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Qual é o limite? Bug Sociedade


Há o bom senso. Há o amor próprio. Mas há a omissão também. Às vezes, o limite entre o bom senso e a omissão é quase imperceptível. O que faz um herói afinal não é o seu limite?


Pensamos em Hércules e no Batman, mas um sertanejo no meio da seca, plantando a esperança de comer depois da chuva hipotética não é tão ou mais herói que os super heróis?


Na pandemia, um médico é visto como grande herói - e é. Mas os auxiliares de enfermagem e enfermeiros que estão lá dando a mão ao doente, limpando suas sondas e lhe dando banho, confortando a enorme falta de ar, sabendo que milhões de vírus mortais estão flutuando ao redor de si, também são.


A pergunta que a vida sempre nos faz é então: Qual é o seu limite? Até onde o seu espírito pode lhe levar? Um grande herói pode ser aquele jovem que olha seus pais e seus avós e decide não sair de casa para protege-los? Do que nós podemos abrir mão para salvar uma multidão de pessoas? Qual é o nosso limite?


Neste janeiro minha mãe morreu. E eu, em março, dei graças por ela ter ido sem correr o risco de adoecer em tempos de Covid. Fiquei mesmo aliviada. Porque os nossos limites são relativos à tanta coisa...


Quem será o herói a olhar sua avó pela janela do apartamento dela sem se aproximar, mas gritando te amo? Ou quem será o herói a não sair para poder estar com seus amores consanguíneos? O que divide o mundo é esse pequeno pensamento egoísta de que afinal você não é o único, afinal poucos aguentam, afinal você não ganha para tanto sacrifício. Mas existe um salário diferente para os que se sacrificam? Um bombeiro, nas Torres Gêmeas, em Nova Iorque precisava de 1 minuto em cada andar, encaminhando as pessoas perdidas para as escadas e a salvação. 1 minuto, ok. Mas eram 120 andares. 120 minutos. Aqueles bombeiros pensaram em salvar pessoas ou que, em 2 horas, haveria uma grande chance deles morrerem ou de acontecer alguma coisa extrema? Morreram 400 bombeiros naquele dia, o que significa que eles estavam ali para salvar, para serem e se sentirem úteis.


Qual é o limite de cada um de nós? Quem ainda atravessa a rua com as velhinhas? Com os cegos? Quem prevê que os elevadores dos ônibus deixam a desejar em número e funcionamento e quem reclama na Prefeitura? O herói faz apenas os grandes feitos ou pode estar por trás dos pequenos milagres também?


Por isso, na sexta, olhe para seus pais e avós. Olhe. Olhe para seus tios, seus irmãos, seus vizinhos. Pelas suas mãos passam vida e morte. Eles merecem viver ou morrer? Deixar viver tem que ser uma coisa grandiosa ou pequenos feitos carregam grandes salvamentos também? Do que você é capaz? Qual é o seu limite? O seu amor faz com que seus passos diminuam de velocidade para prever um velho qualquer andando na rua ou só seus parentes? Quem é você? Qual é o seu limite?


Feliz Natal. Que o seu coração seja tocado pelo amor e você se proteja para proteger a quem ama. Use a máscara. Use seu coração. Fique em casa.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Impressionam as pessoas que ultrapassam limites, marcas, medos, barreiras sociais. Parecem não ter medo de nada e têm no olhar algo que só elas vêm – o futuro que para nós ainda é desconhecido mas que já existe no seu coração. O meu fascínio pelo desporto era esse: ser capaz de fazer mais, mais depressa, mais alto, melhor. Ultrapassar limites, medos, marcas que a sociedade considera como difíceis e que no desporto existem para quebrar. É muito curioso tudo isso. Tanta exposição no desporto e afinal, o ser humano normal, sem regalias, sem palmas, sem fãs, ultrapassa limites inimagináveis todos os dias. Precisam seguir, mesmo não tendo nada, muito menos aplausos. Precisam sobreviver, por isso não têm limites, a não ser a sua morte. Não têm patrocinadores, empresários, padrinhos, família, etc. Apenas têm um dia atrás do outro, a capacidade de se adaptar, de descobrir saídas, de aprender, de criar, de reinventar. Não vêm as linhas vermelhas que a sociedade insiste em colocar porque não vêm a vida assim. Querem mesmo e querem muito. Não pensam em mais nada, apenas fazem. Para eles não existe outra saída. E transformam caminhos que parecem perdidos em caminhos de sucesso pessoal e social, transformam-se em milagres, em exemplos e em soluções. Eles mostram que sempre existe uma saída, sempre existe uma solução. Uns demoram mais tempo a descobrir, outros aprendem bem cedo, outros parecem não querer ver. Mas os limites, que em criança parecem ser para recuar, aprendem que não são para recuar e sim para ganhar balanço/impulso e ultrapassar. Tranquilo...vai-se aprendendo...


Foi quando caí feio pela primeira vez na vida que aprendi algumas destas coisas. Minha mãe e minha irmã mais velha literalmente me salvaram a vida. Me levantaram e me mostraram que as linhas vermelhas são apenas limites que às vezes só existem na tua cabeça. Duas campeãs da vida... Aí vais aprendendo. Se te impedem de ser feliz onde desejas, mudas de lugar, se te impedem de trabalhar com o que fazes bem, aprendes a fazer outra coisa, se, se, se, se... Os limites deixam de ser assustadores. Passam a lugares onde precisamos apenas ganhar balanço/impulso para os ultrapassar. E você? Quais são os seus limites?

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