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“NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR” Bug Sociedade


“NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR” Bug Sociedade

Estamos bem longe da Ucrânia e, mesmo sem querer, a guerra acaba sendo uma sucessão de imagens fortes que queremos esquecer. Mas na Europa ela continua próxima, terrível, cada vez mais perigosa e envolvendo soldados de muitos países.


Portugal já começou a enviar homens. França, Inglaterra... e armas, drones, misseis defensivos e de ataque, numa sucessão e num acúmulo de arestas, desafios, estratégias – e mortos.


Ninguém pretende mesmo deter o Putin? A Europa vai conseguir se desapegar daquele gás russo e investir pesadamente em combustíveis limpos? Nenhum continente esteve tão perto de tomar uma atitude que, ao mesmo tempo, atingisse ao Putin e ao efeito estufa. Mas eles terão coragem? Desapego da sua zona de conforto?


Cada salto no escuro da história requer essa bravura. Porém, o mundo me parece bem longe desse estado de coragem. Me parece muito mais colado a um estado de indiferença, que larga as pessoas ao Deus dará e segue, egoisticamente, acumulando o que pode – até plástico – numa relação de vidas e coisas totalmente desproporcional.


Se ninguém fizer nada e as coisas continuarem caminhando sem boa vontade, talvez estejamos bem na frente da III Guerra Mundial. Já pensaram nisso? Já pensou você ser rico e não ter grande coisa pra comprar no mundo? Já pensou seus problemas mudarem totalmente de foco, de uma hora pra outra? Já pensou na economia mundial em recessão total, ainda pior do que aconteceu com a Covid? Já pensou todo mundo numa fila de comida?


O mundo não aprendeu nada com a pandemia e a guerra, daqui desse lado, parece um filme com vilão bem definido. Infelizmente, creio que todos nós somos bastante vilões dessa história ao nos negarmos a dizer o não objetivo que o mundo precisa de ouvir de cada País, através de cada pessoa que vota.


O primeiro não – às ditaduras do mundo. Não interessa se o governo é de direita ou esquerda, se é de centro – ele precisa ser democrático pra ser oxigenado por todos nós, de temporada em temporada. Governo permanente é sempre roubada – e ainda tem otário no Brasil que repete “discurso tipo receita de bolo”, a favor de outra coisa que não seja a liberdade para escolhermos por nós mesmos. O segundo não – ao espírito corrompido, à ideia de que, ao se ter que negociar politicamente, existem cedências que precisam ser ocultadas dos demais. Se cada um de nós tentar ser – e a filosofia budista me parece mais exigente porque o tempo todo você sabe que vai renascer, reencarnar e precisa tentar ser melhor do que no segundo anterior. Tic tac você já renasceu e pode não oferecer propina pra “aliviar aquela multa”, pode não assediar para empregar aquela pessoa – tic tac e você pode escolher dizer a verdade, pode ouvir o problema das pessoas com boa vontade – tic tac e nós podemos mudar totalmente o conceito em que vivemos nesse mundo.


Tic tac – vamos continuar pensando em fertilizante e deixar a diplomacia do Brasil se desviar de seu compromisso com a paz entre os povos? Vamos entrar pra história como o “país armado” que tem mais covardes e interesseiros no planeta? Gente sem opinião, que prefere votar em branco, não se meter, mesmo podendo? Tic tac – como ser confiável, não sendo de confiança? Você teria um amigo assim? Ou vamos trocar amigos por fertilizantes? Você trocaria seu amigo por titica de galinha?


Nada é tão ruim que não possa piorar – de “povo pacífico que dava tiro para todos os lados”, vamos evoluir para o egoísmo selvagem. Cuidado que ninguém sabe quando o tiro do País vizinho é contra a gente...

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR” Bug Sociedade

As pessoas são avisadas, informadas, aconselhadas, instruídas, mas mesmo assim, preferem fazer, sem respeitar ninguém, de forma que magoe, que ofenda, que prejudique, que destrua, que mate. Meio mundo tenta dizer como é melhor para todos e meio mundo nem quer ouvir e ainda ri se achando mais esperto e fazendo da forma que vai ser bom apenas para si.


Mulheres trans, designadas masculinas quando nasceram, devem ser chamadas pelos pronomes ELA ou A, de acordo com as circunstâncias. Homens trans, designados femininos quando nasceram, pelos pronomes ELE ou O. Mas muitas pessoas não o fazem e sabemos que não é distração. Outras acham que sabem mais do que as próprias pessoas – “isso é uma fase”; “sempre gostou de experimentar coisas diferentes”. É sempre impressionante a “sabedoria de algumas pessoas”, com a vida das outras pessoas. E infelizmente existem muitas que simplesmente se acham no direito de maltratar, torturar e matar LGBTQIA+. E o Brasil é o país que mais mata, no mundo. Assustador, mais assustador ainda enquanto, ao mesmo tempo, o mundo inteiro olha o Brasil como um país incrível precisamente pela sua diversidade, com um turismo LGBTQIA+ muito atraente e muito lucrativo para o país.


Os povos tradicionais da floresta estão cada vez mais desesperados por causa das dificuldades em obter alimentos devido às alterações climáticas, mais isolados por causa do garimpo ilegal. Passando fome, doentes, com necessidades de medicamentos. O que faria uma pessoa, um ser humano se estivesse próximo e com comida e medicamentos? Acho que todos sabemos. Acontece que a realidade é que garimpeiros estão oferecendo restos de comida em troca de sexo a jovens meninas. A algumas oferecem bebidas alcoólicas e depois estupram-nas até à morte.


O futuro do Brasil. Ai o futuro do querido e amado Brasil! Algumas associações e movimentações de alguns políticos são assustadoras. Preocupantes. Estarrecedoras. Depois da forma como o país tem sido “conduzido”, depois de uma pandemia terrível inundada de descuidos e negligências, quando vem o momento em que o povo deseja escolher algo melhor, os políticos parecem apenas querer se dar bem. As crianças diriam que os bons estão se misturando com os maus e agora? Fome, doença, falta de habitação, incapacidade, desemprego, desejamos que não sejam apenas chavões de campanha eleitoral.


Putin. Uma linha que nossos antepassados pediram, exigiram que nunca ultrapassássemos, foi ultrapassada. Com ela, outras linhas. Como abrir a caixa de Pandora, mas num filme de terror. Como se as feras tivessem sido libertadas da jaula, realizando seus desejos mais ignóbeis. Quebrar limites significa que se pode ir mais além. É no esporte, mas é para tudo. No horror também. Crianças, adolescentes, mulheres, idosos estão à mercê. Ter uma leve dor de barriga com comida de rua é já um desconforto, numa vida em que nada falta. Como é nem ter banheiro, nem ter um banho quente, nem ter uma roupa limpa, uma sopa quente, um lugar confiável onde dormir, pessoas a quem se pode pedir ajuda, cuidar da febre, cuidar dos filhos doentes, proteger os idosos?


No esporte uma das maiores aprendizagens é a de que para criticarmos o trabalho de uma colega, precisamos de fazer esse trabalho primeiro. Não vale dizer que não se sabe fazer. Vai fazer como sabe e depois fala sobre os defeitos da colega. É uma excelente receita para a vida. Era uma excelente receita para Putin e para outros que nem preciso dizer o nome. Passar algum tempo pelo que passam as pessoas a quem destruíram a vida.

Ana Santos, professora, jornalista

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