portalbuglatino
Jun 7

Deslembro (2018)

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Editado: Jun 7

 

A primeira notícia realmente maravilhosa é que o filme não tem “mulher gostosa”, nus, sexo e violência. Primeira de muitas outras porque as interpretações são limpas, delicadas, sem nenhum toque over, as crianças são realmente fofas, carinhosas de verdade umas com as outras – e uma criança fazendo carinho é aquele negócio que sobe em cima de você, te escala e te faz de almofada – e tudo isso estava lá. É algo como transplante de cabelo: ou o médico pega a “nossa desordem de inserção capilar” ou é inimitável.

 

Outra menção necessária é a presença cênica delicada de Eliane Giardini. Pelo menos uma dezena de vezes, apenas por estar ali, eu me peguei só olhando pra ela, como se as outras pessoas fossem evaporando. Uma atriz assim não tem espaço num filme com sexo, tiros e sangue pra todo lado, mas a mudança de enredo faz nossas divas – yes, nós as temos! – brilharem.

 

Uma história necessária de se contar pra uma geração que fala de ditadura, tortura e democracia, sem imaginar que alguém sofre, alguém morre, alguém some. E que isso era comum no Brasil, na América do Sul, continua sendo assim na Rússia, na China, em uma das Coréias. E é isso mesmo: só existe um tipo de ditadura – a errada - tanto faz se ela é de direita ou esquerda.

 

Por isso mesmo fiquei com pena de o filme não mostrar um pouquinho mais da nossa história, aproveitando que todo mundo estava mergulhado no viés de mudança, de perda, de falta de informação da família, na tela. Certamente isso daria um empurrão na ação – que poderia ser verbal mesmo, só pra agitar mais um pouquinho a curiosidade dos mais novos. Pra o Google ser acionado pela curiosidade e mostrasse o que a minha geração sabe de cor. Pra gente iniciar uma fala familiar sobre a importância da democracia, sem parecer sermão ou discurso partidário.

 

Claro que as mudanças que a educação do Brasil está sofrendo, devem impedir que esse filme abra as aulas de história quando o tema for “1964, o ano que não acabou”, mas ele deveria estar na escola, fazer parte do que as pessoas precisam entender sobre perda pra deixarem de ser nocivas umas com as outras. Porque quando o assunto é ditadura, só existem mortos, traumatizados e os que não sabem nada e dão palpite.

ANA RIBEIRO

Diretora de teatro, cinema e TV

 

Os filmes brasileiros têm um encanto próprio. Deslembro tem uma lentidão que nos faz sentir mais as emoções. Muitas vezes nos vemos dentro do próprio filme. Uma adolescente lidando com o mundo das recordações traumáticas, com mudanças de vida e de cultura, com alterações em si e no seu mundo a todo o momento. Em 1979, num mundo sem celular/telemóvel.

 

Vemos como a história de uma pessoa da família é a história de todas. Cada um sente e vive de uma forma, mas é uma história que pertence a todos. E os mais novos vêm, percebem e sentem tudo.

 

A ditadura em Portugal, foi horrível e deixou marcas para sempre. Sempre quis saber a história da ditadura do meu país porque é também a minha história. É muito importante sabermos a história do nosso país para sabermos de nós. Sabia o mínimo da ditadura do Brasil. Agora não sei tudo, infelizmente. Mas a cada momento que aumento a minha informação, aumenta meu espanto e horror pelo que um ser humano pode fazer a outro ser humano. Neste filme, é apontada a direção das recordações e da dor. Do efeito que tem não saber o que aconteceu, como aconteceu, onde foi que aconteceu. Isso deixa a imaginação solta. Um perigo.

 

Gostei muito do filme. Mostra, em 1979, como a liberdade de espaço e movimento era maior no Rio de Janeiro do que em Paris. Agora acho que temos todos outra noção. Atores maravilhosos, mesmo os mais novos. Os livros, a leitura, a poesia, vivendo o seu reinado...que foge velozmente. E, como portuguesa, um grande orgulho por Fernando Pessoa estar no filme e na vida dos brasileiros. Com o nome do filme, o poema lindo “Deslembro incertamente. Meu passado”.

