mas apagar a injustiça do mundo não somos capazes. O cinema, mídia, artes cênicas, poesia, literatura, música, têm um papel determinante em alertar, ajudar a “corrigir” as injustiças que muitas vezes o sistema criminal e judicial não resolve. Estes 5 seres humanos a quem a vida foi destruída num sopro, agora podem pelo menos ver a sua história sendo divulgada pelo mundo, nesta Mini-Série espantosa. A evolução da medicina também veio ajudar muito. E, espante-se...o criminoso teve de dizer que foi ele e de o provar, para que estes 5 seres humanos pudessem finalmente ser considerados o que sempre foram...inocentes. A justiça? A justiça seguiu o seu caminho e ainda questionou e desconfiou. Muitas coisas não são faladas nem mostradas e podemos imaginar. “Pagar” por mais de 10 anos na prisão por algo horrendo que você não fez, parece um pesadelo. Nem parece verdade. Sair da prisão e estar “preso” de outra forma porque não pode muitas coisas. E na América é assustador. Todos os dias entre as 19h e as 9h você tem de estar em casa. Não pode fazer e ser tanta coisa que é arrepiante. Na prisão é tudo tão ameaçador que você prefere ficar na solitária para não morrer. Fora da prisão você não tem espaço social de desenvolvimento. Arrepiante. Tem sempre alguém, familiar, vizinho, colega de trabalho que mais tarde ou mais cedo vai te acusar do que não fizeste, vai mostrar abertamente seu preconceito miserável que te cospe de volta para toda a dor que você está tentando lidar a todo o momento. Nossa...como fazemos tanto mal uns aos outros. Esta mini-série é obrigatória. Dolorosa porque mostra o quanto somos capazes de fazer mal uns aos outros e seguir a nossa vida tranquilamente. A dificuldade que temos em reconhecer que erramos. A dificuldade que temos em pedir perdão, em pedir desculpas. A dificuldade que temos em perceber que todos merecemos ser felizes e que a felicidade dos outros não impede a nossa. A maior parte das vezes, a felicidade dos outros aumenta a nossa. Tudo o que aprendemos de certo e errado é aprendido em criança e na adolescência. Precisamos entender a importância da aprendizagem dos valores morais e humanos nessa época da nossa vida. Precisamos de corrigir isso urgentemente. Todos sem exceção. Construímos e desenvolvemos o Bug Latino para poder ajudar. Não os que já têm ajuda, mas os que precisam. Além de todo o conteúdo que pode ser visto no buglatino.com, nas nossas redes sociais, e outras atividades, damos palestras gratuitas sobre estes aspetos importantíssimos da vida, em todos os lugares, mas principalmente nas escolas públicas. Nos olhos daqueles meninos e meninas procuramos injetar esperança e caminho. Sementes que desejamos que contribuam, junto com o trabalho dos seus professores, para eles serem o que sonham ser. Para que tenham a vida mais justa que for possível. Como os que estudam nas melhores ou mais caras escolas do mundo. Veja o filme por favor e seja mais um para impedir que a injustiça tenha espaço. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a Mini-Série https://www.imdb.com/title/tt7137906/
  • portalbuglatino
    Nov 11

    As pragas de madrinha pegam? Porque o corralito argentino lembra as “genialidades” do plano Delfim, Collor, Bresser, Cruzado, milagre econômico, neste, que é o país que vai pra frente ôôôô! Será que o problema é com a falta de atenção dos santos? A pouca presença de milagres, mandingas e rezas? Somos tratados como debiloides na América do Sul, pelos governos da América do Sul. Por quê? O filme atinge o alvo com absoluta perfeição. No plano Collor, assim como no corralito, quantas pessoas se suicidaram? Quantas deprimiram? Quantas caíram na mais absoluta pobreza? Milhões! E quantas roubaram de nós sem terem nenhuma preocupação com quem ficou sem nada? Como sempre? Rindo da nossa cara? Meio lento, mas com absoluta certeza do que estava apontando, “A Odisseia dos Tontos” incendeia nosso desejo de ir para Brasília e perguntar qual a justificativa para os deputados trabalharem só 3 dias, os senadores idem, o presidente ter e sustentar centenas de puxa sacos ao seu redor com ministros claramente incompetentes, num momento onde precisamos de esperança, de ideais e não de perseguição e polarização. Não no Brasil, não na Argentina, não na América do Sul. Precisamos. É uma falta mundial. E se pudéssemos pegar o que já demos? Já pensaram nisso? E se pudéssemos olhar para o esconderijo do que nos tiraram? E no caso da América do Sul foi muito mais do que dinheiro; foram vidas. Inúmeras. No último quarto, finalmente o filme acelera e quando faz isso fica perfeito. É um sonho latino-americano, uma conquista internacional, uma vitória pessoal, mesmo sabendo que tudo é filme, que nada vai mudar, que a falta de educação e de previsão do que fazem, vai continuar ao redor dos poderosos como uma praga de madrinha que nos assombra a todos nós, que somos o povo, os heróis da jornada, aqueles que em algum momento da nossa evolução precisam ganhar por serem honestos. Quer