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“SOBRE AS DESCULPAS PARA A SUA VIOLÊNCIA” BUG SOCIEDADE


“SOBRE AS DESCULPAS PARA A SUA VIOLÊNCIA” BUG SOCIEDADE

Você pode ser o que quiser ser – todos somos obrigados a aceitar, seja o que for. Pode não conseguir estudar ou virar acadêmico, pode só ler a Bíblia ou escrever seus próprios livros, pode ir pra religião que lhe chama ou trocar de religião se ouvir outro chamado. Mas em qualquer religião, a pauta é a paz. Mandaram matar – não é religioso, é político, e dentro da política está o terrorismo.

Quem compra o silêncio ou a imobilidade dos representantes da justiça está corrompendo a lei. Mesmo que seja a maior autoridade de um País a fazê-lo. Mesmo que seja a maior autoridade do seu País a fazê-lo. E eu tenho que reagir para proteger o meu País. Mesmo se eu gostar da maior autoridade – mesmo se ela me der nojo – apenas porque é minha obrigação.

Não é realista você mudar o conceito e a história do seu tombo, se gostar mais ou menos do dono da calçada onde você escorregou, entende? Porque isso se chama manipulação.

Então: Mesmo que alguém tenha jogado “apenas” uma bomba de cocô é terrorismo? É. Mesmo que no Brasil todo mundo se sinta ogro e queira andar armado dando tiro pra cima? Sim. Qualquer tiro que envolva você acreditar que a sua política é melhor que as outras, se chama atentado e é terrorismo.

Mesmo se o presidente mandar?

O que você acha? Uma pessoa te manda cometer um crime – qualquer crime. Você tem coragem de cometer? Você rouba, invade, mata? Então você é bandido, terrorista e atenta contra a lei.

Você acha que alguma autoridade vai te apoiar se você fizer isso ou desconfia que vai ser abandonado ao ir pra cadeia como terrorista, num País onde as pessoas estão vivendo de osso e pelanca?

Você acha que a revolução de Jesus foi mandar atormentar todo mundo, matar, despedaçar ou foi amar ao teu inimigo como a ti mesmo? E se ele pregou e morreu por amor, como você explica o que aconteceu com o Dom e Bruno, como você explica o cara do PT estar cantando na sua festa a música do Lula e tomar tiro? Isso é crime? Dar tiro e matar é menos crime do que cantar? Matar é menos crime? Isso tem alguma justificativa plausível? Todo bolsonarista vai aceitar conviver com criminoso? Vai virar criminoso? E vai achar anormal o resto da população ficar totalmente revoltada querendo dar fim a esse tormento logo ou vai achar que estão sendo perseguidos e “que a velha história bêbada do golpe da urna eletrônica” está valendo?

São perguntas importantes.

Você vendeu sua vergonha? Porque eu não paro de sentir vergonha. Tenho vergonha do Brasil que destrói tudo, incendeia, mata, corta em pedaços, atira, mata, xinga, desonra e achincalha. Tenho vergonha dos quase 700 mil mortos por COVID. São almas, são pessoas que pertenceram à famílias reais, com filhos, netos, sobrinhos. São amigos. São brasileiros.

O que você é? Brasileiro? Brasileiro porque usa camisetinha canarinho ou brasileiro de verdade? Então pense em tudo isso e vote certo, parente. Salve o Brasil. Salve a gente.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“Quem não?” Bug Sociedade

Quem nunca se irritou com alguém? Mas isso passa, ou se não passa fácil precisamos nos empenhar mais um pouco para que passe. Conversar, discutir, ficar chateado, se afastar das pessoas que não são boa companhia para a vida que você leva, que você acredita. Ficar irritado com o vizinho que coloca a música alta em horas desadequadas. Vizinhos que fazem festa, dia sim dia não, e isso complica o sono de quem precisa de trabalhar cedo por vezes dá uma irritação dobrada – falta de descanso e perceber que tem um problema constante na sua vida. A vizinha coscuvilheira que se mete na sua vida e lhe diz o que você deve fazer. O colega de trabalho que sorri sempre que você tem problemas. O colega de trabalho que conspira contra seu trabalho. O cara que é a favor de um candidato diferente do seu nas eleições e você não entende como ele pensa desse jeito. Talvez ele sinta o mesmo. O cara que está cheio de contas para pagar e é mesmo nessa hora que o carro avaria, que a geladeira quebra, que pegou numa louça super cara do amigo e ela escorregou da sua mão e virou pó de vidro, e aí alguém diz uma piada, uma provocação. Quem não? Quem não teve ou tem problemas destes, ou piores? Quem nunca teve na vida frustrações, mágoas, irritações, desorientações? Não é no Brasil, é no mundo inteiro. É com todos. Em algum momento da vida, ou em mais do que um, ela, a vida nos provocará, nos confrontará, pedindo nossa raiva, inveja, ódio, loucura até. Todos sentiremos emoções menos boas, desejos bizarros e até perigosos, mas somos seres humanos, nesse momento temos a responsabilidade de perceber o que nossa imaginação, nossas emoções mais primárias, nos estimulam primitivamente. E devemos e temos de desviar o fluxo do pensamento, temos de ser gente e pensar que são momentos. Beber água, afastar do lugar, da pessoa, etc. Podemos e, alguns especialistas até aconselham a fazê-lo, podemos falar nesses desejos e pensamentos loucos com alguém de confiança ou até com algum profissional. Tudo para ter noção que a nossa perda de equilíbrio social e humano precisa parar e precisamos voltar a quem somos e a quem temos orgulho de ser. Pensamentos loucos ok, quem não? Mas a ação, a prática precisa ser sempre civilizada, humana, educada, para não virarmos bichos.

Todos os adultos sabemos como são os momentos em que estamos desorientados, quando as provocações são muitas, as ajudas são poucas, o universo parece conspirar contra tudo o que desejamos, tentamos.

Pegar numa pistola, numa espingarda, num fuzil, numa faca e tentar fazer justiça? Tentar ter razão? Tentar vencer o quê? Tentar tirar o que o outro tem nos dá mesmo o quê? Desejar mal aos outros nos ajuda em quê? Impedir os outros de conseguirem o que merecem nos dá que raio de satisfação mesmo? Invadir países, famílias, aniversários, casas, corpos, almas, emoções...quem são vocês? Qual é a vossa causa?

Médico anestesista estupra mulher durante o parto. Um bolsonarista invade a festa de aniversário de um tesoureiro do PT, e o mata com tiros. Na hora do almoço, morrem, com armas, no Brasil, o mesmo número de pessoas que num ano no Japão.

Buscamos a atenção, a razão e o progresso com armas... Estamos doentes. Muito doentes. É preciso aceitar isso para procurar ajuda e mudar comportamentos, tomar “medicamentos” se necessário for. Mas precisamos “ir ao médico” todos juntos, ao mesmo tempo e aceitar o diagnóstico e as estratégias para mudar. Quando isso vai acontecer?

Ana Santos, professora, jornalista

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