 

O Bug Latino, agradece a cortesia dos ingressos para a pré-estreia do filme. Muito gratas.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Informações sobre o filme

https://www.imdb.com/title/tt8900098/

 

Site Circuito Saladearte

http://www.saladearte.art.br/

 

Site Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha

http://www.itaucinemas.com.br/pag/salvador-glauber-rocha

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  • portalbuglatino
    há 5 horas

    Tony Blair enfrentou uma inglesa. Uma. Uminha. E foi tudo o que ele precisava. Porque um País não se divide enquanto povo olhando apenas entre esquerda ou direita, mas entre o que é certo e errado. Não existe privilegiar filho de esquerda ou de direita; não existe corrupção de esquerda ou de direita. E nos distraem assim para que não haja um único brasileiro que aponte com coragem o que sabe sobre questões nacionais como Marielle, caixa 2, laranjal em eleição. Uma única mulher denunciou a engenharia nefasta que precipitou as ações contra o Iraque, na guerra que derrubou Sadam Hussein. Uma mulher. Uma. Uminha. Muita ação, muito suspense, muita reportagem investigativa. O Brasil tem algum jornalista investigativo para enfrentar com fatos indiscutíveis o poder? Por que essa noção que todos temos de que em Brasília reina a treva? Nossa cabeça dá voltas na Inglaterra, mas todos os meus pensamentos recaíam no Brasil, em Brasília. O poder pode tudo? Até mentir para nós? Quem não mente pra nós? Este presidente não mente pra nós? O outro mentia? Quem disse a verdade? E a imprensa? Ela vende afinal notícias ou silêncio sobre o que vendeu não dizer, não denunciar, não compartilhar conosco? Para esclarecer: tabloide denuncia a calcinha da deputada que apareceu na saída do carro oficial, o porre de um excelentíssimo qualquer. Mas imprensa vende o encontro escuso, o plano de desvio de verba, o flagrante de corrupção, o uso de robôs que enganam as pessoas e fabricam notícias. Quem tem coragem de denunciar o que é errado, aqui? Sem a moita pra o pessoal se esconder atrás falando de direita ou esquerda, mas com o escudo do que é certo, honesto? Sem colocar Deus no meio, mas o que é ético? É. Como filme é imperdível, com interpretações maravilhosas, sensíveis, nada de gritos, escândalos e misérias. Só pessoas diante de uma decisão a ser tomada e o sofrimento decorrente disso. Para receber seu salário, você abandonaria sua visão do que é certo ou errado e deixaria seu País entrar em guerra sem falar nada? e perderia milhares de brasileiros? Dormiria à noite? Olha que aqui muitos roubam da previdência, da saúde, da educação, juntamente com os que sabem do que está sendo roubado, com os laranjas que emprestam seus nomes para desvios e todos dormem como anjos... somos menos brasileiros, menos patriotas? Um filme fiel aos princípios que defende sem levantar a voz. Sensível, forte, sufocante, estimulante. FILMAÇO!!! Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que vendo, não veem.” José Saramago É arrepiante quando “vemos” a realidade e a forma como enquanto seres humanos, escolhemos ser o que somos. Ser alguém honesto, íntegro, justo, é hoje saber que se pode ser preso, acusado de crimes contra a sociedade e contra os Governos. Contra leis que muitas vezes nem sabemos que existem. E se vivemos num país diferente do país que nascemos, somos muitas vezes surpreendidos pelas regras e leis que nunca imaginamos existirem. Mas mesmo que as leis sejam conhecidas, elas