viver esse sonho? Lembrar que já passaram por aqui ditadores, militares, colonizadores, religiosos, cada um com uma ideia mais louca, com um plano mais mirabolante, mas que nenhum deles jamais nos roubou a esperança? E ver isso com um roteiro que não é perfeito porque se alongou um pouco além? Na ficção, eles se uniram e venceram. Temos um mundo ambientalmente semimorto, crises econômicas diversas, desemprego, refugiados, pobres, miseráveis, bombas, assassinos, milicianos e soluções ditas fáceis como ressurreição de regimes de força. Ou trabalho em grupo, previsão da existência dos outros. O que deixaremos? Ricardo Darín mais uma vez realista ao extremo na confecção da ficção, num elenco de primeira linha. Vejam o filme. Vejam mesmo. É como olhar para o espelho e dizer: um dia este será o nosso dia. Como sonho, sensacional. Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV Quando o ponto de partida de um filme é a participação do ator argentino Ricardo Darín, o Bug está presente para saborear o momento. Se o filme tem a participação do seu filho – excelente ator, da sua neta e de vários atores igualmente sensacionais, é um prato cheio. Se, além disso, a história é baseada em fatos verídicos e se apresenta em jeito de metáfora sobre como lidar com os tempos que se vivem no mundo, principalmente em alguns países da América do Sul, torna-se imperdível. Os argentinos são surpreendentes e no cinema espantosos. Um filme sobre os tontos, inocentes, crédulos e, ao mesmo tempo sobre os “espertalhões”, os que acham sempre que sabem mais do que os outros e sua vaidade os convence que merecem sempre mais do que os outros...apenas porque são eles...é um assunto permanente entre seres humanos em sociedade. Atualmente parece até que pioramos e muito nesse aspeto. Quem é inocente e puro parece ser cada vez mais tratado e considerado inferior, menor, pouco inteligente e incapaz de “aproveitar as oportunidades”. Uma inversão de valores inacreditável. Vemos a importância da amizade, da colaboração, da partilha, de sermos eternamente “tontos”/puros procurando a justiça sem desistir nem desanimar. Vemos a diferença como algo a somar. Na verdade só existe isso na diferença, mas insistimos ver outras coisas. Vemos também os que sempre consideram que são tratados de forma inferior, humilhante, que se sentem espezinhados, pela sociedade, pela família, pelos colegas de trabalho...e um dia, se uma oportunidade surge, eles podem escolher e ou se comportam heroicamente ou se comportam inundados de “cegueira” e egoísmo. Vemos o interior geográfico de todos os países onde as oportunidades são muito escassas. E o interior de Portugal comparado com o interior de um País como o Brasil é incomparável. Apesar disso, não deixam de ser em ambos os países, lugares com menos condições, menos apoios, menos oportunidades. Vemos os oportunistas, “cara de pau”, no seu terno/fato engomado e seu sorriso e simpatia hipócrita. Vemos as nossas vidas, as injustiças que foram cometidas no mundo e que assistimos ou sofremos. Vemos que não se pode deixar as pessoas que fazem as coisas erradas, tão à vontade. E vemos que nunca se pode desistir. Principalmente se fazemos parte dos “tontos”/puros. O filme nos faz recordar de relações humanas que estão desaparecendo e que devemos cuidar e manter – a verdadeira amizade, sem interesses secundários, em que se pode confiar totalmente, onde nosso coração se sente em casa e em paz. E nos avisa para sempre termos cuidado com os que parecem de confiança e leais, através do seu discurso, sorriso ou promessas. Assinar documentos sem ler, nunca; assinar documentos que não se entende o que está escrito, nunca; assinar documentos que dizem uma coisa mas que o advogado diz para não dar importância e confiar nele, nunca; acreditar em promessas e sonhos de aplicar dinheiro seguindo a palavra de pessoas aparentemente confiáveis, nunca; acreditar que alguém que é humilhado uma vida inteira, vai defender quem o humilhou numa hora difícil, é esperar um milagre; tratar mal pessoas durante anos e depois, em um instante e com um sorriso esperar que tudo seja esquecido, outro milagre.; etc, etc, etc. Se cuide. O mundo está num momento em que muda de sentido de forma inusitada e súbita. Você se dedica a vender camarão e de repente o mar se enche de óleo e seu produto de venda é destruído. Você tem um currículo e uma carreira profissional invejável, muda de país e mudam as regras. O que você alcançou não tem importância nesse lugar. Precisa começar de novo, fazer outras coisas. Médicas que viram empregadas domésticas, etc, etc, etc. É um filme a não perder. Tem algo nos filmes argentinos que me lembra Portugal do interior e das pessoas que largam tudo para se unirem. Desejo um bom filme e boas recordações. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre o filme: https://www.imdb.com/title/tt10384744/ Site do Circuito Saladearte http://www.saladearte.art.br/

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