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“@Madonna, @Anitta, @Pablo2215Vita e a tal moção de repúdio” e “Ensinar, aprender” Bug Sociedade


José Luis Fernández

“@Madonna, @Anitta, @Pablo2215Vita e a tal moção de repúdio” Bug Sociedade

Enquanto, a cada dia, descobrimos o desleixo político que justifica plenamente a desgraça que se abateu sobre o Sul, eles – os políticos, claro – não abrem mão de continuarem a tentar passar projetos ambientalmente mais danosos ainda – rapidinho, enquanto todos estão distraídos chorando ou arrumando alguma coisa pra doar aos gaúchos. Claro, que no seu melhor estilo “quanto mais barulho e coisas inúteis, mais a pouca atenção do eleitor se esvai”, eles também falaram mal da @Madonna, @Anitta, @Pablo2215Vita (olha quantos milhões de pessoas têm aqui, gente), gastando do nosso dinheiro (que poderia estar sendo aplicado em ciência) numa “moção de repúdio”.

Pra que serve isso na prática?

Não adivinharam? Pra nada.

Vamos então repassar: Nunca foi novidade que Porto Alegre e cidades vizinhas nasceram por onde passava o escoamento do Guaíba e afluentes. Mesmo assim, foram pelo menos 20 anos onde “manutenção” foi palavra proibida entre os políticos eleitos. Como a cheia foi em 1941, as personalidades visíveis do estado não queriam lembrar da contenção – reclamavam dela, inclusive – enquanto as pessoas invisíveis – nós – estávamos ocupados demais sobrevivendo e nos enfrentando, ao invés de nos unirmos.

Eu morei no Sul. Na Serra Gaúcha, lugar onde os meninos dos postos de gasolina, pediam para não receberem gorjeta porque não queriam “gostar” do emprego de frentista, tchê. Queriam continuar a estudar e gorjeta era um tipo de “dinheiro mole” que no Rio de Janeiro se dava e se dá, mas lá não se devia dar – pelo menos naquele tempo, enquanto morei na Serra Gaúcha. O Sul é um lugar peculiar, onde as pessoas sentem orgulho de serem quem são – para o bem ou para o mal. Para o mal porque às vezes me chamavam de “brasileira, se achando europeus nascidos no Brasil”, mas principalmente para o bem - porque esses políticos não vão ver lágrimas nos olhos de pessoas humilhadas – vão ter a altivez de um povo que se descobriu traído.

@Madonna, @Anitta, @Pablo2215Vita, junto com show, estavam ocupadíssimos nos “descolando” da camisa canarinho como símbolo antidemocrático e nos devolvendo a nossa bandeira – talvez seja esse o grande “pecado”, já que matar gays e mulheres como moscas não parece afetar ninguém, no Brasil. Houve uma “moção contra o morticínio em São Paulo”, na Operação Escudo ou na Verão? Houve uma “moção contra os erros dramáticos” do prefeito de Porto Alegre ou do Governador do Rio Grande do Sul, que resolveram não dar manutenção no equipamento de proteção contra a cheia do rio Guaíba? Contra o corte nas leis de proteção ambientais? Contra a votação de leis anti-ambientalistas? No Sul morreram mais de 150 pessoas, as fake News choveram e eles não fizeram moção nenhuma contra a falta de regulação na internet...  A vida real está passando aqui na nossa frente e eles apontam na direção @Madonna, @Anitta, @Pablo2215Vita, como se eles pudessem ter salvo o Sul de tudo o que foi feito para conspirar contra o destino do próprio Sul, que de abandono em abandono caía na enxurrada, na lama e na política neoliberal, onde até o que não deve ser vendido porque precisa de proteção, se tenta vender de algum jeito.

A Anitta apenas perguntou se os políticos poderiam fingir que trabalhavam, ao invés de pararem o trabalho real deles – que não é, certamente, o de “fiscalizar e dar pitaco na vida dos outros”. E morreram já 156 pessoas, senhores - o estado está totalmente destruído. Mas gaúcho não nasceu pra chorar e se sentir diminuído, tchê. Na hora de votar, temos que ter os gaúchos, os cariocas, os paulistas, o povo brasileiro na mente e escolher políticos pela competência e não por serem da “minha rede social”. Rede social é pra gente vibrar com @Madonna, @Anitta, @Pablo2215Vita que foram lá, pegaram, usaram e nos devolveram a camisa canarinho com a coragem que ninguém “usa” em Brasília, já que se tenta “passar até boiada” debaixo do pano.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Ensinar, aprender” Bug Sociedade

Dizem que muitos dos seres humanos que provocam incêndios nas montanhas, têm a intenção de queimar a mata, para nascer vegetação boa para as suas ovelhas comerem. O interesse é individual – ter alimentação para as suas ovelhas. Por causa disso, provocam incêndios de dimensões horríveis, provocando destruição de matas, casas, morte de pessoas e animais. Não sabem olhar a vida nem a sociedade como um todo. Isso ensina-se.