são interpretadas e “cumpridas” de forma sempre de acordo com o poder que temos na sociedade. Quantas vezes fomos e somos enganados, quantas vezes mentiram e mentem ao povo, pessoas que estiveram e estão em cargos poderosos cuja função é zelar pelos povos – não é mentir nem acusar quem descobre as mentiras, nem impedir que os que procuram a justiça e a honestidade possam fazê-lo. Pessoas que são pagas com dinheiro público, dinheiro de pessoas que não têm dinheiro para comer, para ter uma casa, um lar. Como se consegue chegar a esse ponto? Temos sérios problemas em ser justos nos lugares de poder. Sérios problemas em lidar com o poder. Em TER PODER. Julgo que em todos os países do mundo, devemos cuidar deste aspeto na educação das crianças e jovens, urgentemente. Não é possível que se ensine o bem e o mal, a justiça, a honestidade, a existência do Pai Natal, a bondade como algo que depende da nossa opinião. Temos de ter noções mais reais de que esses momentos de infância deixam marcas para sempre. Marcas que separam os seres humanos cada vez mais. Katharine Gun, é um ser humano incrível. Alguém que deve ser um exemplo do que todos devíamos fazer. Pensar no povo, proteger o povo, destapar as mentiras e trapaças de que quem está no poder e se julga intocável. Somos todos iguais, todos. E todos devemos zelar por todos. Este filme, baseado numa história verídica, dá uma pequena noção das monstruosidades que são feitas pelo mundo, a todo o momento, com a proteção das leis, dos silêncios e do medo. Nós, pequenos mortais somos enganados a todo o instante. E a todo o instante podemos ser engolidos pelos sistemas. E a todo o instante escolhemos não ver...o que vemos... Amei o finalzinho...amei... as amizades são para sempre, mas não a qualquer custo. Veja o filme para entender. Finalmente aumentou a quantidade de filmes que retratam histórias de vida determinantes e exemplares. Uma forma de sabermos que não estamos sós. O Bug Latino agradece. Quando o Bug procura parceiros, procura “mãos” que ajudem, como o jornalista que escreveu a notícia e como o advogado que aceitou o caso. Amizades construídas com base no bem e na luta pelo que é certo. Milhões de pessoas que morrem a todo o instante sem ter culpa de nada. Pessoas que ficam sem país...viva em outro país por alguns anos para sentir o que é não fazer parte...e aí tente imaginar o que é nem país ter. Pessoas que ficam sem nada apenas porque quem está no poder do mundo decide que é assim. Esquecemos que vivemos em sociedade para todos terem proteção e direitos. A sociedade se transformou num lugar onde só protege quem aceita o errado, ou quem cala, ou quem faz o que tem vontade sabendo que está protegido. Olhemos para dentro de nós e tentemos ver o que podemos mudar, em nós e em nossa volta. Porque estamos num momento em que damos tiros nos próprios pés com a sociedade que criamos. E os que andam “soltos”, fazendo o que querem e rindo na nossa cara, precisam ser “domados”, consciencializados, ensinados, “melhorados”. Eles não têm “freio” moral. Necessitam de aprender a respeitar a vida dos outros seres humanos. Necessitam de se imaginar no lugar do outro. Como todos nós tentamos fazer, todos os dias. Umas vezes melhor outras vezes errando, caindo e levantando para tentar de novo. Ana Santos, professora e jornalista Informações sobre o filme: https://www.imdb.com/title/tt5431890/ Circuito de Cinema - Saladearte: http://www.saladearte.art.br/
  • portalbuglatino
    há 5 dias

