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“O CLIMA EXTREMO NOS ALCANÇOU” e “Nada é garantido” Bug Sociedade


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“O CLIMA EXTREMO NOS ALCANÇOU” Bug Sociedade

A cidade foi mudando de cor ano a ano. Pouca gente talvez tenha percebido que passamos de uma cidade onde havia verde por todos os lados para uma onde impera o cinza e o preto. Ninguém veio nos ensinar a – pelo menos – separar as latinhas para os meninos da reciclagem. Então, continuamos a alimentar os ratos com o lixo que os pegadores de latinha, ao rasgarem os sacos dos prédios, deixam para trás. Olhe o que falta de educação cria: tratamos melhor ratos e ratazanas do que as pessoas.

Essa semana choveu. CHOVEU!

Olhando para o termo “clima extremo”, creio que o prefeito e os vereadores precisam finalmente nos apresentar uma proposta e um planejamento com ações para nos defendermos dos efeitos das mudanças climáticas. Trocamos o verde pelo cinza-cimento, o verde pelo preto-asfalto. A água então vai escoar como? Para onde? Na minha rua, os bueiros foram todos tapados, os meios-fios estão bem mais baixos porque recapearam tudo sem raspar o asfalto antigo e toda a água desse dilúvio que Salvador recebeu foi pra rua de baixo – que lógico – encheu.

As árvores ficam velhas e morrem sem receberem cuidado nenhum. Nenhuma campanha pra que os homens parem finalmente de fazer xixi na rua, no pé do poste, no pé da árvore, no pé do muro. Os homens tentam proibir as mulheres trans de dividirem o banheiro conosco, mas, no entanto, puxam o “bilau” pra fora sem qualquer vergonha ou cerimônia.

A campanha eleitoral vai começar.

Temos candidatas do gênero feminino para prefeitura? Alguém com energia nova que queira revitalizar o nosso verde - combalido desde o governo de João Henrique e a mudança do plano piloto que acabou com a Mata Atlântica da Avenida Paralela? Uma “mulher verde” da direita? Da esquerda? Desculpem homens, mas vocês tiveram muitas chances com a cidade e nem sequer serviram para ensinar aos adultos a separarem o lixo normal das latinhas. Nem falo orgânico de inorgânico porque ninguém nunca sequer respirou esse assunto. Apenas as latinhas. Um aceno de boa vontade. Uma promessa que possa ser tornada funcional e cumprida por todos nós, juntos.

Nada.

A Avenida Centenário só foi remodelada no canteiro central. A lateral da mesma Avenida está – desde o carnaval – coberta de buracos e lama – que pode ser seca ou daquela que escorrega – mas lama é lama. O pedestre não tem lugar entre os “cinzas-cimento” da administração municipal. Disputamos espaço com as bicicletas da ciclovia porque a via do pedestre tem meio metro – quando existe. Onde, onde? Que é isso... É mentira! Passa lá na Rua Professor Sabino Silva e veja com seus olhos que a terra há de comer.

A campanha eleitoral vai começar.

Meu cenário precisa de cor – de preferência cor verde. Só eu vi a chuva, o temporal, a tempestade? Só eu percebi que o prédio da TranSalvador caiu, que a cidade inundou? E por favor: Se for pra falarem – DE NOVO – que a cidade não esperava por essa quantidade de água, nos poupem! Acho que a aula de CLIMA EXTREMO só não foi assistida pelos políticos. Não façam de conta que foram surpreendidos. Ao contrário – nos surpreendam com competência, planejamento, capacidade de ouvir e resolver problemas – porque amiguinhos, os problemas do mundo não vão parar de aumentar. E foram vocês que os criaram.