Treinadores e professores se dedicam a ensinar, melhorar, desenvolver, dar asas a outros seres humanos. Seu propósito é se dedicar aos outros e que esses outros consigam encontrar o melhor de si na vida e no seu caminho. Isso ensina-se. Chefes de cozinha têm como propósito fazer as melhores comidas, as mais saudáveis, as mais baratas, as mais adequadas, as mais sintonizadas com a natureza e épocas do ano. Isso ensina-se. Engenheiros aprendem a construir prevendo um futuro que ainda não conhecemos, prevendo o pior, que possam combater o impensável, dispostos a corrigir, vigiar as estruturas mais antigas e recuperá-las, melhorá-las. Têm pensamento de prevenção, de proteção, de resolução de problemas, preocupações em cuidar. Isso ensina-se. Os pedreiros, os arquitetos, a mesma coisa. Tem muita construção pelo mundo que a qualquer momento pode ruir, se estas pessoas que são consideradas especialistas na área, não as construírem com o cuidado, eficácia e eficiência que exigem as situações – e as construções. Isso ensina-se. O atleta, independentemente do esporte, dedica-se a fazer o seu melhor, a dar o seu melhor, a ser um bom exemplo para os mais novos, para as pessoas que os admiram e com quem se relacionam. Isso ensina-se.

Saiu recentemente o livro do treinador de Michael Phelps,  Bob Bowman, “The Golden Rules: 10 Steps to World Class Excellence in Your Life and Work”- em tradução livre, “As Regras de Ouro: 10 passos para a excelência de classe mundial na sua vida e no seu trabalho”. Tudo naquele livro é maravilhoso e estimulante. Ali está o que cada um deve fazer para conseguir alcançar os maiores propósitos, sonhos e desejos, seja em que área for. Mas é assustador que as pessoas precisem de comprar um livro de alguém que conseguiu a excelência para saberem que caminho seguir e como fazer. Não o sabemos sem ler estes livros? Isso ensina-se.

O Prefeito, o Governador, o Vereador, o Deputado, o Senador, o Presidente, o que deve fazer? Ao que se devem dedicar? É preciso ler um livro de alguém que cumpriu bem a função no passado? Não têm preparação, capacidade, visão, nobreza para fazer o que se espera nessas funções? Prever e fazer o que as pessoas necessitam? Ficam ofuscados pelas condições, salários, vantagens? Porque, independentemente dos partidos e ideologias políticas, não lutam todos contra a fome? Contra as guerras? Contra as desgraças climáticas? Contra o crime organizado? Contra a corrupção? Nunca nos unimos contra as verdadeiras guerras, as verdadeiras dificuldades, os verdadeiros problemas. Tudo isso se ensina.

É desesperador ver o que aconteceu no Rio Grande do Sul, ver o que estão passando essas pessoas, ver o que as espera, saber de tanta coisa errada que ainda piorou mais tudo o que aconteceu. O que fazem as pessoas que têm funções de responsabilidade? Ficam brigando umas com as outras, ou curtindo a vida com seus luxos e dinheiros, ou fazendo discursos de mundos imaginários, ou culpando quem defende outras ideologias e defendendo quem pensa igual a si. O “Titanic” afundando e o povo ou fazendo festa ou brigando. Que triste...

Tem horas que dá uma vergonha de ser um ser humano...

Tudo se ensina, tudo se aprende. O bom e o mau. Precisamos nos preocupar em ensinar de novo o que é bom e útil para todos. E precisamos nos esforçar em aprender o que é bom e útil para todos. Em qualquer idade, em qualquer função, em qualquer momento.

O que é competência? O que é responsabilidade? O que é doar? O que significa ajudar? O que é cuidar? Como será o nosso amanhã? O que podemos fazer pelos outros? Por nós?

Ensinar, aprender – são soluções mágicas para quase tudo. Mas parecem ter virado problemas...

Ana Santos, professora, jornalista

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