    Mais uma série onde as pessoas vão ver uma injustiça dentro do sistema de justiça – NÃO – uma série que coloca nu o sistema de justiça, a partir de preconceitos, ambições e, claro, a parte mais fraca da corda – os pobres, que não por acaso, são os negros. O nível de mal-estar é sempre muito alto. Altíssimo. Há um limite para as manipulações nojentas do poder e na série elas ultrapassam tudo o que pudermos imaginar porque somam covardia, ambição, falta de escrúpulos, carreirismo, tudo, tudo, tudo... Oprah Winfrey mais uma vez acerta em cheio, dado que o filme conta fatos reais e alguém precisa denunciar o que está acontecendo. E nem iniciem a justificativa tosca de que preconceito é para americanos porque já ultrapassamos o pedaço da história onde afirmávamos a “democracia racial do Brasil” – e ela não existe. Aos que ainda se prendem ao racismo para justificar o ataque de ódio porque seu time perdeu e tem um segurança negro do outro lado da cerca ou o machismo porque há uma mulher de outro time, no lugar onde você acha que ela não devia estar, acorde – você é um absoluto ignorante que não percebe que seu grupo coabita com outros tantos e que vocês não são uma ilha. Socialmente, não existem ilhas, aliás. O fato real é que a série mostra que 5 meninos de 14 a 16 anos foram acusados, denunciados, julgados e condenados sem terem feito nada e para confessarem foram humilhados, ficaram sem comer e dormir por 42 horas sendo arguidos pela polícia – uma tortura psicológica flagrante e covarde. E vejam, eu não falei 5 meninos negros porque tem que começar a nos bastar as denúncias que apontem para 5 meninos e não suas raças, se são pobres, ricos, sua religião, etc. O Brasil tem que evoluir. Somos brasileiros, todos os 200 milhões. Os ricos não são mais brasileiros do que nós; como pode haver uma mesma lei, uma mesma justiça que os toque de maneira tão diferente? São 4 capítulos onde a vergonha por ter nascido e ser chamado de humano nos atinge em cheio, nos dá uma surra – mas é necessário sentir vergonha para vermos que não é mais possível aceitar uma polícia negra e parda suspeitar e abordar negros e pardos como se fossem todos diferentes. Nossos parentes pardos são tão pardos quanto os pardos desconhecidos. Interpretações impecáveis. Sofrimento que se estende com justificativas torpes e inaceitáveis num altíssimo nível de atuação dos atores. Prêmio certo, creio eu. Mas o principal é que todos nós precisamos dar um passo adiante e inserir a palavra igualdade na nossa vida. Tudo bem que nem a França conseguiu, tudo bem que somos um país cheio de contradições e miseráveis. Mas igualdade é um bem que deveria estar no radar de todos e dentro do Brasil a disparidade é tanta que muitos de nós acham que não merecem nem sonhar com ela. Somos um país de invisíveis que correm para não perderem o pouco que conseguiram vendendo florestas, derrubando matas, puxando o saco do Trump e recebendo o de sempre – nada. Quando você pensar que bandido bom é bandido morto, repense. Quando você pensar em subir muros ao invés de melhorar a escola pública, o ensino, o debate, a conversa, repense. Quando você pensar em repassar os seus problemas de comunicação com seus filhos para a escola, repense. Quando pensar que andar armado e armar a polícia com canhões é mais funcional do que melhorar a educação do seu país, repense. É uma vergonha você se achar melhor por qualquer motivo. É uma vergonha você achar que mesmo uma prisão pode ser vergonhosamente sem nenhum princípio, nenhum exemplo, nenhuma moral. É uma vergonha você achar que qualquer pessoa do mundo pode ser vista como menos humana que você. Pense no que pensa e se precisar, REPENSE. Se repense. Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV Prepare seu estômago, porque ele vai virar do avesso. A injustiça é algo normal hoje em dia na sociedade. E em grande escala. Está por todo o lado que é previsível, nos lugares e situações onde menos se espera e à nossa volta. Parece um mosquito voando em volta de nós e da nossa cabeça, aguardando o melhor momento de agir, de deixar o seu veneno. Depois? Depois a própria sociedade, embrulhada num monte de procedimentos, processos, comportamentos interligados e consecutivos, te vai fechando portas, e te “empurrando” para o gargalo da destruição, desânimo, insegurança, medo, fraqueza, incapacidade. Entrando nesse buraco, fazer o caminho inverso é extremamente difícil e demorado. E você já vem com muitas cicatrizes, medos e limitações. Se conseguir sair. Os seres humanos criaram as leis. Supostamente para permitir a justiça. Mas na verdade, a maior parte das vezes a injustiça prevalece. Os seres humanos mais poderosos quase nada fazem pelos outros, a não ser que a situação os prejudique. Aí falam, lutam. Quando é com os outros, frequentemente nem querem saber e até comentam coisas do tipo: “avança, já sabias que o cara era assim”; “quem mandou você ir com essa roupa”; “também foi correr sozinha para o parque aquela hora, esperava o quê?”; “agora só falas nisso?”; “sempre essa conversa da injustiça que te fizeram...quando entendes que o mundo é assim?”; “por uma injustiça estás a dividir uma família nobre e honrada e isso não é correto da tua parte”; “manchaste a família, o teu povo”; etc, etc, etc. A injustiça devia ser proibida. Estamos inventando aviões elétricos, carros voadores, mas apagar a injustiça do mundo não somos capazes. O cinema, mídia, artes cênicas, poesia, literatura, música, têm um papel determinante em alertar, ajudar a “corrigir” as injustiças que muitas vezes o sistema criminal e judicial não resolve. Estes 5 seres humanos a quem a vida foi destruída num sopro, agora podem pelo menos ver a sua história sendo divulgada pelo mundo, nesta Mini-Série espantosa. A evolução da medicina também veio ajudar muito. E, espante-se...o criminoso teve de dizer que foi ele e de o provar, para que estes 5 seres humanos pudessem finalmente ser considerados o que sempre foram...inocentes. A justiça? A justiça seguiu o seu caminho e ainda questionou e desconfiou. Muitas coisas não são faladas nem mostradas e podemos imaginar. “Pagar” por mais de 10 anos na prisão por algo horrendo que você não fez, parece um pesadelo. Nem parece verdade. Sair da prisão e estar “preso” de outra forma porque não pode muitas coisas. E na América é assustador. Todos os dias entre as 19h e as 9h você tem de estar em casa. Não pode fazer e ser tanta coisa que é arrepiante. Na prisão é tudo tão ameaçador que você prefere ficar na solitária para não morrer. Fora da prisão você não tem espaço social de desenvolvimento. Arrepiante. Tem sempre alguém, familiar, vizinho, colega de trabalho que mais tarde ou mais cedo vai te acusar do que não fizeste, vai mostrar abertamente seu preconceito miserável que te cospe de volta para toda a dor que você está tentando lidar a todo o momento. Nossa...como fazemos tanto mal uns aos outros. Esta mini-série é obrigatória. Dolorosa porque mostra o quanto somos capazes de fazer mal uns aos outros e seguir a nossa vida tranquilamente. A dificuldade que temos em reconhecer que erramos. A dificuldade que temos em pedir perdão, em pedir desculpas. A dificuldade que temos em perceber que todos merecemos ser felizes e que a felicidade dos outros não impede a nossa. A maior parte das vezes, a felicidade dos outros aumenta a nossa. Tudo o que aprendemos de certo e errado é aprendido em criança e na adolescência. Precisamos entender a importância da aprendizagem dos valores morais e humanos nessa época da nossa vida. Precisamos de corrigir isso urgentemente. Todos sem exceção. Construímos e desenvolvemos o Bug Latino para poder ajudar. Não os que já têm ajuda, mas os que precisam. Além de todo o conteúdo que pode ser visto no buglatino.com, nas nossas redes sociais, e outras atividades, damos palestras gratuitas sobre estes aspetos importantíssimos da vida, em todos os lugares, mas principalmente nas escolas públicas. Nos olhos daqueles meninos e meninas procuramos injetar esperança e caminho. Sementes que desejamos que contribuam, junto com o trabalho dos seus professores, para eles serem o que sonham ser. Para que tenham a vida mais justa que for possível. Como os que estudam nas melhores ou mais caras escolas do mundo. Veja o filme por favor e seja mais um para impedir que a injustiça tenha espaço. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a Mini-Série https://www.imdb.com/title/tt7137906/
  • portalbuglatino
    Nov 11

