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Poesia, sim e não


Momentos de alegria. Momentos de tristeza. De memória. De vida. Tudo é poesia. Tudo vem, tudo vai. Umas vezes rima, outras vezes nós que precisamos rimar.


1. Poesia indicada pelo Bug Latino


“Duas Dúzias de Coisinhas à Toa Que Deixam a Gente Feliz”


“Passarinho na janela,

pijama de flanela,

brigadeiro na panela.

Gato andando no telhado,

cheirinho de mato molhado,

disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã,

drops de hortelã,

grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso,

jogar pedrinha no poço,

um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa,

pisar em tapete persa,

eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão,

dias quentes de verão,

descer pelo corrimão.

Almoço de domingo,

revoada de flamingo,

herói que fuma cachimbo.

Anãozinho de jardim,

lacinho de cetim,

terminar o livro assim.”


Otávio Roth


2. Poesia indicada por Maria Lúcia Levert


“A tristeza juncou de pétalas de rosa”


“A tristeza juncou de pétalas de rosa

O chão do meu jardim

E a  a alma que em mim goza

A dor que passa em mim

Só ficou mais inquieta, ansiada e sequiosa

Do que nunca teve fim.

A Maldade juncou de apodrecidos frutos

O chão do meu pomar

Mas meu ser não vestiu nem rancores nem lutos

Ao ver o desolar.

Só ama mais ainda os seres impolutos

Que não têm acabar.

Meu jardim e pomar hoje apenas consistem

Em memórias fatais,

Mas a minha alma ao ver, nas tristezas que a assistem,

Que os seres imortais

Em parte alguma — céu ou terra em sonho existem

Ainda os amou mais.”

Fernando Pessoa

escrito em 18.5.1910

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