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Você é Poesia


Se procure nas poesias, se encontre e se fortaleça. Você é incrível. Talentosa e capaz de alcançar seus sonhos. Seja feliz. Ser feliz dá trabalho. Trabalhe. Sempre se levante e escolha seu próprio caminho. Transforme a dor numa aprendizagem. Quando tudo parece estar errado, olhe em volta com carinho, procure e siga por caminhos floridos, mesmo sangrando. Todos amamos você – porque você é o mundo, porque você é poesia.


1. Poesia indicada por Maria Lúcia Levert


“Cântico Negro”


“Vem por aqui”- dizem-me alguns com olhos doces,

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: “vem por aqui”!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…


A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

—Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre a minha Mãe.


Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos…


Se ao que busco saber nenhum de vós responde,

Por que me repetis: “vem por aqui”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

a ir por aí…


Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?…

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos…


Ide! tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátrias, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…


Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: “vem por aqui”!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou…

Não sei para onde vou,

Não sei para onde vou

—Sei que não vou por aí!”


José Régio


2. Poesia indicada pelo Bug Latino


“Poema da Primavera Extinta”


“Perderam-se os sapatos largos

da inocência

e, há muito, a jardineira

partiu-se

ferindo os dedos que tocavam

as frágeis boninas.

Depois, apenas a soleira carcomida

pelo pisar alheio de quem passa.

E nós dois, meio a tudo,

macerando os cravos vermelhos

que o destino sequer nos reservava.”


ANNE CERQUEIRA

Feira de Santana, Bahia


3. Poesia de Teresa Vilaça


“PANDEMIA”


“Sem bom dia pra dizer

Sem força pra levantar

Sem doutor para atender

Sem vacina pra tomar

Sem notícia pra entender

Sem ato pra protestar

Sem manifesto pra ler

Apenas mortos chorar.


Sem comida pra comer

Sem os netos pra brincar

Sem certeza de viver

Sem deixar de trabalhar

Sem conseguir proteger

Sem amigo pra abraçar

Sem filhos para dizer

Apenas mortos chorar.


Sem esperança perder

Sem poder desanimar

Sem dar direito ao ceder

Sem máscara poder usar

Sem deixar de aprender

Sem deixar de avaliar

Sem jamais se esquecer

Apenas mortos chorar


Sem esquecer de dizer

Sem deixar de preparar

Sem a luta fenecer

Sem deixar de organizar

Sem deixar de refazer

Formas de tudo mudar

Derrubar esse sistema

E o mundo transformar”


T.Vilaça


Salvador, 4 de julho de 2020

POEMAS DO DIA A DIA


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