    As pragas de madrinha pegam? Porque o corralito argentino lembra as “genialidades” do plano Delfim, Collor, Bresser, Cruzado, milagre econômico, neste, que é o país que vai pra frente ôôôô! Será que o problema é com a falta de atenção dos santos? A pouca presença de milagres, mandingas e rezas? Somos tratados como debiloides na América do Sul, pelos governos da América do Sul. Por quê? O filme atinge o alvo com absoluta perfeição. No plano Collor, assim como no corralito, quantas pessoas se suicidaram? Quantas deprimiram? Quantas caíram na mais absoluta pobreza? Milhões! E quantas roubaram de nós sem terem nenhuma preocupação com quem ficou sem nada? Como sempre? Rindo da nossa cara? Meio lento, mas com absoluta certeza do que estava apontando, “A Odisseia dos Tontos” incendeia nosso desejo de ir para Brasília e perguntar qual a justificativa para os deputados trabalharem só 3 dias, os senadores idem, o presidente ter e sustentar centenas de puxa sacos ao seu redor com ministros claramente incompetentes, num momento onde precisamos de esperança, de ideais e não de perseguição e polarização. Não no Brasil, não na Argentina, não na América do Sul. Precisamos. É uma falta mundial. E se pudéssemos pegar o que já demos? Já pensaram nisso? E se pudéssemos olhar para o esconderijo do que nos tiraram? E no caso da América do Sul foi muito mais do que dinheiro; foram vidas. Inúmeras. No último quarto, finalmente o filme acelera e quando faz isso fica perfeito. É um sonho latino-americano, uma conquista internacional, uma vitória pessoal, mesmo sabendo que tudo é filme, que nada vai mudar, que a falta de educação e de previsão do que fazem, vai continuar ao redor dos poderosos como uma praga de madrinha que nos assombra a todos nós, que somos o povo, os heróis da jornada, aqueles que em algum momento da nossa evolução precisam ganhar por serem honestos. Quer viver esse sonho? Lembrar que já passaram por aqui ditadores, militares, colonizadores, religiosos, cada um com uma ideia mais louca, com um plano mais mirabolante, mas que nenhum deles jamais nos roubou a esperança? E ver isso com um roteiro que não é perfeito porque se alongou um pouco além? Na ficção, eles se uniram e venceram. Temos um mundo ambientalmente semimorto, crises econômicas diversas, desemprego, refugiados, pobres, miseráveis, bombas, assassinos, milicianos e soluções ditas fáceis como ressurreição de regimes de força. Ou trabalho em grupo, previsão da existência dos outros. O que deixaremos? Ricardo Darín mais uma vez realista ao extremo na confecção da ficção, num elenco de primeira linha. Vejam o filme. Vejam mesmo. É como olhar para o espelho e dizer: um dia este será o nosso dia. Como sonho, sensacional. Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV Quando o ponto de partida de um filme é a participação do ator argentino Ricardo Darín, o Bug está presente para saborear o momento. Se o filme tem a participação do seu filho – excelente ator, da sua neta e de vários atores igualmente sensacionais, é um prato cheio. Se, além disso, a história é baseada em fatos verídicos e se apresenta em jeito de metáfora sobre como lidar com os tempos que se vivem no mundo, principalmente em alguns países da América do Sul, torna-se imperdível. Os argentinos são surpreendentes e no cinema espantosos. Um filme sobre os tontos, inocentes, crédulos e, ao mesmo tempo sobre os “espertalhões”, os que acham sempre que sabem mais do que os outros e sua vaidade os convence que merecem sempre mais do que os outros...apenas porque são eles...é um assunto permanente entre seres humanos em sociedade. Atualmente parece até que pioramos e muito nesse aspeto. Quem é inocente e puro parece ser cada vez mais tratado e considerado inferior, menor, pouco inteligente e incapaz de “aproveitar as oportunidades”. Uma inversão de valores inacreditável. Vemos a importância da amizade, da colaboração, da partilha, de sermos eternamente “tontos”/puros procurando a justiça sem desistir nem desanimar. Vemos a diferença como algo a somar. Na verdade só existe isso na diferença, mas insistimos ver outras coisas. Vemos também os que sempre consideram que são tratados de forma inferior, humilhante, que se sentem espezinhados, pela sociedade, pela família, pelos colegas de trabalho...e um dia, se uma oportunidade surge, eles podem escolher e ou se comportam heroicamente ou se comportam inundados de “cegueira” e egoísmo. Vemos o interior geográfico de todos os países onde as oportunidades são muito escassas. E o interior de Portugal comparado com o interior de um País como o Brasil é incomparável. Apesar disso, não deixam de ser em ambos os países, lugares com menos condições, menos apoios, menos oportunidades. Vemos os oportunistas, “cara de pau”, no seu terno/fato engomado e seu sorriso e simpatia hipócrita. Vemos as nossas vidas, as injustiças que foram cometidas no mundo e que assistimos ou sofremos. Vemos que não se pode deixar as pessoas que fazem as coisas erradas, tão à vontade. E vemos que nunca se pode desistir. Principalmente se fazemos parte dos “tontos”/puros. O filme nos faz recordar de relações humanas que estão desaparecendo e que devemos cuidar e manter – a verdadeira amizade, sem interesses secundários, em que se pode confiar totalmente, onde nosso coração se sente em casa e em paz. E nos avisa para sempre termos cuidado com os que parecem de confiança e leais, através do seu discurso, sorriso ou promessas. Assinar documentos sem ler, nunca; assinar documentos que não se entende o que está escrito, nunca; assinar documentos que dizem uma coisa mas que o advogado diz para não dar importância e confiar nele, nunca; acreditar em promessas e sonhos de aplicar dinheiro seguindo a palavra de pessoas aparentemente confiáveis, nunca; acreditar que alguém que é humilhado uma vida inteira, vai defender quem o humilhou numa hora difícil, é esperar um milagre; tratar mal pessoas durante anos e depois, em um instante e com um sorriso esperar que tudo seja esquecido, outro milagre.; etc, etc, etc. Se cuide. O mundo está num momento em que muda de sentido de forma inusitada e súbita. Você se dedica a vender camarão e de repente o mar se enche de óleo e seu produto de venda é destruído. Você tem um currículo e uma carreira profissional invejável, muda de país e mudam as regras. O que você alcançou não tem importância nesse lugar. Precisa começar de novo, fazer outras coisas. Médicas que viram empregadas domésticas, etc, etc, etc. É um filme a não perder. Tem algo nos filmes argentinos que me lembra Portugal do interior e das pessoas que largam tudo para se unirem. Desejo um bom filme e boas recordações. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre o filme: https://www.imdb.com/title/tt10384744/ Site do Circuito Saladearte http://www.saladearte.art.br/

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