Taiwan se preparou para sobreviver a terremotos. Quando os políticos vão nos propor soluções e planejamento para a nossa versão de clima extremo, qual seja: chuva tipo dilúvio e seca? E ações que nos envolvam, como separar as latinhas. Somos inteligentes. Nos tratem como.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Nada é garantido” Bug Sociedade

Salvador debaixo de chuva. Existem dois procedimentos necessários, mas também bastante arrepiantes, nestes momentos. Você mexe no seu celular para ler alguma mensagem ou fazer uma ligação e aparecem vários avisos, a vermelho, de deslizamento de terras. Sabe que se ouvir a sirene de alerta, deve evacuar imediatamente a sua casa, dirigir-se a locais seguros, pontos de encontro. É muito mais comum em bairros da periferia, mas isso não é mais regra não. Realmente não somos nada perante a vontade da natureza. Intimida, amedronta, te coloca no verdadeiro e ínfimo lugar que você ocupa no universo. Não é mais aquela chuva que eu amava e me ensopava quando vinha da escola, em menina, em Portugal. Nem aquela chuva que até entra pela janela que está mal fechada num dia de temporal. É chuva tropical, que machuca, que danifica, que causa muito danos.

“A resiliência de uma pessoa, também depende do meio onde vive e de suas aprendizagens desde a infância.” Esta frase, de Rosa Molina, me mostra porque eu, que nunca tive medo da chuva, agora estou a precisar de me adaptar a um mundo onde a chuva pode ser um enorme perigo e eu preciso aprender a viver com isso – sem entrar em pânico, mas também sem ficar achando que não é nada. É uma construção, uma aprendizagem. Não basta rotular as pessoas como resilientes ou não. Resiliência, aprende-se, constrói-se. É mais fácil para quem viveu em ambientes resilientes, junto de pessoas resilientes. Fato. Por isso, sendo mais fácil ou difícil, para si, não se acanhe, nem permita rótulos.

Segundo Zena Eisenberg, Doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano, “as humilhações e as exclusões ativam as mesmas zonas cerebrais da dor física.” Numa tradução livre, tratar mal uma pessoa é a mesma coisa que a agredir. Precisamos saber isso, lembrar disso, cuidar do que dizemos, como dizemos, quando dizemos e porque o dizemos. As pessoas que são subalternas – definido no dicionário de língua portuguesa como quem serve ou está sob as ordens de outro ou na sua dependência, como jovens, empregados, colaboradores, mulheres dependentes dos maridos, etc, estão mais sujeitas a este tipo de massacre silencioso. Precisamos ser melhores. Precisamos estar dispostos a nos avaliar, nos perceber, a nos corrigir e a nos melhorar. Da mesma forma, precisamos estimular os que nos rodeiam a fazer o mesmo. Pelo exemplo é uma boa forma. Ainda tem muita gente achando que é assim, que nasceu assim, que é assim que vai morrer e que como aprendeu dessa forma, não aceita outra. E continua a tratar mal os outros, provavelmente a tratar-se mal também. Estamos sempre a tempo de rever e melhorar.

Bons exemplos:

Conheça a inovadora aposta de um dos melhores sistemas de saúde do mundo - O Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca. Aqui. Impressionante como é acessível e fácil fazer as coisas certas e bem. Intenções boas e assertivas nas organizações, junto com informática adequada, parecem soluções caras...mas sai muito mais caro fazer mal feito, errar, organizações desorganizadas. A refletir.

Wilson Liu, de 9 anos, é o aluno mais jovem da célebre Juilliard School, em Nova Iorque. Aqui. Sua genialidade não é só ao tocar piano, é também na forma tão natural, normal e humana como fala, como sorri, como conversa com o entrevistador – também um músico. Afinal ele é um menino de 9 anos que ama tocar piano e é o que faz, nas horas livres da escola. Tão simples.

A vida como a chuva. Quando está sol parece que tudo é fácil e possível. Quando chove, parece que vamos perder tudo, que não somos ninguém. Será que o que somos está de acordo com o clima? Somos o que somos de acordo com a sorte na vida? Hoje fiz bons negócios, sou boa pessoa, amanhã reprovei no exame, não presto? Hoje o dia correu bem, sou demais. Amanhã tudo corre mal, não presto?

As chuvas das nossas vidas ensinam muito. Nós aprendemos?

Ana Santos, professora, jornalista

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